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Lagarta-do-maracujá

Dione juno juno (Cramer, 1779)

Atualizado em

Lagarta 30-35 mm; adulta 70-82 mm de envergaduraTamanho
Folhas de maracujazeiro (Passiflora)Alimentação
Metamorfose completa, 30-45 diasCiclo de vida
Pomares, quintais e bordas de mataHabitat
Baixo, espinhos causam irritaçãoPerigo para humanos
Lagarta-do-maracujá Dione juno preta com espinhos sobre folha de maracujá

A lagarta-do-maracujá não é uma espécie isolada, mas o nome popular das larvas de borboletas que atacam o maracujazeiro, principalmente Dione juno juno e Agraulis vanillae. A mais temida nos pomares é a Dione juno, preta com espinhos ramificados, que vive em grupos e pode desfolhar uma planta jovem em poucos dias.

Na fase adulta, o mesmo inseto vira uma borboleta laranja com bordas pretas, de voo rápido e baixo, que poliniza flores enquanto busca néctar. Entender essa dupla identidade é essencial para controlar a praga sem eliminar o polinizador.

Também conhecido como: Lagarta-preta-do-maracujá, Lagarta das passifloras, Lagarta-da-paixão, Fritillary caterpillar, Julia heliconian caterpillar

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Lagarta-do-maracujá

Lagarta-do-maracujá Dione juno preta com espinhos sobre folha de maracujá
Lagarta-preta-do-maracujá (Dione juno) com espinhos ramificados característicos.
Close extremo da cabeça e espinhos da lagarta-do-maracujá
Detalhe da cabeça e dos escolos urticantes da lagarta.
Ovos amarelos da lagarta-do-maracujá agrupados no verso da folha
Postura agrupada com dezenas de ovos amarelos no verso da folha.
Crisálida marrom da lagarta-do-maracujá imitando folha seca
Crisálida pendurada que imita folha seca.
Borboleta adulta Dione juno laranja com bordas pretas sobre flor de maracujá
Adulto laranja-ferrugem que surge da lagarta-do-maracujá.
Grupo de lagartas-do-maracujá se alimentando juntas na mesma folha
Comportamento gregário: dezenas se alimentam lado a lado.

Perfil rápido de Lagarta-do-maracujá

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie ainda não avaliada pela IUCN por ser comum e amplamente distribuída.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Maior atividade das lagartasJFMAMJJASOND
Postura e eclosãoJFMAMJJASOND
Fase de borboleta adultaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa, espinhos causam irritação oral se ingerida
  • PessoasBaixa, dermatite de contato por espinhos urticantes, sem peçonha

Não é taturana peçonhenta; lave com água e sabão e procure serviço de saúde se houver reação alérgica forte.

Vida útil

Na natureza
Ciclo total 30 a 45 dias; adulto vive 2 a 4 semanas

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada, ovípara
Postura
70 a 150 ovos agrupados no verso da folha
Incubação
5 a 7 dias
Metamorfose
Completa, com 5 ínstares larvais
Sazonalidade
Maior atividade na primavera e verão, com várias gerações por ano

Habitat

Ambientes

  • Cultivos de maracujá
  • Quintais e cercas vivas
  • Bordas de mata e capoeiras
  • Jardins urbanos com Passiflora ornamental

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Amazônia
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Folhas de maracujazeiro (Passiflora edulis, Passiflora alata e espécies nativas)

Outros alimentos

  • Néctar de flores na fase adulta

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia
  • México
  • Estados Unidos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Lepidoptera
Família
Nymphalidae
Gênero
Dione
Espécie
Dione juno juno

Resumo

  • A lagarta-do-maracujá é a fase larval da borboleta Dione juno juno, preta com espinhos urticantes que vive em grupos nas folhas do maracujazeiro.
  • Seu ciclo completo dura cerca de 30 a 45 dias e o ataque mais intenso ocorre na primavera e verão, quando pode desfolhar plantas jovens rapidamente.
  • Apesar dos espinhos causarem irritação na pele, ela não é peçonhenta e pode ser controlada com catação manual, planta isca e manejo integrado sem inseticida pesado.

