🦜 Aves e Pássaros

Ema

Rhea americana

Atualizado em

1,27 a 1,40 m de alturaTamanho
20 a 36 kgPeso
10 a 15 anos na naturezaExpectativa de vida
grave e rouco tipo "nan-du"Canto
campos abertos e CerradoHabitat
Ema adulta de corpo inteiro em pé no Cerrado

A ema (Rhea americana) é a maior ave do Brasil e de toda a América, com até 1,40 m de altura e 36 kg. Não voa, mas compensa com pernas longas e musculosas que permitem correr a mais de 60 km/h em campo aberto.

Fácil de reconhecer pela plumagem cinza-acastanhada, pescoço longo e três dedos nos pés, vive em bandos nos cerrados, pampas e campos naturais. Tem um sistema reprodutivo raro entre as aves: o macho constrói o ninho, choca os ovos de várias fêmeas e cuida sozinho dos filhotes.

Também conhecido como: Nandu, Nhandu, Nhandu-guaçu, Greater Rhea (inglês), Ñandú (espanhol)

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Galeria de fotos de Ema

Ema adulta de corpo inteiro em pé no Cerrado
Ema adulta mostra porte alto e plumagem cinza-acastanhada típica.
Retrato da cabeça e bico da ema
Detalhe da cabeça da ema com bico achatado e pescoço com penas escuras.
Ema correndo em campo aberto com asas abertas
Ema em corrida, usando as asas como leme para mudar de direção.
Emas no habitat natural do Pampa
Bandos de emas habitam campos naturais do Pampa e Cerrado.
Ema se alimentando no solo
Ema forrageando no chão em busca de sementes e insetos.
Ninho de ema no solo com ovos amarelo-esverdeados
Ninho raso no solo com ovos grandes chocados apenas pelo macho.
Macho de ema com filhotes listrados
Macho cuida dos filhotes listrados por até seis meses.

Perfil rápido de Ema

Estado de conservação

NT
Quase Ameaçada

População em declínio por perda de habitat e caça, ainda ampla mas fragmentada.

População
em declínio
Protegido por
sim, protegida por lei federal; criação só com autorização do IBAMA

Calendário

Reprodução e corteJFMAMJJASOND
Postura e incubaçãoJFMAMJJASOND
Cuidado com filhotesJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro
18 a 20 anos, raramente até 25 com manejo adequado

Reprodução

Acasalamento
poligínico; 1 macho com 3 a 8 fêmeas por estação
Estrutura social
macho constrói ninho e incuba sozinho; fêmeas põem e deixam o ninho
Padrão sazonal
sazonal, de agosto a janeiro com pico de outubro a dezembro
Tipo de nascimento
ovípara, filhotes precoces e nidífugos
Ninhada
10 a 30 ovos por ninho coletivo; 1 ninhada por ano; incubação 36 a 43 dias

Habitat

Ambientes

  • campos naturais
  • Cerrado aberto e campo sujo
  • Pampa
  • pastagens e áreas agrícolas com manchas de vegetação nativa

Biomas

  • Cerrado
  • Pampa
  • Pantanal
  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • sementes
  • folhas e brotos
  • frutos do Cerrado
  • insetos e gafanhotos

Outros alimentos

  • pequenos vertebrados
  • lagartos
  • grãos cultivados como soja e milho

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Como animal de estimação

Adequação
não é pet; criação só para fins comerciais ou conservação em áreas amplas
Legalidade no Brasil
silvestre protegida; exige registro como criadouro no IBAMA/SisFauna; captura na natureza é crime
Nível de cuidado
alto; precisa de piquetes grandes, cercas altas, manejo reprodutivo e veterinário especializado
Custo de aquisição
apenas via criadouros autorizados; exige licenciamento e projeto técnico, sem venda varejista comum

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Rheiformes
Família
Rheidae
Gênero
Rhea
Espécie
Rhea americana (Linnaeus, 1758)

Resumo

  • A ema é a maior ave brasileira, mede até 1,40 m, pesa até 36 kg e não voa, mas corre a 60 km/h nos campos abertos.
  • Vive em bandos de 5 a 30 indivíduos, é onívora e tem canto grave que só o macho emite na época reprodutiva.
  • O macho choca sozinho de 10 a 30 ovos amarelo-esverdeados por cerca de 40 dias e cria todos os filhotes, enquanto as fêmeas põem em ninhos coletivos.

