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Teredo

Teredo navalis

Atualizado em

10 a 30 cmTamanho
5 a 30 gPeso
1 a 3 anosExpectativa de vida
Madeira submersa costeiraHabitat
Não ataca; destrói madeiraPerigo para humanos
Close-up da cabeça do Teredo com valvas brocantes

O Teredo não é verme, e sim um molusco bivalve alongado conhecido como turu ou verme-de-navio. Apesar da aparência vermiforme, ele tem duas valvas pequenas na cabeça que funcionam como brocas para perfurar madeira submersa.

Vive dentro de troncos, raízes de mangue, píeres e cascos de embarcações em águas costeiras e estuarinas do mundo todo. É famoso desde o século XVIII por ter destruído diques na Holanda e até hoje causa prejuízos milionários a estruturas portuárias.

Dentro da madeira, o Teredo cria galerias revestidas de calcário e se alimenta tanto da celulose quanto de plâncton filtrado da água. Sua digestão depende de bactérias simbiontes únicas, o que o torna um dos poucos animais capazes de viver só de madeira.

Também conhecido como: Turu, Verme-de-navio, Verme-da-madeira, Shipworm (inglês), Taret (francês), Bicho-da-madeira

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Teredo

Close-up da cabeça do Teredo com valvas brocantes
Detalhe das valvas brocantes na cabeça do Teredo.
Detalhe das paletas calcárias do Teredo
Paletas calcárias que fecham a galeria do Teredo.
Madeira cortada mostrando galerias de Teredo revestidas de calcário
Galerias calcárias de Teredo em estaca de píer.
Larva véliger planctônica do Teredo
Larva véliger do Teredo, fase planctônica.
Manguezal brasileiro com troncos submersos habitat do Teredo
Manguezal, habitat natural do Teredo no Brasil.
Manguezal brasileiro com troncos submersos habitat do Teredo
Manguezal, habitat natural do Teredo no Brasil.

Perfil rápido de Teredo

Estado de conservação

NE
Não Avaliado

Gênero Teredo ainda não avaliado individualmente pela IUCN.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Larva planctônicaJFMAMJJASOND
Fixação em madeiraJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Sem veneno, sem toxina e sem risco de ataque. O risco é estrutural: madeira infestada pode colapsar.

Vida útil

Na natureza
1 a 3 anos, até 4 em águas frias

Reprodução

Tipo
Hermafrodita protândrico (nasce macho, vira fêmea)
Fecundação
Externa, com liberação de gametas na água
Larva
Véliger planctônica por 15 a 30 dias
Ninhada
100 mil a mais de 1 milhão de ovos por desova
Fixação
Em 24 a 48 h após encontrar madeira

Habitat

Ambientes

  • Madeira submersa (troncos, estacas, cascos e píeres)
  • Manguezais e estuários
  • Zona entremarés e infralitoral raso

Biomas

  • Costeiro
  • Manguezal
  • Estuário

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Madeira (celulose digerida com bactéria simbionte)
  • Plâncton e matéria orgânica filtrada

Outros alimentos

  • Detritos vegetais em suspensão

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Portugal
  • Espanha
  • Reino Unido
  • Países Baixos
  • Japão
  • Austrália
  • África do Sul
  • Índia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Bivalvia
Ordem
Myida
Família
Teredinidae
Gênero
Teredo
Espécie
Teredo navalis (espécie-tipo)

Resumo

  • Teredo é um molusco bivalve xilófago conhecido como turu ou verme-de-navio, que perfura madeira submersa com valvas brocantes.
  • Vive em águas costeiras, estuários e manguezais do mundo todo, dentro de galerias calcárias que cava em troncos, píeres e cascos.
  • Não é perigoso para pessoas, não tem veneno nem ataca, mas causa grande impacto econômico ao destruir estruturas de madeira no mar.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco (bivalve)
OrdemMyida
FamíliaTeredinidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita; mares temperados e tropicais, muito comum no Atlântico
Tamanho10 a 30 cm (Teredo navalis até 20 cm; outros Teredo até 30 cm)
Peso5 a 30 g
Coresbrancocremeacinzentadorosado
Profundidade0 a 30 m (entremarés e infralitoral)
HabitatMadeira submersa, manguezais, estuários, píeres e cascos
AlimentaçãoXilófaga (madeira) e filtradora (plâncton)
ReproduçãoSexuada, hermafrodita protândrico, larva véliger planctônica
Expectativa de vida1 a 3 anos
Estado de conservaçãoNão Avaliado (NE) pela IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