Características

Ficha do inseto

OrdemLepidoptera
FamíliaNymphalidae (subfamília Heliconiinae)
Origem e distribuiçãoNeotropical, do sul dos EUA ao sul do Brasil e Argentina
TamanhoLagarta: 30 a 35 mm; adulto: 70 a 82 mm de envergadura
CoresLagarta preta com manchas amarelasespinhos pretosadulto laranja-escuro com bordas pretas
Asas e vooAsas grandes, voo rápido e baixo, diurno
AlimentaçãoLagarta: folhas de Passiflora; adulto: néctar
MetamorfoseCompleta (ovo > lagarta > crisálida > adulto)
Expectativa de vidaAdulto 2 a 4 semanas; ciclo total 30 a 45 dias
HabitatCultivos de maracujá, cercas vivas, capoeiras e jardins
Comportamento socialGregário na fase de lagarta, solitário na fase adulta
Principais predadoresVespas, percevejos predadores, pássaros e parasitoides

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasBaixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar a lagarta-do-maracujá sem confundir

A lagarta mais comum no maracujá é a Dione juno juno, chamada de lagarta-preta-do-maracujá. Ela tem corpo preto-azulado com faixas amarelo-creme laterais e é coberta por espinhos ramificados pretos em cada segmento.

Quando jovem, mede poucos milímetros e já anda em fila indiana. Quando cresce, chega a 30 a 35 mm e fica bem visível no verso das folhas.

A outra espécie frequente é Agraulis vanillae, a lagarta-da-paixão. Ela é mais avermelhada ou alaranjada, com espinhos pretos mais finos e hábito mais solitário. Não forma os grandes grupos da Dione juno.

O adulto da Dione juno é inconfundível: borboleta laranja-ferrugem com margens pretas e parte inferior das asas com manchas peroladas. Já o adulto de Agraulis é laranja vivo com pintas pretas, muito parecido com a fritilária.

  • Dione juno juno: preta, gregária, dano severo e rápido.
  • Agraulis vanillae: avermelhada, isolada, dano menor e mais disperso.
  • Eueides isabella: ocorre em menor frequência, lagarta amarela com espinhos claros.

Se você vê dezenas de lagartas pretas juntas comendo a mesma folha, é quase certamente Dione juno. Esse comportamento gregário é a melhor pista em campo.

Onde vive e por que prefere o maracujazeiro

A lagarta-do-maracujá é neotropical e ocorre em todo o Brasil, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, além de países vizinhos como Argentina, Paraguai e Colômbia. Ela acompanha a distribuição do gênero Passiflora.

Vive em pomares comerciais, quintais, cercas vivas e bordas de mata onde há maracujá-azedo (Passiflora edulis), maracujá-doce e espécies nativas. Não entra em casas, mas aparece em varandas se houver treliça de maracujá por perto.

A preferência não é por acaso. Folhas de Passiflora contêm glicosídeos cianogênicos, tóxicos para a maioria dos insetos. As lagartas Heliconiinae evoluíram para desintoxicar esses compostos e, por isso, têm pouca concorrência.

Em regiões quentes e úmidas, a população explode na primavera e verão, quando a planta brota folhas novas e macias. No Sudeste e Sul, o pico vai de setembro a março.

O que ela come e qual o estrago real na planta

Na fase de lagarta, a alimentação é exclusivamente de folhas de Passiflora. Elas raspam o limbo foliar, começando pelas folhas mais novas do ponteiro.

Um grupo de 40 a 60 lagartas de Dione juno pode desfolhar completamente uma muda de até 1 metro em 2 a 3 dias. Em plantas adultas e bem formadas, a perda de folhas reduz a fotossíntese, atrasa a floração e derruba botões florais.

O adulto não come folhas. Ele se alimenta de néctar de flores e, ao visitar flores de maracujá e outras plantas, atua como polinizador secundário.

O erro comum é achar que a lagarta come o fruto. Ela raramente toca no maracujá. O prejuízo é indireto: sem folha, não há energia para formar frutos grandes e doces.

Ciclo de vida completo: de ovo à borboleta

O ciclo é de metamorfose completa e dura em média 30 a 45 dias, dependendo da temperatura. Em calor de 25 a 28 °C, tudo acelera.

A fêmea põe 70 a 150 ovos amarelos em forma de barril, agrupados na face inferior da folha. Essa postura em massa explica por que as lagartas nascem juntas.

