🐋 Animais Marinhos

Baleia-sei

Balaenoptera borealis

Atualizado em

12 a 16 m (fêmeas maiores)Tamanho
20 a 30 toneladasPeso
50 a 70 anosExpectativa de vida
Oceano aberto e profundoHabitat
InofensivaPerigo para humanos
Baleia-sei adulta nadando em oceano aberto com corpo alongado cinza-azulado

A baleia-sei é uma rorqual de grande tamanho e hábitos oceânicos, conhecida pela velocidade e pela vida longe da costa. Terceira maior entre as baleias-de-barbatana, fica atrás apenas da baleia-azul e da baleia-comum, mas é facilmente confundida com esta última no mar.

Discreta na superfície e raramente vista no Brasil, ela prefere águas profundas e temperadas e se alimenta quase exclusivamente de zooplâncton. Foi uma das espécies mais caçadas no século XX e hoje é classificada como Em Perigo, com populações ainda em recuperação lenta.

Também conhecido como: Baleia boreal, Rorqual boreal, Sei whale (inglês), Rorqual de Rudolphi

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Baleias e Golfinhos

Explore a wiki

Galeria de fotos de Baleia-sei

Baleia-sei adulta nadando em oceano aberto com corpo alongado cinza-azulado
Baleia-sei adulta em oceano aberto, com corpo esguio e coloração cinza-escura.
Close da cabeça da baleia-sei mostrando rostro pontiagudo e olho pequeno
Detalhe da cabeça pontiaguda, característica que distingue a baleia-sei.
Detalhe da pele da baleia-sei com cicatrizes ovais claras de tubarão-charuto
Pele com cicatrizes ovais de tubarão-charuto, comuns em adultos oceânicos.
Baleia-sei se alimentando filtrando água com boca semiaberta na superfície
Alimentação por filtração contínua, típica da espécie ao filtrar copépodes.
Mãe e filhote de baleia-sei nadando juntos em mar aberto
Mãe e filhote em águas pelágicas, onde ocorre todo o ciclo de vida.
Duas baleias-sei nadando em par em oceano profundo
Pequeno grupo em deslocamento oceânico, comportamento social mais comum.

Perfil rápido de Baleia-sei

Estado de conservação

EN
Em Perigo

População reduzida em mais de 50% em três gerações devido à caça industrial, com recuperação lenta.

População
estável a crescente em algumas bacias, desconhecida no Atlântico Sul
Protegido por
Sim - moratória da CBI desde 1986 e Lei 7.643/1987 no Brasil

Calendário

Migração para áreas de reprodução (Brasil - águas subtropicais)JFMAMJJASOND
Reprodução e nascimentos (águas quentes)JFMAMJJASOND
Alimentação em latitudes altasJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
50 a 70 anos, maturidade entre 6 e 12 anos

Reprodução

Acasalamento
Poligâmico, em águas subtropicais no inverno, sem formação de pares fixos
Estrutura social
Solitária ou grupos temporários de 2 a 5, sem laços familiares duradouros
Padrão sazonal
Reprodução no inverno, nascimento após 10-12 meses de gestação
Tipo de nascimento
Vivíparo, 1 filhote por gestação (gêmeos extremamente raros)
Ninhada
1 filhote de 4,5 a 4,8 m, amamentação 6 a 9 meses, intervalo de 2 a 3 anos

Habitat

Ambientes

  • Oceano aberto pelágico
  • Águas temperadas e subtropicais
  • Talude continental e bacias oceânicas profundas

Biomas

  • Oceano Atlântico
  • Oceano Pacífico
  • Oceano Índico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Copépodes calanoides
  • Krill (Euphausia spp.)
  • Pequenos peixes pelágicos

Outros alimentos

  • Lulas juvenis
  • Anfípodes

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Chile
  • África do Sul
  • Estados Unidos
  • Canadá
  • Noruega
  • Islândia
  • Portugal
  • Japão
  • Austrália
  • Nova Zelândia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Artiodactyla
Família
Balaenopteridae
Gênero
Balaenoptera
Espécie
Balaenoptera borealis