O que é o Teredo e por que não é um verme

O Teredo é um gênero de moluscos bivalves da família Teredinidae, e não um verme. A confusão vem do corpo longo, cilíndrico e mole, que pode passar de 20 cm, muito diferente de uma ostra ou marisco típico.

A espécie mais conhecida é Teredo navalis, descrita por Linnaeus em 1758. Ela ficou famosa ao devastar os diques de madeira da Holanda em 1731-1732, episódio que obrigou os holandeses a trocar madeira por pedra nas defesas costeiras.

O que parece ser a “cabeça” carrega duas valvas brancas e estriadas, bem pequenas, que funcionam como brocas. Na outra extremidade ficam dois sifões e um par de paletas calcárias em forma de pá, usadas para fechar a galeria quando o animal se retrai.

Como identificar o Teredo na madeira

Por fora, a madeira parece intacta, com apenas furos de 1 a 3 mm. Por dentro, está toda escavada por galerias circulares revestidas de carbonato de cálcio branco e liso.

O animal em si é esbranquiçado a creme, às vezes rosado ou acinzentado, gelatinoso e muito frágil fora da galeria. Não tem tentáculos, olhos visíveis ou concha externa grande.

A identificação certeira depende das paletas. Em Teredo navalis, elas são em forma de colher com lâmina achatada e haste curta. Outros gêneros parecidos, como Bankia, têm paletas com aspecto de pente.

  • Sinais na madeira: pequenos orifícios redondos, serragem fina e galerias em forma de U ou sinuosas.
  • Toque: madeira leve, oca e que se desfaz com facilidade.
  • Erro comum: confundir com cupim ou com Limnoria (um isópode que rói a superfície, sem galerias profundas).

Onde vive: distribuição e profundidade

O Teredo é cosmopolita. Ocorre no Atlântico, Pacífico e Índico, de águas frias temperadas a tropicais. No Brasil é comum do Maranhão ao Rio Grande do Sul, sobretudo em estuários e manguezais onde há troncos submersos.

Vive entre 0 e 30 m de profundidade, com pico na zona entremarés e infralitoral raso. Precisa de água salgada ou salobra (salinidade acima de 7-9) e madeira disponível. Não sobrevive em água doce pura por muito tempo.

A dispersão acontece na fase larval. A larva véliger fica 2 a 4 semanas no plâncton e pode viajar com correntes e água de lastro de navios. Foi assim que Teredo navalis se espalhou da Europa para as Américas e Ásia.

O que come e como perfura a madeira

O Teredo tem dieta dupla. Ele raspa madeira com as valvas e também filtra plâncton e matéria orgânica com os sifões. Em madeiras pobres, a filtração pode representar mais de 50% da energia.

A perfuração é mecânica e química. As valvas giram e raspam como uma broca, enquanto glândulas secretam enzimas. Os fragmentos de madeira vão para o intestino, onde são digeridos com ajuda da bactéria simbionte Teredinibacter turnerae.

Essa bactéria, descoberta dentro das brânquias do Teredo, produz celulases e fixa nitrogênio. É ela que permite ao animal viver de um alimento tão pobre em nitrogênio como a celulose. Sem ela, o Teredo não digeriria madeira.

O crescimento da galeria é rápido: 1 a 2 cm por semana em águas quentes. O túnel cresce com o animal e nunca é abandonado. Quando a madeira acaba ou fica superlotada, os indivíduos morrem por falta de espaço e oxigênio.

Reprodução e ciclo de vida

O Teredo é hermafrodita protândrico: nasce macho e depois se torna fêmea. Alguns indivíduos podem liberar espermatozoides e depois ovos na mesma estação reprodutiva.

