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Gafanhoto-do-milho

Schistocerca cancellata

Atualizado em

3,5 a 6 cm (adulto)Tamanho
Herbívoro de gramíneasAlimentação
90 a 120 diasCiclo de vida
Lavouras e campos sul-americanosHabitat
Não pica, não é venenosoPerigo para humanos
Gafanhoto-do-milho adulto de corpo alongado sobre folha de milho

O gafanhoto-do-milho (Schistocerca cancellata) é um gafanhoto migrador sul-americano da família Acrididae, conhecido por formar grandes bandos que devastam lavouras de milho, sorgo e outras gramíneas.

Adulto mede de 3,5 a 6 cm, tem metamorfose incompleta e pode viver de forma solitária ou gregária. Na fase gregária, muda de cor, comportamento e se agrupa em nuvens que viajam dezenas de quilômetros por dia, sendo uma das principais pragas agrícolas da América do Sul.

Também conhecido como: Gafanhoto sul-americano, Gafanhoto migrador sul-americano, Locusta sul-americana, South American locust

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Gafanhoto-do-milho

Gafanhoto-do-milho adulto de corpo alongado sobre folha de milho
Adulto de gafanhoto-do-milho (Schistocerca cancellata) sobre folha de milho.
Close extremo da cabeça do gafanhoto-do-milho mostrando olhos e antenas curtas
Detalhe da cabeça com olhos compostos e antenas curtas.
Gafanhoto-do-milho com asas abertas em voo sobre lavoura
Voo migratório com asas membranosas visíveis.
Ninfas sem asas do gafanhoto-do-milho marchando em grupo no solo
Ninfas saltãs em bando antes de ganhar asas.
Fêmea de gafanhoto-do-milho colocando ovos no solo úmido
Postura de ovos em vagem subterrânea.
Nuvem de gafanhotos-do-milho em migração sobre área agrícola
Bando gregário em migração, fase de praga.

Perfil rápido de Gafanhoto-do-milho

Calendário

Maior atividade e migraçãoJFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
Ninfas (saltões) em bandosJFMAMJJASOND
Menor atividade (frio/seca)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica nem tem veneno. Mordida defensiva rara e superficial. Ingestão excessiva por pets pode causar vômito. Risco maior se inseto estiver contaminado com inseticida.

Vida útil

Na natureza
3 a 6 meses do ovo à morte do adulto
Fase de ninfa
35 a 45 dias com 5 a 6 mudas
Fase adulta
60 a 120 dias, com capacidade de voo migratório

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (hemimetábolo)
Reprodução
Sexuada com cópula; fêmea põe ovos no solo úmido
Ovos por postura
80 a 120 ovos em vagem subterrânea
Posturas por vida
2 a 3
Período reprodutivo
Primavera e verão, após início das chuvas
Eclosão
10 a 20 dias após chuva, dependendo da temperatura

Habitat

Ambientes

  • lavouras de milho e sorgo
  • pastagens e gramíneas nativas
  • áreas de cerrado e campo aberto
  • bordas de matas e áreas agrícolas

Biomas

  • Cerrado
  • Pampa
  • Mata Atlântica
  • Caatinga (em surtos)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • milho
  • sorgo
  • trigo
  • arroz
  • gramíneas forrageiras (braquiária, colonião)

Outros alimentos

  • cana-de-açúcar
  • aveia
  • pastagens nativas
  • soja e alfafa quando faltam gramíneas

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia
  • Chile

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Orthoptera
Família
Acrididae
Gênero
Schistocerca
Espécie
Schistocerca cancellata

Resumo

  • O gafanhoto-do-milho é o Schistocerca cancellata, gafanhoto migrador de 3,5 a 6 cm que ataca milho e gramíneas em bandos.
  • Tem metamorfose incompleta, vive de 3 a 6 meses e tem pico de atividade na primavera e verão, quando põe ovos no solo.
  • Não pica, não é venenoso e não oferece risco direto a pessoas ou pets, mas pode causar grande dano agrícola.

