🐛 Insetos

Marimbondo

Polistes spp. e Polybia spp. (Família Vespidae, Subfamília Polistinae)

Atualizado em

1,5 a 3,5 cm (rainha até 4 cm)Tamanho
Predador de lagartas e néctarAlimentação
Metamorfose completa, 30 a 45 diasCiclo de vida
Urbano, rural e matas em todo BrasilHabitat
Picada dolorosa, risco de alergia gravePerigo para humanos
Marimbondo-cavalo Polistes em foto macro de corpo inteiro com cintura fina

Marimbondo é o nome popular dado no Brasil às vespas sociais da família Vespidae, principalmente da subfamília Polistinae. Diferente da abelha, tem corpo mais liso e brilhante, cintura muito fina e ninho de papel acinzentado, sem cera nem mel.

São insetos eussociais e extremamente organizados: uma colônia pode ter de 20 a 300 indivíduos divididos entre rainha e operárias. Apesar da fama de agressivo, o marimbondo só ataca quando sente o ninho ameaçado e tem papel importante no controle de lagartas e moscas na natureza e na agricultura.

Também conhecido como: Vespa, Vespa-papel, Marimbondo-cavalo, Marimbondo-tatu, Caba, Enxu, Camoatim

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos do Brasil, Insetos Peçonhentos, Insetos Voadores

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Galeria de fotos de Marimbondo

Marimbondo-cavalo Polistes em foto macro de corpo inteiro com cintura fina
Marimbondo-cavalo (Polistes), corpo liso e cintura bem fina.
Close extremo da cabeça do marimbondo mostrando olhos compostos e antenas
Cabeça com olhos compostos grandes e antenas sensoriais.
Marimbondo com asas abertas em voo
Asas membranosas dobradas em repouso e abertas em voo ágil.
Ninho de papel aberto de marimbondo Polistes com células hexagonais
Ninho de papel acinzentado, aberto e pendente por pedúnculo.
Ninho fechado em forma de bola do marimbondo-tatu Polybia
Ninho fechado do marimbondo-tatu, que abriga centenas de indivíduos.
Marimbondo Polybia se alimentando de néctar em flor
Adultos buscam néctar, mas levam lagartas para as larvas.
Larvas e pupas de marimbondo dentro das células do ninho de papel
Metamorfose completa: larvas brancas alimentadas pelas operárias.

Perfil rápido de Marimbondo

Calendário

Maior atividade e fundação de ninhosJFMAMJJASOND
Pico de forrageamentoJFMAMJJASOND
Menor atividade / hibernação de rainhasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Picada dolorosa com veneno; risco de anafilaxia em sensíveis e intoxicação por múltiplas picadas. Buscar atendimento médico/veterinário se houver reação sistêmica.

Vida útil

Na natureza
Operárias vivem 20 a 40 dias; machos 3 a 6 semanas; rainhas fecundadas 10 a 12 meses, hibernando no inverno

Reprodução

Acasalamento
Voo nupcial no fim do verão; machos morrem após fecundar
Estrutura social
Eussocial com rainha dominante e operárias estéreis
Padrão sazonal
Fundação de ninhos na primavera (setembro a dezembro)
Tipo de desenvolvimento
Oviparo com metamorfose completa
Ninhada
1 ovo por célula; colônia produz dezenas a centenas de adultos por ciclo

Habitat

Ambientes

  • Beirais, forros e varandas urbanas
  • Galhos, arbustos e troncos
  • Muros, frestas e caixas de luz
  • Pomares e áreas agrícolas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Amazônia
  • Caatinga
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Larvas de lagartas e outros insetos
  • Néctar de flores

Outros alimentos

  • Frutas maduras
  • Restos de carne e alimentos açucarados
  • Moscas, pulgões e aranhas pequenas

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia
  • Colômbia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hymenoptera
Família
Vespidae
Subfamília
Polistinae
Gênero
Polistes, Polybia e outros

Resumo

  • Marimbondo é vespa social que constrói ninho de papel com fibra de madeira mastigada e vive em colônias organizadas por rainha e operárias.
  • Alimenta-se de lagartas, moscas e néctar, sendo predador importante para a agricultura, mas pode picar várias vezes quando defende o ninho.
  • No Brasil ocorre em todos os biomas e é mais ativo de setembro a março, com maior risco de picadas e reações alérgicas em pessoas e pets sensíveis.

