Resumo
- A Borboleta-88 é a Diaethria clymena, identificada pelo número 88 preto sobre fundo branco e vermelho na parte de baixo das asas.
- Vive em florestas e áreas urbanas arborizadas do México à Argentina e é muito comum na Mata Atlântica e na Amazônia.
- Não pica, não é venenosa e se alimenta de frutos podres e sais minerais, ajudando na ciclagem de nutrientes.
Características
Ficha do inseto
| Ordem | Lepidoptera |
|---|---|
| Família | Nymphalidae |
| Subfamília | Biblidinae |
| Origem e distribuição | Neotropical, do México ao norte da Argentina |
| Tamanho | Envergadura de 38 a 50 mm; corpo com 20 a 25 mm |
| Cores | pretobrancovermelhoazul-metálico |
| Asas e voo | Voo rápido e baixo, territorial; face superior preta com faixa azul, face inferior com o 88 |
| Alimentação | Frutos em decomposição, seiva, fezes e urina (adultos); folhas de Trema e Celtis (lagartas) |
| Metamorfose | Completa (ovo > lagarta > pupa > adulto) |
| Expectativa de vida | Adulto vive 15 a 30 dias; ciclo total 35 a 45 dias |
| Habitat | Florestas úmidas, matas de galeria, parques urbanos e pomares |
| Comportamento social | Solitária; machos defendem poleiros ao sol |
| Principais predadores | Aves insetívoras, lagartixas, aranhas e vespas |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Muito baixo |
|---|---|
| Importância para o ecossistema | Médio |
| Presença em casas | Baixo |
| Benefício para a agricultura | Baixo |
| Dano às plantas | Muito baixo |
| Vida em grupo | Muito baixo |
Como identificar a Borboleta-88 sem erro
A identificação é feita pela face inferior das asas posteriores. Ali, sobre fundo branco com bordas pretas, aparecem dois círculos pretos contornados de branco que formam um 88 bem nítido — às vezes parece 89 ou 98 dependendo da subespécie e do desgaste da asa.
Por cima, ela é bem diferente: preta com faixa azul-metálica ou esverdeada nas asas anteriores e mancha vermelha basal nas posteriores. Essa combinação engana quem só vê a borboleta pousada de asas fechadas.
O tamanho ajuda a não confundir. Com 38 a 50 mm de envergadura, é menor que borboletas-irmãs como a Diaethria anna e a Callicore. As antenas são pretas e clavadas, os olhos grandes e o corpo delgado e escuro.
O 88 é sempre perfeito?
Não. O desenho varia entre indivíduos. Em Diaethria clymena clymena, a mais comum no Brasil, o 88 é bem fechado. Em outras subespécies o traço pode falhar e formar um 80 ou 68. O desgaste das escamas também apaga parte do contorno em exemplares velhos.
- Dica de campo: fotografe a parte de baixo das asas. É o único ângulo que confirma a espécie.
- Confusão comum: espécies do gênero Callicore (as borboletas-80) têm números parecidos, mas com fundo mais avermelhado e desenho mais largo.
Onde vive e onde encontrar no Brasil
A Borboleta-88 é neotropical e amplamente distribuída. Ocorre do México e América Central até o Paraguai e norte da Argentina, sempre em áreas quentes e úmidas abaixo de 1.500 m de altitude.
No Brasil está presente em quase todos os estados, com maior abundância na Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado arborizado. É frequente em bordas de mata, trilhas, parques urbanos, chácaras e quintais com árvores frutíferas.
Ela gosta de meia-sombra e locais úmidos. Você a encontra pousada em troncos, muros e folhagens a 1 a 3 metros do solo, tomando sol pela manhã. Não é migratória, mas faz deslocamentos curtos atrás de alimento.
Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Manaus, aparece o ano todo, com pico na estação chuvosa, quando há mais frutos fermentados no chão.
O que a Borboleta-88 come
O adulto quase não visita flores. A probóscide é usada para sugar líquidos de frutas podres, caldo de cana, seiva exsudada, fezes, urina e carcaças. Esse hábito é chamado de alimentação por frutos em decomposição e poças de lama.
Os machos praticam puddling: reúnem-se em barrancos úmidos ou areia molhada para absorver sais minerais e sódio, que depois são transferidos à fêmea durante a cópula e aumentam a viabilidade dos ovos.
As lagartas são herbívoras restritas. No Brasil alimentam-se principalmente de folhas de Trema micrantha (candiúba, periquiteira) e Celtis spp. (grão-de-galo), ambas da família Cannabaceae. Por isso a borboleta é mais comum onde essas pioneiras crescem.
Essa dieta explica por que ela não é praga agrícola. A lagarta raramente ataca frutíferas cultivadas e o adulto não danifica plantas.
Ciclo de vida e reprodução
A Borboleta-88 tem metamorfose completa e ciclo curto, de 35 a 45 dias em clima quente.
A fêmea põe ovos isolados, verde-claros e achatados, na face inferior das folhas de Trema. Cada fêmea coloca poucas dezenas ao longo da vida, não em massa.
A lagarta é verde-acinzentada com cerdas ramificadas e cabeça escura. Quando jovem, alimenta-se raspando a folha; depois recorta bordas. Dura cerca de 15 a 20 dias e passa por cinco ínstares. Não forma grupos e não tem cerdas urticantes.
A pupa (crisálida) é verde ou acinzentada, pendente, presa por um fio de seda no pecíolo da folha. Mimetiza uma folha enrolada. Após 8 a 12 dias emerge o adulto.
Os adultos vivem 15 a 30 dias. A cópula ocorre no fim da manhã, com o macho perseguindo a fêmea em voo rápido. Machos são territoriais e retornam sempre ao mesmo poleiro ensolarado para esperar fêmeas e expulsar outros machos.