Características

Ficha do inseto

OrdemOrthoptera
FamíliaAcrididae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile)
Tamanho3,5 a 6 cm (fêmeas maiores que machos); envergadura com asas até 10 cm
Coresverdemarromamareladocinzacom manchas escuras nas asas
Asas e vooDuas pares de asas; voo forte e migratório, até 100 km/dia em bandos
AlimentaçãoHerbívoro - milho, sorgo, trigo, arroz, pastagens e gramíneas nativas
MetamorfoseIncompleta (ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vida3 a 6 meses na natureza
HabitatLavouras, pastagens, cerrado e áreas abertas
Comportamento socialSolitário ou gregário; forma bandos migratórios na fase gregária
Principais predadoresAves, lagartos, aranhas, louva-a-deus e fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o gafanhoto-do-milho sem confundir

O gafanhoto-do-milho é o Schistocerca cancellata, também chamado de gafanhoto sul-americano. Adulto tem 3,5 a 6 cm, corpo alongado, cabeça com olhos grandes e antenas curtas e filiformes.

A coloração varia muito entre fases. Na fase solitária é mais verde ou marrom-claro, bem camuflado. Na fase gregária, quando forma bandos, fica mais amarelado com manchas escuras e listras pretas no dorso.

As asas anteriores são coriáceas e manchadas, as posteriores são membranosas e amareladas na base. Em repouso, as asas cobrem o abdômen. As pernas traseiras são muito desenvolvidas para salto, com fêmur grosso e listrado.

Não confunda com gafanhotos pequenos de jardim (Acrididae diversos) que têm 1 a 2 cm e nunca formam nuvens. Outro erro comum é confundir com esperança (Tettigoniidae), que tem antenas muito mais longas que o corpo. O gafanhoto-do-milho tem antenas curtas e corpo mais robusto.

Onde vive e por que aparece tanto no milho

É nativo da América do Sul, com ocorrência do centro-oeste do Brasil até a Patagônia. No Brasil, é mais comum no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de áreas do Nordeste em anos de surto.

Vive em áreas abertas, pastagens, cerrado, bordas de mata e principalmente lavouras. Prefere regiões quentes e com estação chuvosa bem marcada, onde o solo fica úmido para postura.

Aparece no milho porque a planta oferece alimento ideal em todas as fases: folhas tenras para ninfas e folhas, pendão e espigas em formação para adultos. Lavouras extensas e contínuas funcionam como corredor para migração.

Os surtos históricos estão ligados a desmatamento, monocultura e verões com chuvas irregulares seguidas de seca. O último grande surto que chegou ao Rio Grande do Sul veio da Argentina e Paraguai entre 2019 e 2020, com nuvens de milhões de indivíduos.

O que o gafanhoto-do-milho come de verdade

É herbívoro mastigador e altamente polífago dentro das gramíneas. Prefere milho, sorgo, trigo, arroz, cana, aveia e capins como braquiária e capim-colonião.

Uma ninfa consome poucas gramas por dia, mas um bando adulto pode comer o equivalente ao seu peso diariamente. Em alta densidade, desfolham completamente a planta, comem o cartucho do milho e raspam grãos leitosos da espiga.

Quando a gramínea preferida acaba, ataca soja, alfafa e até plantas nativas, mas sempre volta para gramíneas se houver escolha. Não se alimenta de outros insetos, sangue ou restos.

Ciclo de vida e reprodução: de ninfa a nuvem

Tem metamorfose incompleta: ovo, ninfa (5 a 6 ínstares) e adulto. Não tem fase de larva ou pupa.

A fêmea põe 80 a 120 ovos por postura, em vagens no solo fofo e úmido, a 5 a 10 cm de profundidade. Pode fazer 2 a 3 posturas na vida. Os ovos ficam em dormência na seca e eclodem com as primeiras chuvas fortes.

As ninfas nascem sem asas, são chamadas de “saltões” e andam em bandos a pé. Passam por 5 mudas em cerca de 35 a 45 dias até virar adulto alado. Adultos vivem mais 2 a 4 meses.

