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Água-viva-lua

Aurelia aurita

Atualizado em

25 a 40 cm de diâmetroTamanho
0,5 a 2 kgPeso
6 a 12 meses (medusa)Expectativa de vida
Costeiro e estuarinoHabitat
Baixo - irritação levePerigo para humanos
Água-viva-lua adulta com sino translúcido e quatro gônadas em forma de trevo visíveis

A água-viva-lua (Aurelia aurita) é a água-viva mais reconhecível do mundo graças ao seu sino translúcido e às quatro gônadas em forma de trevo-de-quatro-folhas visíveis no topo. Comum em águas costeiras temperadas e tropicais, ela é frequentemente vista em grandes agregações perto da superfície.

Apesar da aparência delicada, é uma predadora eficiente de plâncton e tem um ciclo de vida complexo que alterna entre a medusa flutuante e um pólipo fixo no fundo do mar. Sua picada é considerada de baixo risco para humanos, causando no máximo irritação leve.

No Brasil, aparece com frequência em baías e estuários do Atlântico, especialmente no Sudeste e Sul, e serve como importante alimento para tartarugas marinhas e peixes, além de ser bioindicadora de alterações ambientais.

Também conhecido como: Água-viva-lua-comum, Moon jellyfish (inglês), Medusa luna (espanhol), Méduse lune (francês), Ohrenqualle (alemão)

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil

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Galeria de fotos de Água-viva-lua

Água-viva-lua adulta com sino translúcido e quatro gônadas em forma de trevo visíveis
Água-viva-lua adulta mostrando o padrão característico de quatro gônadas no sino.
Close-up do topo do sino da água-viva-lua mostrando as quatro gônadas
Detalhe das quatro gônadas em forma de trevo, marca registrada da espécie.
Detalhe dos braços orais franjados e tentáculos da borda da água-viva-lua
Braços orais franjados que conduzem o plâncton até a boca central.
Água-viva-lua em habitat costeiro de baía rasa e estuarina
Habitat típico em baías e estuários rasos da costa brasileira.
Água-viva-lua nadando com pulsações do sino na coluna d'água
Nado por pulsação lenta, usado para filtrar plâncton.
Grupo de águas-vivas-lua formando floração perto da superfície
Floração sazonal com dezenas de indivíduos agregados por correntes.
Éfira juvenil de água-viva-lua em forma de estrela de oito pontas
Éfira recém-liberada pelo pólipo, com apenas 2 mm de diâmetro.

Perfil rápido de Água-viva-lua

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Ainda não avaliada pela IUCN; populações cosmopolitas e abundantes.

População
estável com aumentos locais
Protegido por
false

Calendário

Pico de medusas adultasJFMAMJJASOND
Estrobilação (liberação de éfiras)JFMAMJJASOND
Florações costeiras no BrasilJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa
  • PessoasBaixa - irritação leve e passageira

Nematocistos de baixa potência; reações graves são extremamente raras e restritas a hipersensibilidade. Lavar apenas com água do mar.

Vida útil

Na natureza (medusa)
6 a 12 meses
Na natureza (pólipo)
Até 2 anos
Em aquário kreisel
12 a 18 meses com manejo adequado

Reprodução

Acasalamento
Fecundação externa na água; machos liberam esperma que fêmeas captam pelos braços orais
Estrutura social
Solitária, forma agregações temporárias por correntes, não por vínculo social
Padrão sazonal
Estrobilação no fim do inverno/primavera; pico de medusas na primavera-verão
Tipo de nascimento
Ovípara com larva plânula; desenvolvimento indireto com fase pólipo fixa
Ninhada
Milhares de óvulos por fêmea; 10 a 30 éfiras por pólipo por evento

Habitat

Ambientes

  • Águas costeiras rasas
  • Baías e estuários
  • Mar aberto epipelágico
  • Fundos rochosos e estruturas artificiais (fase pólipo)

Biomas

  • Zona Costeira
  • Marinho Nerítico
  • Marinho Oceânico
  • Estuário

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Zooplâncton
  • Copépodes
  • Ovos e larvas de peixes

Outros alimentos

  • Larvas de crustáceos
  • Ctenóforos pequenos
  • Fitoplâncton mucoso

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Reino Unido
  • Japão
  • Austrália
  • África do Sul
  • Portugal
  • Noruega
  • México
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Cnidaria
Classe
Scyphozoa
Ordem
Semaeostomeae
Família
Ulmaridae
Gênero
Aurelia
Espécie
Aurelia aurita (Linnaeus, 1758)

