🍓 Frutas

Bacupari-de-macaco

Garcinia brasiliensis

Atualizado em

2 a 4 cmTamanho
amarelo-alaranjadoCor
agridoce suaveSabor
dez. a mar.Safra
~60 kcal/100 gCalorias
Bacupari-de-macaco inteiro e cortado ao meio mostrando polpa branco-translúcida e sementes

O bacupari-de-macaco (Garcinia brasiliensis) é uma fruta nativa do Brasil, pequena e redonda, com casca fina amarelo-alaranjada e polpa branco-translúcida agridoce. Muito confundida com o bacupari comum e o bacuri, ela se destaca pelo tamanho menor, pelo látex amarelado na casca e pelo sabor que lembra mangostão suave.

Rara fora da Mata Atlântica e da Amazônia, a fruta quase não chega a mercados, sendo encontrada em feiras regionais, quintais e áreas de extrativismo entre dezembro e março. É consumida principalmente in natura, chupando a polpa ao redor das sementes, e tem potencial para sucos, geleias e licores, mas estraga rápido após colhida.

Também conhecido como: bacupari-mirim, bacuri-mirim, bacopari, bacupari-do-mato, guapomo (em espanhol, na região amazônica)

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais

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Galeria de fotos de Bacupari-de-macaco

Bacupari-de-macaco inteiro e cortado ao meio mostrando polpa branco-translúcida e sementes
Bacupari-de-macaco maduro, inteiro e aberto, com polpa translúcida aderida às sementes.
Close-up da casca do bacupari-de-macaco com textura lisa e látex amarelo
Detalhe da casca fina e do látex amarelo característico da espécie.
Árvore de bacupari-de-macaco com frutos pendentes entre folhas brilhantes
Árvore de bacupari-de-macaco em frutificação na Mata Atlântica.
Cesto com colheita de bacupari-de-macaco recém-colhidos
Colheita de bacupari-de-macaco, fruta de extrativismo e quintais.
Polpa de bacupari-de-macaco separada das sementes em tigela de vidro
Polpa extraída pronta para consumo ou congelamento.
Flores pequenas e folhas jovens do bacupari-de-macaco
Flores e folhas coriáceas do bacupari-de-macaco na primavera.

Perfil rápido de Bacupari-de-macaco

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
Safra / ColheitaJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Calorias
~60 kcal
Carboidratos
~14 g
Fibras
~1,6 g
Proteínas
~0,8 g
Gorduras totais
~0,4 g
Vitamina C
~18 mg
Cálcio
~16 mg
Potássio
~150 mg
Água
~84 g

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malpighiales
Família
Clusiaceae
Gênero
Garcinia
Espécie
Garcinia brasiliensis Mart.

Resumo

  • Bacupari-de-macaco (Garcinia brasiliensis) é fruta nativa da Mata Atlântica e Amazônia, de 2 a 4 cm, casca amarelo-alaranjada e polpa agridoce suculenta.
  • Safra concentrada entre dezembro e março, fruta perecível e rara no comércio, mais comum em feiras locais e quintais do Sudeste e Norte.
  • Consumo é in natura ou em preparos rápidos, com atenção ao látex da casca e às sementes aderidas à polpa.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoGarcinia brasiliensis Mart. (sin. Rheedia brasiliensis)
Família botânicaClusiaceae
OrigemBrasil — Mata Atlântica e Amazônia
Tamanho2 a 4 cm de diâmetro, 5 a 15 g por fruto
Corescasca amarelo-alaranjadapolpa branco-translúcida
Saboragridoce, levemente resinoso, lembra mangostão
Época da safra no Brasildezembro a março (pico em janeiro e fevereiro)
Calorias por 100 g~55 a 65 kcal
Principais nutrientesvitamina C, fibras, cálcio, potássio e xantonas
Como consumirin natura, sucos, geleias, compotas e licores
Conservação2 a 3 dias em temperatura ambiente; até 5 dias refrigerado
Tipos ou variedadessem variedades comerciais; aparentada de bacupari (Garcinia gardneriana) e bacuri (Platonia insignis)

Perfil e comportamento

DoçuraMédio
AcidezMédio
SuculênciaAlto
Facilidade de encontrarMuito baixo
Versatilidade na cozinhaBaixo

O que é o bacupari-de-macaco e como reconhecê-lo

O bacupari-de-macaco é uma fruta nativa do Brasil da família Clusiaceae, a mesma do mangostão e do bacuri. O nome científico aceito hoje é Garcinia brasiliensis, ainda muito citado como Rheedia brasiliensis em materiais antigos.

A árvore é de tamanho médio, de 5 a 12 metros, com copa densa e folhas brilhantes, coriáceas e opostas. É dióica em muitos casos, ou seja, há plantas masculinas e femininas, o que influencia na frutificação.

O fruto é globoso, liso e pequeno, de 2 a 4 cm, com casca fina que vai do amarelo ao alaranjado intenso quando maduro. Ao riscar ou cortar a casca, sai um látex amarelo pegajoso, marca registrada do gênero Garcinia.

