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Torrãozinho

Euetheola humilis

Atualizado em

13 a 15 mm (adulto)Tamanho
Plântulas e raízes de gramíneasAlimentação
90 a 120 diasCiclo de vida
Solo de lavouras e pastagensHabitat
Nenhum, não picaPerigo para humanos
Torrãozinho Euetheola humilis adulto visto de cima sobre solo com palha

O torrãozinho (Euetheola humilis) é um besouro da família Scarabaeidae muito conhecido de quem planta milho, soja e arroz no Brasil. Com apenas 13 a 15 mm, corpo oval marrom-escuro quase preto e brilho discreto, ele passa despercebido de dia e ataca plântulas à noite, cortando o colo da planta rente ao solo.

Apesar do tamanho pequeno, é uma das pragas iniciais mais temidas nas lavouras de verão do Centro-Sul. Sua larva vive no solo como coró branco e o adulto tem o hábito curioso de se fingir de morto e se passar por um torrão de terra quando é tocado, o que explica seu nome popular.

Também conhecido como: Besouro-torrãozinho, Torrãozinho-do-milho, Bicho-torrão, Euetheola humilis

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Torrãozinho

Torrãozinho Euetheola humilis adulto visto de cima sobre solo com palha
Adulto do torrãozinho, besouro escuro de 13 a 15 mm com élitros estriados.
Close extremo da cabeça e antenas lameladas do torrãozinho
Detalhe da cabeça e das antenas lameladas típicas de Scarabaeidae.
Torrãozinho com asas abertas sobre plântula de milho
Adulto em voo curto noturno, fase em que ataca as plântulas.
Larva coró branca em forma de C do torrãozinho no solo
Larva coró, fase que vive enterrada se alimentando de raízes.
Torrãozinho se fingindo de torrão de terra ao lado de torrões reais
Comportamento de tanatose que deu origem ao nome torrãozinho.
Dano do torrãozinho em plântula de milho cortada na base
Dano típico: plântula cortada rente ao solo com fibras desfiadas.

Perfil rápido de Torrãozinho

Calendário

Maior atividade dos adultosJFMAMJJASOND
Fase de larva (coró no solo)JFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxico
  • PessoasNão tóxico

Não pica, não morde e não possui veneno. Ingestão acidental por pets pode causar apenas irritação gástrica leve se em grande quantidade.

Vida útil

Na natureza
Ciclo total de 90 a 120 dias; adulto vive 30 a 60 dias

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva (coró), pupa e adulto
Ovos por fêmea
30 a 40 ovos isolados no solo úmido
Período reprodutivo
Primavera e início do verão, com pico de outubro a dezembro
Local de postura
Solo com palhada, a 2 a 5 cm de profundidade
Gerações por ano
1 a 2, dependendo da temperatura e disponibilidade de alimento

Habitat

Ambientes

  • Lavouras de milho, soja, arroz e sorgo
  • Pastagens e áreas de plantio direto com palhada
  • Solo úmido com torrões e matéria orgânica

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pampa
  • Caatinga (áreas agrícolas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Plântulas de milho, arroz, sorgo e trigo (colo e sementes)

Outros alimentos

  • Raízes finas e matéria orgânica (larva)
  • Sementes em germinação

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Scarabaeidae
Gênero
Euetheola
Espécie
Euetheola humilis

Resumo

  • O torrãozinho é o besouro Euetheola humilis, de 13 a 15 mm e cor marrom-escura, praga noturna de plântulas de milho, soja e arroz.
  • Tem metamorfose completa, ciclo de 90 a 120 dias e larva do tipo coró que vive no solo se alimentando de raízes e matéria orgânica.
  • Não pica, não é venenoso e não oferece risco para pessoas e pets, mas pode causar falhas graves na lavoura se não for manejado no início do plantio.

Características

Ficha do inseto

OrdemColeoptera
FamíliaScarabaeidae (subfamília Dynastinae)
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul, comum no Centro-Sul do Brasil, Argentina e Paraguai
TamanhoAdulto 13 a 15 mm; larva (coró) 15 a 20 mm
Coresmarrom-escuropretocastanho-avermelhado
Asas e vooCom asas, voo curto e noturno, atraído por luz artificial
AlimentaçãoAdulto corta plântulas; larva consome raízes e matéria orgânica
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulto)
Expectativa de vidaAdulto 30 a 60 dias; ciclo total 90 a 120 dias
HabitatSolo úmido de lavouras, pastagens e áreas de plantio direto
Comportamento socialSolitário, gregário apenas em surtos populacionais
Principais predadoresAves, besouros predadores, vespas e fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasAlto
Vida em grupoBaixo

Como identificar o torrãozinho sem confundir com outros besouros

O torrãozinho adulto é pequeno, oval e bem escuro, quase preto quando visto à noite. Mede de 13 a 15 mm, tem élitros (asas duras) com estrias finas e pontuadas e pernas dianteiras adaptadas para cavar.