Resumo

  • A água-viva-lua (Aurelia aurita) se identifica pelo sino translúcido de 25 a 40 cm com quatro gônadas circulares em forma de trevo no topo.
  • Vive em águas costeiras e estuarinas de 0 a 200 m em todos os oceanos e se alimenta de plâncton, pequenos crustáceos e larvas de peixes capturados com muco e filamentos orais.
  • Tem ciclo com fase medusa (6 a 12 meses) e pólipo fixo (até 2 anos), picada de baixo risco e populações estáveis que podem formar grandes florações sazonais.

Características

Ficha da espécie

GrupoCnidário (cifozoário)
OrdemSemaeostomeae
FamíliaUlmaridae
Origem e distribuiçãoCosmopolita em mares temperados e tropicais; Atlântico, Pacífico e Índico, incluindo costa brasileira
Tamanho25 a 40 cm de diâmetro (até 45 cm raramente)
Peso0,5 a 2 kg
Corestranslúcidabrancoazul-clarorosa-pálido
Profundidade0 a 200 m (mais comum até 20 m)
HabitatÁguas costeiras, baías, estuários e mar aberto
AlimentaçãoZooplâncton, copépodes, ovos e larvas de peixes
ReproduçãoSexuada na fase medusa e assexuada na fase pólipo (estrobilação)
Expectativa de vida6 a 12 meses (medusa); pólipo até 2 anos
Estado de conservaçãoNão Avaliada (NE) - populações estáveis e localmente em expansão

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeAlto
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a água-viva-lua sem confundir

A água-viva-lua é quase totalmente transparente e tem o sino em forma de disco achatado, como uma lua cheia vista na água. O detalhe que não deixa dúvida são as quatro gônadas circulares no topo do sino, que formam um trevo de quatro folhas bem nítido, em tom branco, rosado ou amarelado.

Ela tem tentáculos marginais curtos e finos, centenas deles ao redor da borda do sino, mas muito mais delicados que os de águas-vivas como a caravela-portuguesa. No centro da parte inferior ficam quatro braços orais longos e franjados, que parecem cortinas onduladas.

O diâmetro mais comum é de 25 a 40 cm, embora exemplares menores de 10 cm sejam frequentes após florações. A cor geral varia de translúcida a azulada dependendo da alimentação e da luz, e não possui o sino colorido ou verrugoso de outras cifomedusas.

Onde vive e por que aparece tanto na costa brasileira

A Aurelia aurita é cosmopolita e ocorre em quase todos os oceanos, com preferência por águas costeiras temperadas e subtropicais. No Brasil, é registrada do Ceará ao Rio Grande do Sul, com maior frequência em baías, estuários e áreas abrigadas do Sudeste e Sul.

Vive normalmente entre 0 e 20 m de profundidade, mas pode ocorrer até 200 m. Prefere águas com salinidade entre 15 e 35 e por isso tolera bem estuários, onde outras águas-vivas não sobrevivem.

As famosas florações acontecem quando há combinação de água mais quente, excesso de nutrientes e poucos predadores. Nesses eventos, centenas ou milhares de indivíduos são levados pela maré para praias e canais, o que explica aparições sazonais massivas em locais como Baía de Guanabara e Lagoa dos Patos.

O que come e como caça sem cérebro nem olhos

A dieta é quase toda de zooplâncton, copépodes, larvas de crustáceos e ovos de peixes. Ela não persegue presas ativamente, mas funciona como uma armadilha flutuante.

A caça acontece em três etapas: o batimento lento do sino cria correntes que trazem água para baixo do corpo, o muco que recobre o sino e os braços orais gruda as partículas, e os cílios dos braços orais conduzem o alimento até a boca central. Os nematocistos (células urticantes) são fracos e servem mais para imobilizar micropresas do que para defesa.

  • Principal: copépodes e cladóceros planctônicos
  • Secundário: ovos e larvas de peixes, pequenos ctenóforos e diatomáceas
  • Estratégia: filtração passiva, consome até milhares de organismos por dia quando há alta densidade de plâncton

Na nossa avaliação, é um dos melhores exemplos de predador passivo eficiente: sem gastar energia com perseguição, ela controla populações de plâncton e, indiretamente, a cadeia alimentar costeira.

