🐛 Insetos

Gafanhoto-americano

Schistocerca americana

Atualizado em

4 a 6 cm (adulto)Tamanho
Herbívoro polífagoAlimentação
2 a 3 meses até adultoCiclo de vida
Campos e áreas agrícolasHabitat
Não venenoso, não picaPerigo para humanos
Gafanhoto-americano adulto de corpo marrom-acinzentado pousado em haste de capim

O gafanhoto-americano (Schistocerca americana) é um gafanhoto de grande porte das Américas, conhecido pelas asas posteriores amarelas com borda escura e pelo voo forte e ruidoso. Apesar do nome, sua distribuição é mais concentrada no sudeste dos Estados Unidos, México e Caribe, sendo confundido no Brasil com o gafanhoto sul-americano.

É um inseto solitário na maior parte do tempo, mas pode aumentar em número após verões quentes e úmidos e causar desfolha em gramíneas, milho e citros. Não pica, não tem veneno e não transmite doenças, embora possa beliscar se manuseado.

Também conhecido como: Gafanhoto-de-asa-amarela, Gafanhoto-americano, American bird grasshopper (inglês), Langosta americana (espanhol)

Faz parte de: Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Gafanhoto-americano

Gafanhoto-americano adulto de corpo marrom-acinzentado pousado em haste de capim
Adulto de gafanhoto-americano com corpo alongado e camuflagem em tons de palha.
Close da cabeça do gafanhoto-americano mostrando olhos e antenas curtas
Cabeça com olhos grandes e antenas curtas, típicas de gafanhotos de antena curta.
Gafanhoto-americano em voo exibindo asas traseiras amarelas com borda escura
Asas posteriores amarelas com borda escura, marca registrada da espécie em voo.
Ninfa do gafanhoto-americano sem asas funcionais sobre folha
Ninfa em ínstar intermediário, ainda sem asas funcionais.
Ooteca do gafanhoto-americano no solo arenoso
Ooteca com ovos protegidos por espuma no solo.
Gafanhoto-americano ao lado de folha para comparação de tamanho
Tamanho adulto de 4 a 6 cm comparado a uma folha.

Perfil rápido de Gafanhoto-americano

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie comum e amplamente distribuída, ainda não avaliada pela IUCN.

População
Estável
Protegido por
Não

Calendário

Maior atividadeJFMAMJJASOND
ReproduçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxico
  • PessoasNão tóxico

Não pica nem tem veneno. Mordida defensiva pode beliscar. Lavar mãos após manuseio.

Vida útil

Na natureza
4 a 6 meses como adulto; ciclo ovo-adulto de 2 a 3 meses no calor

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (hemimetabolia): ovo > ninfa > adulto
Ovos
30 a 80 ovos por ooteca no solo; até 3 posturas por fêmea
Ninfas
5 a 6 ínstares em 30 a 45 dias até asas funcionais
Reprodução
Sexuada; pico em meses quentes e úmidos

Habitat

Ambientes

  • Campos abertos
  • Pastagens
  • Áreas agrícolas
  • Bordas de mata
  • Jardins com gramíneas

Biomas

  • Cerrado
  • Mata Atlântica (áreas abertas)
  • Pampa
  • Campos temperados do sudeste dos EUA

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Gramíneas
  • Folhas de milho, sorgo e trigo
  • Folhas jovens de citros

Outros alimentos

  • Folhas de carvalho e arbustos
  • Plantas daninhas
  • Brotações e cascas finas em surtos

Encontrado em 8 países

  • Estados Unidos
  • México
  • Guatemala
  • Honduras
  • Cuba
  • Bahamas
  • Belize
  • Nicarágua

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Orthoptera
Família
Acrididae
Gênero
Schistocerca
Espécie
Schistocerca americana

Resumo

  • O gafanhoto-americano mede 4 a 6 cm, tem corpo marrom-acinzentado e asas traseiras amarelas com borda escura visíveis em voo.
  • Vive em campos, pastagens e áreas agrícolas das Américas, com metamorfose incompleta e ciclo de ovo a adulto em 2 a 3 meses no calor.
  • É herbívoro polífago, solitário e bom voador, sem risco venenoso para pessoas e pets, mas pode virar praga agrícola em surtos populacionais.

