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Foca-de-capuz

Cystophora cristata

Atualizado em

2,0 a 2,7 m (machos maiores)Tamanho
150 a 400 kgPeso
30 a 35 anosExpectativa de vida
Gelo marinho do Atlântico Norte e ÁrticoHabitat
Baixo, macho pode ser agressivoPerigo para humanos
Foca-de-capuz macho adulto inflando o capuz preto e o balão nasal vermelho sobre o gelo

A foca-de-capuz é um mamífero marinho do Atlântico Norte e do Ártico, famosa pelo macho que infla uma membrana elástica no focinho. Esse display único, que forma um grande balão vermelho e um capuz preto, serve para atrair fêmeas e intimidar rivais.

Solitária e pelágica, passa a maior parte da vida em alto-mar sobre o gelo à deriva, mergulhando a mais de 600 metros. É a foca com o período de amamentação mais curto entre os mamíferos: o filhote é desmamado em apenas 4 dias.

Também conhecido como: Foca-de-crista, Foca-de-capucho, Hooded seal, Phoque à capuchon

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Galeria de fotos de Foca-de-capuz

Foca-de-capuz macho adulto inflando o capuz preto e o balão nasal vermelho sobre o gelo
Macho adulto exibindo o capuz e o balão nasal característicos.
Close-up da cabeça e olhos da foca-de-capuz
Detalhe da cabeça larga e das vibrissas sensíveis.
Detalhe da pelagem manchada da foca-de-capuz
Pelagem prateada com manchas pretas irregulares.
Foca-de-capuz nadando em águas profundas do Atlântico Norte
Nadadora pelágica que mergulha a centenas de metros.
Filhote blueback da foca-de-capuz sobre o gelo
Filhote blueback, com pelagem azul-acinzentada única.
Fêmea de foca-de-capuz com filhote no gelo à deriva
Fêmea com filhote durante o curto período de amamentação.

Perfil rápido de Foca-de-capuz

Estado de conservação

VU
Vulnerável

População em declínio devido à perda de gelo marinho e pressões históricas de caça.

População
Em declínio
Protegido por
Sim

Calendário

Reprodução e partoJFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
Muda de pelos (agregação no gelo)JFMAMJJASOND
Migração para áreas de alimentaçãoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
30 a 35 anos
Maturidade sexual
3 a 7 anos

Reprodução

Tipo de reprodução
Vivípara
Gestação
11 meses com implantação tardia
Ninhada
1 filhote (20 a 30 kg)
Desmame
4 dias, o mais curto entre mamíferos
Época reprodutiva
Março a abril no gelo à deriva
Muda de pelos
Junho a julho

Habitat

Ambientes

  • Gelo marinho à deriva (pack ice)
  • Águas pelágicas profundas do Atlântico Norte

Biomas

  • Oceano Atlântico Norte
  • Oceano Ártico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes de profundidade (bacalhau-do-ártico, cantarilho, capelim)
  • Lulas e polvos

Outros alimentos

  • Camarões e anfípodes
  • Krill

Encontrado em 6 países

  • Canadá
  • Groenlândia (Dinamarca)
  • Noruega
  • Islândia
  • Estados Unidos
  • Rússia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Phocidae
Gênero
Cystophora
Espécie
Cystophora cristata

Resumo

  • A foca-de-capuz é reconhecida pelo macho que infla um capuz nasal preto e um balão vermelho do tamanho de uma bola para exibição sexual.
  • Vive em gelo marinho do Atlântico Norte e Ártico, migra longas distâncias e mergulha até 1.000 metros por mais de 50 minutos.
  • Está classificada como Vulnerável pela IUCN, ameaçada por mudanças climáticas, caça histórica e captura acidental em redes.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCarnivora
FamíliaPhocidae (focas verdadeiras)
Origem e distribuiçãoAtlântico Norte e Ártico, do Canadá e Groenlândia à Noruega e Rússia
TamanhoFêmeas 2,0 a 2,2 m; machos 2,3 a 2,7 m
PesoFêmeas 150 a 300 kg; machos 300 a 400 kg
Corescinza-prateadopretobrancoazul-acinzentado (filhote)
Profundidade100 a 600 m, até 1.016 m
HabitatGelo marinho à deriva e águas pelágicas profundas
AlimentaçãoCarnívora: peixes, lulas, crustáceos
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação, desmame em 4 dias
Expectativa de vida30 a 35 anos na natureza
Estado de conservaçãoVulnerável (VU) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasBaixo
SociabilidadeMuito baixo
InteligênciaMédio
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoMuito alto
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a foca-de-capuz: o capuz e o balão que nenhum outro animal tem

A foca-de-capuz não se confunde com nenhuma outra foca. O corpo é robusto e prateado com manchas pretas irregulares, mais densas no dorso e na cabeça. A cabeça é larga, o focinho é curto e os olhos são escuros e grandes.

O que realmente a distingue está nos machos adultos. Eles possuem uma cavidade nasal elástica que infla como um capuz preto cobrindo metade da face. Quando excitado ou ameaçado, o macho fecha uma narina e força o ar pela outra, inflando uma membrana interna vermelha e brilhante que sai pela narina aberta.

