Resumo
- O canário-do-reino é o canário doméstico (Serinus canaria forma domestica), pequeno e amarelo, originado do canário-silvestre verde-oliva das Ilhas Canárias.
- O macho se destaca pelo canto longo e complexo, enquanto a fêmea canta pouco; ambos precisam de alimentação à base de sementes, farinhada e vegetais.
- No Brasil sua criação é legal e muito popular, mas exige gaiola adequada, higiene diária e separação de machos para evitar brigas e estresse.
Características
Ficha da espécie
| Família | Fringillidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Ilhas Canárias, Açores e Madeira (ancestral selvagem); hoje domesticado no mundo todo, muito comum no Brasil |
| Habitat | Doméstico; ancestral vive em áreas semiabertas, bordas de floresta e plantações |
| Tamanho (comprimento) | 12 a 14 cm (algumas raças de porte chegam a 20 cm) |
| Envergadura | 20 a 23 cm |
| Peso | 15 a 25 g |
| Cores | amarelobrancovermelholaranjamarromverdepintadomosaico |
| Expectativa de vida | 10 a 15 anos em cativeiro (5 a 10 anos na média) |
| Alimentação | Granívora: alpiste, painço, aveia, farinhada, folhas e legumes |
| Canto | Macho com canto longo e variado; fêmea emite gorjeios curtos |
| Reprodução (ninho e ovos) | Ninho em forma de tigela; 3 a 5 ovos azul-claros com pintas, incubação de 13 a 14 dias |
| Comportamento social | Territorial entre machos, dócil com humanos, vive melhor sozinho ou em casal na época reprodutiva |
| Variedades ou subespécies | Mais de 30 raças reconhecidas (Border, Yorkshire, Norwich, Gloster, Roller, Vermelho, etc.) |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Médio |
|---|---|
| Intensidade do canto | Muito alto |
| Inteligência | Médio |
| Facilidade de criação | Alto |
| Necessidade de espaço | Baixo |
| Nível de atividade | Médio |
| Capacidade de imitar sons | Baixo |
O que é o canário-do-reino e como reconhecê-lo
O canário-do-reino não é uma espécie silvestre brasileira. É a forma domesticada do canário-silvestre (Serinus canaria), um fringilídeo verde-oliva nativo das Ilhas Canárias, Açores e Madeira. Monges espanhóis começaram a selecioná-lo no século XV e, a partir do século XVII, ele se espalhou pela Europa como ave de canto.
Reconhecer um canário-do-reino é simples: corpo pequeno e compacto, bico curto e cônico, pernas finas e plumagem lisa e brilhante. O amarelo intenso é o mais famoso, mas não é o único. O amarelo original vem da seleção para ausência de melanina escura; já o vermelho só existe porque criadores cruzaram o canário com o tarim (Spinus cucullatus) no século XX.
Não confunda com o canário-da-terra (Sicalis flaveola), silvestre e amarelo-ouro com testa alaranjada. O canário-do-reino tem bico mais claro, canto muito mais longo e variado e não ocorre solto na natureza no Brasil. Todo canário-do-reino à venda vem de criadouro.
Tamanho, cores e tipos de plumagem
A maioria mede 12 a 14 cm e pesa 15 a 25 g, mas raças de porte como Yorkshire e Border podem chegar a 18-20 cm. A postura é diferente entre raças: Roller é mais alongado e horizontal, Gloster tem topete redondo, Norwich é robusto e arredondado.
As cores se dividem em três grupos: lipocrômicas (sem melanina) como amarelo, branco e vermelho; melânicas (com melanina) como verde, marrom e ágata; e mosaico e pintado, com manchas bem distribuídas. A cor vermelha, laranja e mosaico depende de alimentação com carotenoides e de genética específica.
A plumagem tem categorias de textura: intenso, nevado e mosaico. Penas intensas são curtas e de cor forte até a ponta; nevadas têm borda esbranquiçada que dá aspecto mais suave; mosaico concentra cor apenas em áreas como máscara, peito e ombros. Isso muda totalmente a aparência do mesmo tom amarelo ou vermelho.
O canto do canário-do-reino: por que só o macho canta assim
O canto é o motivo número um da fama. O macho adulto canta frases longas de 10 a 30 segundos, com trilos, floreios e mudanças de volume, repetidas por minutos. Ele canta para atrair fêmea e avisar outros machos que o território está ocupado.