Por dentro, há 1 a 3 sementes envoltas por polpa branco-translúcida, suculenta e aderida à semente. Não é uma fruta de “morder”, e sim de chupar, como jabuticaba.

Onde o bacupari-de-macaco ocorre e quando dá fruto

A ocorrência natural vai do Pará e Amazonas até o Paraná e Santa Catarina, com maior frequência na Mata Atlântica do Sudeste e Sul. Cresce em matas de baixada, capoeiras e beira de rios, até cerca de 800 metros de altitude.

É comum em quintais, sítios e áreas de extrativismo, raramente em pomares comerciais. Por isso quase não aparece em CEASAs e supermercados.

A floração acontece na primavera, entre setembro e novembro, com flores pequenas e esbranquiçadas, muito visitadas por abelhas. A frutificação é rápida.

A safra vai de dezembro a março, com pico em janeiro e fevereiro. Em regiões mais quentes do Norte, pode adiantar para novembro; no Sul, estender até abril em anos chuvosos.

Qual o sabor e como é por dentro

O sabor é agridoce equilibrado, com acidez leve e nota resinosa no final. Quem prova pela primeira vez costuma comparar a mangostão bem suave ou a bacupari mais delicado.

A polpa é suculenta, mas pouca: cada fruto rende uma colher de chá de polpa. A textura é gelatinosa e escorregadia, que se solta da semente ao chupar.

A casca, embora fina, não é consumida por causa do látex amargo e adstringente. As sementes são grandes em proporção ao fruto e também não se comem cruas.

O aroma é suave e frutado, pouco perfumado quando comparado a bacuri ou cupuaçu. Isso faz com que funcione melhor in natura do que como aromatizante.

Diferença entre bacupari-de-macaco, bacupari e bacuri

A confusão é comum porque os três nomes são parecidos e as famílias são próximas, mas são espécies diferentes.

Característica Bacupari-de-macaco Bacupari comum Bacuri
Nome científico Garcinia brasiliensis Garcinia gardneriana Platonia insignis
Tamanho do fruto 2 a 4 cm 3 a 5 cm 7 a 12 cm
Casca fina, lisa, amarelo-alaranjada fina, amarelo-clara grossa, amarelo-parda
Polpa branca, translúcida, pouca branca, mais abundante branca a amarelada, aromática
Sabor agridoce suave, resinoso doce-ácido mais pronunciado doce intenso e perfumado

Na prática, o bacupari-de-macaco é o menor dos três e o que tem menos polpa. O bacuri tem casca grossa e perfume forte que domina receitas; o bacupari comum fica no meio-termo.

Outro ponto: o bacupari-de-macaco tem látex mais amarelo e abundante na casca que o bacupari comum, o que ajuda na identificação no campo.

Como escolher, conservar e congelar

Escolha frutos com casca íntegra, sem manchas escuras moles e com cor amarelo-alaranjada uniforme. Frutos ainda esverdeados estão imaturos e muito adstringentes; muito escuros já passaram do ponto.

Ao apertar levemente, deve ceder um pouco, sem afundar. Cheiro fermentado indica que já começou a estragar, pois a fruta fermenta rápido.

Em temperatura ambiente dura apenas 2 a 3 dias. Na geladeira, em pote fechado com papel-toalha, chega a 4 a 5 dias, mas perde suculência.

Para guardar por mais tempo, congele só a polpa: retire com colher, descarte casca e sementes, coloque em saquinhos ou forminhas de gelo e use em até 3 meses para suco ou geleia. A casca não congela bem e amarga.

Como consumir bacupari-de-macaco na cozinha

O jeito mais tradicional é ao natural, chupando a polpa e descartando semente e casca. Lave bem, parta ao meio com faca e puxe a polpa com os dentes, sem mastigar a semente.

Para suco, bata a polpa rapidamente com água gelada e coe. Como rende pouco, misture com outras frutas neutras, como manga ou caju, para aumentar volume sem perder o caráter agridoce.

Em geleias e compotas, a polpa precisa de cocção curta e açúcar na medida, pois o pectina natural é baixa e o sabor delicado se perde se ferver demais. Adicionar um pouco de limão ajuda a equilibrar.

Evite usar a casca em preparos. O látex amargo contamina o sabor e pode deixar a receita adstringente, mesmo em pequena quantidade. Licores são feitos com a polpa macerada, nunca com a casca.

Ideias rápidas que funcionam

  • Caipirinha de bacupari-de-macaco: polpa macerada com cachaça branca e pouco açúcar.
  • Geleia mista: 70% bacupari-de-macaco e 30% maracujá para dar acidez e pectina.
  • Picolé: polpa batida com água de coco e congelada em forminhas.

Valor nutricional e o que ele oferece

Por ser fruta silvestre pouco estudada, os dados são aproximados e variam conforme o grau de maturação. Em média, 100 g de polpa têm 55 a 65 kcal, majoritariamente de carboidratos simples e água.