Resumo

  • A baleia-sei é a terceira maior rorqual, com 12 a 16 metros e até 30 toneladas, identificada pela pele cinza-escura, nadadeira dorsal falcada e sulcos ventrais curtos.
  • Vive em oceano aberto em todos os oceanos, migra entre áreas de alimentação frias e áreas de reprodução temperadas e é rara perto da costa brasileira.
  • Filtra krill, copépodes e pequenos peixes com 300 a 400 barbatanas, é a rorqual mais veloz e está classificada como Em Perigo pela IUCN após a caça baleeira industrial.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemArtiodactyla (Cetacea)
FamíliaBalaenopteridae
Origem e distribuiçãoCosmopolita, todos os oceanos exceto Ártico e Antártico restrito
Tamanho12 a 16,5 m (machos 12-15 m, fêmeas 13-16,5 m)
Peso20.000 a 30.000 kg
Corescinza-escurocinza-azuladobranco
Profundidade0 a 300 m, prefere áreas com mais de 200 m
HabitatPelágico, oceano aberto, talude continental
AlimentaçãoFiltradora: copépodes, krill e pequenos peixes
ReproduçãoVivípara, 1 filhote a cada 2 a 3 anos, gestação 10-12 meses
Expectativa de vida50 a 70 anos
Estado de conservaçãoEm Perigo (EN) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaAlto
VelocidadeMuito alto
Capacidade de migraçãoMuito alto
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a baleia-sei sem confundir com outras rorquais

A baleia-sei é a terceira maior rorqual, atrás apenas da baleia-azul e da baleia-comum. O corpo é longo, hidrodinâmico e esguio, com cabeça pontiaguda e rostro levemente arqueado, diferente do rostro mais achatado da baleia-comum.

A coloração é cinza-escura a cinza-azulada no dorso, com ventre mais claro e cicatrizes claras deixadas por mordidas de tubarão-charuto e ectoparasitas. A pele parece polida, sem as calosidades da baleia-franca.

Os pontos decisivos para identificação no mar são três. A nadadeira dorsal é alta, falcada e muito recuada, localizada a cerca de dois terços do corpo a partir da cabeça. Os sulcos ventrais são curtos, com 32 a 60 pregas que terminam bem antes do umbigo, enquanto na baleia-comum vão até o umbigo. E as barbatanas são pretas com cerdas claras e finas, com 300 a 400 lâminas de cada lado.

Na superfície, o sopro é único, vertical e com 3 a 4 metros de altura, menos alto que o da baleia-comum. Ela raramente mostra a cauda ao mergulhar e costuma nadar logo abaixo da linha d’água, o que dificulta a foto-identificação.

Onde vive: por que quase não aparece na costa do Brasil

A baleia-sei é estritamente pelágica e oceânica. Prefere águas profundas além da plataforma continental, com mais de 200 metros e normalmente entre 1.000 e 3.000 metros, em regiões temperadas e subtropicais.

Tem distribuição cosmopolita em todos os oceanos, exceto mares polares fechados. No Atlântico Sul, ocorre do equador até cerca de 55°S, mas evita águas muito frias próximas ao gelo, ao contrário da baleia-minke.

No Brasil, os registros são esparsos e em alto-mar, principalmente no Sudeste e Sul durante a migração. Ela não se aproxima de baías ou praias como a jubarte, por isso encalhes são raros e avistagens costeiras são exceção. A maior chance de registro é em cruzeiros pelágicos sobre o talude.

O que come e como filtra alimento em alta velocidade

É uma filtradora especializada em zooplancton, sobretudo copépodes do gênero Calanus, além de krill e pequenos peixes como sardinhas e anchovas. No Atlântico Norte, copépodes podem representar mais de 90% da dieta.

A técnica de alimentação é única entre as rorquais. Em vez de dar botes enormes como a jubarte, ela faz o chamado skim feeding em movimento: nada com a boca semiaberta a 3 a 5 km/h, engolindo água e filtrando continuamente. Os sulcos ventrais expandem menos que os de outras rorquais.

