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Elefante-marinho-do-norte

Mirounga angustirostris

Atualizado em

Machos até 4,2 m; fêmeas até 3 mTamanho
Machos até 2.300 kg; fêmeas até 900 kgPeso
14 a 22 anos (fêmeas vivem mais)Expectativa de vida
Pacífico Norte, costa e alto-marHabitat
Baixo, machos agressivos na reproduçãoPerigo para humanos
Elefante-marinho-do-norte adulto nadando de perfil em mar aberto

O elefante-marinho-do-norte é um mamífero marinho enorme e migrador do Pacífico Norte, conhecido pela tromba inflável dos machos e pelo dimorfismo sexual extremo — eles chegam a pesar quatro vezes mais que as fêmeas.

Passa cerca de 90% da vida no mar, em mergulhos profundos e contínuos, e só vem à terra duas vezes ao ano: para se reproduzir e para fazer a muda catastrófica de pele e pelos. Quase extinto no final do século XIX, com menos de 100 indivíduos, hoje soma mais de 200 mil graças à proteção.

Apesar do tamanho, não é um animal que você encontra no Brasil. Vive entre o Alasca e o México e faz migrações de mais de 20 mil km por ano em mar aberto.

Também conhecido como: Elefante-marinho-do-norte, Elefante-marinho-setentrional, Northern elephant seal (inglês), Éléphant de mer du Nord (francês), Elefante marino del norte (espanhol)

Faz parte de: Animais de Águas Profundas

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Galeria de fotos de Elefante-marinho-do-norte

Elefante-marinho-do-norte adulto nadando de perfil em mar aberto
Macho adulto em mar aberto, com corpo em forma de torpedo e coloração acinzentada.
Close da cabeça e probóscide do elefante-marinho-do-norte macho
Detalhe da probóscide inflável do macho, usada para vocalização.
Detalhe da pele do elefante-marinho-do-norte durante a muda catastrófica
Muda catastrófica, quando pele e pelos se soltam em placas.
Colônia de elefante-marinho-do-norte na praia com harém
Colônia reprodutiva com macho dominante e harém de fêmeas.
Fêmea de elefante-marinho-do-norte amamentando filhote escuro
Fêmea amamentando filhote, que triplica de peso em menos de um mês.
Filhote juvenil de elefante-marinho-do-norte mergulhando em profundidade
Juvenil em mergulho profundo atrás de lulas e peixes.

Perfil rápido de Elefante-marinho-do-norte

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População grande e em crescimento após recuperação da quase extinção.

População
estável a crescente
Protegido por
Sim, protegido pela Marine Mammal Protection Act (EUA) e leis mexicanas

Calendário

Reprodução e nascimentosJFMAMJJASOND
Amamentação e acasalamentoJFMAMJJASOND
Muda catastrófica (fêmeas e jovens)JFMAMJJASOND
Muda catastrófica (machos)JFMAMJJASOND
Migração de alimentação em alto-marJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
Machos 14 anos, fêmeas 18 a 22 anos; alta mortalidade de filhotes no primeiro ano
Maturidade sexual
Fêmeas 3 a 4 anos, machos 5 a 6 anos (só se tornam alfas após 9 anos)

Reprodução

Estrutura social
Poligínico, haréns de 20 a 50 fêmeas controladas por macho alfa
Época reprodutiva
Dezembro a março nas praias da Califórnia e México
Gestação
11 meses com diapausa embrionária de ~3 meses
Filhotes
1 filhote por parto, 30-40 kg ao nascer, desmame com 24-28 dias
Amamentação
Leite com 50-55% de gordura, filhote triplica de peso em menos de um mês

Habitat

Ambientes

  • Praias arenosas e ilhas costeiras para reprodução e muda
  • Mar pelágico e oceano aberto para alimentação
  • Águas temperadas e frias do Pacífico Norte

Biomas

  • Costão e praia arenosa
  • Oceano pelágico
  • Zona mesopelágica (200 a 1.000 m)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Lulas
  • Peixes mesopelágicos (peixe-lanterna, merluza)

Outros alimentos

  • Raias
  • Pequenos tubarões
  • Quimeras
  • Crustáceos

Encontrado em 3 países

  • Estados Unidos
  • México
  • Canadá

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Phocidae
Gênero
Mirounga
Espécie
Mirounga angustirostris (Gill, 1866)