Características

Ficha do inseto

OrdemOrthoptera
FamíliaAcrididae
Origem e distribuiçãoAméricas — sudeste dos EUA ao México, América Central e Caribe
Tamanho4 a 6 cm (corpo); envergadura até 10 cm
Coresmarrom-acinzentadoverde-olivaamarelopreto
Asas e vooDuas pares; asas posteriores amarelas com faixa escura; voo forte e ruidoso até 100 m por voo
AlimentaçãoHerbívoro polífago (gramíneas, milho, citros)
MetamorfoseIncompleta (ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vida4 a 6 meses como adulto; ciclo total 2 a 3 meses no calor
HabitatCampos abertos, pastagens, bordas de mata e cultivos
Comportamento socialPredominantemente solitário, pode formar agregações temporárias
Principais predadoresAves, lagartos, aranhas, louva-a-deus e vespas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMédio
Vida em grupoBaixo

Como identificar o gafanhoto-americano sem confundir

O gafanhoto-americano (Schistocerca americana) é um dos maiores gafanhotos do continente, com 4 a 6 cm de corpo e envergadura que chega a 10 cm quando abre as asas. Tem corpo alongado, cabeça inclinada para baixo, olhos grandes e antenas curtas e finas, típicas de gafanhotos de antena curta.

A cor de base varia de marrom-acinzentado a verde-oliva, com manchas escuras nas asas anteriores (tégminas) que ajudam na camuflagem em solo e vegetação seca. O pronoto (escudo atrás da cabeça) traz uma faixa clara em forma de Y e crista mediana baixa, detalhe importante para separá-lo de espécies parecidas.

O diagnóstico definitivo está no voo: as asas posteriores são amarelo-vivo com borda marrom-escura a preta. Esse amarelo só aparece quando voa ou quando o inseto abre as asas. Ninfas não têm esse padrão, são ápteras no início e variam de verde a marrom com pintas escuras.

  • Confira as asas traseiras: amarelo com margem escura = forte indício de S. americana.
  • Olhe o pronoto: faixa em Y clara e crista baixa, sem a crista alta e serrilhada de Tropidacris.
  • Tamanho e voo: maior que gafanhotos de jardim comuns e com voo mais longo e barulhento.
  • Não confunda com o gafanhoto sul-americano (Schistocerca cancellata), mais comum em surtos no Brasil e Argentina, nem com o gafanhoto-gigante verde Tropidacris collaris.

Onde vive e qual a distribuição real

A distribuição nativa vai do sudeste e leste dos Estados Unidos (da Flórida e Texas até a costa atlântica) passando pelo México, América Central e Caribe. Registros no norte da América do Sul são esporádicos e muitas citações de “gafanhoto-americano” no Brasil referem-se, na prática, a outras espécies de Schistocerca.

Habita campos abertos, pastagens, savanas, bordas de mata e áreas agrícolas. Prefere locais com gramíneas abundantes, solo exposto para oviposição e boa insolação. É raro dentro de casas; quando entra, foi atraído por luz à noite ou por vegetação muito próxima a portas e janelas.

No campo, costuma ficar pousado em capim alto, arbustos baixos e cercas, onde se camufla bem. Em anos de inverno ameno e verão chuvoso, a população local pode crescer e o inseto aparece com mais frequência em plantações e jardins.

O que o gafanhoto-americano come e quando vira problema

É herbívoro polífago, ou seja, alimenta-se de muitas plantas, mas tem preferência por gramíneas. Na dieta entram folhas de milho, sorgo, trigo, aveia, capins forrageiros e, em pomares, folhas jovens de citros, carvalho e outras árvores.

Adultos e ninfas roem folhas pelas bordas, deixando falhas irregulares e desfolha parcial. Em baixa densidade, o dano é pontual e tolerável. O problema surge quando há surtos locais após condições favoráveis: calor, umidade e oferta de alimento. Aí, dezenas de indivíduos podem desfolhar talhões jovens rapidamente.