Ciclo de vida em duas fases: da medusa ao pólipo

O ciclo da água-viva-lua alterna geração medusoide (sexuada) e polipoide (assexuada), um dos mais estudados entre os cnidários. A medusa que vemos na praia é apenas metade da história.

1. Fase medusa

Machos e fêmeas liberam espermatozoides e óvulos na água. Após a fecundação, forma-se a plânula, uma larva ciliada que nada por poucos dias até se fixar em rochas, conchas ou estruturas artificiais.

2. Fase pólipo (cifístoma)

Fixada, a plânula vira um pólipo de apenas 2 a 5 mm, parecido com uma anêmona minúscula. Esse pólipo pode viver até 2 anos, se alimentar e se clonar por brotamento.

Quando a temperatura e a luminosidade mudam, geralmente no final do inverno e início da primavera, o pólipo faz estrobilação: seu corpo se segmenta em discos empilhados que se soltam como pequenas éfiras de 2 mm, cada uma virando uma nova medusa. Um único pólipo pode gerar até 30 éfiras em uma temporada.

Comportamento: deriva, agregações e deslocamentos

A água-viva-lua não nada contra correntezas fortes. Seu nado é lento, com pulsações rítmicas de cerca de 10 a 20 contrações por minuto, suficiente apenas para se manter na coluna d’água e controlar a profundidade.

Apesar disso, forma agregações densas que não são por sociabilidade, mas por convergência de correntes, vento e disponibilidade de alimento. Esses agrupamentos podem ter centenas de indivíduos por metro cúbico em florações.

Possui oito ropálios na borda do sino, órgãos sensoriais com estatocistos para equilíbrio e ocelos simples que detectam luz. Não há cérebro central, mas uma rede nervosa difusa que coordena as pulsações e respostas a estímulos.

A água-viva-lua é perigosa para humanos?

Não é considerada perigosa. Seus nematocistos são curtos e com veneno de baixa potência para humanos. O contato costuma causar no máximo vermelhidão leve, coceira ou ardência passageira, que passa em minutos a poucas horas.

Reações mais fortes são raras e geralmente ocorrem em pessoas com pele muito sensível, crianças pequenas ou após contato com olhos e boca. Diferente de espécies como Chironex fleckeri (vespa-do-mar), não há registro de casos graves ou fatais por Aurelia aurita.

  • O que fazer se tocar: lave com água do mar, não esfregue, retire fragmentos com pinça e use compressa fria. Evite água doce e vinagre, que podem piorar a liberação de toxina nesta espécie.
  • O que não fazer: não coçar, não aplicar álcool ou urina, e não levar as mãos aos olhos.

Para animais de estimação, o risco também é baixo, mas cães curiosos que mordem exemplares na areia podem ter irritação oral.

Ameaças, proliferação e papel no ecossistema

A espécie é classificada como Não Avaliada pela IUCN, com populações globalmente estáveis e até em aumento em áreas eutrofizadas. Isso não significa ausência de ameaças, mas sim que ela se beneficia de desequilíbrios.

Seus predadores naturais são tartarugas-de-couro, peixes-lua, atuns e aves marinhas. A redução desses predadores por pesca e poluição favorece florações. Ao mesmo tempo, ela compete com larvas de peixes por plâncton e pode obstruir redes de pesca e sistemas de captação de água quando em superpopulação.

Fator Efeito sobre a água-viva-lua
Eutrofização e aquecimento Aumenta alimento e acelera estrobilação
Sobrepesca de predadores Reduz controle natural
Estruturas portuárias Oferecem substrato para pólipos
Poluição por plástico Pólipos colonizam microplásticos; medusas ingerem partículas

Ecologicamente, é elo entre plâncton e predadores maiores e importante fonte de alimento para a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), criticamente ameaçada no Brasil.

Onde observar com responsabilidade

A melhor chance de ver a água-viva-lua é em mergulho livre ou passeios de barco em baías calmas na primavera e verão, quando a água está mais clara. Mantenha pelo menos 30 cm de distância e nunca toque ou retire o animal da água.

Se encontrar uma na areia, não devolva com as mãos nuas: ela já está em fim de ciclo e o manuseio pode causar irritação. Fotografe sem flash e sem bloquear a luz solar direta sobre ela.

