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Sépia-comum

Sepia officinalis

Atualizado em

30 a 49 cmTamanho
0,5 a 4 kgPeso
1 a 2 anosExpectativa de vida
Costeiro, até 200 mHabitat
MínimoPerigo para humanos
Detalhe da pele da sépia-comum mostrando cromatóforos e papilas

A sépia-comum (Sepia officinalis) é um molusco cefalópode famoso pela capacidade de mudar de cor e textura em menos de um segundo. Apesar do nome, não é peixe nem lula: pertence ao grupo dos sépias, com corpo achatado, oito braços e dois tentáculos retráteis.

Vive no Atlântico Nordeste e no Mediterrâneo, em fundos de areia e lama até cerca de 200 metros de profundidade. De vida curta, entre 1 e 2 anos, compensa com crescimento rápido, inteligência notável e uma estratégia reprodutiva intensa e única entre os animais marinhos costeiros.

Também conhecido como: Siba, Choco-comum, European common cuttlefish, Seiche commune, Seppia comune, Jibia común

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Sépia-comum

Detalhe da pele da sépia-comum mostrando cromatóforos e papilas
Pele com cromatóforos e papilas que permitem mudar cor e textura em segundos.
Sépia-comum caçando caranguejo com os dois tentáculos retráteis estendidos
Ataque com os dois tentáculos retráteis para capturar caranguejos.
Filhote de sépia-comum translúcido próximo a pradaria de ervas marinhas
Filhote recém-eclodido já com capacidade de caça e camuflagem.
Sépia-comum caçando caranguejo com os dois tentáculos retráteis estendidos
Ataque com os dois tentáculos retráteis para capturar caranguejos.
Filhote de sépia-comum translúcido próximo a pradaria de ervas marinhas
Filhote recém-eclodido já com capacidade de caça e camuflagem.
Ovos pretos de sépia-comum, as uvas-do-mar, fixados em ervas marinhas
Ovos pretos conhecidos como uvas-do-mar, fixados na vegetação.

Perfil rápido de Sépia-comum

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável, mas com declínios locais por pesca costeira.

População
Estável
Protegido por
Não há proteção global; há defesos e tamanhos mínimos locais na Europa.

Calendário

Migração para a costa (reprodução)JFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
Eclosão dos filhotesJFMAMJJASOND
Migração para águas mais profundas (inverno)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica (tinta de melanina não tóxica; mordida defensiva pode doer)

Manuseio deve ser evitado; estresse pode ser letal para o animal.

Vida útil

Na natureza
1 a 2 anos, raramente passa de 2 invernos
Em cativeiro
10 a 18 meses, com crescimento mais rápido em água aquecida

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada, semélpara (reproduz uma vez e morre)
Acasalamento
Transferência de espermatóforos pelo hectocótilo do macho
Época de reprodução
Primavera e verão, em águas costeiras rasas
Ovos por postura
150 a 1.000 ovos pretos (uvas-do-mar) fixados em substrato
Incubação
30 a 90 dias, dependente da temperatura
Maturidade sexual
10 a 14 meses

Habitat

Ambientes

  • Fundos arenosos
  • Fundos lodosos
  • Pradarias de ervas marinhas (Posidonia, Zostera)
  • Áreas rochosas costeiras com manchas de areia

Biomas

  • Nerítico costeiro
  • Marinho bentônico de plataforma continental

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Caranguejos
  • Camarões e misidáceos
  • Peixes pequenos

Outros alimentos

  • Moluscos
  • Poliquetas
  • Outras sépias juvenis

Encontrado em 12 países

  • França
  • Espanha
  • Portugal
  • Reino Unido
  • Itália
  • Marrocos
  • Senegal
  • Grécia
  • Turquia
  • Alemanha
  • Países Baixos
  • Irlanda

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Cephalopoda
Ordem
Sepiida
Família
Sepiidae
Gênero
Sepia
Espécie
Sepia officinalis