Características

Ficha da espécie

FamíliaRheidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia
Habitatcampos naturais, Cerrado aberto, Pampa e Caatinga arbustiva
Tamanho (altura)1,27 a 1,40 m (fêmeas menores, 1,20 m)
Envergaduracerca de 1,50 m (asas grandes, mas não voa)
Peso20 a 27 kg (fêmea), 25 a 36 kg (macho)
Corescinzabrancopretomarrom-clarobege
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza, até 20 anos em cativeiro
Alimentaçãoonívora: sementes, folhas, frutos, insetos e pequenos vertebrados
Cantograve e ressonante, "nan-du" emitido pelo macho
Reprodução (ninho e ovos)ninho no solo; 10 a 30 ovos amarelo-esverdeados; incubação 36 a 43 dias só pelo macho
Comportamento socialgregária, bandos de 5 a 30 fora da reprodução; macho poligínico
Variedades ou subespécies5 subespécies: R. a. americana, araneipes, intermedia, nobilis e albescens

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoBaixo
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a ema: tamanho, cores e traços únicos

A ema é inconfundível. É a maior ave do Brasil, com altura entre 1,27 e 1,40 m e peso que pode chegar a 36 kg nos machos. As fêmeas são um pouco menores e mais leves, mas mantêm a mesma silhueta esguia.

A plumagem é predominantemente cinza-acastanhada, com variações de branco no ventre e preto no pescoço e na base do bico, sobretudo nos machos adultos. Os filhotes nascem listrados em bege e marrom, camuflagem perfeita para o capim alto.

  • Pescoço longo e pernas compridas sem penas na parte inferior, adaptadas para corrida.
  • Três dedos nos pés, diferente do avestruz que tem dois. Cada dedo tem unha larga que dá tração na terra.
  • Asas grandes mas atrofiadas para voo, com cerca de 1,50 m de envergadura, usadas como leme e para exibir-se na corte.
  • Bico achatado e olhos grandes, com excelente visão para detectar predadores a distância.

Na nossa avaliação, o erro mais comum é confundir ema com avestruz. A ema é bem menor, tem três dedos e ocorre solta no Brasil; o avestruz é africano e só existe aqui em criadouros.

Onde vive a ema no Brasil e na América do Sul

A ema é tipicamente de áreas abertas. Ocorre do Nordeste ao Rio Grande do Sul, com maior densidade no Cerrado, Pampa, Pantanal e campos da Caatinga. Evita mata fechada, onde não consegue correr.

Sua distribuição total inclui Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e leste da Bolívia. No Brasil, é mais vista no Centro-Oeste, Sudeste interior e Sul, em fazendas de soja, pastagens e reservas de campo nativo.

É ave sedentária, não migra. Forma bandos de 5 a 30 indivíduos fora da estação reprodutiva, muitas vezes misturada a veados e seriemas. Na seca, aproxima-se de açudes e veredas para beber e comer brotos.

O que a ema come: onívora e oportunista

A dieta é onívora e muito variada. Na natureza consome folhas tenras, sementes, frutos do Cerrado como baru e pequi, gramíneas, insetos, gafanhotos, lagartas, pequenos lagartos e até cobras pequenas.

Em áreas agrícolas, aproveita grãos de soja, milho e arroz caídos no solo, o que a coloca em conflito com produtores. Engole pequenas pedras, os gastrolitos, que ajudam a triturar alimentos no estômago, já que não tem dentes.

Filhotes são mais insetívoros nas primeiras semanas, precisando de muita proteína para crescer rápido. Adultos passam até 60% do dia forrageando, caminhando com o pescoço baixo e bicando o chão.