Características

Ficha do inseto

OrdemHymenoptera
FamíliaVespidae (Subfamília Polistinae)
Origem e distribuiçãoNativa das Américas, presente em todo o Brasil
Tamanho1,5 a 3,5 cm; rainhas até 4 cm; envergadura 2,5 a 4 cm
Corespretoamarelomarromavermelhadolaranja
Asas e voo2 pares de asas membranosas, voo rápido e ágil
AlimentaçãoOnívoro predador (lagartas, moscas) + néctar e frutas
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulto)
Expectativa de vidaOperárias 20 a 40 dias; rainhas 10 a 12 meses
HabitatBeirais, forros, árvores, muros e áreas rurais
Comportamento socialEussocial, colônias de 20 a 300 indivíduos
Principais predadoresPássaros, lagartixas, aranhas e formigas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasAlto
Importância para o ecossistemaAlto
Presença em casasAlto
Benefício para a agriculturaAlto
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoMuito alto

Como identificar um marimbondo de verdade

Marimbondo não é abelha. O corpo é liso, brilhante e quase sem pelos, com a famosa cintura bem fina entre tórax e abdômen. As cores variam de preto com amarelo até marrom-avermelhado uniforme, dependendo da espécie.

As asas são longas, dobradas longitudinalmente quando em repouso, e as pernas ficam pendentes durante o voo. Essa é uma diferença clara para abelhas, que dobram as pernas e têm corpo mais peludo.

O ninho entrega a identidade. É um favinho de papel acinzentado e aberto, sem cobertura de cera, pendurado por um único pedúnculo. Cada célula hexagonal abriga um ovo ou larva. Ninhos fechados em forma de bola são de Polybia (marimbondo-tatu), mais agressivo.

  • Marimbondo-cavalo (Polistes spp.): maior, 2,5 a 3,5 cm, ninho aberto tipo guarda-chuva, menos indivíduos.
  • Marimbondo-tatu ou enxu (Polybia paulista, Polybia scutellaris): menor, 1,5 a 2 cm, ninho fechado grande, colônias com centenas.
  • Vespa europeia (Vespula, Vespa): rara no Brasil, mais robusta e amarelada, não confunda com as nativas.

Onde o marimbondo vive e por que aparece tanto em casas

O marimbondo ocorre em todos os biomas brasileiros, da Amazônia ao Pampa. Prefere locais abrigados e altos para nidificar, com boa oferta de presas e néctar por perto.

Na cidade, escolhe beirais, forros, caixas de luz, varandas, galhos e muros. A proximidade com humanos não é por acaso: luz, restos de fruta e carne e lagartas de jardim atraem as operárias.

A fundação de ninhos explode entre setembro e dezembro, quando as rainhas fecundadas saem da dormência. É nessa época que mais surgem ninhos novos em residências.

O que o marimbondo come: predador que também gosta de doce

Adultos se alimentam de néctar, suco de frutas maduras e secreções açucaradas. Essa dieta fornece energia para o voo, mas não sustenta as larvas.

Para as larvas, as operárias caçam lagartas, moscas, pulgões e aranhas pequenas. Elas mastigam a presa até virar uma pasta proteica e levam ao ninho. Uma colônia média pode capturar centenas de lagartas por semana.

Por isso ele ronda churrasco, refrigerante e frutas na cozinha. Não é “ataque”, é busca por açúcar e proteína. Deixar alimento exposto é o principal atrativo dentro de casa.