Em um único dia pode filtrar centenas de metros cúbicos de água e ingerir cerca de 900 kg de alimento quando a concentração de presas é alta. Essa seletividade por copépodes explica por que ela muda de área rapidamente quando a presa se dispersa.

  • Principal: copépodes calanoides, krill antártico e boreal
  • Secundário: pequenos peixes pelágicos e lulas juvenis
  • Estratégia: filtração contínua em velocidade, mergulhos curtos de 5 a 10 minutos

Velocidade e comportamento na superfície

A baleia-sei é considerada a rorqual mais rápida, capaz de atingir 45 a 50 km/h em disparos curtos e manter 25 km/h por alguns minutos. O nome em inglês, sei whale, vem de seje, o nome norueguês para o peixe escamudo, que aparece na mesma época que ela na Noruega.

É geralmente solitária ou em grupos de 2 a 5 indivíduos. Agrupamentos maiores, de até 30 a 50, só ocorrem onde há superabundância de alimento. Não é acrobática: raramente salta e quase nunca bate a cauda ou as nadadeiras na superfície.

O comportamento típico é discreto. Faz séries de 1 a 2 sopros baixos seguidos de mergulho de 5 a 10 minutos, sem mostrar a nadadeira caudal. Quando incomodada por embarcações, tende a se afastar em alta velocidade em vez de investigar.

Reprodução e ciclo de vida em mar aberto

A reprodução ocorre em águas temperadas e subtropicais no inverno, longe da costa e por isso pouco observada diretamente. A gestação dura 10 a 12 meses e resulta em um único filhote de 4,5 a 4,8 metros e cerca de 700 kg.

O intervalo entre filhotes é de 2 a 3 anos, com amamentação de 6 a 9 meses. A maturidade sexual chega entre 6 e 12 anos, quando as fêmeas têm cerca de 13 metros e os machos 12,5 metros.

Por viver sempre em oceano profundo, nunca forma áreas de cria costeiras como a baleia-franca ou a jubarte. Isso torna filhotes e mães quase invisíveis para monitoramento e dificulta estimativas precisas de taxa de natalidade.

Migração: rotas longas e pouco conhecidas

Faz migração sazonal de longa distância entre áreas de alimentação em latitudes altas no verão e áreas de reprodução em latitudes baixas no inverno. No Hemisfério Sul, alimenta-se entre 40°S e 60°S no verão austral e migra para 20°S a 30°S no inverno.

Diferente da jubarte, não segue corredores costeiros bem definidos. Suas rotas são oceânicas e imprevisíveis, acompanhando massas de água e frentes oceânicas ricas em copépodes, o que explica a variação anual de avistagens.

Estudos com marcação por satélite mostram deslocamentos de 3.000 a 5.000 km em poucas semanas. No Atlântico Sul ocidental, o pico de passagem pelo Brasil ocorre entre junho e outubro, com maior probabilidade sobre o talude do Rio Grande do Sul a Rio de Janeiro.

A baleia-sei é perigosa para humanos?

Não. É uma espécie extremamente arredia e sem nenhum registro de agressão a pessoas. Não possui dentes, não morde e evita ativamente embarcações.

O único risco real é colisão com navios de grande porte, justamente por nadar rápido e logo abaixo da superfície em rotas de navegação oceânicas. Para mergulhadores, não há perigo, mas a aproximação intencional é ilegal e estressa o animal.

No Brasil, a Lei 7.643/1987 proíbe qualquer forma de molestamento a cetáceos. A norma de observação determina distância mínima de 100 metros e motor em neutro, sem perseguição ou nado com baleias.

Ameaças, caça histórica e situação atual de conservação

A baleia-sei foi a terceira espécie mais caçada no século XX, depois da azul e da comum. Mais de 300.000 indivíduos foram mortos entre 1900 e 1986, com pico nas décadas de 1960 e 1970 quando as outras rorquais já estavam escassas. A proteção global veio apenas em 1986 com a moratória da Comissão Baleeira Internacional.