A diferença é hormonal e anatômica. Machos têm siringe mais desenvolvida e áreas cerebrais do canto maiores, ativadas pela testosterona. Fêmeas também vocalizam, mas emitem chamados curtos e gorjeios baixos. Se uma fêmea canta como macho, geralmente é excesso de luz ou hormônio, ou é um macho jovem ainda sem muda completa.
Cada raça de canto foi selecionada para um estilo: Roller canta baixo e com bico quase fechado, Waterslager faz sons de água, Timbrado Espanhol tem canto metálico e potente. Canários comuns de cor também cantam bem, mas sem padrão definido. Aprendem ouvindo o pai ou outro macho tutor nos primeiros meses de vida.
De onde vem e onde vive hoje
O ancestral selvagem vive em ilhas da Macaronésia, em áreas semiabertas com árvores esparsas, pomares e bordas de pinhais. É esverdeado com estrias escuras nas costas e amarelo-esverdeado no ventre, bem diferente do amarelo uniforme doméstico.
Domesticado, o canário-do-reino não existe solto na natureza. No Brasil está em casas, criadouros e exposições em todos os estados, especialmente Sul e Sudeste. Quando escapa, raramente sobrevive muito tempo por falta de adaptação e predação.
Por ser criado há séculos em cativeiro, não migra e não tem comportamento migratório. Seu ciclo anual em casa é regulado por fotoperíodo (horas de luz), temperatura e alimentação, não por estações naturais como nas ilhas de origem.
Comportamento e convivência
Na nossa avaliação, o canário-do-reino é ideal para quem quer contemplar e ouvir, não para quem quer um pássaro de colo. Ele tolera bem a presença do tutor, mas não gosta de ser manipulado como uma calopsita. É observador, toma banho com prazer e passa boa parte do dia cantando, se alimentando e arrumando as penas.
É territorial entre machos. Dois machos na mesma gaiola brigam e um silencia o outro por estresse. O ideal é um macho por gaiola, com separação visual se houver vários. Fêmeas são mais tolerantes, mas também disputam poleiro e comedouro se o espaço for pequeno.
Com outros pássaros, convive melhor em viveirão grande e bem dividido. Com humanos, acostuma-se rápido à rotina da casa, reconhece quem alimenta e pode cantar mais quando o tutor se aproxima. Barulho excessivo, gaiola muito pequena e falta de luz natural são as principais causas de apatia e canto fraco.
O que come: base de sementes, farinhada e vegetais
A base é mistura de sementes: alpiste (cerca de 60%), painço, aveia descascada, linhaça e perila. Só alpiste puro empobrece a dieta e engorda. A farinhada à base de ovo, oferecida 2 a 3 vezes por semana, complementa proteína, especialmente na muda e na reprodução.
Vegetais são essenciais: chicória, escarola, brócolis, couve e cenoura ralada fornecem vitaminas e carotenoides. Frutas como maçã e laranja podem ser oferecidas em pedaços pequenos uma vez por semana. Folhas escuras são melhores que alface, que tem muita água e pouco nutriente.
Evite abacate, sementes de maçã, chocolate, alimentos salgados e temperados. Água fresca deve ser trocada diariamente, e o bebedouro limpo com escovinha para evitar fungos. Osso de siba ou bloco mineral ajuda no cálcio e no desgaste do bico.
Reprodução, ninhos e filhotes
A estação reprodutiva no Brasil vai de agosto a janeiro, com pico entre setembro e novembro, quando os dias ficam mais longos. A fêmea constrói ninho em forma de tigela com fibra de coco, sisal e algodão, dentro de suporte de arame ou plástico.
A postura é de 3 a 5 ovos azul-esverdeados com pintas marrons, um por dia. Só a fêmea choca, por 13 a 14 dias. O macho alimenta a fêmea no ninho e depois ajuda a alimentar os filhotes, que nascem cegos e com penugem rala.
Os filhotes saem do ninho com 18 a 21 dias e se tornam independentes com 30 a 35 dias. Nessa fase precisam de farinhada úmida e sementes moles. É comum a fêmea iniciar nova postura enquanto o macho termina de alimentar a ninhada anterior, por isso criadores usam grade divisória.