A fecundação é externa na maioria das espécies de Teredo. A fêmea libera de centenas de milhares a mais de 1 milhão de ovos na água. Em águas tropicais brasileiras, a desova ocorre principalmente na primavera e verão, quando a água passa de 20°C.

O ciclo tem três fases bem marcadas:

  • Larva véliger: nada livre por 15 a 30 dias e se alimenta de microalgas.
  • Fixação: ao encontrar madeira, a larva se fixa, metamorfoseia e começa a escavar em 24 a 48 horas.
  • Adulto escavador: cresce dentro da galeria por 1 a 3 anos, sem sair.

Em laboratório, Teredo navalis já se fixou em madeira em menos de 12 horas após a metamorfose. Essa rapidez explica por que cascos e píeres sem proteção são infestados em poucas semanas.

É perigoso para humanos?

Não. O Teredo não morde, não pica, não tem veneno e não ataca pessoas. O contato direto é inofensivo, embora o animal seja frágil e morra rapidamente fora da água.

O perigo real é estrutural e econômico. Uma viga infestada pode parecer sólida por fora e estar oca por dentro, com risco de colapso de trapiches, píeres e embarcações de madeira. Historicamente, afundou navios e destruiu portos inteiros antes do uso de revestimentos protetores.

Para humanos, o único cuidado é não consumir madeira infestada e evitar acidentes com estruturas enfraquecidas. Em algumas regiões do Pará e do Sudeste Asiático, o turu é até consumido como alimento (cru com limão ou cozido), sem registro de toxicidade, mas seu valor é cultural, não nutricional.

Impacto econômico e importância ecológica

Do ponto de vista humano, o Teredo é uma praga marinha. No Brasil, é a principal causa de deterioração de madeira de mangue, currais de pesca, casas de palafita e embarcações artesanais. O prejuízo global com Teredinidae é estimado em bilhões de dólares por ano em manutenção portuária.

Por outro lado, no ecossistema ele tem papel fundamental. Ao triturar troncos e raízes, acelera a ciclagem de carbono e libera nutrientes presos na madeira. Suas galerias vazias viram abrigo para caranguejos, poliquetas, peixes juvenis e outros invertebrados.

Em manguezais naturais, essa reciclagem é benéfica. O problema surge quando o equilíbrio é quebrado por madeira tratada, poluição ou introdução de espécies invasoras via navios, que levam Teredos para áreas sem predadores naturais.

Medida de controle Como funciona Limitação
Madeira de lei densa Resiste mais à broca Não é imune; mais cara
Tratamento com CCA/creosoto Torna a madeira tóxica ao molusco Impacto ambiental; proibido em alguns locais
Revestimento (fibra, concreto, plástico) Barreira física Custo e manutenção
Substituição por materiais não lenhosos Elimina o substrato Nem sempre viável em comunidades tradicionais

Comportamento, predadores e conservação

O Teredo é séssil e solitário depois de fixado. Não migra, não forma colônias organizadas e passa a vida inteira na mesma galeria, com apenas os sifões expostos para respirar e filtrar.

Seus predadores naturais incluem peixes, caranguejos e aves que quebram a madeira para expô-lo. A maior ameaça, porém, é a falta de madeira ou a competição intraespecífica: quando muitos indivíduos ocupam o mesmo tronco, todos crescem menos.

Nenhuma espécie de Teredo está avaliada na Lista Vermelha da IUCN. O status geral é Não Avaliado (NE), com populações estáveis e até em expansão devido ao aquecimento dos mares e ao aumento do tráfego marítimo.

A conservação não foca em proteger o Teredo, mas em manejar seu impacto sem envenenar estuários. No Brasil, o IBAMA e institutos de pesquisa de manguezais recomendam manejo sustentável da madeira e uso de barreiras físicas em vez de tratamentos químicos indiscriminados.

