Resumo
- O pato-mandarim é um pato pequeno e arborícola do leste asiático, famoso pelo macho com plumagem extremamente colorida e penas em forma de leque.
- Vive em lagos e rios de mata temperada, nidifica em ocos de árvores a metros do chão e tem filhotes que saltam do ninho no dia seguinte ao nascimento.
- No Brasil é apenas ave ornamental exótica e sua criação é legal sem autorização do IBAMA, mas exige lago limpo, alimentação variada e proteção contra predadores.
Características
Ficha da espécie
| Família | Anatidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Leste da Ásia (China, Japão, Rússia e Coreia); introduzido na Europa e EUA |
| Habitat | Lagos, rios calmos e banhados cercados por mata densa |
| Tamanho | 41 a 49 cm de comprimento |
| Envergadura | 65 a 75 cm |
| Peso | 430 a 690 g (macho um pouco mais pesado) |
| Cores | macho: laranjaverdebrancoazulvermelhobegeroxofêmea: cinzamarrombranco |
| Expectativa de vida | 6 a 10 anos na natureza; até 12 a 15 anos em cativeiro |
| Alimentação | Onívora: sementes, bolotas, grãos, insetos, pequenos peixes e plantas aquáticas |
| Canto | Assobios suaves e grasnados curtos; macho assobia, fêmea emite kek-kek |
| Reprodução | Monogâmica sazonal; ninho em oco de árvore; 9 a 12 ovos brancos; incubação 28 a 30 dias |
| Comportamento social | Sociável fora da reprodução; forma bandos pequenos; muito arisco com humanos |
| Variedades ou subespécies | Não há subespécies; existe mutação branca e apricot em cativeiro |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Alto |
|---|---|
| Intensidade do canto | Muito baixo |
| Inteligência | Alto |
| Facilidade de criação | Médio |
| Necessidade de espaço | Muito alto |
| Nível de atividade | Alto |
| Capacidade de imitar sons | Muito baixo |
Como reconhecer o pato-mandarim: o macho mais colorido do mundo
O pato-mandarim é inconfundível quando o macho está com plumagem nupcial. Ele tem topete verde e cobre, bico vermelho com ponta clara, bochechas brancas com bigodes laranja, peito roxo com duas barras brancas verticais e, o mais marcante, duas penas alaranjadas em forma de leque erguidas nas costas, que parecem velas.
O corpo é compacto e elegante, com 41 a 49 cm e 430 a 690 g. As asas mostram um espelho azul-esverdeado e o ventre é branco. Nenhum outro pato combina tantas cores com esse desenho geométrico perfeito.
De junho a setembro o macho entra em eclipse: perde as cores e fica parecido com a fêmea para se camuflar durante a muda. É a fase em que mais gente se confunde e acha que tem uma fêmea ou outra espécie.
Fêmea, filhote e pato-mandarim branco: não confunda
A fêmea é cinza-acastanhada, com anel branco ao redor dos olhos, bico acinzentado e manchas brancas nos flancos. Discreta, ela se camufla muito bem no ninho. O filhote segue o padrão da mãe, com penugem escura e clara.
Em cativeiro existe a mutação branca (todo branco com bico amarelo) e a apricot (tons creme e canela), muito valorizadas como ornamentais. Não são espécies diferentes, apenas linhagens selecionadas de Aix galericulata.
A confusão mais comum é com o pato-carolino (Aix sponsa), seu único parente próximo, da América do Norte. Veja a diferença:
| Característica | Pato-mandarim | Pato-carolino |
|---|---|---|
| Origem | Leste da Ásia | América do Norte |
| Macho | Leques laranja nas costas, bigodes laranja | Topete verde com linhas brancas, sem leques |
| Fêmea | Anel ocular fino e bico acinzentado | Anel ocular largo em forma de gota |
| Hibridação | Cruzam e geram híbridos férteis em cativeiro | Mesmo caso, evite manter juntos |
Onde vive na natureza e onde é encontrado no Brasil
Na natureza, o pato-mandarim habita lagos, lagoas, rios calmos e banhados cercados por mata temperada fechada, principalmente no leste da China, Japão, sudeste da Rússia e Coreia. Ele é um pato arborícola: passa muito tempo empoleirado em galhos, algo raro entre patos.
