🦜 Aves e Pássaros

Periquito-rei

Eupsittula aurea

Atualizado em

24 a 28 cmTamanho
80 a 95 gPeso
15 anos na natureza; até 30 em cativeiroExpectativa de vida
Agudo, estridente e repetitivoCanto
Cerrado e CaatingaHabitat
Periquito-rei pousado em galho seco no Cerrado mostrando testa laranja-pêssego

O Periquito-rei (Eupsittula aurea) é um psitacídeo pequeno e muito vocal do Cerrado e da Caatinga, reconhecido na hora pela testa laranja-pêssego e pelo anel branco ao redor dos olhos. Mede cerca de 26 cm e vive em bandos que dificilmente passam despercebidos.

Diferente do periquito-australiano de gaiola, é uma ave silvestre brasileira protegida por lei. Nidifica de forma peculiar dentro de cupinzeiros arbóreos e se alimenta de sementes, frutos e flores, sendo comum até em áreas agrícolas e periferias de cidades do Brasil central.

Também conhecido como: Periquito-de-testa-dourada, Periquito-estrela, Jandaia-estrela, Peach-fronted Parakeet (inglês), Perruche à front doré (francês), Goldstirnsittich (alemão)

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Galeria de fotos de Periquito-rei

Periquito-rei pousado em galho seco no Cerrado mostrando testa laranja-pêssego
Periquito-rei adulto com a testa laranja característica.
Close da cabeça do Periquito-rei destacando bico preto e anel ocular branco
Detalhe da cabeça: bico preto e anel branco ao redor dos olhos.
Periquito-rei em voo sobre o Cerrado com asas abertas
Voo rápido e vocal, típico dos bandos.
Bando de Periquito-rei em habitat natural de Cerrado com cupinzeiro arbóreo
Habitat típico: Cerrado com árvores baixas e cupinzeiros.
Periquito-rei se alimentando de fruto de pequi
Alimentação com frutos nativos do Cerrado.
Cupinzeiro arbóreo com entrada de ninho de Periquito-rei
Ninho escavado em cupinzeiro arbóreo.
Detalhe da plumagem verde e verde-amarelada do Periquito-rei
Plumagem predominantemente verde com ventre mais claro.

Como cuidar

Ambiente
Viveiro longo para voo, poleiros de madeira natural, sombra e proteção contra vento e predadores
Alimentação em cativeiro
Mix de sementes, ração extrusada para psitacídeos, frutas, legumes, flores e farinhada; água fresca sempre
Rotina e bem-estar
Interação diária, brinquedos de destruição, rodízio de poleiros e banhos de chuva ou borrifo
Saúde
Consultas com veterinário de aves, controle de ácaros e vermes, quarentena para aves novas e higiene diária do viveiro

Perfil rápido de Periquito-rei

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável, com grande área de ocorrência.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegida por lei federal; captura e comércio de silvestres são proibidos

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior vocalização / dormitórios coletivosJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
12 a 15 anos
Em cativeiro
20 a 30 anos com manejo e veterinário adequados

Reprodução

Sistema
Monogâmico, casal fiel por várias temporadas
Maturidade sexual
2 a 3 anos
Época
Agosto a dezembro, pico setembro a novembro
Ninho
Cavidade escavada em cupinzeiro arbóreo
Ovos e incubação
3 a 4 ovos brancos; incubação ~23 dias pela fêmea
Filhotes
Nidícolas; saem do ninho com 45 a 50 dias e dependem dos pais por mais 2 a 3 semanas

Habitat

Ambientes

  • Cerrado típico e cerradão
  • Veredas e buritizais
  • Caatinga arbórea
  • Bordas de mata e capoeiras
  • Pastagens com árvores isoladas
  • Pomares e parques urbanos

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pantanal
  • Mata Atlântica (bordas)
  • Amazônia (bordas sul e leste)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes de gramíneas e de árvores do Cerrado
  • Frutos de pequi, baru, mangaba, caju, goiaba, embaúba

