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Urso-polar

Ursus maritimus

Atualizado em

2 a 3 m de comprimentoTamanho
350 a 700 kg (machos)Peso
20 a 25 anosExpectativa de vida
Gelo marinho do ÁrticoHabitat
Alto se provocadoPerigo para humanos
Urso-polar nadando sob a água no mar Ártico com corpo inteiro visível

O urso-polar (Ursus maritimus) é o maior urso do mundo e o único classificado como mamífero marinho. Ele depende do gelo marinho para caçar, se reproduzir e se deslocar, passando tanto tempo na água e no gelo quanto em terra firme.

Apesar da pelagem branca, sua pele é preta e os pelos são ocos e transparentes, o que ajuda a reter calor. Excelente nadador, pode atravessar dezenas de quilômetros em águas geladas e farejar focas a mais de 30 km de distância.

Vive exclusivamente no Ártico, em cinco países, e está classificado como Vulnerável pela IUCN. A perda do gelo marinho por causa do aquecimento global é sua maior ameaça, pois sem gelo ele não consegue caçar.

Também conhecido como: Urso-branco, Urso do gelo, Polar bear (inglês), Ours polaire (francês), Eisbär (alemão), Nanuk (inuktitut)

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Galeria de fotos de Urso-polar

Urso-polar nadando sob a água no mar Ártico com corpo inteiro visível
Urso-polar em natação, seu principal modo de deslocamento entre blocos de gelo.
Close da cabeça e olhos do urso-polar na neve
Detalhe da cabeça pequena e orelhas curtas, adaptações para reter calor.
Detalhe da pelagem e pele do urso-polar mostrando pelos ocos
Pelos ocos e transparentes sobre pele preta: o segredo do isolamento térmico.
Urso-polar caçando imóvel ao lado de buraco de respiração de foca no gelo
Técnica de caça por espera, pode durar horas até a foca aparecer.
Fêmea de urso-polar com dois filhotes saindo da toca de neve
Fêmea com filhotes deixando a toca após 8 meses de jejum.
Urso-polar caminhando sobre gelo marinho fragmentado no verão
Gelo marinho fragmentado no verão: habitat cada vez mais escasso.

Perfil rápido de Urso-polar

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Espécie com alto risco de extinção na natureza devido à perda acelerada do gelo marinho.

População
Em declínio
Protegido por
Sim - Acordo Internacional de 1973 entre os 5 países do Ártico proíbe caça comercial

Calendário

AcasalamentoJFMAMJJASOND
Entrada na toca de maternidadeJFMAMJJASOND
Nascimento dos filhotesJFMAMJJASOND
Saída da toca com filhotesJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
20 a 25 anos, raramente até 30
Em cativeiro
30 a 35 anos com cuidados veterinários
Maturidade sexual
4 a 6 anos (fêmeas), 6 a 10 anos (machos)

Reprodução

Acasalamento
Abril a junho, no gelo marinho
Estrutura social
Solitário, pares temporários apenas no cio
Padrão sazonal
Implantação tardia, nascimentos entre novembro e janeiro
Tipo de nascimento
Vivíparo, na toca de neve
Ninhada
1 a 3 filhotes, média de 2; intervalo de 3 anos entre ninhadas
Cuidado parental
Exclusivo da fêmea, filhotes ficam 2 a 2,5 anos com a mãe

Habitat

Ambientes

  • Gelo marinho
  • Águas costeiras geladas
  • Ilhas e costas árticas
  • Tundra costeira no verão

Biomas

  • Oceano Ártico
  • Tundra ártica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Foca-anelada
  • Foca-barbuda

Outros alimentos

  • Foca-da-Groenlândia
  • Morsa (filhotes)
  • Baleia encalhada
  • Aves marinhas e ovos
  • Algas e vegetação de tundra

Encontrado em 5 países

  • Canadá
  • Rússia
  • Noruega
  • Groenlândia (Dinamarca)
  • Estados Unidos (Alasca)

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Ursidae
Gênero
Ursus
Espécie
Ursus maritimus