No inverno do norte, populações do continente migram para o sul da China e Japão. Já as populações introduzidas na Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos são em grande parte sedentárias e vivem em parques urbanos.
No Brasil não existe população selvagem. Todos os exemplares são de cativeiro, em criatórios registrados, sítios e coleções particulares. Quando visto solto em parque, é sempre ave fugida ou introduzida, sem estabelecimento como espécie invasora.
O que come: dieta onívora e muito ligada a bolotas
É onívoro e oportunista. Na natureza, o item preferido no outono e inverno são bolotas e sementes de árvores, complementadas com grãos, plantas aquáticas, insetos, caramujos e pequenos peixes.
Filhotes nas primeiras semanas são quase exclusivamente insetívoros, caçando larvas, libélulas e besouros aquáticos para crescer rápido. Adultos variam a dieta conforme a estação, com mais proteína animal na primavera.
Em cativeiro, a base deve ser ração específica para patos ornamentais ou marrecos, mais grãos (milho, trigo, arroz com casca), verduras, lentilha d’água e tenébrios. Pão e restos humanos prejudicam a saúde e a plumagem.
Comportamento e canto: silencioso, arisco e empoleirado
Diferente do pato-doméstico, o mandarim é extremamente arisco e pouco vocal. O macho emite um assobio curto e ascendente, quase um whee, e a fêmea um kek-kek baixo quando alarmada. Não grasna alto.
Vive em casais na época reprodutiva e em pequenos bandos de 5 a 20 aves no inverno. É diurno, nada bem mas prefere áreas rasas e margens com vegetação. À noite, dorme empoleirado em árvores, protegido de predadores terrestres.
É também muito ágil em voo, com batidas rápidas e manobras entre troncos. Em cativeiro sem manejo, voa facilmente por cima de cercas baixas, por isso a maioria dos criatórios mantém as aves com voo contido ou em viveiros telados.
Reprodução, ninhos em árvores e o salto dos filhotes
A reprodução é monogâmica sazonal: o par se forma no outono/inverno e se mantém até a criação dos filhotes. A exibição do macho inclui erguer o topete, estufar os leques e fazer voos curtos sobre a fêmea.
O ninho é feito em oco de árvore a 3 a 10 metros de altura, forrado apenas com penugem da fêmea. A postura tem 9 a 12 ovos brancos-creme, incubados só pela fêmea por 28 a 30 dias. O macho abandona o território logo após o início da incubação.
O fato mais impressionante: 24 horas após nascer, os filhotes saltam do oco a até 10 metros de altura atendendo ao chamado da mãe no chão. Por serem leves e com penugem densa, caem sem se machucar e já seguem a mãe até a água, onde se alimentam sozinhos.
Pode criar pato-mandarim em casa? Legalidade e cuidados no Brasil
Sim, a criação é legal no Brasil por ser espécie exótica, não nativa. Ela não exige autorização do IBAMA para pessoa física, mas a compra deve ter nota fiscal e comprovação de origem de criatório regularizado. Transporte interestadual exige GTA. Criar ave nativa sem anilha seria crime ambiental, o que não é o caso dele.
Não é ave para apartamento ou gaiola. Precisa de lago ou tanque grande com água limpa, área seca com sombra, poleiros e caixa-ninho tipo oco a 1,5 m do chão. O viveiro deve ser telado em cima e nas laterais para evitar fuga e ataque de gaviões, gatos e cachorros.
Na nossa avaliação, é uma ave para quem já tem experiência com aves aquáticas e espaço rural ou periurbano. Para iniciante sem lago, o manejo da água, a muda anual e a sensibilidade a fungos e verminoses frustram rápido. É ornamental de contemplação, não de interação.