Comportamento, voo e defesa
O voo é rápido, baixo e em zigue-zague, com batidas curtas e planeios. Ela pousa de asas fechadas e bem verticais, exibindo o 88. Quando perturbada, abre e fecha as asas rapidamente para mostrar o azul metálico dorsal, que confunde predadores.
É solitária. Não forma bandos, mas vários indivíduos podem se reunir na mesma árvore com frutos fermentados sem interagir. A única interação social forte é a disputa territorial entre machos.
Como defesa, conta com camuflagem e susto. Fechada, parece casca ou folha seca. Aberta, o contraste preto-azul cria um flash que desorienta aves. Lagartas e pupas também são crípticas e ficam imóveis quando tocadas.
Tem hábito diurno e heliófilo. Ativa entre 9h e 16h, com pico de atividade ao meio-dia em dias quentes e úmidos. À noite descansa sob folhas.
A Borboleta-88 morde, pica ou é venenosa?
Não morde, não pica e não é venenosa. Adultos não têm ferrão, mandíbulas ou cerdas urticantes. O contato com as asas solta apenas escamas e pó, que podem causar irritação leve em pessoas muito alérgicas, mas sem risco relevante.
A lagarta também não queima. Diferente de taturanas (Saturniidae e Megalopygidae), as cerdas da lagarta de Diaethria são moles e não inoculam veneno. O manuseio não é recomendado por respeito ao animal, não por perigo.
Para cachorros, gatos e pássaros que tentam caçar, não há toxicidade. A ingestão acidental pode causar apenas náusea passageira pelo gosto amargo das escamas. Se houver reação alérgica, coceira intensa ou vômito persistente, procure veterinário ou serviço médico, mas são casos raros.
Qual o papel dela no ecossistema
A Borboleta-88 não é polinizadora importante de flores, mas atua como recicladora e indicadora ambiental. Ao se alimentar de frutos em decomposição, fezes e matéria orgânica, ajuda na ciclagem de nutrientes e dispersão de microrganismos.
Serve de alimento para aves, lagartos e aranhas, integrando a teia alimentar de sub-bosque. Sua presença indica mata em regeneração, pois depende de plantas pioneiras como Trema, que colonizam clareiras.
Para agricultura, o impacto é neutro a levemente benéfico. Não ataca cultivos e sua lagarta ajuda a controlar o crescimento excessivo de Trema, considerada invasora em pastagens. Não há necessidade de controle químico.
Se muitas aparecerem no quintal, é sinal de fruta madura no chão. Basta remover frutos caídos e manter o ambiente limpo que a população se dispersa naturalmente.
Curiosidades e confusões comuns
O número 88 fez a espécie virar amuleto da sorte em algumas regiões, mas o desenho não tem função mística. Na nossa avaliação, a hipótese mais aceita é que os ocelos confundem predadores que atacam a borda da asa em vez da cabeça.
Muita gente acha que toda borboleta com número é a mesma. No Brasil existem pelo menos seis espécies com números entre Diaethria e Callicore. A verdadeira 88 tem o traço mais fino e fundo branco puro; as 80 têm fundo creme e traço mais grosso.
Outra confusão é achar que ela indica sujeira. Por visitar fezes, parece anti-higiênica, mas ela não entra em casas atrás de comida como moscas e não transmite doenças. Lavar as mãos após contato com qualquer inseto já é suficiente.
Por fim, colecionadores valorizam a Borboleta-88, mas a captura desnecessária prejudica populações locais. Fotografar o 88 com a asa fechada rende o mesmo registro sem remover o inseto da natureza.
Perguntas frequentes
Borboleta-88 é venenosa ou perigosa?
Não. O adulto não morde, não pica e não tem veneno. A lagarta também não possui cerdas urticantes e não queima.
Por que ela tem o número 88 na asa?
É um padrão natural de ocelos pretos e brancos na face inferior das asas posteriores. O desenho confunde predadores e varia um pouco entre indivíduos.
Onde encontrar Borboleta-88 no Brasil?
Em bordas de mata, parques e quintais com árvores frutíferas, principalmente na Mata Atlântica e Amazônia, pousada em troncos ou frutos caídos.
O que a Borboleta-88 come?
Adultos sugam suco de frutos podres, seiva e sais minerais de solo úmido. Lagartas comem folhas de Trema micrantha e Celtis.
Quanto tempo vive a Borboleta-88?
O adulto vive de 15 a 30 dias. O ciclo completo de ovo a adulto dura cerca de 35 a 45 dias.
Borboleta-88 é praga? Precisa controlar?
Não é praga. Não ataca plantações e não entra em casas. Basta remover frutos fermentados do chão se houver muitas no quintal.
Qual a diferença entre Borboleta-88 e Borboleta-80?
A 88 é Diaethria clymena com 88 fino em fundo branco puro. As 80 são do gênero Callicore, com desenho mais largo e fundo creme-avermelhado.
Você sabia?
O 88 nem sempre é 88
O desenho varia tanto que alguns indivíduos parecem exibir 89, 68 ou 80. O número perfeito depende da subespécie, da simetria das asas e até do desgaste das escamas com a idade.
Macho que bebe lama
Machos fazem puddling em barrancos úmidos, fezes e até suor humano para extrair sódio. Esse sal é passado para a fêmea na cópula e melhora a sobrevivência dos ovos.
Lagarta que não queima
Ao contrário das taturanas, a lagarta de Diaethria clymena tem espinhos moles e não urticantes. Ela se camufla como nervura de folha e fica imóvel quando tocada.
Território com hora marcada
Machos defendem o mesmo poleiro ensolarado todos os dias, geralmente um galho a 1,5 m do solo. Eles expulsam outros machos em voos rápidos e sempre voltam ao mesmo ponto.











