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Golfinho-de-commerson

Cephalorhynchus commersonii

Atualizado em

1,2 a 1,5 mTamanho
35 a 60 kgPeso
15 a 18 anosExpectativa de vida
Costeiro raso e subantárticoHabitat
InofensivoPerigo para humanos
Golfinho-de-commerson nadando de corpo inteiro com padrão preto e branco na água

O golfinho-de-commerson é um dos menores golfinhos do mundo, inconfundível pelo padrão preto e branco bem marcado que lhe rendeu o apelido de golfinho-panda. Com até 1,5 metro e corpo robusto, chama atenção por nadar com frequência de barriga para cima e por surfar ondas junto a barcos em águas frias e rasas.

Vive em duas populações totalmente isoladas: uma na costa da Patagônia e Ilhas Malvinas, e outra a mais de 8.500 km de distância, nas Ilhas Kerguelen, no Índico subantártico. É costeiro, não faz migrações longas e depende de áreas rasas ricas em peixes e lulas, o que o torna vulnerável a redes de pesca.

Também conhecido como: Golfinho-panda, Tonina overa, Golfinho-de-commerson, Commerson's dolphin, Panda dolphin, Skunk dolphin

Faz parte de: Baleias e Golfinhos

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Galeria de fotos de Golfinho-de-commerson

Golfinho-de-commerson nadando de corpo inteiro com padrão preto e branco na água
Golfinho-de-commerson adulto com o padrão panda característico.
Close-up da cabeça e olhos do golfinho-de-commerson
Cabeça arredondada e sem bico proeminente, típica da espécie.
Detalhe da pele preta e branca do golfinho-de-commerson
Contraste nítido entre as áreas pretas e brancas da pele.
Golfinho-de-commerson em habitat costeiro raso da Patagônia
Habitat costeiro raso onde a espécie vive o ano todo.
Golfinho-de-commerson nadando de dorso perto do fundo
Comportamento característico de nadar de dorso para caçar.
Grupo de golfinhos-de-commerson surfando na proa e saltando na superfície
Grupo pequeno em comportamento social e acrobático na superfície.

Perfil rápido de Golfinho-de-commerson

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie com distribuição restrita mas ainda relativamente numerosa na Patagônia.

População
desconhecida
Protegido por
Sim, protegido na Argentina e Chile; proibição de captura

Calendário

Reprodução (acasalamento)JFMAMJJASOND
NascimentosJFMAMJJASOND
Melhor época para observação (Patagônia)JFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
15 a 18 anos, máximo de 20 anos

Reprodução

Acasalamento
Poligâmico promíscuo, sem par fixo
Estrutura social
Grupos fluidos de 2 a 15, agregações de até 100
Padrão sazonal
Primavera e verão austral (setembro a fevereiro)
Tipo de nascimento
Vivíparo, 1 filhote
Ninhada
1 filhote de 65 a 75 cm, desmame com 8 a 12 meses

Habitat

Ambientes

  • Águas costeiras rasas
  • Baías e golfos
  • Estuários e desembocaduras
  • Canais e estreitos subantárticos
  • Entorno de ilhas subantárticas

Biomas

  • Zona costeira marinha
  • Mar subantártico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes costeiros pequenos
  • Lulas e polvos pequenos

Outros alimentos

  • Camarões
  • Krill
  • Peixes bentônicos subantárticos

Encontrado em 4 países

  • Argentina
  • Chile
  • Ilhas Malvinas
  • Terras Austrais Francesas (Kerguelen)

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Artiodactyla
Família
Delphinidae
Gênero
Cephalorhynchus
Espécie
Cephalorhynchus commersonii

Resumo

  • O golfinho-de-commerson é um mamífero marinho pequeno de 1,2 a 1,5 m, preto e branco, com duas populações isoladas na Patagônia e nas Ilhas Kerguelen.
  • Vive em águas costeiras rasas e frias, caça peixes e lulas com cliques de alta frequência e costuma nadar de dorso e surfar ondas.
  • Está classificado como Pouco Preocupante pela IUCN, mas sofre com captura acidental em redes e poluição costeira.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemArtiodactyla (Cetacea)
FamíliaDelphinidae
Origem e distribuiçãoExtremo sul da América do Sul e Ilhas Kerguelen, no Índico subantártico
Tamanho1,2 a 1,5 m (fêmeas ligeiramente maiores)
Peso35 a 60 kg
Corespretobrancocinza
Profundidade0 a 200 m, prefere até 60 m
HabitatÁguas costeiras frias, estuários, baías e entorno de ilhas subantárticas
AlimentaçãoCarnívora (peixes, lulas, camarões e krill)
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação de 11 meses
Expectativa de vida15 a 18 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeAlto
InteligênciaAlto
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoMédio

Como identificar o golfinho-de-commerson sem confundir

O golfinho-de-commerson é impossível de confundir quando adulto na sua área de ocorrência. Cabeça pequena e arredondada sem bico proeminente, corpo robusto e nadadeira dorsal arredondada com ponta levemente curvada.

O padrão de cor é a assinatura: cabeça, nadadeiras e cauda pretas, com garganta, barriga e grande mancha branca nas costas. Parece um panda nadando, daí o nome internacional panda dolphin.

Filhotes nascem com tons cinza-acastanhados no lugar do preto e vão escurecendo no primeiro ano. Isso confunde quem espera ver o contraste forte desde o nascimento.

Existem duas subespécies com diferença visível. C. c. commersonii, da América do Sul, é menor e com preto e branco bem nítido. C. c. kerguelenensis, das Kerguelen, é maior, mais acinzentada e com a área branca menos extensa.

Outro detalhe técnico: tem apenas 28 a 34 dentes pequenos e pontiagudos em cada maxilar, menos que a maioria dos golfinhos oceânicos. E emite cliques de alta frequência em banda estreita por volta de 130 kHz, quase inaudíveis para orcas, o que é uma estratégia antipredação.

Onde vive: duas populações que nunca se encontram

A distribuição é uma das mais curiosas entre os cetáceos. Uma população vive no extremo sul da Argentina e Chile, incluindo o Estreito de Magalhães, Terra do Fogo e Ilhas Malvinas. A outra está isolada nas Ilhas Kerguelen, no sul do Oceano Índico, território francês subantártico.

São cerca de 8.500 km de separação sem fluxo genético. Estudos morfológicos e genéticos sustentam a divisão em duas subespécies, com a de Kerguelen sendo maior e mais pesada.

É um golfinho estritamente costeiro e de plataforma rasa. Prefere baías, desembocaduras de rios, canais e águas com até 60 metros, embora possa chegar a 200 metros. Evita mar aberto profundo.

Não faz migrações de longa distância. Os grupos são residentes e com área de vida pequena, o que explica a fidelidade a certos golfos da Patagônia, como o Golfo San Jorge. No inverno, pode se afastar um pouco da costa, mas sem padrão migratório definido.

Precisa de água fria, geralmente entre 4 °C e 16 °C. Por isso não ocorre no Brasil tropical; os registros mais ao norte são ocasionais no sul da Argentina.

O que come e como caça em água turva

A dieta é oportunista e costeira. Base de peixes pequenos como pejerrey e sardinha fueguina, lulas, polvos pequenos, camarões e krill. Em Kerguelen, consome mais espécies subantárticas de peixes bentônicos.

Caça de forma ativa e rápida em águas rasas e muitas vezes turvas. Usa ecolocalização de alta frequência para detectar presas a poucos metros e faz mergulhos curtos, de 1 a 2 minutos.

Um comportamento marcante é nadar de dorso ou de lado perto do fundo, expondo a barriga branca para cima. Acredita-se que isso melhore a visualização de presas contra a luz da superfície e ajude a sondar o substrato.

Também faz caça em grupo pequeno, de 3 a 8 indivíduos, cercando cardumes contra a costa. Não é um caçador de profundidade como golfinhos oceânicos.

  • Principal tática: varredura rápida do fundo com cliques constantes e giro do corpo.
  • Horário: mais ativo de manhã e no fim da tarde, quando peixes costeiros se concentram.
  • Consumo: estima-se cerca de 4% a 6% do peso corporal por dia em peixes e cefalópodes.

Comportamento e vida em grupo: rápido, acrobático e surfista

É um dos golfinhos mais ativos e velozes da costa patagônica, com picos de até 30 km/h em deslocamentos curtos. Nada com movimentos bruscos, mudanças de direção repentinas e saltos baixos.