A confusão mais comum é com o cascudinho-preto (Tenebrionidae) e com outros besouros Dynastinae maiores. O torrãozinho se diferencia pelo tamanho menor, corpo mais convexo e ausência de chifre ou projeções na cabeça.

Sua larva não parece besouro. É um coró branco em forma de C, com cabeça marrom-amarelada, três pares de pernas curtas e corpo mole de 15 a 20 mm. Fica enterrada a poucos centímetros do solo.

Onde vive e por que aparece tanto em lavouras

O Euetheola humilis é nativo da América do Sul e muito frequente no Brasil do Paraná ao Rio Grande do Sul, passando por Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Ocorre também na Argentina e no Paraguai.

Vive no solo, sob palhada e torrões, típico de sistema de plantio direto. De dia fica escondido e à noite sai para se alimentar e se reproduzir. Por isso o produtor só percebe o dano quando a plântula já tombou.

Surtos são mais comuns em áreas com palhada espessa, solo úmido e plantio sucessivo de gramíneas como milho e arroz. A atração por luz faz com que apareça em grande número perto de casas rurais em noites quentes de primavera.

O que o torrãozinho come e quais culturas ataca

O adulto é o principal causador de prejuízo. Ele rói o colo da plântula rente ao solo, como se cortasse com tesoura, e pode consumir sementes em germinação.

As culturas preferidas são:

  • Milho e sorgo: ataca do plantio até V2, causando falhas e necessidade de replantio.
  • Arroz irrigado e de sequeiro: corta plântulas jovens e reduz estande.
  • Soja e trigo: com menor frequência, mas pode atacar em rotação com gramíneas.
  • Pastagens e gramados: larvas consomem raízes finas.

A larva se alimenta de raízes finas, sementes em decomposição e matéria orgânica no solo. Isolada, causa pouco dano, mas em alta densidade atrasa o desenvolvimento inicial.

Ciclo de vida completo: de ovo a adulto

Tem metamorfose completa e ciclo médio de 90 a 120 dias, variando com temperatura e umidade. Em regiões quentes pode ter mais de uma geração por ano.

O ciclo funciona assim:

  • Ovo: fêmea põe 30 a 40 ovos isolados no solo úmido, a 2 a 5 cm de profundidade, entre outubro e dezembro.
  • Larva (coró): dura 40 a 60 dias, com três ínstares. Vive enterrada e se move pouco.
  • Pupa: forma uma câmara de terra e permanece 10 a 15 dias sem se alimentar.
  • Adulto: emerge com as primeiras chuvas regulares e vive 30 a 60 dias. É nessa fase que voa à noite e ataca a lavoura.

O período crítico para o produtor é de 0 a 20 dias após o plantio, quando a planta ainda não lignificou o caule.

Comportamento: hábitos noturnos, tanatose e voo curto

O torrãozinho é estritamente noturno. Durante o dia permanece imóvel sob torrões e palha. Se for tocado, aplica a tanatose: recolhe pernas e antenas e fica imóvel, idêntico a um torrão de terra. Daí vem o nome popular.

O voo é baixo, curto e desajeitado, geralmente ao entardecer. É fortemente atraído por luz branca e armadilhas luminosas, o que facilita o monitoramento.

É um inseto solitário. Não forma colônias nem tem castas. A agregação só ocorre quando muitos adultos emergem juntos após chuvas, dando impressão de infestação explosiva.

Torrãozinho pica ou faz mal para pessoas e pets?

Não pica, não morde, não tem ferrão e não é venenoso. Pode ser manuseado sem risco, embora libere um odor leve quando perturbado.

Para cachorros, gatos e aves domésticas, a ingestão acidental de um ou dois besouros não causa intoxicação. O único incômodo é se o pet comer muitos, o que pode gerar irritação gástrica passageira pelo exoesqueleto quitinoso.

O risco real é econômico, não sanitário. Ele não transmite doenças e não infesta despensas ou casas como baratas e gorgulhos.

É praga ou tem alguma função no ecossistema?

Na nossa avaliação, o torrãozinho é claramente praga agrícola nas fases iniciais das culturas, mas ecologicamente é um decompositor secundário.

Como ponto negativo, seu ataque é silencioso e letal para a plântula. Uma planta cortada não se recupera. Em áreas sem manejo, pode causar perda de 20 a 30% do estande e falhas desuniformes que comprometem toda a safra.

Como ponto positivo, larvas e adultos ajudam a revolver o solo e decompor matéria orgânica, e servem de alimento para aves, sapos e besouros predadores como Calosoma. Em vegetação nativa e sem monocultura, sua população se mantém baixa e equilibrada.