Resumo

  • O elefante-marinho-do-norte é o maior mamífero da família Phocidae no hemisfério norte, com machos de até 4,2 m e 2.300 kg e probóscide usada para vocalização e disputa de território.
  • Vive no Pacífico Norte e realiza migrações pelágicas de 18 a 21 mil km por ano, mergulhando rotineiramente a 300-600 m e podendo passar 2 horas sem respirar.
  • Quase extinto em 1890, hoje é classificado como Pouco Preocupante pela IUCN, mas ainda sofre com emaranhamento, poluição e colisões com embarcações.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCarnivora
FamíliaPhocidae (focas verdadeiras)
Origem e distribuiçãoPacífico Norte, do Alasca e Ilhas Aleutas ao sul da Baixa Califórnia (México)
TamanhoMachos 3,5 a 4,2 m; fêmeas 2,5 a 3 m
PesoMachos 1.800 a 2.300 kg; fêmeas 400 a 900 kg
Corescinzamarrom-acinzentadocastanho-claromarrom-escuro
ProfundidadeRotina 300 a 600 m; recorde 1.735 m
HabitatPraias arenosas para reprodução/muda e alto-mar pelágico para alimentação
AlimentaçãoLulas, peixes mesopelágicos, raias e pequenos tubarões
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação, gestação 11 meses com diapausa
Expectativa de vidaMachos 14 anos; fêmeas 18 a 22 anos
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasBaixo
SociabilidadeAlto
InteligênciaMédio
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoMuito alto
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar o elefante-marinho-do-norte

O traço inconfundível é a probóscide do macho adulto: um nariz alongado e inflável que pode chegar a 30 cm quando ereto. Ele funciona como caixa de ressonância para bramidos graves que se ouvem a quilômetros na colônia.

Fêmeas e jovens não têm tromba. Têm focinho curto e bigodes sensoriais. O corpo é robusto, em forma de torpedo, com pele cinza a marrom-acinzentada que escurece quando molhada. Machos têm peito com pele grossa e rosada, cheia de cicatrizes de brigas.

O dimorfismo é extremo. Um macho dominante pesa 3 a 4 vezes mais que a fêmea e pode ser duas vezes mais comprido. Essa diferença é uma das maiores entre todos os mamíferos.

Elefante-marinho-do-norte x do sul: qual a diferença?

São duas espécies do gênero Mirounga. O do norte (M. angustirostris) é menor e tem distribuição restrita ao Pacífico Norte. O do sul (M. leonina) é o maior pinípede do mundo e vive no hemisfério sul.

Característica Do norte Do sul
Tamanho do macho até 4,2 m e 2.300 kg até 5,8 m e 4.000 kg
Probóscide mais curta e pontuda mais longa e pendente
Distribuição Pacífico Norte Antártica e ilhas subantárticas

Onde vive e por onde migra

A espécie se reproduz em ilhas e praias isoladas da Califórnia e do México, com grandes colônias em Año Nuevo, Ilhas Channel, Piedras Blancas e Ilha de Guadalupe. Fora da época reprodutiva, praticamente desaparece da costa.

Passa 8 a 10 meses por ano em mar aberto no Pacífico Norte, chegando ao Alasca e às Ilhas Aleutas. Machos e fêmeas usam rotas diferentes: elas vão mais para o oeste e centro do Pacífico, eles mais para o norte, ao longo da plataforma continental.

É um migrador duplo. Faz duas grandes viagens por ano, somando 18.000 a 21.000 km anuais. Entre uma e outra, volta à terra para reproduzir (inverno) e para a muda de pele (primavera/verão). No mar, raramente é visto na superfície por mais de alguns minutos.

O que come e como caça no escuro

A dieta é dominada por lulas e peixes de profundidade, como peixe-lanterna, merluza e peixe-pedra, além de raias e pequenos tubarões. Fêmeas comem proporcionalmente mais lulas; machos pegam presas maiores e mais bentônicas.

Caça sem enxergar bem. Usa vibrissas sensíveis e visão adaptada à baixa luz para detectar vibrações e bioluminescência. Mergulha em silêncio, captura a presa com sucção e engole inteira, sem mastigar.

Durante a migração, pode perder ou ganhar até 30% do peso corporal. Na terra, em jejum reprodutivo, vive da gordura acumulada no mar. Um macho dominante pode ficar 3 meses sem comer enquanto defende seu harém.

