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Lebre-do-mar

Aplysia dactylomela

Atualizado em

10 a 40 cmTamanho
0,5 a 2 kgPeso
10 a 12 mesesExpectativa de vida
Recifes e costões rasosHabitat
Baixo, tóxica se ingeridaPerigo para humanos
Lebre-do-mar Aplysia dactylomela de corpo inteiro sobre recife

A lebre-do-mar não é uma lebre e nem um peixe. É um molusco gastrópode marinho sem concha externa, do grupo das lesmas-do-mar, famoso por soltar uma tinta roxa quando se sente ameaçado.

No Brasil, a espécie mais comum é a Aplysia dactylomela, encontrada em costões rochosos, recifes e poças de maré do litoral. Ela chama atenção pelo corpo mole e alongado, pelas duas estruturas na cabeça que lembram orelhas de lebre e pela capacidade de mudar de cor conforme a alga que come.

Apesar da aparência inofensiva, ela acumula substâncias químicas das algas e pode ser tóxica se ingerida. É inofensiva ao toque com cuidado, mas nunca deve ser manuseada, coletada ou consumida.

Também conhecido como: Lesma-do-mar, Sea hare (inglês), Lièvre de mer (francês), Liebre de mar (espanhol), Aplysia manchada

Faz parte de: Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil, Polvos, Lulas e Moluscos

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Lebre-do-mar Aplysia dactylomela de corpo inteiro sobre recife
Lebre-do-mar Aplysia dactylomela, a espécie mais comum no litoral brasileiro.
Close da cabeça da lebre-do-mar mostrando rinóforos em forma de orelha
Rinóforos enrolados na cabeça deram o nome de lebre-do-mar.
Detalhe da pele e parapódios da lebre-do-mar
Pele mole e parapódios laterais usados para nadar.
Lebre-do-mar se alimentando de algas verdes no costão
Herbívora, se alimenta raspando algas com a rádula.
Lebre-do-mar soltando tinta roxa de defesa
A tinta roxa com aplysioviolina confunde predadores.
Cordões gelatinosos de ovos da lebre-do-mar presos em algas
Cordões de ovos gelatinosos podem conter milhões de ovos.

Perfil rápido de Lebre-do-mar

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie ainda não avaliada individualmente pela IUCN, mas dependente de recifes saudáveis.

População
Desconhecida
Protegido por
Não há proteção específica; recifes protegidos por unidades de conservação ajudam indiretamente

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade noturnaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica se ingerida
  • PessoasTóxica se ingerida, irritante para olhos e mucosas

Não morde nem pica. O risco é por ingestão da carne, ovos ou secreções que concentram toxinas de algas. Manuseio deve ser evitado.

Vida útil

Na natureza
10 a 12 meses, raramente até 14 meses

Reprodução

Acasalamento
Hermafrodita simultânea com fecundação cruzada
Estrutura social
Solitária, forma cadeias de cópula temporárias
Padrão sazonal
Ano todo, pico na primavera e verão
Tipo de nascimento
Ovípara com larva véliger planctônica
Ninhada
Cordões gelatinosos com milhares a milhões de ovos

Habitat

Ambientes

  • Costões rochosos
  • Recifes de coral
  • Poças de maré
  • Prados de algas
  • Fundos arenosos com algas

Biomas

  • Zona entremarés
  • Recifes rasos
  • Costão rochoso

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Algas verdes (Ulva)
  • Algas vermelhas
  • Cianobactérias

Outros alimentos

  • Detritos de algas

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Austrália
  • África do Sul
  • Portugal
  • Espanha
  • Japão

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Gastropoda
Ordem
Aplysiida
Família
Aplysiidae
Gênero
Aplysia
Espécie
Aplysia dactylomela

Resumo

  • A lebre-do-mar é um molusco marinho sem concha, da família Aplysiidae, que se destaca pelas "orelhas" na cabeça e pela tinta roxa de defesa.
  • Vive em águas rasas de recifes, costões e prados de algas no Atlântico, incluindo todo o litoral brasileiro, e se alimenta quase só de algas verdes e vermelhas.
  • É hermafrodita, tem vida curta de cerca de um ano e, embora não ataque humanos, pode ser tóxica se ingerida por concentrar toxinas das algas.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco gastrópode
OrdemAplysiida
FamíliaAplysiidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita em mares tropicais e subtropicais; no Brasil em todo o litoral
Tamanho10 a 40 cm (comum 15 a 20 cm)
Peso0,5 a 2 kg
Coresmarromverde-olivabegepretocom manchasanéis escuros
Profundidade0 a 40 m, mais comum até 10 m
HabitatCostões rochosos, recifes, poças de maré e prados de algas
AlimentaçãoHerbívora (algas verdes, vermelhas e cianobactérias)
ReproduçãoHermafrodita simultânea, ovípara
Expectativa de vida10 a 12 meses
Estado de conservaçãoNão Avaliada (NE) pela IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMédio
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

O que é a lebre-do-mar e como identificá-la

A lebre-do-mar é um molusco gastrópode opistobrânquio, parente das lesmas-do-mar. O nome vem dos rinóforos, dois tentáculos enrolados no topo da cabeça que lembram orelhas de lebre. Ela não tem concha externa visível; a concha é interna, fina e reduzida, coberta pelo manto.