Em 5 a 7 dias os ovos eclodem. A fase de lagarta dura 14 a 21 dias e passa por cinco ínstares, com troca de pele. Nos primeiros ínstares, elas raspam a folha juntas; nos últimos, comem bordas inteiras.

Depois, cada lagarta se fixa em um ramo ou gavinha e vira crisálida marrom-clara que imita folha seca, pendurada em forma de J. Essa fase dura 8 a 12 dias.

O adulto emerge, seca as asas por algumas horas e já sai para acasalar. Fêmeas podem fazer 2 a 3 posturas ao longo de 2 a 4 semanas de vida adulta.

Fase Duração média Onde fica
Ovo 5 a 7 dias Face inferior da folha nova
Lagarta 14 a 21 dias Folhas e ponteiros
Crisálida 8 a 12 dias Ramos, gavinhas e cercas
Adulto 14 a 28 dias Flores e áreas ensolaradas

Comportamento em grupo e estratégias de defesa

O traço mais marcante da Dione juno é ser gregária. As lagartas se alimentam lado a lado, se movem em fila e até empupam próximas umas das outras. Isso confunde predadores e acelera o desfolhamento.

Quando perturbadas, elas levantam a parte anterior do corpo e regurgitam um líquido esverdeado com cheiro forte. Não é veneno, mas afasta formigas e vespas.

Os espinhos ramificados, chamados escolos, são urticantes por contato mecânico. Eles não injetam veneno como uma taturana, mas quebram na pele e liberam substâncias irritantes que causam coceira e vermelhidão.

O adulto tem outra defesa: coloração de advertência laranja e preta que sinaliza gosto ruim. Como acumulou compostos da Passiflora na fase larval, fica impalatável para pássaros.

Queima, morde ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

A lagarta-do-maracujá não morde, não pica e não é peçonhenta no sentido médico. Ela não possui ferrão nem glândula de veneno potente.

O que ela faz é causar dermatite de contato. Se você esfregar a pele nos espinhos, pode sentir queimação, coceira, vermelhidão e pequenas bolinhas que duram horas a dois dias. Em crianças e pessoas alérgicas, a reação pode ser mais intensa.

Para cachorro e gato, o risco é baixo. A ingestão acidental costuma causar salivação e irritação na boca, mas não intoxicação sistêmica grave. Ainda assim, evite que o pet mastigue as lagartas.

Em caso de contato, lave com água e sabão neutro, não coce e não use fita adesiva para puxar espinhos. Se houver inchaço grande, falta de ar ou dor forte, procure atendimento médico. Nunca aplique remédio caseiro nos olhos.

É praga ou faz parte do equilíbrio? Papel no ecossistema

Na nossa avaliação, a lagarta-do-maracujá é praga quando está em monocultivo ou em muda jovem, mas é parte normal da teia alimentar em ambiente diversificado.

Em plantios comerciais, o dano econômico é real porque o maracujazeiro precisa de área foliar para produzir. Já em quintais com poucas plantas, algumas folhas comidas não matam a planta e ainda alimentam inimigos naturais.

Seus predadores naturais são vespas Polistes, percevejos Podisus, joaninhas, aranhas e moscas parasitoides que põem ovos dentro da lagarta. Pássaros como bem-te-vi também aprendem a comer as crisálidas.

O adulto, como borboleta, visita flores e ajuda na polinização cruzada. Eliminar todas as borboletas com inseticida de amplo espectro prejudica justamente a frutificação do maracujá, que depende de mamangavas.

Como controlar sem acabar com os polinizadores

O controle mais eficaz para quintal é mecânico e preventivo. Vistorie o verso das folhas duas vezes por semana na primavera e verão e retire posturas e grupos de lagartas com luva.

Esmague os ovos ou coloque as lagartas em um balde com água e sabão. Não jogue no chão, pois elas voltam para a planta. Pode deixar algumas lagartas isoladas para manter parasitoides no local.

Outras medidas que funcionam juntas:

  • Poda e adubação equilibrada: planta vigorosa tolera desfolha parcial sem perda grande.
  • Planta isca: mantenha uma Passiflora nativa ou maracujá-de-veado longe do pomar principal para atrair posturas.
  • Barreira física: tela fina em mudas até 1,5 m impede a borboleta de pôr ovos.
  • Controle biológico: preserve vespas e plante flores como manjericão e coentro que atraem inimigos naturais. Produtos à base de Bacillus thuringiensis var. kurstaki são seletivos para lagartas e pouco afetam abelhas quando aplicados ao entardecer, mas use apenas com orientação técnica.