Em condições de alta densidade e contato físico constante, ocorre a gregarização: mudança hormonal que escurece a cor, aumenta a atividade e faz o inseto buscar o bando. É essa transformação que cria as nuvens migratórias.

Quanto tempo leva para virar praga

Do ovo ao adulto migrador são 90 a 120 dias em temperatura de 25 a 32 °C. Com calor e alimento farto, o ciclo encurta. Uma área com postura em outubro pode ter bando voando já em dezembro.

Comportamento: quando vive sozinho e quando forma bando

Na maior parte do tempo vive solitário e discreto, espalhado no campo, voando pouco e fugindo com saltos curtos. Nessa fase, é difícil notar sua presença.

Quando a densidade passa de 30 a 50 ninfas por m², o toque entre indivíduos dispara a fase gregária. As ninfas passam a marchar juntas e os adultos a voar coordenados, seguindo vento e cheiro de vegetação.

O voo migratório acontece de dia, com vento a favor, a 10 a 30 metros de altura, mas pode subir mais. Bandos percorrem 20 a 100 km por dia e param ao entardecer para se alimentar.

Para defesa, usa salto, voo rápido e regurgita líquido marrom de cheiro forte se for capturado. Não morde por agressividade, apenas mastiga se for pressionado contra a pele.

Ele morde, pica ou é venenoso? Riscos para pessoas e pets

O gafanhoto-do-milho não pica, não tem ferrão e não é venenoso. O aparelho bucal é mastigador, feito para folhas, não para perfurar pele.

Mordidas só ocorrem se o inseto for apertado na mão, e são superficiais, como uma beliscada. Não transmite doença, não contamina alimentos com toxina e não ataca colmeias.

Para pets, o risco é baixo. Cães e gatos que comem um ou dois gafanhotos geralmente não têm problema. Ingestão em grande quantidade pode causar vômito ou irritação gástrica pelo exoesqueleto quitinoso e pelo conteúdo vegetal.

A única atenção é para alergia a quitina ou a fungos que o inseto pode carregar, e para gafanhotos recém-pulverizados com inseticida. Se houver uso de veneno na lavoura, mantenha animais longe da área.

É praga ou faz parte do equilíbrio? Papel no ecossistema

Na natureza, em baixa densidade, tem papel normal: consome gramíneas, serve de alimento para aves e répteis e ajuda a reciclar nutrientes. O problema é o desequilíbrio.

Em monoculturas extensas e sem inimigos naturais suficientes, vira praga agrícola de alto impacto. A FAO o classifica como uma das pragas migratórias mais importantes das Américas.

Seus predadores naturais são anu-branco, gaviões, lagartos, aranhas, louva-a-deus e fungos como Metarhizium acridum. A redução desses predadores por desmatamento e uso excessivo de agrotóxicos favorece surtos.

Não é polinizador relevante e não beneficia diretamente a agricultura. Seu dano é quase sempre maior que qualquer benefício indireto como alimento para aves.

Como conviver e fazer controle sem veneno desnecessário

Em casa ou horta pequena, não é preciso pânico. Um ou poucos indivíduos podem ser retirados manualmente e soltos longe. Telas em horta e rotação de culturas ajudam.

Na lavoura, o manejo integrado recomendado pela Embrapa inclui:

  • Monitoramento de posturas no solo após chuvas e de ninfas saltãs em reboleiras.
  • Controle biológico com fungos entomopatogênicos e preservação de aves predadoras.
  • Manejo cultural: aração para expor ovos, plantio escalonado e eliminação de plantas hospedeiras nas bordas.
  • Controle químico localizado apenas com orientação técnica e produtos registrados, aplicado nas ninfas antes do voo.

Evite pulverização preventiva sem confirmação de infestação. Aplicar inseticida em bando adulto em voo é pouco eficaz, mata polinizadores e contamina água. Em caso de nuvem migratória, avise a defesa agropecuária estadual.

