Resumo
- O Periquito-rei é o Eupsittula aurea, periquito de 26 cm com testa laranja-pêssego e anel ocular branco, comum no Cerrado e na Caatinga.
- Vive em bandos barulhentos, nidifica dentro de cupinzeiros arbóreos e se alimenta de sementes, frutos, flores e brotos.
- É ave silvestre protegida por lei: não pode ser capturada na natureza e só pode ser mantida com origem em criadouro autorizado pelo órgão ambiental.
Características
Ficha da espécie
| Família | Psittacidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Brasil central e nordeste, Bolívia, Paraguai, norte da Argentina e Suriname |
| Habitat | Cerrado, Caatinga, Pantanal, bordas de mata, buritizais e áreas agrícolas |
| Tamanho (comprimento) | 24 a 28 cm |
| Envergadura | 38 a 42 cm |
| Peso | 80 a 95 g |
| Cores | verdeverde-amareladolaranja-pêssegobrancopretoazulado nas rêmiges |
| Expectativa de vida | 12 a 15 anos na natureza; 20 a 30 anos em cativeiro |
| Alimentação | Granívora e frugívora: sementes, frutos, flores, brotos e néctar |
| Canto | Sequência aguda e áspera tipo kree-kree-kree, muito vocal em voo |
| Reprodução (ninho e ovos) | Ninho em cavidade escavada em cupinzeiro arbóreo; 3 a 4 ovos brancos; incubação ~23 dias |
| Comportamento social | Gregário, bandos de 6 a 40 indivíduos, dorme em dormitórios coletivos |
| Variedades ou subespécies | Monotípico, sem subespécies reconhecidas |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Muito alto |
|---|---|
| Intensidade do canto | Alto |
| Inteligência | Alto |
| Facilidade de criação | Baixo |
| Necessidade de espaço | Médio |
| Nível de atividade | Muito alto |
| Capacidade de imitar sons | Baixo |
Como reconhecer o Periquito-rei sem confundir com outros periquitos
O Periquito-rei é verde predominante com testa e coroa dianteira em laranja-pêssego, daí o nome aurea e o apelido periquito-de-testa-dourada. O bico é preto, os olhos têm anel periocular branco e sem penas bem evidente, e a barriga puxa para o verde-amarelado claro.
As asas são verdes por cima e com tons azulados nas rêmiges quando vistas em voo. A cauda é longa e pontiaguda, verde por cima e mais olivácea por baixo. Jovens têm a testa mais apagada e menos laranja, o que confunde com filhotes de jandaia.
A confusão mais comum é com o Periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri) e com a Jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya). O Periquito-rei se distingue pelo bico preto e não rosado, pela testa pêssego bem delimitada e pelo porte um pouco maior, com cerca de 26 cm contra 22 cm do Brotogeris.
| Espécie | Tamanho | Marca distintiva | Bico |
|---|---|---|---|
| Periquito-rei (Eupsittula aurea) | 24 a 28 cm | Testa laranja-pêssego + anel branco | Preto |
| Periquito-de-encontro-amarelo | 21 a 23 cm | Encontro amarelo na asa | Rosado |
| Jandaia-verdadeira | 30 cm | Cabeça e peito alaranjados extensos | Preto |
Onde vive o Periquito-rei no Brasil
É uma ave típica de áreas abertas e semiabertas. Ocorre em quase todo o Cerrado, na Caatinga, no Pantanal e em bordas da Amazônia e da Mata Atlântica. Prefere cerrado sensu stricto, cerradão, veredas de buriti, caatinga arbórea e pastagens com árvores isoladas.
No Brasil, vai do Maranhão e Pará ao Paraná, sendo muito comum no Centro-Oeste, interior do Nordeste, Minas Gerais e São Paulo. Também ocorre na Bolívia oriental, Paraguai, extremo norte da Argentina e Suriname, sempre em baixas altitudes, geralmente abaixo de 600 m.
É residente e não migratório, mas faz deslocamentos diários entre dormitório, áreas de alimentação e bebedouros. Adapta-se bem a paisagens humanas e aparece em fazendas, pomares, parques urbanos e até fiações elétricas no interior, desde que haja árvores para abrigo.
O que o Periquito-rei come na natureza
A dieta é essencialmente granívora e frugívora. Consome sementes de gramíneas nativas, frutos de pequi, baru, mangaba, caju, goiaba, embaúba e figueiras, além de flores, brotos, néctar e coquinhos de palmeiras como o buriti.
Em áreas agrícolas, visita plantações de milho, sorgo, arroz e girassol, o que gera conflito com produtores. Em cidades, aprende rápido a explorar mangueiras, mamoeiros e comedouros, sempre em grupo e com muita vocalização.
Como todo psitacídeo, precisa de sementes e frutos variados para desgastar o bico e manter a nutrição. Na natureza passa boa parte do dia forrageando no dossel baixo e no chão, descendo para apanhar sementes caídas e voltando rápido para o alto ao menor sinal de perigo.
Comportamento, vida em bando e por que grita tanto
O Periquito-rei é extremamente gregário. Vive em bandos de 6 a 40 aves, que se mantêm coesos o ano todo e se juntam em dormitórios coletivos com dezenas de indivíduos ao entardecer. O bando funciona como defesa e como troca de informação sobre alimento.