Evite inseticida piretroide de amplo espectro em plena floração. Ele mata mamangavas, abelhas e deixa resíduo no fruto. Se precisar intervir em área grande, consulte um agrônomo e aplique de forma localizada, fora do horário de visita dos polinizadores.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre ela

A Passiflora tenta se defender criando estruturas que imitam ovos de borboleta nas folhas, como pontinhos amarelos, para enganar a fêmea e fazê-la achar que a folha já está ocupada.

As lagartas de Dione juno sincronizam a muda de pele: todo o grupo para de comer ao mesmo tempo, fica imóvel por horas e troca a pele quase em conjunto.

A crisálida balança quando tocada e pode emitir pequenos estalos se perturbada, um comportamento raro entre borboletas diurnas.

Apesar do nome, a lagarta-do-maracujá não vive só em maracujá. Em falta de Passiflora, pode aceitar folhas de outras Passifloraceae ornamentais, mas não completa bem o ciclo em outras famílias.

Perguntas frequentes

Lagarta-do-maracujá queima a pele?

Não queima como taturana, mas os espinhos causam coceira, vermelhidão e ardor por contato. Lave com água e sabão e evite coçar.

Como acabar com lagarta-do-maracujá sem veneno?

Retire ovos e grupos de lagartas com luva duas vezes por semana, use tela em mudas e preserve vespas e parasitoides que são inimigos naturais.

Qual a diferença entre Dione juno e Agraulis vanillae?

Dione juno é preta com amarelo e vive em grupos grandes; Agraulis vanillae é avermelhada e mais solitária, com dano menor.

Lagarta-do-maracujá vira que borboleta?

A Dione juno vira borboleta laranja-ferrugem com bordas pretas e 70 a 82 mm de envergadura, diurna e boa voadora.

Ela come o fruto do maracujá?

Não. Ela come folhas. O prejuízo no fruto é indireto, pela perda de área foliar que reduz a produção.

Quando aparece mais lagarta no maracujá?

Na primavera e verão, de setembro a março, quando brotam folhas novas e a temperatura está alta.

Posso usar Bacillus thuringiensis (Bt) no maracujá?

É um controle biológico seletivo para lagartas, menos agressivo a abelhas, mas deve ser usado com orientação técnica e ao entardecer, fora do pico de polinizadores.

Você sabia?

1

Ovos que parecem sementes

A fêmea cola de 70 a 150 ovos amarelos juntos no verso da folha nova. Vistos de longe, parecem uma mancha de fungo, o que confunde quem procura.

2

Crisálida que finge ser folha seca

A pupa marrom-clara tem nervuras e manchas que imitam folha seca retorcida. Pendurada na gavinha, passa despercebida até para pássaros experientes.

3

Defesa em grupo sincronizada

Quando uma lagarta do grupo regurgita líquido verde e levanta a cabeça, as vizinhas copiam o gesto em segundos, criando um efeito de onda que assusta vespas.

4

Adulto impalatável

Por acumular compostos cianogênicos da Passiflora, a borboleta adulta tem gosto amargo. Pássaros que experimentam uma vez aprendem a evitar o padrão laranja e preto.

Fontes

  1. Embrapa Mandioca e Fruticultura
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. Universidade de São Paulo - ESALQ / Entomologia

Prós e contras: Lagarta-do-maracujá

Prós

  • Adulto poliniza flores ao visitar néctar
  • Serve de alimento para vespas, pássaros e parasitoides
  • Fácil de detectar por viver em grupos visíveis
  • Controle manual é simples e dispensa veneno em quintais
  • Ciclo curto facilita manejo preventivo

Contras

  • Pode desfolhar mudas jovens em poucos dias
  • Postura em massa gera surtos rápidos na primavera
  • Espinhos causam dermatite em pessoas sensíveis
  • Difícil controle em plantios grandes sem manejo integrado
  • Confusão com outras lagartas leva a uso desnecessário de inseticida
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lagarta-do-maracujá é o melhor exemplo de como uma praga vistosa pode ser manejada sem pânico nem veneno em excesso. Para quem cultiva em casa, a vistoria semanal e a catação com luva resolvem 90% dos casos e ainda preservam as borboletas que polinizam.

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Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.