Comportamento, canto e vida em bando

A ema é gregária e diurna. Passa o dia caminhando e correndo, e dorme no chão, agachada. Quando ameaçada, prefere correr a se esconder. Atinge 60 km/h em disparada e muda de direção bruscamente abrindo as asas.

O canto é discreto. A maioria do ano é silenciosa, mas o macho emite um urro grave e rouco, tipo “nan-du”, que deu origem ao nome nandu. Esse som de baixa frequência viaja longe no campo e só aparece na época de corte, ao entardecer.

Fora da reprodução, o bando tem hierarquia frouxa. Machos jovens formam grupos separados. Na época de acasalamento, o macho dominante isola 3 a 8 fêmeas e se torna agressivo, abrindo as asas e eriçando as penas do pescoço para afastar rivais.

Reprodução diferente: o macho choca e cria sozinho

O sistema reprodutivo da ema é um dos mais curiosos entre as aves brasileiras. É poligínico e com incubação exclusivamente paterna. O macho constrói um ninho raso no solo, forrado com capim seco, em área aberta com boa visibilidade.

Cada fêmea do harém põe 5 a 10 ovos amarelo-esverdeados no mesmo ninho, que pode acumular 10 a 30 ovos no total, raramente até 40. Os ovos são grandes, com cerca de 13 cm e 600 g cada.

Depois da postura, as fêmeas vão embora e o macho assume tudo. Ele incuba por 36 a 43 dias, quase sem se alimentar, e defende o ninho com coices e bicadas. Se um predador se aproxima, finge estar ferido para desviar a atenção.

Os filhotes nascem precoces, já enxergam e caminham em horas. O pai cuida deles por 5 a 6 meses, ensinando onde comer e protegendo contra gaviões e cachorro-do-mato. É comum ver um macho com 15 a 20 filhotes de idades ligeiramente diferentes, pois pode adotar filhotes de outro ninho.

Ema voa? Como corre e se defende

Ema não voa. As asas são grandes, mas os ossos não têm quilha desenvolvida e a musculatura peitoral é insuficiente para voo. Usa as asas como leme e freio aerodinâmico durante a corrida e para se equilibrar em curvas.

As pernas são a principal defesa. Além da velocidade, dá coices frontais potentes e pode ferir com as unhas. Quando encurralada, deita-se e estica o pescoço no chão para se camuflar.

Outro comportamento pouco conhecido é o banho de areia. A ema se joga no chão seco e se esfrega para remover parasitas das penas, semelhante ao que galinhas fazem.

Diferença entre ema, avestruz e emu: não confunda

As três são ratitas, aves que não voam, mas pertencem a famílias diferentes e nunca se encontram na natureza juntas.

Característica Ema (Rhea americana) Avestruz (Struthio camelus) Emu (Dromaius novaehollandiae)
Origem América do Sul África Austrália
Altura 1,27 a 1,40 m 2,0 a 2,8 m 1,5 a 1,9 m
Dedos no pé 3 2 3
Cor cinza-acastanhada preto e branco (macho) / marrom (fêmea) marrom-acinzentada desgrenhada
Ovos amarelo-esverdeados, 600 g brancos, até 1,5 kg verde-escuros, 700 g

Para identificar em campo no Brasil, lembre: se é cinza, tem três dedos e está solta no Cerrado ou Pampa, é ema. Avestruz e emu só existem em cativeiro por aqui.

É possível criar ema em casa? Legalidade e cuidados

A ema é ave silvestre nativa protegida por lei. Criar, manter ou vender sem autorização do IBAMA ou órgão estadual é crime ambiental. A criação só é permitida em criadouros autorizados para fins comerciais, de conservação ou abate.

Não é ave de estimação. Exige área muito grande, cercas altas de 1,80 m, manejo técnico e alimentação específica. Machos na reprodução ficam agressivos e podem atacar pessoas. Filhotes precisam de aquecimento e dieta rica em proteína nas primeiras semanas.

Quem tem interesse deve procurar um criadouro registrado no SisFauna e nunca comprar filhotes de origem ilegal ou capturar ovos na natureza. A venda de animais capturados no campo é crime e prejudica populações já em declínio.