Conservação e por que ele quase desapareceu
Na Lista Vermelha da IUCN o pato-mandarim é LC (Pouco Preocupante), com população global estimada em 65.000 indivíduos maduros e tendência geral estável. A espécie se beneficiou da proteção e de programas de caixas-ninho no Japão e na Inglaterra.
Historicamente, sofreu declínio acentuado na China e Rússia por desmatamento de matas ciliares, corte de árvores com ocos e caça. No Japão chegou a ser considerado ave sagrada e sua caça foi proibida, o que ajudou na recuperação.
Hoje a maior ameaça continua sendo a perda de florestas maduras com árvores ocas e a hibridação com o pato-carolino onde ambos foram introduzidos. No Reino Unido, onde foi introduzido em 1830, já existe população asselvajada de cerca de 7.000 aves, a maior fora da Ásia.
Diferenças que importam na identificação rápida
Para não errar no campo ou ao comprar, observe três pontos: macho com leques laranja = mandarim; macho com crista verde listrada de branco sem leques = carolino. Fêmea de mandarim tem anel ocular fino e contínuo; a de carolino tem mancha branca em forma de lágrima.
Outro detalhe útil: o bico do macho mandarim é vermelho-rosado, o do carolino é branco, vermelho e amarelo com ponta preta. Em voo, o mandarim mostra menos branco nas asas.
Por fim, desconfie de anúncios de “pato-mandarim manso que atende pelo nome”. A espécie não se apega ao tutor como um cachorro ou calopsita; mesmo nascido em cativeiro, mantém comportamento selvagem e estressa com manuseio excessivo.
Perguntas frequentes
Pato-mandarim pode viver com outros patos?
Sim, convive bem com outros patos ornamentais se houver lago grande e comedouros separados. Evite deixá-lo com pato-carolino sem controle, pois hibridam facilmente.
Quanto tempo vive o pato-mandarim?
De 6 a 10 anos na natureza e de 10 a 15 anos em cativeiro com água limpa, alimentação correta e proteção contra predadores.
É preciso autorização do IBAMA para criar pato-mandarim?
Não, por ser espécie exótica não consta na lista de fauna silvestre nativa. Basta comprar de criatório legalizado com nota fiscal e manter comprovante de origem.
Pato-mandarim voa?
Sim, voa muito bem e escapa fácil. Em viveiros abertos é comum aparar ou conter o voo e telar a parte superior.
O que o pato-mandarim come?
Bolotas, sementes, grãos, plantas aquáticas, insetos e pequenos invertebrados. Em cativeiro use ração para patos ornamentais complementada com verduras e proteína animal.
Por que o macho perde a cor?
É a muda de eclipse, entre o fim da reprodução e o inverno. Ele troca as penas coloridas por uma plumagem parda como a da fêmea e fica temporariamente incapaz de voar.
Pato-mandarim é barulhento?
Não. É um dos patos mais silenciosos, emite apenas assobios suaves. Ideal para quem quer ave aquática sem incômodo sonoro.
Fatos surpreendentes sobre o pato-mandarim
O salto da morte que não mata
Os filhotes com um dia de vida se jogam de ocos a até 10 metros de altura para encontrar a mãe e saem ilesos graças ao peso pluma e à penugem que amortece a queda.
Símbolo de fidelidade na Ásia
Na China e no Japão o casal de mandarins é símbolo de amor fiel e casamento feliz, aparecendo em casamentos e obras de arte há mais de mil anos, apesar de a fidelidade durar só uma estação.
Macho que some
Após acasalar, o macho entra em muda de eclipse e fica com plumagem de fêmea por até 3 meses, ficando incapaz de voar por algumas semanas enquanto troca as penas.
Pato que empoleira
Ao contrário da maioria dos patos, ele tem garras fortes nos dedos e dorme empoleirado em galhos, comportamento que herdou da vida em florestas alagadas.