Resumo

  • A sépia-comum é um molusco cefalópode de até 49 cm que se camufla em segundos controlando cor, padrão e textura da pele.
  • Vive no Atlântico leste e Mediterrâneo em fundos arenosos e pradarias marinhas, entre 0 e 200 m, e caça caranguejos e peixes com dois tentáculos retráteis.
  • Tem ciclo de vida de 1 a 2 anos, morre após reproduzir e é classificada como Pouco Preocupante pela IUCN, mas sofre pressão da pesca costeira.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco (cefalópode)
OrdemSepiida
FamíliaSepiidae
Origem e distribuiçãoAtlântico Nordeste, do Mar do Norte e Báltico ao Senegal, incluindo Mediterrâneo
TamanhoManto de 15 a 30 cm, comprimento total de 30 a 49 cm
Peso0,5 a 4 kg (fêmeas menores)
Coresmarrombegebrancocinzapreto (tinta)
Profundidade0 a 200 m, mais comum até 100 m
HabitatFundos arenosos, lodosos e pradarias de ervas marinhas
AlimentaçãoCarnívora: caranguejos, camarões, peixes e outros moluscos
ReproduçãoOvípara, 150 a 1.000 ovos pretos por postura
Expectativa de vida1 a 2 anos
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMuito alto
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoMédio
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a sépia-comum sem confundir com lula ou polvo

A sépia-comum tem corpo largo e achatado em forma de oval, bem diferente da lula, que é alongada em torpedo. O manto envolve quase todo o corpo e é margeado por uma nadadeira ondulante contínua, que parece uma saia em movimento.

São oito braços curtos com ventosas e dois tentáculos longos e retráteis, usados só na hora de capturar a presa. Lulas têm tentáculos semelhantes, mas polvos não têm tentáculos retráteis, apenas oito braços.

O detalhe definitivo está dentro: a siba ou osso-de-choco, uma estrutura interna porosa, branca e leve, feita de carbonato de cálcio. É ela que controla a flutuabilidade e que você encontra na areia da praia. Nenhum polvo tem isso.

Sinais rápidos de campo

  • Pupila em forma de W, única entre os cefalópodes, muito visível em close.
  • Pele que muda de lisa para áspera com papilas musculares, imitando areia, pedra ou alga.
  • Coloração base marrom-bege com pintas e faixas, mas capaz de exibir branco total, listras zebradas ou manchas escuras em segundos.

Onde vive e em que profundidade encontrar

A distribuição da Sepia officinalis vai do Mar do Norte e sul do Mar Báltico até o Senegal, incluindo todo o Mar Mediterrâneo. É a sépia mais comum da Europa e do norte da África.

Prefere águas costeiras rasas com fundo de areia, lama ou ervas marinhas como Posidonia e Zostera. Durante o dia fica semienterrada ou imóvel, camuflada. À noite sai para caçar.

A faixa de profundidade vai de 0 a 200 metros, mas a maior concentração está entre 5 e 100 metros. No inverno migra para águas um pouco mais profundas e estáveis, entre 50 e 150 metros, e retorna à costa na primavera para reproduzir.

No Brasil ela não ocorre naturalmente. O que se vê por aqui são outras sépias muito raras ou, mais comum, confusão com lulas costeiras.

O que come e como caça

É uma predadora carnívora e oportunista. A base da dieta são caranguejos e camarões, complementada por peixes pequenos, outros moluscos e até outras sépias menores.

A caça é de emboscada. Ela se aproxima lentamente usando a nadadeira, mimetiza o fundo e dispara os dois tentáculos em cerca de 20 milissegundos. As ventosas das pontas claviformes grudam na presa e a trazem para os braços.

Possui bico quitinoso em forma de papagaio para quebrar carapaças e uma glândula que pode injetar toxina para imobilizar crustáceos. A digestão é rápida, o que sustenta o crescimento acelerado.

Tática pouco conhecida

Quando caça caranguejos, muitas sépias exibem um padrão listrado escuro nos braços que parece hipnotizar a presa por alguns segundos, tempo suficiente para o bote. É um dos poucos cefalópodes com esse display de caça documentado.

Inteligência, camuflagem e comunicação pela pele

A sépia-comum é considerada um dos invertebrados mais inteligentes do planeta. Tem cérebro grande, aprendizado por observação e memória de curto e longo prazo. Em laboratório, aprende a abrir potes, escolher abrigos e adiar uma recompensa para ganhar outra melhor.