Como lidar com o torrãozinho sem veneno desnecessário

O controle começa antes do plantio, com monitoramento. Não é um inseto para aplicar inseticida preventivo sem critério.

  • Armadilha luminosa: uma luz branca sobre bacia com água e detergente, ligada por 2 a 3 noites antes do plantio, indica se há muitos adultos na área.
  • Preparo da área: dessecação antecipada (20 a 30 dias antes) e boa distribuição da palhada reduzem abrigo.
  • Tratamento de sementes: quando o histórico da área indica alta pressão, é a forma mais eficiente e seletiva, pois protege só a plântula.
  • Rotação com leguminosas: alternar milho com soja quebra o ciclo do inseto, que prefere gramíneas.

Evite pulverizações noturnas de amplo espectro sem recomendação técnica. Elas matam polinizadores e inimigos naturais e raramente atingem o torrãozinho escondido no solo. Em caso de infestação, procure um engenheiro agrônomo para manejo integrado.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre o torrãozinho

Descrito em 1847 pelo entomologista Hermann Burmeister, o Euetheola humilis passou quase um século sendo confundido com outras espécies de Euetheola até ter sua distribuição bem mapeada no sul do Brasil.

Um fato pouco divulgado é que o adulto pode sobreviver até 15 dias sem se alimentar, apenas enterrado e imóvel, esperando a emergência da plântula. Isso explica por que ele aparece mesmo em áreas recém-plantadas.

Outra curiosidade é que, apesar do voo fraco, ele consegue ser capturado a mais de 500 metros da lavoura em armadilhas luminosas, mostrando boa capacidade de dispersão em noites quentes e úmidas.

Por fim, muitos confundem o dano do torrãozinho com o da lagarta-rosca (Agrotis ipsilon). A diferença é nítida no corte: o torrãozinho deixa o caule roído e desfiado, enquanto a lagarta-rosca faz um corte liso e costuma deixar a plântula caída ao lado.

Perguntas frequentes

Torrãozinho pica pessoas?

Não. Ele não tem ferrão, não morde e não é venenoso. O dano é apenas agrícola, ao cortar plântulas.

Qual a diferença entre torrãozinho e lagarta-rosca?

Ambos cortam plântulas, mas o torrãozinho deixa o caule desfiado e roído, enquanto a lagarta-rosca faz um corte liso e deixa a planta tombada ao lado.

Como saber se tenho torrãozinho na lavoura?

Procure plântulas cortadas rente ao solo nos primeiros 20 dias e besouros escuros de 13 a 15 mm escondidos sob torrões. Armadilha luminosa à noite ajuda a confirmar.

Torrãozinho ataca horta doméstica?

Raramente. Prefere grandes áreas de milho, arroz e pastagens. Em hortas, o risco é baixo, exceto se houver gramíneas por perto.

Preciso aplicar veneno ao ver um torrãozinho?

Não. Um ou poucos indivíduos não justificam controle químico. O manejo integrado com rotação, palhada bem manejada e tratamento de sementes é mais eficaz.

Por que ele se chama torrãozinho?

Porque quando se sente ameaçado fica imóvel com as pernas recolhidas, idêntico a um pequeno torrão de terra, estratégia chamada tanatose.

Você sabia?

1

Se finge de torrão

Quando ameaçado, recolhe as pernas e fica imóvel por minutos, imitando perfeitamente um torrão de terra para escapar de predadores.

2

Atração fatal por luz

Em noites quentes de outubro a dezembro, pode ser coletado em centenas em uma única armadilha luminosa perto de lavouras.

3

Jejum prolongado

O adulto suporta até 15 dias enterrado sem comer, esperando a germinação do milho para atacar no momento mais vulnerável.

4

Corte desfiado

Diferente da lagarta-rosca, que corta o caule de forma lisa, o torrãozinho deixa fibras mastigadas na base da plântula.

Fontes

  1. Embrapa - Besouro torrãozinho em milho e soja
  2. GBIF - Euetheola humilis ocorrência
  3. Universidade Federal do Paraná - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Torrãozinho

Prós

  • Não oferece risco para pessoas, cachorros e gatos
  • Fácil de monitorar com armadilha luminosa simples
  • Ajuda a decompor matéria orgânica e serve de alimento para aves
  • Controle eficiente com manejo cultural e tratamento de sementes, sem precisar pulverizar a área toda

Contras

  • Praga importante de plântulas de milho e arroz, pode exigir replantio
  • Dano noturno e escondido, difícil de ver a tempo
  • Pode sobreviver dias sem comer esperando a germinação
  • Confundido com outros besouros, o que atrasa o diagnóstico correto
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o torrãozinho é o exemplo clássico de praga pequena com dano grande: ignorado até a falha na lavoura aparecer. Vale mais monitorar com armadilha de luz e cuidar do manejo da palhada do que apelar para pulverização noturna sem critério.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.