Resumo

  • O urso-polar é um mamífero marinho do Ártico que depende do gelo para caçar focas, sua principal presa.
  • Machos chegam a 3 metros e 700 kg, têm pele preta sob pelos ocos e nadam por mais de 100 km sem parar.
  • Classificado como Vulnerável, sofre com o derretimento do gelo marinho e tem reprodução lenta, com filhotes que ficam até 2,5 anos com a mãe.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCarnivora
FamíliaUrsidae
Origem e distribuiçãoÁrtico circumpolar (Canadá, Rússia, Noruega, Groenlândia e Alasca)
TamanhoMachos: 2,4 a 3 m; Fêmeas: 1,8 a 2,4 m (comprimento total)
PesoMachos: 350 a 700 kg; Fêmeas: 150 a 300 kg
Coresbrancocremeamarelado (pelagem)pele preta
ProfundidadeSem limite fixo, nada em águas costeiras e sobre gelo marinho
HabitatGelo marinho, costas e ilhas árticas, águas costeiras geladas
AlimentaçãoCarnívoro (predominantemente focas)
ReproduçãoVivípara, 1 a 3 filhotes por gestação
Expectativa de vida20 a 25 anos na natureza, até 30 em cativeiro
Estado de conservaçãoVulnerável (VU) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito alto
SociabilidadeMuito baixo
InteligênciaMuito alto
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoAlto
Importância para o ecossistema marinhoMuito alto

Como identificar o urso-polar sem confundir

O urso-polar é inconfundível quando adulto, mas alguns detalhes enganam. A pelagem parece branca, porém cada pelo é oco e transparente, que reflete a luz e cria o aspecto branco. Por baixo, a pele é preta, o que ajuda a absorver o calor do sol.

Ele é muito maior e mais alongado que qualquer outro urso. O pescoço longo, cabeça pequena e orelhas curtas e arredondadas reduzem a perda de calor. As patas são enormes, com até 30 cm de diâmetro, funcionam como raquetes de neve e como remos.

Diferente do urso-pardo, não tem corcova nos ombros e as garras são mais curtas e curvadas para agarrar o gelo e as presas. Filhotes são minúsculos ao nascer, com cerca de 600 gramas, cegos e totalmente dependentes da mãe na toca de neve.

Onde vive: o único urso considerado animal marinho

O urso-polar não vive na Antártida. Sua distribuição é exclusivamente circumpolar no Ártico, nos territórios de Canadá, Rússia, Noruega (Svalbard), Groenlândia (Dinamarca) e Estados Unidos (Alasca). São reconhecidas 19 subpopulações distintas.

É classificado como mamífero marinho pelo mesmo motivo que focas e baleias: depende do mar para sobreviver. Passa a maior parte do ano sobre o gelo marinho, onde caça, acasala e se desloca por centenas de quilômetros.

No verão, quando o gelo derrete, recua para costas, ilhas e tundra, onde entra em jejum forçado. Fêmeas grávidas cavam tocas de maternidade na neve em terra firme, onde passam até 8 meses sem comer.

Como nada e por que é tão dependente do mar

Nenhum outro urso nada como o polar. Ele pode nadar de forma contínua por mais de 100 km e por vários dias, mantendo velocidade média de 10 km/h. Usa as patas dianteiras como remos e as traseiras como leme.

A camada de gordura subcutânea de até 11 cm e a pelagem densa e impermeável isolam do frio mesmo em água a -2 °C. As narinas se fecham quando submerge e ele consegue prender a respiração por até 2 minutos.

Essa adaptação tem um custo alto. Nadar longas distâncias consome muita energia e filhotes pequenos correm risco de hipotermia. Por isso, o gelo marinho como plataforma é insubstituível: sem ele, o gasto energético para caçar se torna inviável.

O que come e como caça no gelo

A base da dieta são focas-aneladas e focas-barbudas, ricas em gordura. Um único urso pode comer até 45 kg de gordura de foca em uma refeição e ficar semanas sem caçar novamente. Essa gordura é convertida rapidamente em energia e isolamento térmico.

A técnica mais comum é a caça de espera. Ele fica imóvel por horas ao lado de um buraco de respiração da foca, com o focinho coberto pela pata para não ser visto. Quando a foca sobe para respirar, desfere um golpe extremamente rápido.