Diferente da lagosta-do-deserto (Schistocerca gregaria), o gafanhoto-americano raramente forma nuvens migratórias de milhares de quilômetros. Ele faz voos mais curtos e agregações temporárias, o que limita o estrago em larga escala, mas não elimina prejuízos em hortas e lavouras pequenas.

Ciclo de vida e reprodução: da ooteca ao adulto alado

Tem metamorfose incompleta: ovo > ninfa > adulto, sem fase de pupa. A fêmea cava o solo com o abdômen e deposita uma ooteca com 30 a 80 ovos envoltos em espuma que endurece e protege contra dessecação. Uma fêmea pode fazer até 3 posturas na vida.

Em clima quente, os ovos eclodem em 2 a 4 semanas. As ninfas passam por 5 a 6 ínstares em 30 a 45 dias, trocando de pele e ganhando gradualmente as asas. No início são verdes ou amarronzadas e incapazes de voar; só no último ínstar as asas ficam funcionais.

O ciclo de ovo a adulto leva 2 a 3 meses no verão e pode se alongar no frio, quando os ovos entram em diapausa. Adultos vivem 4 a 6 meses em condições naturais. O pico reprodutivo ocorre nos meses quentes e úmidos, quando há mais alimento e solo macio para oviposição.

Como se comporta: salto, voo e vida solitária

De dia, é mais ativo em horas quentes e ensolaradas. Usa as pernas traseiras musculosas para saltos que podem superar 20 vezes o comprimento do corpo, e as asas para voos de dezenas a cem metros. O voo é ruidoso por causa do atrito das asas.

É predominantemente solitário. Na nossa avaliação, esse é o ponto que mais o diferencia de gafanhotos verdadeiramente gregários: ele pode se juntar em grupos soltos quando a densidade aumenta, mas não muda de forma e cor de modo tão drástico quanto a lagosta-do-deserto. A coloração permanece críptica e o comportamento segue individual.

Para defesa, aposta primeiro na camuflagem e no salto. Se capturado, pode morder defensivamente, regurgitar conteúdo escuro e liberar odor leve. Machos produzem sons suaves por estridulação (fricção de pernas e asas) durante cortejo e disputa territorial.

Morde, pica ou é venenoso? Riscos para pessoas e pets

Não pica, não tem ferrão e não é venenoso. O aparelho bucal é mastigador, feito para roer folhas. Uma mordida defensiva pode beliscar a pele, mas não causa envenenamento e raramente rompe a pele. Lave o local com água e sabão se isso ocorrer.

Para cachorro e gato, a ingestão acidental de um gafanhoto-americano geralmente não traz risco tóxico. O maior incômodo é gastrointestinal leve se o pet comer vários, ou irritação por pelos e quitina. Aves domésticas, como galinhas, consomem gafanhotos sem problemas.

Alergias são incomuns e associadas a contato repetido com poeira de insetos secos ou manuseio prolongado, não a veneno. Se houver vermelhidão persistente, inchaço ou falta de ar após contato, procure atendimento médico. Evite esmagar o inseto com as mãos e lave as mãos após manuseio.

É praga agrícola? Papel no ecossistema e manejo sem exageros

No ecossistema, tem papel duplo. Como presa, alimenta aves, lagartos, aranhas e vespas; como herbívoro, ajuda a controlar gramíneas e reciclar nutrientes. Em baixa densidade, é parte normal da fauna de campos e não exige controle.

Vira praga quando a população explode e ataca cultivos jovens e pastagens. O dano é mais relevante em milho, sorgo, trigo e mudas de citros. Em jardins domésticos, o estrago costuma ser estético e localizado.

Para conviver sem uso indiscriminado de veneno, prefira manejo integrado:

  • Barreiras físicas: telas em horta e mudas, e capina seletiva que remove capim excessivo perto da plantação sem eliminar toda a vegetação nativa.
  • Manejo do solo: revolvimento leve e exposição de ootecas no inverno reduzem eclosão, mas sem compactar o solo.
  • Inimigos naturais: preserve aves, aranhas e louva-a-deus; galinhas em piquetes controlam ninfas em áreas pequenas.
  • Monitoramento: conte ninfas em 1 m²; controle só se houver desfolha crescente e muitos indivíduos jovens, priorizando métodos mecânicos e culturais.