Tabela rápida da reprodução
| Etapa | Duração / Detalhe |
|---|---|
| Idade reprodutiva | 10 meses a 4 anos (ideal até 3 anos) |
| Número de ovos | 3 a 5 por postura |
| Incubação | 13 a 14 dias, só pela fêmea |
| Saída do ninho | 18 a 21 dias |
| Independência | 30 a 35 dias |
É possível ter canário-do-reino em casa? Legalidade e cuidados
Sim, e é uma das criações mais legais e acessíveis. Por ser espécie doméstica, não exige autorização do IBAMA para ter em casa, diferente de silvestres como canário-da-terra ou coleirinho. A compra deve ser feita em criadouro regularizado, com anilha fechada e nota.
A gaiola mínima para um canário é de 60 cm de comprimento x 30 cm de largura x 40 cm de altura, com poleiros de madeira de espessuras diferentes e sem poleiros de plástico lisos. Gaiolas redondas e muito pequenas estressam e deformam a cauda. Viveiros maiores permitem voos curtos, que mantêm o pássaro em forma.
Higiene é inegociável: troca diária de água e alimento, limpeza de bandeja a cada 1-2 dias e desinfecção semanal. Local deve ser arejado, com luz natural indireta, sem corrente de vento e sem cozinha com fumaça. Cobrir a gaiola à noite com tecido leve ajuda no descanso de 10 a 12 horas de sono.
Saúde, longevidade e erros comuns
Com manejo correto vive 10 a 15 anos; muitos chegam a 8-10 anos. Os problemas mais comuns são ácaro de traqueia (chiado e perda de voz), ácaro de pena, obesidade por dieta só de sementes e muda encruada por falta de luz e proteína.
Sinais de alerta são penas arrepiadas por muito tempo, ficar no fundo da gaiola, fezes moles ou muito líquidas, bico descamando e canto que some de repente. Canários escondem doença até estarem fracos, por isso observação diária faz diferença.
Erros frequentes: deixar dois machos juntos para “fazer companhia”, oferecer só alpiste, colocar gaiola na corrente de vento ou no sol forte sem sombra, e usar vermífugo ou antibiótico sem orientação veterinária. Muda de penas uma vez ao ano (geralmente no verão) é normal: o pássaro para de cantar, perde penas e precisa de mais proteína e descanso, não de remédio.
Perguntas frequentes
Canário-do-reino e canário-belga são a mesma coisa?
Sim. Canário-do-reino, canário-belga e canário doméstico são nomes populares para a mesma ave domesticada (Serinus canaria forma domestica).
Fêmea de canário-do-reino canta?
Canta pouco. A fêmea emite gorjeios curtos e chamados; canto longo, alto e variado é característico do macho adulto.
Precisa de autorização do IBAMA para criar canário-do-reino?
Não. Por ser espécie doméstica, não precisa de autorização. Compre apenas de criadouro com anilha fechada e nota; silvestres exigem autorização e captura na natureza é crime.
O que fazer quando o canário para de cantar?
É normal na muda de penas e quando há pouca luz, estresse ou doença. Garanta 10-12h de sono, dieta variada e ambiente calmo; se houver chiado, apatia ou penas arrepiadas, procure veterinário de aves.
Pode deixar dois machos na mesma gaiola?
Não é recomendado. Machos são territoriais, brigam e o dominante inibe o canto do outro. Mantenha um macho por gaiola com separação visual.
Canário-do-reino pode comer só alpiste?
Não. Só alpiste causa deficiência nutricional e obesidade. Ofereça mistura de sementes, farinhada e folhas/legumes variados.
Quanto tempo vive um canário-do-reino?
Em média 8 a 10 anos, podendo chegar a 15 anos com boa genética, alimentação variada, higiene diária e manejo correto da muda.
Você sabia?
De verde-oliva a amarelo
O canário selvagem é verde com estrias escuras; o amarelo intenso só surgiu após séculos de seleção para ausência de melanina.
Detector de gás nas minas
Do século XIX até os anos 1980, canários eram levados para minas de carvão porque são muito sensíveis a monóxido de carbono e grisú, alertando os mineiros.
Canta sem respirar por segundos
O macho pode emitir sequências de até 30 segundos usando sacos aéreos e controle da siringe, por isso o canto parece ininterrupto.
Vermelho vem de outro pássaro
Canários vermelhos só existem porque criadores hibridizaram o canário com o tarim venezuelano (Spinus cucullatus) e depois retrocruzaram por décadas.