A pele contém até 200 cromatóforos por mm², além de iridóforos e leucóforos, controlados diretamente pelo cérebro. Isso permite mudar de cor, padrão, brilho e textura em 0,3 a 0,7 segundos. Não é só camuflagem: é linguagem.

Machos em disputa exibem o display de zebra, com faixas pretas e brancas contrastantes que percorrem o corpo. Machos pequenos, incapazes de vencer, fazem mimetismo de fêmea: exibem padrão de fêmea de um lado do corpo e de macho do outro para passar despercebidos pelo dominante.

Para fugir, usa jato de água pelo sifão, libera nuvem de tinta preta (sépia) e pode deixar uma nuvem menor como decoy enquanto foge pálida e lisa.

Reprodução e ciclo de vida curto e intenso

Vive depressa. A sépia-comum é semélpara: reproduz uma única vez e morre. O acasalamento ocorre na primavera e verão, quando migra para águas rasas e mais quentes.

O macho transfere espermatóforos com um braço modificado, o hectocótilo. A fêmea armazena o esperma e fertiliza os ovos na hora da postura. Ela fixa 150 a 1.000 ovos pretos, do tamanho de uma uva, em algas, cordas, redes ou ramos submersos. Por isso são chamados de uvas-do-mar.

A tinta preta que envolve o ovo o camufla e o protege do sol e de predadores. A incubação dura 30 a 90 dias conforme a temperatura. O filhote já nasce com 6 a 9 mm, com siba, tinta e capacidade de caçar pequenos misidáceos.

Em água a 20 °C, o animal pode ir de ovo a adulto reprodutivo em 10 a 14 meses. Fêmeas cuidam dos ovos apenas limpando e oxigenando com jatos d’água, mas não se alimentam bem no período e morrem logo após a eclosão. Machos também morrem semanas depois de acasalar.

A sépia-comum é perigosa para humanos?

Não. O risco é mínimo. Não há registro de ataque a mergulhadores. Quando se sente ameaçada, prefere fugir, camuflar-se ou soltar tinta.

A mordida com o bico pode ocorrer se o animal for manipulado fora d’água, mas é defensiva e raramente grave, semelhante a um beliscão forte. A toxina usada em caranguejos não tem efeito relevante em humanos por via de mordida.

A tinta, apesar do susto, é não tóxica e composta principalmente por melanina. O cuidado real é outro: não tocar, não perseguir e não retirar da água. O estresse pode matar um animal que já tem metabolismo acelerado e vida curta.

Ameaças, pesca e estado de conservação

A IUCN classifica a espécie como Pouco Preocupante (LC), com população estável em grande parte da área, mas com declínios locais onde a pesca é intensa.

As principais pressões são pesca com arrasto de fundo, armadilhas e redes de emalhe durante a agregação reprodutiva na costa. Como se reúne em águas rasas para desovar, fica muito vulnerável na primavera.

Outras ameaças incluem degradação de pradarias marinhas, poluição por nutrientes e plásticos, ruído submarino e acidificação, que afeta a formação da siba. Ovos fixados em artes de pesca perdidos também se perdem.

Na Europa há defesos sazonais, tamanho mínimo de captura e proibição de arrasto em áreas de berçário em alguns países. O consumo da carne e da tinta é tradicional no Mediterrâneo, o que mantém a pressão comercial.

Onde observar com responsabilidade e como não confundir

O melhor encontro é por mergulho autônomo ou snorkeling em fundos de areia com ervas marinhas, entre 3 e 20 metros, no Mediterrâneo, costa atlântica da França, Espanha, Portugal e Marrocos, de abril a setembro.

Procure com calma: ela estará parada, com textura idêntica à areia. Observe a pupila em W e a nadadeira ondulando suavemente. Se mudar de cor ao te ver, você já está perto demais. Afaste-se.

  • Não use flash direto no rosto e não tente tocar para ver a mudança de cor.
  • Não alimente nem persiga. A perseguição consome energia vital.
  • Não colete sibas com ovos pretos grudados; são posturas ativas.

Curiosidades que tornam a sépia-comum única

Tem três corações e sangue azul. Dois corações branquiais bombeiam para as brânquias e um coração sistêmico para o corpo. O azul vem da hemocianina com cobre, mais eficiente em água fria e com pouco oxigênio.