O corpo é mole, alongado e com dois parapódios laterais que parecem asas e são usados para nadar com movimentos ondulatórios. A espécie mais vista no Brasil, Aplysia dactylomela, tem coloração base que varia de bege a marrom-esverdeado, coberta por manchas escuras em forma de anel, um padrão que a distingue de outras lesmas-do-mar.

Diferente de nudibrânquios coloridos, a lebre-do-mar tem aspecto mais “borrachudo” e discreto. Quando está em repouso, parece uma pedra coberta de algas. Essa camuflagem é parte da defesa, já que ela se alimenta de algas e incorpora seus pigmentos.

Onde vive no Brasil e no mundo

É um animal cosmopolita de águas quentes. Ocorre no Atlântico ocidental e oriental, incluindo Caribe, Golfo do México, Açores e costa africana. No Brasil, vai do Ceará ao Rio Grande do Sul, com registros frequentes no Nordeste e Sudeste.

Vive em águas rasas, de 0 a 10 metros, podendo chegar a 40 metros. Prefere costões rochosos, recifes de coral, bancos de algas e poças de maré. Durante o dia fica escondida sob pedras ou entre algas; ao entardecer sai para se alimentar.

Não é migratória. Tem deslocamento muito limitado, de poucos metros por dia, e passa a vida no mesmo recife. Em épocas de maior oferta de algas, pode haver agregações de vários indivíduos no mesmo local, mas não forma grupos sociais permanentes.

O que come e por que muda de cor

É estritamente herbívora. Alimenta-se de algas verdes do gênero Ulva (alface-do-mar), algas vermelhas e cianobactérias. Usa a rádula, uma língua com fileiras de dentículos, para raspar as algas das rochas.

A cor do corpo e até da tinta que solta depende da dieta. Indivíduos que comem mais alga vermelha ficam mais avermelhados e produzem tinta mais roxa; os que comem Ulva ficam mais esverdeados. Isso acontece porque ela sequestra pigmentos e compostos químicos das algas, como a ficoeritrina.

Essa estratégia tem dupla função: ajuda na camuflagem e torna o animal impalatável para predadores. Peixes e caranguejos aprendem a evitá-la depois de uma primeira tentativa.

É venenosa ou perigosa para humanos?

Para quem encontra na praia ou mergulhando, o risco é muito baixo. Ela não morde, não pica e não ataca. O contato casual na água não causa acidentes.

O perigo está na ingestão. A carne e as secreções concentram toxinas derivadas das algas, que podem causar náusea, vômito e distúrbios gastrointestinais se o animal for comido. Por isso, em algumas regiões do Pacífico ela é considerada tóxica e não deve ser consumida.

A tinta e o muco também podem irritar olhos e mucosas. A recomendação é nunca manusear, espremer ou levar para fora da água. Observe à distância, sem tocar e sem alimentar.

Como se defende: a famosa tinta roxa

A defesa mais conhecida é a liberação de uma nuvem de tinta roxa ou violeta, chamada aplysioviolina, produzida pela glândula de tinta. Quando ameaçada, ela expele o jato pela cavidade do manto e cria uma cortina que confunde o predador.

Além da tinta, ela libera um muco branco opaco (opalina) que contém substâncias que bloqueiam o olfato de lagostas e peixes predadores. Estudos mostram que essa secreção faz o predador perder o interesse e até se afastar para se limpar.

Se a ameaça persistir, pode nadar batendo os parapódios como asas, mas de forma lenta e desajeitada. A última linha de defesa é o gosto ruim: os compostos sequestrados tornam a pele extremamente amarga.

Reprodução e ciclo de vida curto

A lebre-do-mar é hermafrodita simultânea: cada indivíduo tem ovários e testículos funcionais ao mesmo tempo. Mesmo assim, precisa de outro parceiro para cruzar. É comum formar cadeias de acasalamento com três ou mais indivíduos, onde um atua como macho e outro como fêmea ao mesmo tempo.

A fecundação é interna e a desova forma cordões gelatinosos amarelados ou rosados, parecidos com macarrão, presos às algas. Cada cordão pode conter milhares a milhões de ovos, dependendo do tamanho da fêmea.

O ciclo é rápido. Os ovos eclodem em 10 a 15 dias, liberando larvas planctônicas (véliger) que vivem à deriva por semanas antes de se assentarem no fundo e se transformarem em juvenis. A vida adulta dura cerca de 10 a 12 meses e, após a reprodução, o animal entra em senescência e morre. É um ciclo anual.