Vive em grupos pequenos de 2 a 15 indivíduos, mas agregações temporárias de até 100 podem se formar onde há muita comida. A estrutura é fluida, com trocas constantes de parceiros, típica de golfinhos costeiros.

É famoso por surfar a onda da proa de barcos e veleiros, o famoso bow-riding, e por acompanhar embarcações por minutos. Também surfa ondas naturais perto de praias, o que o torna visível da costa.

A comunicação é discreta. Ao contrário de golfinhos que assobiam muito, o commersonii quase não produz assobios audíveis, priorizando cliques de alta frequência. Isso reduz a detecção por predadores como a orca.

Exibe comportamentos de superfície como saltos verticais, batidas de cauda e nado de dorso prolongado. Em dias calmos na Patagônia, é possível vê-lo girando lentamente com a barriga branca brilhando sob a água.

Reprodução e ciclo de vida

A maturidade sexual chega cedo para um cetáceo. Fêmeas com 6 a 8 anos e cerca de 1,3 m, machos um pouco depois. O tamanho menor dos machos é incomum entre golfinhos.

A reprodução é sazonal, concentrada na primavera e verão austral. Acasalamentos de setembro a fevereiro, com pico entre outubro e dezembro nas populações sul-americanas.

A gestação dura cerca de 11 meses. Nasce um único filhote de 65 a 75 cm e 5 a 7 kg, que mama por 8 a 12 meses, mas começa a provar peixes pequenos com poucos meses.

O intervalo entre filhotes é de 1 a 2 anos se houver boa oferta de alimento. Fêmeas podem ter filhotes anualmente em anos favoráveis, uma taxa relativamente alta para golfinhos.

A longevidade na natureza é modesta. A maioria vive 10 a 15 anos, com registros máximos de 18 a 20 anos em animais monitorados. A mortalidade maior ocorre no primeiro ano e por captura acidental.

É perigoso para humanos?

Não. O golfinho-de-commerson é inofensivo para pessoas. Não há registro de ataques, e seu tamanho pequeno e dentes diminutos não oferecem risco.

O risco inverso é o real: por ser costeiro e curioso, se aproxima de redes, hélices e áreas portuárias. A interação mais comum é positiva, com aproximação voluntária a barcos para surfar a proa.

Como todo mamífero marinho, não deve ser tocado, alimentado ou perseguido na água. Tentar nadar atrás dele causa estresse e pode separar mães e filhotes. A observação deve ser passiva e a distância.

Ameaças e estado de conservação

Na Lista Vermelha da IUCN está como Pouco Preocupante (LC) desde 2018, mas com ressalva importante: a avaliação considera a espécie como um todo, enquanto populações locais sofrem pressão forte.

A principal ameaça é a captura acidental em redes de emalhe e arrasto costeiro na Argentina e Chile. Por viver exatamente onde a pesca artesanal e industrial atua, o emalhe é frequente e subnotificado.

Outras pressões incluem poluição química e por plásticos, ruído de embarcações e tráfego intenso em estreitos como o de Magalhães, além de contaminação por esgoto em baías. Em Kerguelen, a população é menor e mais vulnerável por isolamento.

Medidas existentes envolvem áreas marinhas protegidas na Patagônia, regulamentação de redes e programas de observadores de bordo. Na Argentina, é Monumento Natural em algumas províncias, com proibição de captura. Ainda faltam estimativas populacionais precisas para Kerguelen.

Ameaça Impacto Onde pesa mais
Redes de emalhe Mortalidade direta alta Costa da Patagônia
Poluição e plásticos Contaminação e ingestão Baías e estuários
Tráfego de embarcações Colisões e ruído Estreito de Magalhães
Isolamento genético Vulnerabilidade local Kerguelen

Onde observar com responsabilidade

Os melhores pontos são na Patagônia argentina: Puerto Deseado, Puerto San Julián, Golfo San Jorge e arredores de Ushuaia. No Chile, canais da Terra do Fogo. Passeios embarcados com operadores licenciados oferecem avistagens frequentes no verão.