Esse balão pode atingir o tamanho de uma bola de futebol e funciona como sinal visual e sonoro. Quando balança, produz um som grave que se propaga na água e no gelo. Fêmeas e jovens não têm essa estrutura, mas mantêm o padrão de manchas e o focinho mais curto que o da foca-da-groenlândia.

O filhote, chamado de blueback, é inconfundível. Nasce com pelagem azul-acinzentada no dorso e branco-creme na barriga, sem a lanugem branca de outras focas. Essa cor já indica que ele está pronto para entrar na água em poucas horas.

Onde vive: gelo à deriva e oceano profundo

A foca-de-capuz é pelágica e migratória, ligada ao gelo marinho à deriva do Atlântico Norte e do Ártico. Não forma colônias fixas em terra como leões-marinhos. Passa meses em mar aberto, subindo ao gelo apenas para reproduzir e fazer a muda.

Existem quatro áreas principais de concentração: Jan Mayen (entre Groenlândia e Noruega), Estreito de Davis, Golfo de São Lourenço e costa sudeste da Groenlândia. Fora da reprodução, os animais se dispersam por todo o Atlântico Norte, chegando a Açores, Portugal e até Caribe como errantes, mas o núcleo fica acima dos 45°N.

Prefere gelo denso e espesso para parir, longe da borda onde predadores como ursos-polares circulam. No verão, migra para áreas de alimentação no Atlântico central. Usa profundidades de 100 a 600 metros rotineiramente, mas registros de telemetria mostram mergulhos até 1.016 metros por 52 minutos.

O que come e como caça no escuro

É uma predadora generalista de águas profundas. A dieta base é de peixes de profundidade como bacalhau-do-ártico, cantarilho, arenque e capelim, além de lulas, polvos e camarões. Em algumas populações, o krill e anfípodes também pesam na dieta.

Caça principalmente com mergulhos profundos e longos, usando bigodes sensíveis (vibrissas) para detectar vibrações e visão adaptada à baixa luz. Reduz os batimentos cardíacos para menos de 10 por minuto durante o mergulho, economizando oxigênio armazenado no sangue e nos músculos.

Diferente de focas costeiras, raramente caça perto do fundo raso. Faz mergulhos em forma de U, descendo rápido, patrulhando a camada de 200 a 400 metros e subindo. Machos e fêmeas se alimentam em áreas diferentes fora da reprodução, o que reduz competição direta.

Reprodução: a amamentação mais curta entre os mamíferos

A reprodução é extremamente concentrada e rápida. O acasalamento ocorre no final de março a início de abril, no gelo à deriva. Os machos disputam fêmeas com exibições do capuz e combates agressivos, mas não formam haréns estáveis.

A gestação dura cerca de 11 meses, incluindo 3 meses de implantação tardia. A fêmea pare um único filhote de 20 a 30 kg sobre o gelo. O leite tem cerca de 60% de gordura, o mais rico entre as focas.

O filhote dobra de peso em 4 dias, ganhando até 7 kg por dia. No quarto dia, a fêmea o abandona e volta a acasalar. Esse é o período de amamentação mais curto de qualquer mamífero. O blueback fica sozinho no gelo por semanas, jejuando enquanto troca a pelagem, até estar apto a caçar sozinho.

A maturidade sexual chega aos 3 a 6 anos para fêmeas e 5 a 7 anos para machos. A muda anual de pelos ocorre em junho e julho, quando os animais se reúnem novamente no gelo ao sudeste da Groenlândia.

Comportamento e migração: solitária e altamente móvel

A foca-de-capuz é uma das focas mais solitárias do mundo. Fora da época reprodutiva e da muda, vive sozinha ou em pequenos grupos dispersos. Não é barulhenta em terra, mas debaixo d’água emite cliques e pulsos graves.

É uma migradora de longa distância. Indivíduos marcados na Groenlândia foram rastreados por mais de 3.000 km em poucas semanas, movendo-se entre o Canadá e a Noruega. Essa capacidade de migração é nota 5 entre as focas do Atlântico.

Na água é ágil e rápida, atingindo até 30 km/h em disparadas curtas. No gelo, arrasta-se com movimentos laterais do corpo e pode ser agressiva se encurralada. Machos são territoriais apenas nos poucos dias em que defendem uma fêmea no gelo.

A foca-de-capuz é perigosa para humanos?

Para humanos, o risco é baixo e circunstancial. Não há registro de ataques predatórios, pois ela não vê pessoas como presa. O perigo vem do macho adulto na época reprodutiva, que pode avançar, morder e inflar o balão como ameaça se alguém se aproximar do filhote ou da fêmea.

A mordida pode causar ferimentos graves devido ao tamanho e aos dentes caninos. Por isso, no Canadá e na Noruega, a aproximação é regulamentada e pesquisadores mantêm distância mínima de 30 a 50 metros no gelo.