Curiosidades e confusões comuns

Muita gente chama qualquer broca de madeira de “cupim do mar”, mas cupins são insetos terrestres e não têm relação com Teredo. Outra confusão é com Limnoria, um crustáceo isópode que rói a superfície da madeira e deixa aspecto de ampulheta, enquanto o Teredo faz túneis internos profundos.

Uma curiosidade pouco conhecida é que o Teredo produz pelotas fecais em forma de bastão que ficam acumuladas no fundo da galeria. Arqueólogos usam essas pelotas para identificar infestações antigas em naufrágios.

Outra é que o revestimento calcário da galeria é tão perfeito que naufrágios comidos por Teredo podem manter a forma externa por séculos, mesmo sem madeira interna. Foi o caso de navios do século XVII encontrados no Mar Báltico, onde a baixa salinidade limitou a ação do Teredo e preservou os cascos.

Perguntas frequentes

Teredo é verme ou molusco?

É molusco bivalve. Tem corpo alongado como verme, mas possui duas valvas calcárias na cabeça e pertence à família Teredinidae, parente de ostras e mexilhões.

Teredo faz mal para humanos?

Não morde, não pica e não tem veneno. O risco é indireto: madeira infestada fica oca e pode quebrar, causando acidentes em píeres e barcos.

Como saber se a madeira tem Teredo?

Procure furos redondos de 1 a 3 mm na superfície. Ao cortar, verá galerias brancas e lisas revestidas de calcário, muitas vezes com o animal creme dentro.

Teredo só ataca madeira no mar?

Sim, precisa de água salgada ou salobra. Não sobrevive em água doce e não ataca madeira seca fora d'água, diferente de cupins.

Como evitar infestação de Teredo?

Use barreiras físicas (concreto, fibra ou plástico), madeiras densas ou tratadas com preservantes autorizados e faça vistorias periódicas. Trocar madeira por materiais não lenhosos é a solução definitiva.

Teredo pode ser comido?

Sim, em algumas regiões do Brasil e da Ásia o turu é consumido cru ou cozido, retirado na hora da madeira de mangue. Não é tóxico, mas deve vir de áreas limpas e não poluídas.

Você sabia?

1

A broca que salvou e destruiu a Holanda

Em 1731, Teredo navalis destruiu as estacas de madeira dos diques holandeses e causou inundações. O país trocou madeira por pedra e criou um dos primeiros programas de pesquisa sobre bioerosão marinha.

2

Bactéria que digere madeira e fixa nitrogênio

O Teredo abriga Teredinibacter turnerae nas brânquias, bactéria que produz enzimas para quebrar celulose e ainda fixa nitrogênio do ar, algo raríssimo em animais.

3

Paletas que funcionam como porta

As duas paletas calcárias na ponta do corpo não são decoração: elas fecham a entrada da galeria como uma porta quando a salinidade cai ou o animal é perturbado, permitindo sobreviver dias isolado.

4

Comido como iguaria no Brasil

No litoral do Pará e Maranhão, o turu é retirado da madeira de mangue e comido cru com limão e farinha, chamado de "ostra de mangue". O sabor é descrito como suave e iodado.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. NOAA - National Ocean Service
  3. SeaLifeBase / FishBase
  4. ICMBio - Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Teredo

Prós

  • Recicla madeira e libera nutrientes essenciais em manguezais e estuários
  • Cria micro-habitat: galerias vazias abrigam outros invertebrados e peixes juvenis
  • Possui bactéria simbionte única com potencial biotecnológico para biocombustíveis
  • Indicador biológico de presença de madeira e salinidade em estudos costeiros

Contras

  • Destrói píeres, trapiches, currais e cascos de madeira, com alto custo de reparo
  • Infestação é invisível por fora: estrutura parece sólida mas está oca por dentro
  • Dispersão rápida via larva planctônica e água de lastro, difícil de conter
  • Controle químico contamina estuários e manguezais se usado sem critério
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o Teredo é o exemplo mais subestimado de engenheiro do ecossistema marinho: destrói patrimônio humano, mas sustenta a reciclagem de madeira nos manguezais. Entendê-lo como molusco filtrador e não como praga genérica muda completamente a forma de manejar estuários e portos.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.