Outros alimentos

  • Flores e néctar
  • Brotos e folhas tenras
  • Coquinhos de palmeiras
  • Grãos cultivados como milho e sorgo

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Paraguai
  • Argentina
  • Suriname

Como animal de estimação

Adequação
Baixa para criação doméstica; ave silvestre muito vocal e social
Legalidade no Brasil
Só com origem em criadouro autorizado (IBAMA/órgão estadual), com anilha e nota; captura na natureza é crime
Nível de cuidado
Alto: viveiro grande, enriquecimento, dieta variada e veterinário de aves
Observação
Para companhia, prefira espécies domésticas como calopsita e periquito-australiano

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Eupsittula
Espécie
Eupsittula aurea (Gmelin, 1788)

Resumo

  • O Periquito-rei é o Eupsittula aurea, periquito de 26 cm com testa laranja-pêssego e anel ocular branco, comum no Cerrado e na Caatinga.
  • Vive em bandos barulhentos, nidifica dentro de cupinzeiros arbóreos e se alimenta de sementes, frutos, flores e brotos.
  • É ave silvestre protegida por lei: não pode ser capturada na natureza e só pode ser mantida com origem em criadouro autorizado pelo órgão ambiental.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoBrasil central e nordeste, Bolívia, Paraguai, norte da Argentina e Suriname
HabitatCerrado, Caatinga, Pantanal, bordas de mata, buritizais e áreas agrícolas
Tamanho (comprimento)24 a 28 cm
Envergadura38 a 42 cm
Peso80 a 95 g
Coresverdeverde-amareladolaranja-pêssegobrancopretoazulado nas rêmiges
Expectativa de vida12 a 15 anos na natureza; 20 a 30 anos em cativeiro
AlimentaçãoGranívora e frugívora: sementes, frutos, flores, brotos e néctar
CantoSequência aguda e áspera tipo kree-kree-kree, muito vocal em voo
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em cavidade escavada em cupinzeiro arbóreo; 3 a 4 ovos brancos; incubação ~23 dias
Comportamento socialGregário, bandos de 6 a 40 indivíduos, dorme em dormitórios coletivos
Variedades ou subespéciesMonotípico, sem subespécies reconhecidas

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoMédio
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsBaixo

Como reconhecer o Periquito-rei sem confundir com outros periquitos

O Periquito-rei é verde predominante com testa e coroa dianteira em laranja-pêssego, daí o nome aurea e o apelido periquito-de-testa-dourada. O bico é preto, os olhos têm anel periocular branco e sem penas bem evidente, e a barriga puxa para o verde-amarelado claro.

As asas são verdes por cima e com tons azulados nas rêmiges quando vistas em voo. A cauda é longa e pontiaguda, verde por cima e mais olivácea por baixo. Jovens têm a testa mais apagada e menos laranja, o que confunde com filhotes de jandaia.

A confusão mais comum é com o Periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri) e com a Jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya). O Periquito-rei se distingue pelo bico preto e não rosado, pela testa pêssego bem delimitada e pelo porte um pouco maior, com cerca de 26 cm contra 22 cm do Brotogeris.

Espécie Tamanho Marca distintiva Bico
Periquito-rei (Eupsittula aurea) 24 a 28 cm Testa laranja-pêssego + anel branco Preto
Periquito-de-encontro-amarelo 21 a 23 cm Encontro amarelo na asa Rosado
Jandaia-verdadeira 30 cm Cabeça e peito alaranjados extensos Preto

Onde vive o Periquito-rei no Brasil

É uma ave típica de áreas abertas e semiabertas. Ocorre em quase todo o Cerrado, na Caatinga, no Pantanal e em bordas da Amazônia e da Mata Atlântica. Prefere cerrado sensu stricto, cerradão, veredas de buriti, caatinga arbórea e pastagens com árvores isoladas.

No Brasil, vai do Maranhão e Pará ao Paraná, sendo muito comum no Centro-Oeste, interior do Nordeste, Minas Gerais e São Paulo. Também ocorre na Bolívia oriental, Paraguai, extremo norte da Argentina e Suriname, sempre em baixas altitudes, geralmente abaixo de 600 m.