O canto é agudo, áspero e repetitivo, do tipo kree-kree-kree, emitido principalmente em voo. Em repouso faz chamados mais curtos e conversas constantes entre o casal. A intensidade vocal é alta, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer, quando o bando chega ou sai do dormitório.
É uma ave ativa, acrobática e curiosa. Escala galhos com bico e patas, pendura-se de cabeça para baixo para alcançar frutos e tem voo rápido e ondulado. Forma casais monogâmicos que permanecem juntos por várias estações e que se reconhecem dentro do bando pela voz.
A capacidade de imitar voz humana é muito limitada, bem abaixo de papagaios e jandaias. Pode aprender assobios e algumas palavras com treino intenso, mas na nossa avaliação não deve ser adquirido com essa expectativa.
Reprodução: o ninho dentro do cupinzeiro
O traço reprodutivo mais marcante é nidificar em cupinzeiros arbóreos de Cornitermes. O casal escava um túnel e uma câmara no cupinzeiro ainda ativo, a alguns metros do solo. Os cupins fecham as galerias ao redor e o ninho fica termicamente estável.
A postura ocorre entre agosto e dezembro, com pico de setembro a novembro no Brasil central. São 3 a 4 ovos brancos, incubados principalmente pela fêmea por cerca de 23 dias. O macho alimenta a fêmea no ninho e defende o território com voos ruidosos.
Os filhotes nascem com penugem esparsa e olhos fechados e permanecem no ninho por 45 a 50 dias. Mesmo após saírem, continuam sendo alimentados pelos pais por algumas semanas, aprendendo a integrar o bando. A fidelidade ao local de nidificação é alta se o cupinzeiro não for destruído.
Periquito-rei pode ser criado em casa? O que diz a lei
É ave silvestre nativa protegida por lei. Capturar, manter ou vender exemplares retirados da natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98). A única forma legal de ter um Periquito-rei é adquiri-lo de criadouro comercial autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada, nota fiscal e cadastro no sistema de controle.
Mesmo legalizado, não é recomendado para iniciantes. É barulhento, precisa de viveiro amplo, enriquecimento diário e companhia, pois sofre isolado. Vive muito, exige veterinário especializado em aves e dieta que não é só semente de girassol.
Para quem busca um psitacídeo para apartamento ou para quem tem pouco tempo, o Periquito-rei não é a escolha adequada. Espécies domésticas como calopsita e periquito-australiano, criadas há décadas em cativeiro, são mais indicadas e não pressionam populações silvestres.
Estado de conservação e convivência com humanos
A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população grande e tendência considerada estável. A ampla distribuição e a tolerância a áreas alteradas ajudam, mas não a tornam imune a ameaças.
As pressões principais são tráfico de filhotes retirados de cupinzeiros, desmatamento do Cerrado e uso de agrotóxicos em áreas agrícolas. A destruição de cupinzeiros para “limpar” pastagens elimina diretamente locais de nidificação.
Por outro lado, é uma das aves mais vistas por observadores no Brasil central e funciona como dispersora de sementes de frutos nativos. Proteger cupinzeiros arbóreos, manter árvores isoladas no pasto e nunca comprar ave sem procedência são medidas práticas que ajudam a mantê-la comum.
Perguntas frequentes
Periquito-rei fala?
Quase não. Pode aprender assobios e poucas palavras com muito treino, mas imita bem menos que papagaios e jandaias.
Qual a diferença entre Periquito-rei e periquito-australiano?
O rei é silvestre nativo (Eupsittula aurea), verde com testa laranja e bico preto; o australiano é exótico domesticado (Melopsittacus undulatus), menor, com ondulações pretas e cera azul ou marrom no bico.
O que o Periquito-rei come?
Sementes, frutos do Cerrado como pequi e mangaba, flores, brotos e coquinhos de palmeiras; em áreas agrícolas também consome milho e sorgo.
Onde o Periquito-rei faz ninho?
Dentro de cupinzeiros arbóreos, onde o casal escava um túnel e câmara para 3 a 4 ovos.
É legal criar Periquito-rei em casa?
Só se vier de criadouro autorizado com anilha e nota fiscal. Capturar ou comprar ave da natureza é crime ambiental.
Periquito-rei está ameaçado de extinção?
Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas sofre com tráfico e desmatamento do Cerrado.
Quanto tempo vive o Periquito-rei?
Cerca de 12 a 15 anos na natureza e 20 a 30 anos em cativeiro com manejo adequado.
Você sabia?
O ninho que se conserta sozinho
Ao escavar o cupinzeiro, o casal não mata a colônia. Os cupins isolam o túnel com barro e o ninho fica com temperatura e umidade estáveis, como uma incubadora natural.
Anel branco que denuncia a idade
Filhotes já nascem com o anel periocular claro, mas ele fica mais largo e branco nos adultos. Criadores experientes usam esse detalhe junto com a intensidade do laranja da testa para estimar a idade.
Dormitório barulhento
Bandos de Periquito-rei podem reunir mais de 50 aves para dormir na mesma árvore. Chegam gritando ao entardecer e saem em silêncio relativo ao amanhecer, para não atrair predadores.
Nome que confunde
Apesar de rei no nome, não é o maior periquito do Cerrado. A jandaia-verdadeira e a aratinga-de-bando são maiores. Rei aqui vem do destaque da testa dourada, não do tamanho.