Prefira operadores que seguem regras de distância mínima de 50 a 100 metros, sem perseguição, sem alimentar e com motor em neutro durante a observação. Se o grupo se afastar, não insista.

Da costa também é possível ver, em dias calmos, grupos pequenos surfando ondas perto de praias de cascalho. Use binóculos e mantenha silêncio.

Evite passeios que prometem nado com golfinhos ou toque. Além de ilegal em muitas jurisdições, altera o comportamento e aumenta risco de acidentes para o animal e para você.

Diferenças para golfinhos parecidos

Na mesma região ocorre o golfinho-chileno ou golfinho-preto Cephalorhynchus eutropia, que é quase todo preto e sem a mancha branca grande nas costas. O commersonii se distingue justamente pelo contraste forte.

O golfinho-de-heaviside da África e o golfinho-de-hector da Nova Zelândia são do mesmo gênero e têm padrão parecido, mas nunca ocorrem juntos com o commersonii. A geografia já separa.

Confusão comum é com filhotes de orca à distância, pelo preto e branco. A diferença é o tamanho: orca filhote já tem mais de 2 metros e nadadeira dorsal alta e triangular, enquanto o commersonii adulto mal passa de 1,5 metro.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do golfinho-de-commerson?

Adultos medem de 1,2 a 1,5 m e pesam de 35 a 60 kg, com fêmeas ligeiramente maiores que machos. É um dos menores golfinhos do mundo.

Onde vive o golfinho-de-commerson?

Em duas áreas isoladas: costa da Patagônia argentina e chilena, incluindo Ilhas Malvinas, e Ilhas Kerguelen no Índico subantártico. Sempre em águas costeiras rasas e frias.

O golfinho-de-commerson é perigoso?

Não. É inofensivo, curioso e costuma se aproximar de barcos para surfar a proa. Não há registros de agressão a humanos.

O que ele come?

Peixes pequenos costeiros, lulas, polvos pequenos, camarões e krill. Caça perto do fundo e muitas vezes nada de dorso para localizar presas.

Quanto tempo vive?

Em média 10 a 15 anos na natureza, podendo chegar a 18 a 20 anos nos indivíduos mais longevos.

Está em risco de extinção?

É classificado como Pouco Preocupante pela IUCN, mas populações locais sofrem com captura acidental em redes de pesca e poluição costeira.

Dá para ver no Brasil?

Não é esperado no Brasil tropical. A observação confiável é na Patagônia argentina e chilena, no verão austral, com operadores licenciados.

Você sabia?

1

Nada de dorso como estratégia

É um dos poucos golfinhos que passa longos trechos nadando de barriga para cima, usando a parte branca para camuflagem e para enxergar melhor as presas contra a luz.

2

Duas populações sem contato há milhares de anos

Os grupos da Patagônia e das Ilhas Kerguelen estão separados por 8.500 km de oceano profundo que a espécie não atravessa, formando subespécies diferentes em tamanho e cor.

3

Golfinho silencioso para despistar orcas

Em vez de assobios, emite cliques de banda estreita em torno de 130 kHz, frequência que fica fora da audição das orcas, seu principal predador.

4

Fêmeas maiores que machos

Ao contrário da maioria dos golfinhos, as fêmeas de commersonii crescem um pouco mais que os machos, chegando a 1,5 m enquanto machos ficam em torno de 1,3 m.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. SeaLifeBase / FishBase

Prós e contras: Golfinho-de-commerson

Prós

  • Padrão preto e branco inconfundível, fácil de identificar
  • Comportamento acrobático e curioso, ótimo para observação responsável
  • Indicador de saúde de ecossistemas costeiros frios
  • Baixo risco para humanos e interação positiva com barcos

Contras

  • Distribuição muito restrita e isolada, vulnerável localmente
  • Alta mortalidade por captura acidental em redes costeiras
  • Sensível a ruído e tráfego de embarcações em áreas rasas
  • Não se adapta a águas tropicais nem a cativeiro
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o golfinho-de-commerson é o melhor exemplo de como um padrão de cor extremo pode ser funcional: o contraste quebra a silhueta na água turva e, combinado com cliques inaudíveis para orcas, mostra uma evolução afinada à vida costeira fria. É também um alerta de conservação local, pois depender de baías rasas o coloca exatamente na rota das redes.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.