Ciclo de vida e como nasce a colônia

O marimbondo tem metamorfose completa. A rainha põe um ovo por célula, que vira larva branca sem pernas em 3 a 5 dias. A larva é alimentada pelas operárias por 12 a 18 dias, vira pupa e emerge como adulto em 10 a 15 dias.

O ciclo de ovo a adulto leva 30 a 45 dias, variando com temperatura e espécie. No início da primavera, a rainha fundadora constrói sozinha as primeiras 20 a 30 células e cria as primeiras operárias.

Depois que as operárias nascem, a rainha só põe ovos. No auge do verão a colônia cresce rápido e produz novos machos e futuras rainhas. Com o frio, a colônia envelhece, os machos morrem e apenas as rainhas fecundadas hibernam em frestas para recomeçar no ano seguinte.

Comportamento social e por que ele ataca em grupo

Marimbondos são eussociais. Há divisão clara de tarefas: rainha reproduz, operárias forrageiam, constroem e defendem, machos só fecundam. A comunicação é química, por feromônios.

A defesa é coletiva. Ao se sentir ameaçado, o inseto libera feromônio de alarme que recruta dezenas de companheiras em segundos. Diferente da abelha, não perde o ferrão e pode picar várias vezes.

O papel de parede do ninho é engenharia pura: as operárias raspam fibras de madeira seca, mastigam com saliva e formam o papel. Cada ninho é único na cor e textura, conforme a madeira usada.

Picada de marimbondo: veneno, riscos e o que fazer

A picada injeta veneno com histamina, fosfolipase e peptídeos que causam dor forte, vermelhidão e inchaço por 1 a 3 dias. A dor costuma ser mais intensa que a de abelha, mas passa mais rápido.

O perigo real é a reação alérgica (anafilaxia). Em pessoas e pets sensíveis, uma única picada pode causar falta de ar, inchaço de face, vômitos e queda de pressão. Múltiplas picadas aumentam o risco mesmo sem alergia.

Se for picado, lave com água e sabão, aplique compressa fria e não esprema nem passe álcool, pasta de dente ou vinagre. Observe por 30 minutos. Em caso de falta de ar, inchaço grande, tontura ou picadas múltiplas, procure atendimento médico ou veterinário imediatamente.

Para pets, o risco é maior em focinho e patas. Cachorros e gatos curiosos que mordem o ninho podem levar várias picadas. Mantenha o animal afastado e busque ajuda se houver inchaço excessivo ou apatia.

Papel no ecossistema: praga ou aliado da agricultura?

Na nossa avaliação, o marimbondo é muito mais benéfico que praga. É predador natural de lagartas desfolhadoras, lagarta-do-cartucho, pulgões e moscas, reduzindo necessidade de inseticida.

Estudos da Embrapa já registraram Polistes e Polybia predando lagartas em milho, cana e hortaliças. Em pomares, ajudam no controle biológico e ainda visitam flores, atuando como polinizadores secundários.

O lado praga aparece quando o ninho fica em área de circulação intensa ou quando atacam frutas muito maduras, como uva e goiaba. Mesmo assim, o dano à planta é mínimo (nota 1/5) comparado ao benefício.

Como conviver e afastar sem matar polinizadores

Se o ninho é pequeno, isolado e sem risco, a melhor opção é conviver e observar de longe. A colônia é temporária e abandona o ninho após o ciclo, geralmente em poucos meses.

Para evitar novos ninhos, vede frestas, instale telas em forros e não deixe frutas, carne e açúcar expostos. Pode podar galhos muito próximos ao telhado e manter o jardim com predadores naturais, como pássaros.

Nunca tente queimar, bater ou jogar inseticida sem proteção. Isso dispersa o enxame e aumenta ataques. Se precisar remover, chame serviço especializado ou controle de zoonoses da prefeitura, preferencialmente à noite, quando estão menos ativos. Prefira manejo integrado e preserve ninhos em áreas de mata.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre marimbondo

O veneno da Polybia paulista contém o peptídeo MP1, que em laboratório mostrou capacidade de romper membranas de células cancerígenas sem afetar células saudáveis. A pesquisa, liderada pela USP e universidades britânicas, ainda é experimental, mas colocou o marimbondo brasileiro no radar da biomedicina.

