Resumo
- O leão-marinho-de-Steller é o maior otarídeo do mundo, com machos de até 3,3 m e mais de 1.000 kg, reconhecido pela juba e pelo rugido grave.
- Vive no Pacífico Norte subártico em colônias rochosas e se alimenta de peixes e cefalópodes, mergulhando até 400 metros para caçar.
- Está classificado como Quase Ameaçado pela IUCN, com população em recuperação no leste e ainda vulnerável no oeste por pesca e mudanças climáticas.
Características
Ficha da espécie
| Grupo | Mamífero |
|---|---|
| Ordem | Carnivora |
| Família | Otariidae |
| Origem e distribuição | Pacífico Norte: do Japão e Rússia ao Alasca, Canadá e Califórnia (EUA) |
| Tamanho | Fêmeas 2,3 a 2,9 m; machos 2,8 a 3,3 m |
| Peso | Fêmeas 270 a 350 kg; machos 450 a 1.120 kg |
| Cores | begemarrom-claroamareladomarrom-escuro |
| Profundidade | 0 a 424 m (comum entre 20 e 250 m) |
| Habitat | Costas rochosas, ilhas isoladas e águas costeiras frias e produtivas |
| Alimentação | Piscívoro e teutófago (peixes e cefalópodes) |
| Reprodução | Vivípara, 1 filhote por gestação de 11 a 12 meses |
| Expectativa de vida | Machos 18 a 20 anos; fêmeas até 30 anos |
| Estado de conservação | Quase Ameaçado (NT) - IUCN |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Baixo |
|---|---|
| Sociabilidade | Muito alto |
| Inteligência | Alto |
| Velocidade | Alto |
| Capacidade de migração | Médio |
| Importância para o ecossistema marinho | Muito alto |
Como identificar o leão-marinho-de-Steller sem confundir
O leão-marinho-de-Steller é o maior leão-marinho do mundo e o único do gênero Eumetopias. O nome homenageia o naturalista Georg Steller, que o descreveu em 1741.
Machos adultos têm juba espessa no pescoço e peito, focinho largo e quadrado e pavilhão auricular visível, o que o diferencia das focas verdadeiras. A coloração varia de bege-amarelado a marrom-claro nos adultos, mais escura quando molhada; filhotes nascem pretos e mudam para marrom após alguns meses.
A diferença sexual é extrema. Machos pesam até 3 vezes mais que as fêmeas e têm cabeça muito mais robusta. Fêmeas são mais delgadas, com focinho mais fino.
Não confunda com o leão-marinho-da-Califórnia (Zalophus californianus): o de Steller é bem maior, mais claro e sem crista sagital pronunciada. Também difere do lobo-marinho-do-norte pelo tamanho e pela ausência de subpelo denso.
Onde vive e por que não aparece no Brasil
É uma espécie exclusiva do Pacífico Norte subártico. Ocorre do norte do Japão, Mar de Okhotsk e Ilhas Curilas, passando pelas Ilhas Aleutas e Golfo do Alasca, até o centro da Califórnia.
Prefere costões rochosos expostos, ilhotas e recifes isolados para formar colônias reprodutivas (rookeries) e áreas de descanso (haul-outs) em terra. No mar, usa a plataforma continental e o talude, raramente se afastando muito da costa.
Não ocorre no Atlântico nem no Hemisfério Sul, por isso não é encontrado no Brasil nem em águas tropicais. É adaptado a águas frias e altamente produtivas, entre 5 e 15 °C.
Os animais se deslocam sazonalmente, mas não fazem migrações transoceânicas longas. Machos e juvenis dispersam mais no inverno, enquanto fêmeas com filhotes permanecem próximas às colônias o ano todo.
O que come e como caça em profundidade
É um predador generalista e oportunista. A base da dieta são peixes como escamudo-do-Alasca, arenque, salmão, bacalhau e linguado, além de lulas, polvos e ocasionalmente polvos-gigantes.
Caça principalmente com mergulhos de 20 a 250 metros, mas registros com transmissores mostram mergulhos de até 424 metros e mais de 15 minutos em fêmeas. Usa os bigodes (vibrissas) extremamente sensíveis para detectar vibrações de presas no escuro.
Diferente das focas, nada com as nadadeiras anteriores longas e musculosas, em movimentos de “voo” subaquático, e consegue girar o quadril para caminhar em terra. Isso o torna veloz: atinge cerca de 27 km/h na água em curtas distâncias.
Também é presa importante. Orcas residentes e tubarões-brancos são seus principais predadores naturais, e a predação por orcas é considerada um fator relevante na dinâmica da população ocidental.
Reprodução, haréns e cuidado com os filhotes
A reprodução é fortemente sazonal e poligínica. Machos chegam às colônias em maio e estabelecem territórios que defendem por até 40 dias sem se alimentar, apenas com reservas de gordura.
Cada macho dominante forma um harém de 10 a 30 fêmeas. As fêmeas dão à luz a um único filhote entre maio e julho, poucos dias após chegarem, e acasalam novamente cerca de 10 dias depois. A gestação tem implantação retardada de 3 meses, totalizando 11 a 12 meses.
O filhote pesa 18 a 23 kg ao nascer e mama por 3 a 12 meses, mas pode continuar com a mãe por até 3 anos se não houver nova cria. Fêmeas alternam amamentação em terra e viagens de pesca de 1 a 3 dias.
A maturidade chega aos 4 a 6 anos nas fêmeas e 5 a 7 nos machos, mas machos só conseguem manter território e harém após os 9 a 13 anos, quando atingem tamanho competitivo.