Destaca-se pelo teor de vitamina C, fibras solúveis e minerais como cálcio e potássio. Como outras Garcinia, contém xantonas e benzofenonas, compostos antioxidantes estudados em laboratório, sem efeito comprovado isoladamente na alimentação.

Não é fruta oleosa nem proteica. O valor está na hidratação, no aporte de fibras e no sabor fresco, não em “superpoderes” nutricionais. Para dietas com restrição de açúcar ou potássio, vale moderação e orientação profissional.

Quem deve ter atenção ao consumir

Por ser pouco conhecida, a primeira prova deve ser em pequena quantidade. Pessoas com histórico de alergia a frutas da família Clusiaceae, como mangostão, devem ter cautela.

O látex da casca pode irritar boca e estômago se ingerido, causando sensação de amarração e desconforto. Crianças pequenas devem consumir sempre com supervisão, por causa das sementes lisas e escorregadias com risco de engasgo.

Quem tem refluxo, gastrite ou sensibilidade à acidez pode sentir queimação se comer muitos frutos de uma vez. Nesses casos, prefira porções pequenas e evite consumir em jejum.

Curiosidades que pouca gente sabe

O apelido “de macaco” não é à toa. Na mata, macacos-prego e micos são os primeiros a atacar os frutos maduros, muitas vezes antes dos humanos conseguirem colher. O nome popular registra essa disputa.

A casca libera um látex amarelo que mancha roupa e dedos e já foi usado como corante improvisado e até como cola natural em comunidades rurais. A mancha só sai com óleo.

A árvore é muito usada em recuperação de Mata Atlântica por ser rústica, atrair abelhas nativas e aves frugívoras e tolerar sombra na fase jovem. Viveiros de mudas nativas a propagam por sementes, que perdem viabilidade em poucas semanas se secarem.

Apesar do parentesco com o mangostão, considerado “rei das frutas” na Ásia, o bacupari-de-macaco nunca foi domesticado. Toda a produção ainda vem de extrativismo ou de árvores isoladas em quintais, o que explica a raridade e o preço alto quando aparece.

Perguntas frequentes

Bacupari-de-macaco se come com casca?

Não. A casca contém látex amargo e adstringente. Consuma apenas a polpa branco-translúcida ao redor das sementes.

Qual a diferença para bacupari comum?

O bacupari-de-macaco (Garcinia brasiliensis) é menor, de 2 a 4 cm, com menos polpa e látex mais amarelo que o bacupari comum (Garcinia gardneriana), que tem fruto de 3 a 5 cm.

Quando é a safra do bacupari-de-macaco?

De dezembro a março na maior parte do Brasil, com pico em janeiro e fevereiro. No Norte pode começar em novembro.

Pode congelar bacupari-de-macaco?

Sim, mas congele só a polpa sem casca e sem sementes, em potes ou forminhas, por até 3 meses. A fruta inteira não congela bem.

Bacupari-de-macaco tem muita caloria?

Não. Tem cerca de 55 a 65 kcal por 100 g de polpa, valor similar ao de outras frutas suculentas e agridoce.

Onde encontrar bacupari-de-macaco para comprar?

É raro no varejo. Procure feiras de produtores, mercados municipais do Sudeste e Sul na época da safra ou produtores de frutas nativas.

A semente pode ser comida?

Não é recomendado comer a semente crua. Ela é grande, aderida à polpa e deve ser descartada após chupar a polpa.

Você sabia?

1

O nome vem dos macacos

Chamam de "de-macaco" porque macacos-prego e micos comem os frutos ainda na árvore, muitas vezes antes da colheita humana, e derrubam as cascas no chão da mata.

2

Látex que mancha

A casca solta um látex amarelo intenso que mancha dedos e tecido e era usado no interior como corante e cola improvisada.

3

Parente do mangostão

Pertence ao mesmo gênero do mangostão asiático (Garcinia), por isso o sabor lembra vagamente a fruta, mas bem mais suave e com menos polpa.

4

Semente que não espera

As sementes são recalcitrantes: se secarem por poucos dias, perdem a capacidade de germinar, por isso a propagação precisa ser feita logo após retirar a polpa.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa - Frutas Nativas
  3. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Unicamp)
  4. USDA FoodData Central

Prós e contras: Bacupari-de-macaco

Prós

  • Sabor agridoce delicado e diferente, sem acidez agressiva
  • Fruta nativa que valoriza a biodiversidade da Mata Atlântica
  • Boa suculência e refrescância para consumo in natura
  • Atrai polinizadores e é útil em projetos de restauração florestal
  • Baixa caloria e fonte de vitamina C e fibras

Contras

  • Raríssima no comércio e com safra muito curta
  • Rendimento baixo de polpa por fruto
  • Altamente perecível, estraga em poucos dias
  • Látex da casca amarga e pode irritar se ingerido
  • Sementes escorregadias exigem cuidado com crianças
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bacupari-de-macaco vale pela experiência de fruta nativa autêntica, não pela produtividade. É escolha para quem valoriza sabor de mata e extrativismo consciente, mas frustra quem espera polpa abundante ou fruta de feira fácil.

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Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Feliciano Murene
Revisão especializadaFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.