Seu olfato é extraordinário: detecta uma foca a 32 km de distância ou sob 1 metro de neve. Ocasionalmente consome morsas jovens, baleias encalhadas, aves marinhas, ovos e, no verão sem gelo, algas e frutos da tundra, mas esses alimentos não sustentam seu metabolismo a longo prazo.

  • Caça de espera (still-hunting): a mais eficiente, no buraco de respiração.
  • Caça de perseguição na água: menos comum, gasta muita energia.
  • Roubo de tocas de foca: quebra o teto de neve onde filhotes de foca se escondem na primavera.

Reprodução e ciclo de vida na toca de neve

O acasalamento ocorre entre abril e junho no gelo marinho. Os machos seguem o rastro de fêmeas por dezenas de quilômetros e podem lutar violentamente entre si. Após a fecundação, há implantação tardia: o embrião só se fixa no útero no outono, se a fêmea acumulou gordura suficiente.

A gestação efetiva dura cerca de 2 meses. Entre novembro e janeiro, na toca escavada na neve, nascem 1 a 3 filhotes, geralmente 2. Eles nascem cegos, quase sem pelos e permanecem aquecidos apenas pelo corpo da mãe, que não come nem bebe durante todo o período na toca.

A família deixa a toca entre março e abril. Os filhotes pesam então 10 a 12 kg e começam a seguir a mãe no gelo. Ficam com ela por 2 a 2,5 anos, aprendendo a caçar. O intervalo entre ninhadas é de 3 anos, o que torna a reprodução muito lenta. Fêmeas só têm o primeiro filhote por volta dos 5 a 6 anos.

Comportamento: solitário, inteligente e extremamente paciente

O urso-polar é essencialmente solitário, exceto por mães com filhotes e casais na época reprodutiva. Machos adultos evitam uns aos outros e podem ser agressivos. Não hiberna como ursos-pardos, mas entra em estado de dormência ambulante quando há pouco alimento.

É considerado um dos carnívoros mais inteligentes do Ártico. Observações mostram uso de ferramentas simples, como usar blocos de gelo para quebrar tocas de focas, e comportamento de engano, como se aproximar se arrastando e desviando o olhar para não assustar a presa.

A paciência é sua marca. Há registros de indivíduos esperando mais de 8 horas imóveis ao lado de um buraco de foca sem se mover. Essa estratégia compensa: a taxa de sucesso é baixa, cerca de 2% das tentativas, então cada oportunidade exige persistência.

É perigoso para humanos? O risco real

Sim, é o urso mais perigoso para humanos e o único que vê pessoas como presa em potencial. Diferente de outros ursos que atacam por defesa, o polar pode perseguir ativamente se estiver com fome. Ataques são raros porque o contato é raro, mas a taxa de letalidade quando ocorrem é alta.

A maioria dos incidentes acontece perto de acampamentos, lixões ou comunidades costeiras do Ártico, especialmente com ursos magros no final do verão. Ele não tem medo natural de humanos e pode se aproximar de forma silenciosa e curiosa antes de atacar.

Quem vive ou viaja no Ártico usa medidas rígidas: vigilância armada, cercas elétricas, armazenamento seguro de alimentos e sprays de pimenta específicos para ursos. Nunca se deve se aproximar, alimentar ou tentar fotografar de perto. A regra é manter pelo menos 100 metros de distância e ter um guia local armado.

Ameaças e conservação: por que o gelo é tudo

O status na IUCN é Vulnerável, com população estimada entre 26.000 e 31.000 indivíduos e tendência de declínio. A principal ameaça não é a caça, mas a perda do gelo marinho devido ao aquecimento global. O Ártico aquece quase quatro vezes mais rápido que a média global.

Com menos gelo, o período de jejum no verão aumenta. Ursos precisam nadar mais, gastam mais energia e têm menos acesso a focas. Fêmeas magras produzem menos leite e filhotes com menor chance de sobrevivência. Estudos mostram que o período sem gelo já aumentou em 3 semanas por década em algumas regiões como a Baía de Hudson.