Comportamento social e vocalização que dá nome ao “leão”
É altamente gregário. Fora da época reprodutiva forma grupos de centenas em áreas de descanso, com hierarquia baseada em tamanho e agressividade. A comunicação é constante.
O rugido grave, repetido e audível a mais de 1 km, rendeu o nome de leão-marinho. Machos rugem para defender território, fêmeas e filhotes usam chamados individuais para se reconhecerem no meio da colônia barulhenta.
São inteligentes e curiosos, com boa capacidade de aprendizado observada em centros de reabilitação. Em vida livre, demonstram táticas de caça cooperativa e roubam peixes de redes, o que gera conflito com pescadores.
Apesar da sociabilidade, são territoriais e agressivos na reprodução. Brigas entre machos envolvem mordidas, golpes de peito e podem deixar cicatrizes profundas.
É perigoso para humanos? Risco real na água e em terra
Ataques a humanos são raros, mas o risco existe. Não é venenoso e não caça pessoas. O perigo vem do tamanho, força e territorialismo, sobretudo de machos na época reprodutiva.
Em terra, pode avançar, morder e arrastar se alguém se aproximar demais da colônia ou entre a fêmea e o filhote. Na água, aproximações por barcos e mergulhadores podem provocar investidas defensivas.
A recomendação oficial da NOAA é manter no mínimo 100 metros de distância de colônias e nunca bloquear a rota de fuga para o mar. Alimentar ou tocar é ilegal nos EUA e Canadá.
Para mergulhadores e pescadores, o maior risco prático são mordidas secundárias e acidentes com redes, não predação. Mantenha distância, não ofereça peixe e recue devagar se o animal demonstrar agitação, vocalização ou cabeçadas.
Ameaças e por que entrou em declínio no Pacífico oeste
Globalmente é Quase Ameaçado (NT). A história é dividida: a população ocidental (Rússia e Aleutas ocidentais) caiu mais de 70% entre os anos 1970 e 2000, enquanto a oriental (sudeste do Alasca à Califórnia) se recuperou e foi retirada da lista de ameaçados nos EUA em 2013.
As causas do declínio incluem competição com a pesca industrial por escamudo e arenque, emaranhamento em redes, contaminação por poluentes, mudanças na disponibilidade de presas ligadas ao aquecimento do Pacífico e predação por orcas.
Hoje as ameaças persistem: captura acidental, ruído submarino, derramamentos de óleo e eventos de mortalidade por toxinas de algas. Filhotes também sofrem com pisoteamento em colônias superlotadas e com o aumento de tempestades.
É protegido por leis como o Marine Mammal Protection Act (EUA) e por áreas marinhas protegidas no Alasca e na Rússia. Programas de monitoramento com drones, marcação e contagem aérea acompanham a recuperação.
Curiosidades e como observar com responsabilidade
Apesar do peso, consegue apoiar-se nas quatro nadadeiras e correr curtas distâncias em terra, diferente das focas que rastejam. Essa agilidade impressiona quem vê um macho de uma tonelada se deslocando entre rochas.
Se quiser observar, faça em passeios embarcados licenciados no Alasca, Colúmbia Britânica ou Califórnia, entre maio e setembro, quando as colônias estão ativas. Use binóculo, não use drone baixo sobre a colônia e não leve cachorro.
Evite praias com sinalização de rookery fechada. Nunca entre na água para nadar com o grupo e não publique localização exata de filhotes isolados em redes sociais, pois isso atrai aproximações.
Avistar um leão-marinho-de-Steller é um indicador de oceano frio e produtivo. Onde ele está bem, o ecossistema costuma estar também.
Perguntas frequentes
Qual o tamanho do leão-marinho-de-Steller?
Fêmeas medem 2,3 a 2,9 m e pesam 270 a 350 kg; machos chegam a 3,3 m e 1.120 kg, sendo o maior leão-marinho do mundo.
Onde vive o leão-marinho-de-Steller?
Apenas no Pacífico Norte subártico, do Japão e Rússia até o Alasca, Canadá e Califórnia. Não ocorre no Brasil.
O leão-marinho-de-Steller é perigoso?
Não é venenoso e raramente ataca, mas machos territoriais podem morder e avançar se alguém se aproximar demais da colônia ou dos filhotes.
O que ele come?
Principalmente peixes como escamudo-do-Alasca, arenque e salmão, além de lulas e polvos, capturados em mergulhos de até 424 m.
Qual a diferença para foca?
Tem orelha externa visível, nada com as nadadeiras dianteiras e consegue caminhar em terra apoiado nas quatro nadadeiras, enquanto focas rastejam e não têm orelha externa.
Está em extinção?
É classificado como Quase Ameaçado (NT) pela IUCN. A população oriental se recuperou, mas a ocidental ainda é considerada em perigo em nível regional.
Quanto tempo vive?
Fêmeas até 30 anos, machos geralmente 18 a 20 anos devido ao desgaste das disputas territoriais.
Você sabia?
Jejum de campeão
Machos territoriais ficam até 40 dias sem comer nem beber água doce, defendendo o harém apenas com a gordura acumulada. Perdem até 15% do peso na temporada.
Bigodes de precisão
Suas vibrissas têm terminações nervosas 10 vezes mais sensíveis que as de um cachorro e detectam o rastro hidrodinâmico de um peixe até 30 segundos depois que ele passou.
O maior harém registrado
Um único macho dominante já foi observado controlando 45 fêmeas ao mesmo tempo em uma colônia nas Ilhas Aleutas, exigindo brigas quase diárias.
Mergulho recorde
Fêmeas marcadas com sensores atingiram 424 metros de profundidade, mais que a altura do Empire State Building, para capturar lulas em cânions submarinos.