Hoje as ameaças são outras. As principais são colisões com navios, ruído oceânico, emaranhamento em petrechos de pesca pelágica e poluição química. Como se alimenta de copépodes, é vulnerável à contaminação por microplásticos e à mudança na distribuição de presas causada pelo aquecimento dos oceanos.

A IUCN classifica a espécie como Em Perigo (EN), com população global estimada em cerca de 50.000 indivíduos maduros, bem abaixo dos níveis pré-caça. A tendência é de recuperação lenta e desigual entre bacias oceânicas, com o Atlântico Sul ainda pouco avaliado. No Brasil, é protegida por lei e consta como ameaçada nas listas nacionais.

Característica Baleia-sei Baleia-comum (para comparar)
Tamanho adulto 12 a 16,5 m 18 a 24 m
Sulcos ventrais Curtos, 32-60, terminam antes do umbigo Longos, 50-100, vão até o umbigo
Nadadeira dorsal Alta e falcada, bem recuada Menor e mais triangular
Coloração Cinza-escuro uniforme Cinza com lado direito da mandíbula branco

Perguntas frequentes

Qual o tamanho da baleia-sei?

Adultos medem de 12 a 16,5 metros, com fêmeas maiores que machos, e pesam entre 20 e 30 toneladas.

Onde a baleia-sei vive no Brasil?

Em oceano aberto além do talude continental, principalmente no Sudeste e Sul entre junho e outubro durante a migração. Não frequenta baías ou praias.

O que a baleia-sei come?

Filtra principalmente copépodes, além de krill e pequenos peixes pelágicos, usando 300 a 400 barbatanas com cerdas finas.

Baleia-sei é perigosa?

Não. É arredia, não ataca humanos e evita embarcações. O risco é inverso: colisões com navios são uma ameaça para ela.

Qual a diferença entre baleia-sei e baleia-comum?

A sei é menor, tem sulcos ventrais curtos que terminam antes do umbigo, nadadeira dorsal mais alta e falcada e coloração sem assimetria na mandíbula.

Quanto tempo vive a baleia-sei?

Entre 50 e 70 anos na natureza, atingindo maturidade sexual entre 6 e 12 anos de idade.

A baleia-sei está em extinção?

Está classificada como Em Perigo (EN) pela IUCN. Foi muito caçada no século XX e hoje se recupera lentamente, mas ainda é vulnerável a colisões e ruído oceânico.

Você sabia?

1

A baleia mais rápida

Pode atingir 50 km/h em arrancadas, por isso baleeiros a chamavam de "baleia impossível" antes dos navios-fábrica modernos. Mesmo assim, mantém cruzeiro de 25 km/h por longos períodos.

2

Filtra copépodes minúsculos

Enquanto a maioria das rorquais prefere krill grande, ela se especializou em copépodes de apenas 5 a 10 mm, filtrados com cerdas extremamente finas e claras nas barbatanas.

3

Cicatrizes de tubarão-charuto

Quase todo adulto tem dezenas de marcas ovais claras na pele, causadas pelo tubarão-charuto (Isistius brasiliensis), um parasita que arranca pequenos pedaços de pele no oceano aberto.

4

Caçada tardiamente

Foi pouco caçada até os anos 1950 porque era rápida demais para os antigos baleeiros. Virou alvo principal só quando baleias-azul e comum entraram em colapso, e em 15 anos teve 100 mil capturas.

Fontes

  1. IUCN Red List - Balaenoptera borealis
  2. NOAA Fisheries - Sei Whale
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. ICMBio - Fauna Ameaçada do Brasil

Prós e contras: Baleia-sei

Prós

  • Array
  • Array
  • Array
  • Array

Contras

  • Array
  • Array
  • Array
  • Array
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a baleia-sei é a rorqual mais subestimada do Atlântico Sul justamente por viver onde ninguém vê. Sua especialização em copépodes a torna um excelente indicador de saúde oceânica, e protegê-la exige olhar além da costa, para o oceano profundo e suas rotas de navegação.

Continue explorando: Animais Marinhos

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.