Outras ameaças incluem poluição por mercúrio e poluentes orgânicos persistentes que se acumulam na gordura, conflitos com humanos, derramamentos de petróleo e perturbação por navegação. Desde 1973, os cinco países do Ártico assinaram o Acordo Internacional para Conservação dos Ursos Polares, que proíbe a caça comercial e regula a caça de subsistência indígena.

Onde observar com responsabilidade

A observação deve ser feita apenas com operadores licenciados e guias locais em locais como Churchill (Canadá), Svalbard (Noruega) e Kaktovik (Alasca). O turismo responsável mantém distância, não alimenta, não usa drones baixos e segue cotas rígidas de visitantes.

No Brasil não há ocorrência natural e a observação só é possível em zoológicos com recintos climatizados, o que é raro. A melhor forma de ajudar à distância é apoiar projetos de monitoramento do gelo marinho e reduzir a pegada de carbono, além de não consumir produtos que incentivem a exploração de petróleo no Ártico.

Perguntas frequentes

Urso-polar é animal marinho mesmo sendo urso?

Sim. É classificado como mamífero marinho porque depende do oceano e do gelo marinho para caçar, acasalar e se deslocar, assim como focas e baleias.

Onde o urso-polar vive?

Exclusivamente no Ártico circumpolar: Canadá, Rússia, Noruega (Svalbard), Groenlândia e Alasca (EUA). Não existe na Antártida.

O que o urso-polar come?

Principalmente focas-aneladas e focas-barbudas. Pode comer morsas jovens, baleias encalhadas e aves, mas depende da gordura de foca para sobreviver.

Quanto tempo um urso-polar vive?

De 20 a 25 anos na natureza e até 30 a 35 anos em cativeiro com cuidados veterinários.

Urso-polar hiberna?

Não hiberna como o urso-pardo. Fêmeas grávidas entram em dormência na toca por até 8 meses sem comer, mas machos e fêmeas não grávidas permanecem ativos no inverno.

É perigoso para humanos?

Sim, é o urso com maior potencial predatório. Ataques são raros pelo isolamento do Ártico, mas podem ser fatais. Nunca se aproxime e siga protocolos de segurança com guia local.

Quantos ursos-polares existem?

Entre 26.000 e 31.000 indivíduos no mundo, divididos em 19 subpopulações, segundo o IUCN/SSC Polar Bear Specialist Group.

Você sabia?

1

Pelo que não é branco

Cada pelo é oco e transparente como um canudo. O ar dentro dele isola o calor e reflete a luz, criando o branco. A pele por baixo é preta para absorver melhor o sol.

2

Patas com ventosas naturais

As almofadas têm papilas ásperas e pelos entre os dedos que funcionam como antiderrapante no gelo. As garras não são totalmente retráteis e medem até 5 cm.

3

Jejum recorde de 8 meses

Fêmeas grávidas entram na toca em outubro e só saem em março ou abril, sem comer, beber ou defecar. Vivem apenas da gordura acumulada e ainda amamentam os filhotes.

4

Fígado tóxico

O fígado do urso-polar acumula tanta vitamina A que é tóxico para humanos e outros ursos. Exploradores do Ártico que o consumiram sofreram hipervitaminose grave.

Fontes

  1. IUCN Red List - Ursus maritimus
  2. NOAA Fisheries - Polar Bear
  3. WWF Arctic Programme
  4. Polar Bears International

Prós e contras: Urso-polar

Prós

  • Maior carnívoro terrestre e excelente indicador da saúde do Ártico
  • Nadador e caçador extremamente adaptado ao frio extremo
  • Papel essencial no controle de populações de focas
  • Inteligência e comportamento complexo muito estudados
  • Símbolo global para conservação climática

Contras

  • Altamente vulnerável ao derretimento do gelo marinho
  • Reprodução muito lenta, difícil recuperação populacional
  • Perigoso para humanos, exige manejo rigoroso em áreas habitadas
  • Acumula poluentes na gordura, afetando reprodução
  • Não se adapta a cativeiro comum, exige recinto ártico especializado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o urso-polar é o melhor exemplo de por que nem todo animal marinho vive dentro d'água: sem gelo marinho ele simplesmente não existe. É uma espécie carismática, mas sua conservação depende menos de proteção direta e mais de conter o aquecimento global, o que o torna um termômetro vivo do Ártico.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.