Curiosidades que pouca gente sabe

O gafanhoto-do-milho pode mudar de comportamento e até de anatomia em poucas gerações quando se agrupa. É o mesmo inseto, mas parece outra espécie na fase gregária.

Durante surtos, o barulho de milhões de asas batendo é audível a centenas de metros e lembra chuva forte. Agricultores antigos no sul do Brasil chamavam de “nuvem de gafanhotos” porque escurecia o sol.

Apesar do tamanho, ele não migra por vontade própria: viaja com o vento. Sem vento favorável, o bando fica parado e consome tudo ao redor até o vento mudar.

Diferente de lagartas, ele não tece casulo e não deixa teia. Se encontrar “espuma” ou “casulo” no milho, não é dele, e sim de outro inseto.

Perguntas frequentes

Gafanhoto-do-milho morde ou pica?

Não pica e não tem ferrão. Só pode dar uma beliscada superficial se for apertado na mão, sem veneno e sem risco grave.

Gafanhoto-do-milho é venenoso para cachorro ou gato?

Não é venenoso. Comer um ou dois não costuma fazer mal, mas comer muitos pode causar vômito. Evite se a área foi pulverizada.

Qual a diferença entre gafanhoto-do-milho e gafanhoto comum?

O gafanhoto-do-milho (Schistocerca cancellata) é maior (3,5 a 6 cm), migrador e forma bandos. Gafanhotos comuns de jardim são menores, solitários e não formam nuvens.

Como acabar com gafanhoto-do-milho na horta?

Retire manualmente, use tela anti-inseto e faça rotação de culturas. Evite inseticida sem necessidade e preserve predadores como aves e louva-a-deus.

Quando o gafanhoto-do-milho aparece mais?

Na primavera e verão, de outubro a março, após as primeiras chuvas, quando os ovos eclodem e as ninfas se agrupam.

Gafanhoto-do-milho voa longe?

Sim. Na fase gregária, bandos voam de 20 a 100 km por dia com ajuda do vento e podem cruzar estados e países.

O que atrai gafanhoto-do-milho?

Grandes áreas contínuas de milho e gramíneas, solo úmido para postura e falta de predadores naturais.

Você sabia?

1

Muda de personalidade

O mesmo gafanhoto-do-milho pode viver solitário e camuflado ou virar gregário e amarelo com listras pretas quando encosta muito em outros indivíduos.

2

Ovos que esperam a chuva

Os ovos ficam enterrados em vagens no solo e só eclodem após chuvas fortes, o que sincroniza o nascimento de milhares de ninfas ao mesmo tempo.

3

Viajante do vento

Bandos adultos não escolhem rota, eles decolam e deixam o vento levar, podendo cruzar fronteiras entre Argentina, Paraguai e Brasil em poucos dias.

4

Regurgita para se defender

Quando capturado, cospe um líquido marrom e malcheiroso do papo para afastar predadores, mas que não é venenoso para pessoas.

Fontes

  1. Embrapa - Gafanhoto sul-americano
  2. GBIF - Schistocerca cancellata
  3. FAO Locust Watch

Prós e contras: Gafanhoto-do-milho

Prós

  • Faz parte da cadeia alimentar e serve de presa para aves e répteis
  • Ajuda a indicar desequilíbrio ambiental na lavoura
  • Fácil de identificar na fase adulta pelo tamanho e manchas
  • Não oferece risco direto à saúde humana ou de pets
  • Pode ser manejado com controle biológico e cultural sem veneno pesado

Contras

  • Praga de alto impacto que pode desfolhar lavouras inteiras em horas
  • Forma bandos migratórios difíceis de controlar depois de adultos
  • Postura subterrânea dificulta detecção precoce
  • Surtos exigem ação coordenada entre propriedades e até países
  • Uso incorreto de inseticida mata polinizadores e não resolve o bando
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o gafanhoto-do-milho é o exemplo mais claro de como monocultura e perda de predadores transformam um inseto comum em praga continental. Controlar ninfas no solo com monitoramento e biológicos é muito mais inteligente que tentar envenenar nuvens adultas já em voo.

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Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Revisão especializadaSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.