Comportamento e hábitos noturnos

É um animal solitário e de hábitos crepusculares e noturnos. Durante o dia fica parada, economizando energia. À noite se torna ativa para comer e se reproduzir.

Apesar da fama de lenta, tem um sistema nervoso muito estudado. Possui neurônios gigantes facilmente identificáveis, que foram fundamentais para pesquisas sobre memória e aprendizado. O neurocientista Eric Kandel ganhou o Prêmio Nobel em 2000 justamente por estudos com Aplysia.

Tem boa capacidade de aprendizado simples, como habituação e sensibilização ao toque, mas não é considerada inteligente como um polvo. Sua “inteligência” está na química: ela escolhe algas com mais toxinas para se proteger melhor.

Ameaças, conservação e observação responsável

A espécie não é avaliada individualmente pela IUCN, mas sofre as mesmas pressões de outros animais de recife: poluição, esgoto, plásticos, pisoteio em poças de maré, coleta para aquário e perda de habitat por branqueamento de corais.

Por viver em áreas rasas, é muito afetada por turismo desordenado. Ser retirada da água por curiosidade pode causar estresse, liberação de tinta e morte. O muco e a tinta, se liberados fora da água, desidratam o animal rapidamente.

Para observar com responsabilidade: não toque, não alimente, não colete e não use flash muito próximo. Se mergulhar, mantenha flutuabilidade neutra para não pisar no recife. Avistar uma lebre-do-mar é sinal de recife saudável e com boa cobertura de algas.

Perguntas frequentes

Lebre-do-mar é perigosa para humanos?

Não ataca e não pica. O risco é se for ingerida, pois concentra toxinas de algas que causam vômito e irritação. Evite tocar e nunca consuma.

Lebre-do-mar solta tinta?

Sim. Quando ameaçada libera tinta roxa (aplysioviolina) e muco branco que confundem o olfato de predadores como lagostas e peixes.

Onde encontrar lebre-do-mar no Brasil?

Em todo o litoral, principalmente em costões rochosos e recifes rasos do Nordeste e Sudeste, dentro de poças de maré e entre algas até 10 m de profundidade.

O que a lebre-do-mar come?

Quase só algas, sobretudo alface-do-mar (Ulva) e algas vermelhas. A dieta determina sua cor e a cor da tinta.

Quanto tempo vive a lebre-do-mar?

Cerca de 10 a 12 meses. Tem ciclo anual: cresce rápido, se reproduz e morre após a desova.

Pode pegar lebre-do-mar na mão?

Não é recomendado. O manuseio estressa o animal, faz liberar tinta e pode irritar olhos e pele. Observe sem tocar.

Lebre-do-mar tem concha?

Tem concha interna, fina e reduzida, coberta pelo manto. Por isso parece uma lesma grande sem concha.

Você sabia?

1

O Nobel da lebre-do-mar

Os neurônios gigantes de Aplysia, com até 1 mm visíveis a olho nu, permitiram a Eric Kandel desvendar mecanismos da memória. Foi a primeira vez que um molusco ajudou a ganhar um Nobel de Medicina.

2

Tinta que engana o nariz

A tinta roxa não é só visual. Junto com a opalina branca, ela contém aminoácidos que sobrecarregam os quimiorreceptores de lagostas, fazendo o predador literalmente perder o cheiro da presa.

3

Camaleoa química

Ela não produz sua própria cor. Se comer só alface-do-mar fica verde; se comer alga vermelha fica marrom-avermelhada. Criadores conseguem prever a cor da tinta pela dieta da semana anterior.

4

Corrente de acasalamento

Na época reprodutiva é comum ver 3 a 6 lebres-do-mar em fila, acasalando em cadeia. A da frente age só como fêmea, a de trás só como macho e as do meio como os dois ao mesmo tempo.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. SeaLifeBase / FishBase
  3. IUCN Red List
  4. NOAA - National Ocean Service

Prós e contras: Lebre-do-mar

Prós

  • Excelente bioindicadora de recifes saudáveis
  • Inofensiva e fácil de observar com snorkel
  • Controle natural de algas nos recifes
  • Modelo importante para pesquisa em neurociência
  • Não oferece risco de ataque a mergulhadores

Contras

  • Muito sensível ao manuseio e ao pisoteio em poças de maré
  • Tóxica se ingerida por humanos ou animais domésticos
  • Vida muito curta, difícil de manter em aquário
  • Dependente de recifes e algas, vulnerável à poluição
  • Libera tinta que pode sujar e estressar o animal se perturbada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lebre-do-mar é um dos melhores indicadores de recife saudável no Brasil: discreta, inofensiva e quimicamente sofisticada. Vale mais observá-la quieta entre as algas do que forçar um encontro com tinta roxa, que custa caro em energia para o animal.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.