Conservação e ameaças no Brasil

A ema é classificada como Quase Ameaçada (NT) pela IUCN, com população em declínio. No Pampa gaúcho e no Cerrado, já desapareceu de muitas áreas onde era comum há 30 anos.

As principais ameaças são conversão de campos em lavoura e pastagem homogênea, atropelamentos em rodovias, caça por carne e penas, coleta de ovos e predação de ninhos por cachorros domésticos. Agrotóxicos também reduzem insetos que alimentam os filhotes.

Medidas que ajudam incluem manter faixas de campo nativo nas fazendas, controlar cachorros, instalar passagens de fauna e respeitar o período reprodutivo sem queimar ou gradear áreas de ninho entre agosto e janeiro. Observar emas à distância, sem perseguir ou alimentar, é a melhor forma de ajudar.

Perguntas frequentes

Ema voa?

Não. Tem asas grandes mas não consegue voar; usa as asas como leme para correr a até 60 km/h e fazer curvas rápidas.

Qual a diferença entre ema e avestruz?

A ema é sul-americana, menor (até 1,40 m) e tem 3 dedos; o avestruz é africano, chega a 2,80 m e tem 2 dedos. No Brasil, ema é nativa solta, avestruz só em criadouro.

O que a ema come?

É onívora: sementes, folhas, frutos, insetos, gafanhotos e pequenos vertebrados. Engole pedrinhas (gastrolitos) para ajudar a triturar o alimento.

Quanto tempo vive uma ema?

De 10 a 15 anos na natureza e até 20 anos em cativeiro com bom manejo.

Quem choca os ovos da ema?

Só o macho. Ele constrói o ninho no chão, recebe ovos de várias fêmeas (10 a 30) e incuba por 36 a 43 dias, cuidando dos filhotes por até 6 meses.

Pode criar ema em casa?

Não como pet. É ave silvestre protegida; a criação exige registro de criadouro no IBAMA/SisFauna, área grande e manejo técnico. Comprar de origem ilegal é crime ambiental.

Onde encontrar ema no Brasil?

Em campos abertos do Cerrado, Pampa, Pantanal e Caatinga, do Nordeste ao Rio Grande do Sul, principalmente no Centro-Oeste e interior do Sudeste e Sul.

Fatos surpreendentes sobre a ema

1

O nome vem do canto

"Ema" e "nandu" são onomatopeias do urro grave que só o macho faz na reprodução. Fora dessa época, a ave é quase muda.

2

Ovos que mudam de cor

Recém-postos são amarelo-esverdeados brilhantes, mas ficam esbranquiçados e opacos após dias de incubação ao sol.

3

Pai superprotetor e adotivo

O macho pode adotar filhotes de outros pais se os bandos se misturam. Já foram registrados machos cuidando de mais de 30 filhotes ao mesmo tempo.

4

Estômago com pedras

Engole pedrinhas e até pequenos pedaços de metal brilhante. Os gastrolitos no estômago trituram sementes duras e ajudam na digestão.

Fontes

  1. IUCN Red List - Rhea americana
  2. WikiAves - Ema
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife Data Zone

Prós e contras: Ema

Prós

  • maior ave nativa, imponente e fácil de observar em campo aberto
  • vive em bandos e tem comportamento social interessante para observação
  • controle natural de insetos e dispersão de sementes do Cerrado
  • resistente e adaptada ao clima brasileiro, vive bem em áreas de campo conservado
  • reprodução peculiar com cuidado paterno exclusivo, ótima para educação ambiental

Contras

  • não voa e precisa de áreas muito grandes, impossível em quintal ou apartamento
  • macho agressivo na reprodução e pode atacar pessoas e outros animais
  • protegida por lei, não pode ser mantida como pet sem licenciamento complexo
  • sensível a atropelamentos, caça e predação por cachorros soltos
  • pode causar prejuízo em lavouras se o manejo da fazenda não for adequado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a ema é a melhor porta de entrada para entender o Cerrado e o Pampa: onde ela ainda corre em bando, o campo está saudável. Não faz sentido tratá-la como pet, seu valor está solta, correndo, e como indicadora de conservação.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.