Se precisar de controle químico em lavoura, busque orientação técnica local (Embrapa, extensão rural) e nunca aplique inseticida por conta própria em área urbana ou perto de polinizadores.

Curiosidades que ajudam a entender a espécie

O nome em inglês American bird grasshopper vem do voo alto e forte, que lembra o de um pássaro pequeno quando o inseto cruza campos abertos. Esse voo é incomum entre gafanhotos de tamanho similar.

As asas amarelas não servem só para voar: quando abertas de repente, funcionam como sinal de susto para confundir predadores. Fechadas, o inseto volta a ficar invisível entre folhas secas.

Estudos nos EUA mostram que fêmeas escolhem solos arenosos e bem drenados para ovipor, evitando áreas encharcadas onde fungos matam os ovos. Essa exigência explica por que surtos são mais comuns após chuvas bem distribuídas, não após enchentes.

Apesar do tamanho, pesa apenas 2 a 4 gramas. A maior parte da força do salto vem de um mecanismo de catapulta nas pernas traseiras, que armazena energia elástica antes do disparo.

Perguntas frequentes

Gafanhoto-americano morde ou pica?

Não pica e não tem veneno. Pode dar um beliscão defensivo se for segurado com força, sem risco médico.

Ele é perigoso para cachorro e gato?

Não é tóxico. Se o pet comer um ou dois, o risco é apenas desconforto digestivo leve.

Qual a diferença para o gafanhoto sul-americano?

O americano (Schistocerca americana) tem asas traseiras amarelas com borda escura e é mais comum nos EUA e México; o sul-americano (Schistocerca cancellata) é o que causa surtos no Brasil e Argentina.

Gafanhoto-americano entra em casa?

Raramente. Pode entrar atraído por luz à noite, mas prefere campos e pastagens.

Como controlar sem veneno?

Use tela em horta, remova capim excessivo perto dos cultivos, preserve predadores naturais e monitore ninfas no solo.

Ele forma nuvem de gafanhotos?

Não como a lagosta-do-deserto. Forma apenas agregações temporárias e voos curtos, sem migração em massa de milhares de quilômetros.

Você sabia?

1

Asa amarela de susto

Ao ser perseguido, abre de repente as asas amarelas para assustar aves; fechadas, volta a se camuflar em tons de palha.

2

Ovo que espera o frio passar

Em regiões com inverno frio, os ovos entram em diapausa e só eclodem quando o solo aquece, sincronizando ninfas com a brotação de gramíneas.

3

Voo de pássaro

O nome em inglês bird grasshopper vem do voo alto e prolongado, raro entre gafanhotos, que pode cruzar estradas e pequenos bosques sem pousar.

4

Escolha do berçário

Fêmeas preferem solo arenoso e seco para a ooteca; solos encharcados aumentam infecção por fungos e matam grande parte dos ovos.

Fontes

  1. Embrapa - Entomologia Agrícola
  2. University of Florida - Featured Creatures

Prós e contras: Gafanhoto-americano

Prós

  • Voo forte e asas amarelas facilitam identificação em campo
  • Papel ecológico como presa para aves e outros predadores
  • Raramente forma nuvens migratórias de grande escala
  • Não é venenoso nem transmite doenças
  • Ajuda a indicar saúde de campos e pastagens

Contras

  • Pode desfolhar milho, sorgo e citros em surtos locais
  • Ninfas em grupo desfolham mudas jovens rapidamente
  • Difícil de distinguir de outras Schistocerca para leigos
  • Adultos voam longe e escapam de controle manual
  • Ovos no solo eclodem de forma sincronizada após calor e chuva
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o gafanhoto-americano é um ótimo exemplo de gafanhoto grande que impressiona no voo, mas raramente justifica pânico: solitário e pouco sinantrópico, só vira problema em surtos localizados. Vale mais aprender a identificá-lo pelas asas amarelas do que confundi-lo com pragas migratórias de verdade.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.