É residente e não migratório, mas faz deslocamentos diários entre dormitório, áreas de alimentação e bebedouros. Adapta-se bem a paisagens humanas e aparece em fazendas, pomares, parques urbanos e até fiações elétricas no interior, desde que haja árvores para abrigo.

O que o Periquito-rei come na natureza

A dieta é essencialmente granívora e frugívora. Consome sementes de gramíneas nativas, frutos de pequi, baru, mangaba, caju, goiaba, embaúba e figueiras, além de flores, brotos, néctar e coquinhos de palmeiras como o buriti.

Em áreas agrícolas, visita plantações de milho, sorgo, arroz e girassol, o que gera conflito com produtores. Em cidades, aprende rápido a explorar mangueiras, mamoeiros e comedouros, sempre em grupo e com muita vocalização.

Como todo psitacídeo, precisa de sementes e frutos variados para desgastar o bico e manter a nutrição. Na natureza passa boa parte do dia forrageando no dossel baixo e no chão, descendo para apanhar sementes caídas e voltando rápido para o alto ao menor sinal de perigo.

Comportamento, vida em bando e por que grita tanto

O Periquito-rei é extremamente gregário. Vive em bandos de 6 a 40 aves, que se mantêm coesos o ano todo e se juntam em dormitórios coletivos com dezenas de indivíduos ao entardecer. O bando funciona como defesa e como troca de informação sobre alimento.

O canto é agudo, áspero e repetitivo, do tipo kree-kree-kree, emitido principalmente em voo. Em repouso faz chamados mais curtos e conversas constantes entre o casal. A intensidade vocal é alta, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer, quando o bando chega ou sai do dormitório.

É uma ave ativa, acrobática e curiosa. Escala galhos com bico e patas, pendura-se de cabeça para baixo para alcançar frutos e tem voo rápido e ondulado. Forma casais monogâmicos que permanecem juntos por várias estações e que se reconhecem dentro do bando pela voz.

A capacidade de imitar voz humana é muito limitada, bem abaixo de papagaios e jandaias. Pode aprender assobios e algumas palavras com treino intenso, mas na nossa avaliação não deve ser adquirido com essa expectativa.

Reprodução: o ninho dentro do cupinzeiro

O traço reprodutivo mais marcante é nidificar em cupinzeiros arbóreos de Cornitermes. O casal escava um túnel e uma câmara no cupinzeiro ainda ativo, a alguns metros do solo. Os cupins fecham as galerias ao redor e o ninho fica termicamente estável.

A postura ocorre entre agosto e dezembro, com pico de setembro a novembro no Brasil central. São 3 a 4 ovos brancos, incubados principalmente pela fêmea por cerca de 23 dias. O macho alimenta a fêmea no ninho e defende o território com voos ruidosos.

Os filhotes nascem com penugem esparsa e olhos fechados e permanecem no ninho por 45 a 50 dias. Mesmo após saírem, continuam sendo alimentados pelos pais por algumas semanas, aprendendo a integrar o bando. A fidelidade ao local de nidificação é alta se o cupinzeiro não for destruído.

Periquito-rei pode ser criado em casa? O que diz a lei

É ave silvestre nativa protegida por lei. Capturar, manter ou vender exemplares retirados da natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98). A única forma legal de ter um Periquito-rei é adquiri-lo de criadouro comercial autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada, nota fiscal e cadastro no sistema de controle.

Mesmo legalizado, não é recomendado para iniciantes. É barulhento, precisa de viveiro amplo, enriquecimento diário e companhia, pois sofre isolado. Vive muito, exige veterinário especializado em aves e dieta que não é só semente de girassol.

Para quem busca um psitacídeo para apartamento ou para quem tem pouco tempo, o Periquito-rei não é a escolha adequada. Espécies domésticas como calopsita e periquito-australiano, criadas há décadas em cativeiro, são mais indicadas e não pressionam populações silvestres.