Turismo responsável também significa não alimentar, não coletar e não comprar souvenirs feitos com águas-vivas. Relatar florações a projetos de monitoramento costeiro ajuda pesquisadores a entender mudanças ambientais.

Curiosidades que pouca gente sabe

A água-viva-lua já foi enviada ao espaço para estudar como a ausência de gravidade afeta o desenvolvimento de estatocistos. As éfiras nascidas em órbita apresentaram anomalias de orientação quando retornaram à Terra.

Ela é composta por cerca de 95% de água e não tem coração, cérebro, sangue ou brânquias. As trocas gasosas ocorrem por difusão direta pela fina mesogleia.

Em aquários, é uma das poucas águas-vivas que se adapta bem ao cativeiro, mas exige aquário kreisel com fluxo circular para não se prender nas paredes. No Japão e na Coreia, a Aurelia é consumida após processamento em salmoura, embora a Aurelia aurita não seja a espécie mais valorizada para isso.

Perguntas frequentes

A água-viva-lua queima?

Sim, mas de forma leve. A picada causa vermelhidão e coceira passageira na maioria dos casos, sem risco grave para humanos saudáveis.

Qual a diferença da água-viva-lua para a caravela-portuguesa?

A água-viva-lua tem sino achatado translúcido com 4 gônadas em trevo e tentáculos curtos; a caravela tem flutuador azulado acima da água e tentáculos de até metros, com veneno muito mais potente.

Pode tocar na água-viva-lua?

Não é recomendado. Mesmo com veneno fraco, o muco pode irritar pele, olhos e boca. Observe a distância sem manusear.

Onde encontrar água-viva-lua no Brasil?

Em baías, estuários e praias abrigadas do Sudeste e Sul, como Baía de Guanabara, Baía de Paranaguá e Lagoa dos Patos, principalmente na primavera e verão.

Quanto tempo vive a água-viva-lua?

A medusa vive 6 a 12 meses; já o pólipo fixo no fundo pode viver até 2 anos e gerar várias gerações de medusas.

O que fazer se for queimado por água-viva-lua?

Lave com água do mar, remova restos com pinça, aplique compressa fria e não use água doce, vinagre ou álcool. Procure atendimento se houver dor intensa ou alergia.

Água-viva-lua é comestível?

No Japão e Coreia, espécies de Aurelia são consumidas após longo processo de dessalinização, mas não é consumo comum ou recomendado no Brasil e exige preparo técnico.

Você sabia?

1

Clones em série

Um único pólipo de 3 mm pode gerar até 30 medusas por estrobilação e ainda continuar vivo para repetir o processo na estação seguinte.

2

Trevo que entrega a idade

As quatro gônadas em forma de trevo mudam de cor conforme a maturidade e a dieta: de transparentes a rosa, laranja ou roxo-escuro quando cheias de ovos ou esperma.

3

Viajante espacial

Em 1991, pólipos e éfiras de Aurelia foram levados no ônibus espacial Columbia e as medusas nascidas no espaço tiveram dificuldade para se orientar na gravidade terrestre.

4

Indicadora de poluição

Por tolerar baixa salinidade e poluição orgânica, florações massivas em baías urbanas são usadas por pesquisadores como sinal de eutrofização e desequilíbrio do ecossistema.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. NOAA - National Ocean Service
  3. IUCN Red List
  4. SeaLifeBase / FishBase

Prós e contras: Água-viva-lua

Prós

  • Fácil de identificar pelo trevo de quatro gônadas
  • Baixo risco para banhistas comparado a outras águas-vivas
  • Importante alimento para tartarugas-de-couro e peixes
  • Excelente bioindicadora de qualidade da água costeira
  • Adapta-se bem a aquários kreisel para educação ambiental

Contras

  • Forma florações que atrapalham pesca e banhistas
  • Compete com larvas de peixes por plâncton em excesso populacional
  • Pode obstruir redes e sistemas de captação de água
  • Confundida com espécies mais perigosas, gerando pânico desnecessário
  • Sensível ao manuseio, morre rapidamente fora d'água
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a água-viva-lua é a melhor porta de entrada para entender cnidários: inofensiva, fácil de reconhecer pelo trevo de quatro folhas e ecologicamente reveladora. Ignorá-la como “só uma água-viva” é perder um bioindicador barato e visível da saúde das nossas baías.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.