Em mergulho, ela é tímida e evita contato. O maior risco real para humanos não é o ataque, mas a transmissão de zoonoses ao manusear animais mortos ou a captura acidental em artes de pesca.

Ameaças e estado de conservação

A espécie é classificada como Vulnerável (VU) pela IUCN, com população global estimada em cerca de 675 mil indivíduos e tendência de declínio. Já foi caçada intensamente por pele, óleo e pelo couro do blueback, que era muito valorizado na moda até os anos 1980.

Hoje a caça comercial é limitada por cotas no Canadá e na Noruega, mas ainda ocorre. As ameaças atuais mais relevantes são mudanças climáticas e perda de gelo marinho, que reduzem a plataforma de parto e aumentam a mortalidade de filhotes por tempestades e separação precoce.

Outros impactos são captura incidental em redes de emalhe de profundidade, poluição por plásticos e contaminantes como mercúrio e PCBs, e ruído submarino que interfere na comunicação. A espécie é protegida por acordos como o Acordo de Conservação de Focas do Atlântico Noroeste e monitorada por levantamentos aéreos no gelo.

Onde observar com responsabilidade e curiosidades que a tornam única

Observar foca-de-capuz na natureza exige expedição ao gelo à deriva do Atlântico Norte, geralmente com operadores licenciados na Groenlândia, Islândia ou Canadá. Não existe observação regular no Brasil, pois a espécie não ocorre aqui. Nunca tente se aproximar, tocar ou alimentar.

Se avistar um indivíduo errante em praias do Atlântico, mantenha distância, não afaste o animal da água e avise autoridades ambientais locais. Fotos devem ser feitas com teleobjetiva e sem flash.

Na nossa avaliação, a foca-de-capuz é o exemplo mais extremo de como a seleção sexual molda um mamífero marinho: o capuz não serve para respirar melhor, apenas para impressionar. Essa especialização, somada à estratégia de desmame relâmpago, a torna fascinante e ao mesmo tempo vulnerável a um Ártico em rápida transformação.

Perguntas frequentes

O que é o capuz da foca-de-capuz?

É uma cavidade nasal elástica que o macho infla como um balão preto sobre a cabeça. Dentro dela, uma membrana vermelha pode ser expelida por uma narina para exibição sexual e intimidação.

Onde a foca-de-capuz vive?

No gelo marinho à deriva e em águas profundas do Atlântico Norte e Ártico, entre Canadá, Groenlândia, Islândia e Noruega. Não ocorre no Brasil.

Quanto tempo o filhote mama?

Apenas 4 dias, o período mais curto entre os mamíferos. O leite tem cerca de 60% de gordura e o filhote ganha até 7 kg por dia.

A foca-de-capuz mergulha fundo?

Sim, rotineiramente entre 100 e 600 metros e já registrada a mais de 1.000 metros, ficando submersa por até 52 minutos.

Ela é perigosa para humanos?

Raramente. É tímida no mar, mas machos podem ser agressivos no gelo se defenderem fêmea ou filhote. Mantenha distância mínima de 30 metros.

Está em risco de extinção?

Sim, é classificada como Vulnerável (VU) pela IUCN, com população em declínio por perda de gelo, captura acidental e poluição.

O que ela come?

Principalmente peixes de profundidade, lulas, polvos e crustáceos como camarões e anfípodes.

Você sabia?

1

O balão não é o capuz

O capuz preto é a cavidade nasal inflada. O balão vermelho é uma membrana interna que sai por uma narina quando a outra é fechada. São duas estruturas diferentes usadas no mesmo display.

2

Desmame mais rápido do reino animal

O filhote mama por apenas 4 dias, o menor tempo entre todos os mamíferos. Nesse período ele ganha até 28 kg e a mãe perde cerca de 10 kg por dia.

3

Mergulhadora de abismo

Já foi registrada a 1.016 metros de profundidade e consegue ficar 52 minutos sem respirar, graças à bradicardia e a grandes estoques de mioglobina nos músculos.

4

Filhote já nasce pronto para o frio

O blueback nasce sem a pelagem branca típica de outras focas. Sua lã azul-acinzentada é densa e impermeável, permitindo que entre na água poucas horas após o nascimento.

Fontes

  1. IUCN Red List - Cystophora cristata
  2. NOAA Fisheries - Hooded Seal
  3. SeaLifeBase / WoRMS

Prós e contras: Foca-de-capuz

Prós

  • Display nasal único entre os mamíferos marinhos
  • Adaptação extrema a mergulho profundo e frio
  • Indicadora da saúde do gelo marinho e do Atlântico Norte
  • Filhote com desenvolvimento ultrarrápido, interessante para estudos

Contras

  • Dependente de gelo marinho que está diminuindo
  • População classificada como Vulnerável e em declínio
  • Solitária e difícil de observar na natureza
  • Macho pode ser agressivo no período reprodutivo
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a foca-de-capuz é a mais teatral das focas, mas paga o preço da especialização: depende de gelo estável que está desaparecendo. Protegê-la é proteger um indicador direto da saúde do Ártico.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.