Marimbondos do gênero Polistes fuscatus conseguem reconhecer o rosto de companheiras de ninho, com memória visual individual. É uma habilidade rara entre insetos e ajuda a manter a hierarquia sem brigas constantes.

Um ninho não é reutilizado. Mesmo que pareça intacto no inverno, ele fica vazio e se desfaz com chuva. Remover ninho abandonado não mata a colônia, pois as rainhas já se dispersaram.

A vibração das asas também é sinal. Antes de atacar, muitas operárias batem as asas e levantam as pernas como aviso. Se você ver esse comportamento, afaste-se lentamente sem movimentos bruscos.

Perguntas frequentes

Marimbondo é o mesmo que vespa?

Sim. Marimbondo é o nome popular brasileiro para as vespas sociais da família Vespidae, principalmente Polistes e Polybia.

Marimbondo faz mel?

Não. Ele não produz mel nem cera. O ninho é de papel feito com fibra de madeira e saliva.

A picada do marimbondo é perigosa?

Causa dor e inchaço local, mas o maior risco é alergia grave (anafilaxia) e múltiplas picadas. Em caso de falta de ar ou inchaço grande, procure atendimento imediato.

Ele perde o ferrão como a abelha?

Não. O ferrão é liso e permanece no inseto, por isso ele pode picar várias vezes e chamar outras vespas com feromônio de alarme.

Como afastar marimbondo sem matar?

Mantenha alimentos cobertos, vede frestas e forros e retire atrativos. Para remover ninho ativo, chame serviço especializado, nunca tente sozinho.

Quanto tempo dura um ninho?

Uma colônia dura uma estação quente, de 4 a 8 meses. Depois as operárias morrem e só as rainhas fecundadas sobrevivem para fundar novos ninhos na primavera.

Marimbondo é útil para a agricultura?

Sim. Preda lagartas, pulgões e moscas que atacam lavouras e hortas, sendo usado como controle biológico natural.

Você sabia?

1

Fábrica de papel natural

O ninho não é de barro nem cera. Operárias raspam madeira seca, mastigam com saliva e produzem um papel resistente e impermeável, com listras que variam conforme a árvore usada.

2

Veneno que interessa à medicina

O peptídeo MP1 do veneno da Polybia paulista, estudado pela USP, consegue perfurar células tumorais em laboratório e é investigado como base para futuros fármacos anticâncer.

3

Rosto que não se esquece

Polistes fuscatus reconhece faces de outras vespas do ninho, memorizando padrões de manchas amarelas e pretas para identificar rainha e operárias sem conflito.

4

Ferrão que não fica

Ao contrário da abelha, o marimbondo tem ferrão liso e não o perde ao picar, podendo ferroar várias vezes seguidas e liberar feromônio que chama reforços.

Fontes

  1. Embrapa - Controle biológico e Vespidae
  2. GBIF - Polistinae occurrence data
  3. Universidade de São Paulo (USP) - Pesquisa Polybia paulista

Prós e contras: Marimbondo

Prós

  • Excelente predador de lagartas e pragas agrícolas
  • Ajuda no controle biológico sem agrotóxico
  • Polinizador secundário ao visitar flores
  • Ninho de papel é indicador de ambiente equilibrado
  • Colônia temporária, abandona o ninho sozinha

Contras

  • Picada dolorosa e pode picar várias vezes
  • Defesa em grupo com feromônio de alarme
  • Risco de anafilaxia em pessoas e pets alérgicos
  • Ninhos em beirais e forros assustam moradores
  • Atrai-se por frutas, carnes e doces expostos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o marimbondo é um dos insetos mais injustiçados do Brasil: temido pelo ferrão, mas essencial no controle natural de lagartas. Vale aprender a respeitar a distância do ninho em vez de eliminá-lo automaticamente, reservando a remoção apenas para casos de risco real.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.