A siba funciona como submarino natural. É cheia de câmaras com gás e líquido que o animal regula para subir ou descer sem gastar energia com natação. Por isso a siba é dada a aves em cativeiro como fonte de cálcio: é extremamente rica nesse mineral.

Apesar da fama de solitária, forma agregações de dezenas a centenas de indivíduos na época de reprodução, um dos poucos momentos gregários do ciclo.

Característica Sépia-comum Lula Polvo
Formato do corpo Oval achatado, largo Torpédo alongado Saco globoso, sem nadadeira lateral
Concha interna Siba calcária grande Pena quitinosa fina Ausente (exceto argonauta)
Braços / Tentáculos 8 braços + 2 tentáculos retráteis 8 braços + 2 tentáculos 8 braços, sem tentáculos
Habitat típico Fundo, costeiro Coluna d’água, costeiro e oceânico Fundo, toca

Perguntas frequentes

Sépia-comum é lula ou polvo?

Nenhum dos dois. É um cefalópode do grupo das sépias, com corpo achatado, nadadeira lateral contínua e siba interna. Tem 8 braços e 2 tentáculos retráteis, como a lula, mas corpo e comportamento são distintos.

Qual o tamanho da sépia-comum?

O manto mede 15 a 30 cm e o comprimento total chega a 30 a 49 cm, com peso de 0,5 a 4 kg. Fêmeas costumam ser menores que machos.

Onde vive a sépia-comum?

No Atlântico Nordeste, do Mar do Norte ao Senegal, e em todo o Mediterrâneo, em fundos de areia, lama e pradarias marinhas entre 0 e 200 m. Não ocorre naturalmente no Brasil.

A sépia-comum é perigosa ou venenosa?

Não é perigosa. Não ataca humanos, a tinta não é tóxica e a toxina usada em caranguejos não afeta pessoas. A mordida só ocorre se for manipulada.

Quanto tempo vive a sépia-comum?

De 1 a 2 anos. Cresce rápido, reproduz uma única vez na primavera-verão e morre logo após a postura ou o acasalamento.

O que é o osso-de-choco?

É a siba, a concha interna porosa da sépia que controla a flutuabilidade regulando gás e líquido. É rica em carbonato de cálcio e muito usada como suplemento para aves.

Pode comer sépia-comum?

Sim, é muito consumida no Mediterrâneo, mas a pesca é mais sustentável quando respeita defesos reprodutivos e tamanhos mínimos. Prefira produto com origem certificada.

Você sabia?

1

Sangue azul e três corações

A sépia-comum usa hemocianina com cobre para transportar oxigênio, por isso o sangue é azul. Dois corações levam sangue às brânquias e um terceiro bombeia para o corpo.

2

Troca de roupa em menos de um segundo

Controla cromatóforos, iridóforos e papilas musculares diretamente pelo cérebro e pode mudar cor, padrão e textura em 0,3 a 0,7 segundos, até imitar a aspereza de uma pedra.

3

Machos que se disfarçam de fêmeas

Machos pequenos exibem padrão de fêmea em metade do corpo para enganar machos dominantes e se aproximar de fêmeas verdadeiras durante a reprodução.

4

Ossinho que vira suplemento

A siba interna regula flutuabilidade como um submarino e, quando encontrada na praia, é vendida como fonte de cálcio para aves e répteis, de tão rica em carbonato de cálcio.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. WoRMS - World Register of Marine Species
  3. SeaLifeBase / FishBase
  4. NOAA Fisheries

Prós e contras: Sépia-comum

Prós

  • Inteligência e aprendizado excepcionais entre invertebrados
  • Camuflagem mais rápida e completa do litoral europeu
  • Importante elo alimentar entre crustáceos e predadores maiores
  • Fácil de observar em mergulho raso quando respeitada

Contras

  • Vida muito curta, de 1 a 2 anos
  • Vulnerável à pesca de arrasto na época de reprodução
  • Sensível à perda de pradarias marinhas e à poluição costeira
  • Não ocorre no Brasil, observação exige viagem
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a sépia-comum é o melhor exemplo de inteligência sem vértebras: resolve problemas, engana rivais e conversa pela pele sem precisar de som. É também um lembrete de que vida curta não significa vida simples — em 18 meses ela faz mais transições de habitat e comportamento que muitos peixes em anos.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.