  • Principal: lulas (até 60% da dieta em fêmeas)
  • Complemento: peixes mesopelágicos, raias, quimeras e crustáceos
  • Estratégia: mergulhos contínuos, dia e noite, com poucos intervalos na superfície

Mergulho extremo: o campeão da apneia

O elefante-marinho-do-norte é o mamífero mergulhador mais profundo entre os pinípedes. A média fica entre 300 e 600 m, mas fêmeas já foram registradas a 1.735 m. A duração média é de 20 a 30 minutos, com recorde próximo a 2 horas.

Isso é possível por adaptações fisiológicas. Ele armazena oxigênio no sangue e nos músculos, não nos pulmões, que colapsam sob pressão. Tem alta concentração de mioglobina e hemoglobina, bradicardia acentuada e desvio de sangue para órgãos vitais.

Na nossa avaliação, é o exemplo mais impressionante de fisiologia de mergulho entre mamíferos marinhos acessíveis à observação costeira. Enquanto cachalotes mergulham mais fundo, nenhum outro carnívoro passa cerca de 90% do tempo submerso como ele.

Reprodução e haréns nas praias

A temporada reprodutiva vai de dezembro a março. Machos chegam primeiro e disputam território com combates violentos, usando o peso e a probóscide para intimidar. Os vencedores, chamados machos-alfa, controlam haréns de 20 a 50 fêmeas.

As fêmeas chegam prenhas, parem um único filhote de 30 a 40 kg após 11 meses de gestação com diapausa embrionária de 3 meses, e amamentam por apenas 24 a 28 dias com um leite com até 55% de gordura. Nesse período, o filhote triplica de peso, chegando a 120 kg.

Depois do desmame abrupto, a fêmea acasala novamente e volta ao mar. O filhote fica sozinho na praia por 2 a 3 meses, em jejum, aprendendo a nadar em poças antes de se aventurar no oceano. A mortalidade nessa fase é alta.

Comportamento e vida em colônia

Em terra é desajeitado e lento, arrastando-se com nadadeiras traseiras. No mar, é ágil e atinge até 10 km/h em rajadas. É geralmente silencioso na água, mas extremamente barulhento na colônia.

É altamente sociável na praia e solitário no mar. Forma colônias densas de centenas a milhares de animais, mas cada um caça sozinho a centenas de quilômetros da costa. Não forma grupos coordenados como golfinhos.

Fora da época de briga, é relativamente tolerante. Jovens e machos subordinados formam grupos periféricos. A comunicação é vocal e postural, com bramidos, bufos e exibição da tromba.

É perigoso para humanos?

Para quem observa à distância, o risco é muito baixo. Não há registro de predação sobre pessoas e ataques são raros e defensivos. O perigo real está na época reprodutiva.

Machos de 2 toneladas são territoriais e imprevisíveis. Podem investir a mais de 20 km/h na areia por curtas distâncias se sentirem o harém ameaçado. Fêmeas defendem filhotes com mordidas. Nunca se aproxime, toque ou se coloque entre a mãe e o filhote.

A regra nos parques da Califórnia é manter pelo menos 7 metros de distância e nunca alimentar ou cercar o animal. Cães devem ficar na guia e longe da praia. O maior risco para humanos, na prática, é indireto: colisões com embarcações durante a migração.

Ameaças e conservação: da quase extinção à recuperação

Em 1892, a caça por óleo e pele reduziu a espécie a menos de 100 indivíduos na Ilha de Guadalupe, no México. Acreditou-se extinta. A proteção no México e nos EUA a partir de 1922 permitiu uma recuperação notável, hoje com cerca de 200 a 230 mil animais.

Está classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável ou em crescimento. No entanto, enfrenta ameaças modernas: emaranhamento em redes, ingestão de plástico, colisões com navios, ruído oceânico e contaminação por poluentes.

Mudanças climáticas alteram a distribuição de lulas e peixes, forçando mergulhos mais longos. Surtos de leptospirose e domoato também causam mortalidade. É protegido pela Marine Mammal Protection Act nos EUA e por leis mexicanas; no Brasil não ocorre naturalmente.

Onde observar com responsabilidade

Os melhores locais são Año Nuevo State Park e Piedras Blancas, na Califórnia, com passarelas e visitas guiadas no inverno. No México, a Ilha de Guadalupe exige autorização especial. Use binóculos, não use flash e siga as orientações dos guias.