Estado de conservação e convivência com humanos

A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população grande e tendência considerada estável. A ampla distribuição e a tolerância a áreas alteradas ajudam, mas não a tornam imune a ameaças.

As pressões principais são tráfico de filhotes retirados de cupinzeiros, desmatamento do Cerrado e uso de agrotóxicos em áreas agrícolas. A destruição de cupinzeiros para “limpar” pastagens elimina diretamente locais de nidificação.

Por outro lado, é uma das aves mais vistas por observadores no Brasil central e funciona como dispersora de sementes de frutos nativos. Proteger cupinzeiros arbóreos, manter árvores isoladas no pasto e nunca comprar ave sem procedência são medidas práticas que ajudam a mantê-la comum.

Perguntas frequentes

Periquito-rei fala?

Quase não. Pode aprender assobios e poucas palavras com muito treino, mas imita bem menos que papagaios e jandaias.

Qual a diferença entre Periquito-rei e periquito-australiano?

O rei é silvestre nativo (Eupsittula aurea), verde com testa laranja e bico preto; o australiano é exótico domesticado (Melopsittacus undulatus), menor, com ondulações pretas e cera azul ou marrom no bico.

O que o Periquito-rei come?

Sementes, frutos do Cerrado como pequi e mangaba, flores, brotos e coquinhos de palmeiras; em áreas agrícolas também consome milho e sorgo.

Onde o Periquito-rei faz ninho?

Dentro de cupinzeiros arbóreos, onde o casal escava um túnel e câmara para 3 a 4 ovos.

É legal criar Periquito-rei em casa?

Só se vier de criadouro autorizado com anilha e nota fiscal. Capturar ou comprar ave da natureza é crime ambiental.

Periquito-rei está ameaçado de extinção?

Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas sofre com tráfico e desmatamento do Cerrado.

Quanto tempo vive o Periquito-rei?

Cerca de 12 a 15 anos na natureza e 20 a 30 anos em cativeiro com manejo adequado.

Você sabia?

1

O ninho que se conserta sozinho

Ao escavar o cupinzeiro, o casal não mata a colônia. Os cupins isolam o túnel com barro e o ninho fica com temperatura e umidade estáveis, como uma incubadora natural.

2

Anel branco que denuncia a idade

Filhotes já nascem com o anel periocular claro, mas ele fica mais largo e branco nos adultos. Criadores experientes usam esse detalhe junto com a intensidade do laranja da testa para estimar a idade.

3

Dormitório barulhento

Bandos de Periquito-rei podem reunir mais de 50 aves para dormir na mesma árvore. Chegam gritando ao entardecer e saem em silêncio relativo ao amanhecer, para não atrair predadores.

4

Nome que confunde

Apesar de rei no nome, não é o maior periquito do Cerrado. A jandaia-verdadeira e a aratinga-de-bando são maiores. Rei aqui vem do destaque da testa dourada, não do tamanho.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. WikiAves
  3. BirdLife International
  4. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos

Prós e contras: Periquito-rei

Prós

  • Muito sociável e ativo, ideal para observação na natureza
  • Adaptável a áreas alteradas e fácil de avistar no Cerrado
  • Inteligente e curioso, com comportamento acrobático
  • Importante dispersor de sementes do Cerrado e Caatinga
  • Vive muitos anos quando bem manejado em criadouro legalizado

Contras

  • Canto agudo e alto, inadequado para apartamento
  • Ave silvestre: criação exige autorização e não é para iniciantes
  • Baixa capacidade de imitar fala humana
  • Precisa de bando ou muita interação; sofre isolado
  • Nidifica em cupinzeiro, difícil de reproduzir sem estrutura adequada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o Periquito-rei é uma das melhores portas de entrada para observar psitacídeos no Cerrado justamente por ser comum e barulhento, mas é uma péssima ideia como pet por impulso. Vale mais admirá-lo livre, protegendo cupinzeiros e árvores frutíferas, do que tentar silenciá-lo em gaiola pequena.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 15.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.