Turismo responsável ajuda na conservação. Não incentive locais que permitem tocar ou alimentar animais. Se encontrar um animal encalhado, não tente devolvê-lo ao mar e acione autoridades locais. No Brasil, avistamentos são extremamente improváveis e devem ser reportados ao ICMBio.

Curiosidades que pouca gente sabe

A muda catastrófica é única: ele troca pele e pelos de uma vez só, em placas, ficando semanas em terra sem se alimentar enquanto a nova pele cresce. Parece doente, mas é normal.

Filhotes aprendem a mergulhar sozinhos e podem ficar até 5 meses em jejum após o desmame, vivendo da gordura. É um dos jejuns mais longos entre mamíferos jovens.

Durante a migração, dorme embaixo d’água. Faz mergulhos de sono de 10 a 15 minutos, em espiral, a 300 m de profundidade, acordando apenas para respirar na superfície por 2 a 3 minutos.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre elefante-marinho-do-norte e do sul?

O do norte (Mirounga angustirostris) vive no Pacífico Norte e é menor, com machos até 4,2 m. O do sul (M. leonina) vive na Antártica e é o maior pinípede do mundo, com machos até 5,8 m e 4.000 kg.

Qual o tamanho e peso do elefante-marinho-do-norte?

Machos medem 3,5 a 4,2 m e pesam 1.800 a 2.300 kg. Fêmeas medem 2,5 a 3 m e pesam 400 a 900 kg.

Até que profundidade ele mergulha?

Rotineiramente 300 a 600 m por 20 a 30 minutos, mas o recorde registrado é de 1.735 m e quase 2 horas de apneia.

Onde vive o elefante-marinho-do-norte? Tem no Brasil?

Vive no Pacífico Norte, entre Alasca, Califórnia e México. Não ocorre naturalmente no Brasil; avistamentos aqui seriam extremamente raros e acidentais.

O que ele come?

Principalmente lulas e peixes de profundidade, além de raias e pequenos tubarões. Engole as presas inteiras após capturá-las por sucção.

É perigoso para humanos?

Risco baixo se observado à distância. Machos em época reprodutiva são territoriais e podem investir se provocados. Mantenha pelo menos 7 m de distância.

Quanto tempo vive?

Machos vivem cerca de 14 anos e fêmeas 18 a 22 anos. A mortalidade de filhotes no primeiro ano no mar é alta.

Está em extinção?

Não. Quase foi extinto em 1890, mas se recuperou e hoje é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com mais de 200 mil indivíduos.

Fatos surpreendentes

1

Dorme mergulhando

No alto-mar, cochila a 300 m de profundidade em mergulhos de 10 a 15 minutos, subindo só para respirar 2 minutos. Passa 90% do tempo submerso.

2

Muda catastrófica

Troca toda a pele e pelos de uma vez, em placas, e precisa ficar em terra sem comer por 3 a 5 semanas até a nova pele ficar pronta.

3

Bramido com tromba

O macho infla a probóscide para amplificar o som. O bramido grave serve para evitar brigas físicas e pode ser ouvido a mais de 1 km.

4

Quase extinto com 20 animais

Em 1890 restavam menos de 100 indivíduos. Toda a população atual de mais de 200 mil descende desse pequeno grupo, com baixíssima variabilidade genética.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries
  3. SeaLifeBase / FishBase

Prós e contras: Elefante-marinho-do-norte

Prós

  • Recuperação exemplar de quase extinção para mais de 200 mil indivíduos
  • Fisiologia de mergulho única, com apneias de até 2 horas
  • Migração pelágica de longa distância bem estudada por satélite
  • Fácil observação responsável em colônias protegidas da Califórnia
  • Indicador importante da saúde do ecossistema do Pacífico Norte

Contras

  • Machos agressivos e perigosos na época reprodutiva
  • Baixíssima variabilidade genética devido ao gargalo populacional
  • Vulnerável a emaranhamento, plástico e ruído oceânico
  • Sensível a mudanças na disponibilidade de lulas por aquecimento do mar
  • Não ocorre no Brasil e exige viagem para observação na natureza
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o elefante-marinho-do-norte é o melhor exemplo de resiliência entre mamíferos marinhos: saiu de menos de 100 animais para mais de 200 mil sem perder sua biologia extrema. É também o mergulhador mais didático para entender adaptações de apneia, migração e jejum prolongado.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.