Resumo
- A Maitaca é um papagaio de porte médio do gênero Pionus, reconhecida pela plumagem verde, tons azulados na cabeça e penas vermelhas sob a cauda.
- Vive em quase todo o Brasil, de matas úmidas a cerrados e áreas urbanas arborizadas, sempre em bandos barulhentos que se alimentam de frutos e sementes.
- É ave silvestre protegida: não pode ser retirada da natureza e sua guarda só é legal com registro e anilha do órgão ambiental competente.
Características
Ficha da espécie
| Família | Psittacidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | América do Sul, do Nordeste do Brasil ao norte da Argentina |
| Habitat | Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, matas de galeria e áreas urbanas arborizadas |
| Tamanho | 27 a 29 cm de comprimento |
| Envergadura | 50 a 60 cm |
| Peso | 230 a 295 g |
| Cores | verdeazulvermelhocinza-esverdeado |
| Expectativa de vida | 25 a 30 anos na natureza, até 35 em cativeiro legalizado |
| Alimentação | Frugívora e granívora |
| Canto | Gritos agudos, anasalados e repetitivos, principalmente em voo |
| Reprodução | Ninhos em ocos de árvores; 3 a 4 ovos brancos; incubação de 26 dias |
| Comportamento social | Vive em bandos de 6 a 30 indivíduos, às vezes mais de 50 |
| Variedades ou subespécies | 4 subespécies de Pionus maximiliani reconhecidas no Brasil |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Muito alto |
|---|---|
| Intensidade do canto | Alto |
| Inteligência | Alto |
| Facilidade de criação | Baixo |
| Necessidade de espaço | Alto |
| Nível de atividade | Alto |
| Capacidade de imitar sons | Baixo |
Como reconhecer a Maitaca: tamanho, cores e o detalhe que entrega
A Maitaca adulta mede 27 a 29 cm e pesa entre 230 e 295 g, bem menor que um Papagaio-verdadeiro. O corpo é compacto, a cauda é curta e quadrada e o bico é acinzentado com tons amarelados na base.
A cor base é verde-escuro, mais brilhante nas costas e mais opaco na barriga. A cabeça tem penas azuladas ou acinzentadas na testa, coroa e bochechas, com bordas esbranquiçadas que dão aspecto escamado. O peito costuma ter tom azul-violeta bem visível na Maitaca-verde.
O detalhe que não falha é a parte de baixo da cauda: as coberteiras inferiores vermelhas e vivas. Quando a ave levanta voo ou se pendura para comer, esse vermelho aparece. Bico claro com ponta escura e anel ocular esbranquiçado completam a identificação.
Maitaca-verde x Maitaca-de-cabeça-azul: qual é qual?
No Brasil o nome Maitaca se refere principalmente a duas espécies do gênero Pionus. A confusão é comum porque ambas são verdes e têm vermelho sob a cauda.
A Maitaca-verde (Pionus maximiliani) é a mais comum no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Tem cabeça com azul mais acinzentado, peito com tom azul-arroxeado e bico com base amarelada. É a que mais aparece em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.
A Maitaca-de-cabeça-azul (Pionus menstruus) tem a cabeça toda azul-cobalto intenso, sem o aspecto escamado, e o bico é mais avermelhado. Ocorre sobretudo na Amazônia e no norte do país, além de Mata Atlântica do Nordeste.
| Espécie | Nome científico | Tamanho médio | Traço distintivo | Onde é mais vista |
|---|---|---|---|---|
| Maitaca-verde | Pionus maximiliani | 29 cm | Peito azul-arroxeado e bico amarelado na base | Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga |
| Maitaca-de-cabeça-azul | Pionus menstruus | 28 cm | Cabeça toda azul-cobalto | Amazônia e norte da Mata Atlântica |
| Maitaca-de-barriga-branca* | Pionites melanocephalus | 23 cm | Barriga branca e cabeça preta/amarela | Amazônia (não é Pionus, mas chamada de maitaca na região) |
* Muita gente chama de maitaca também o Pionites, mas tecnicamente são periquitos de outro gênero, menores e com barriga clara.
Onde vive a Maitaca no Brasil e na América do Sul
A Maitaca-verde ocorre do nordeste do Brasil até o norte da Argentina e Paraguai, passando por Bolívia. No Brasil está presente em quase todos os estados, exceto em áreas muito abertas do extremo sul e em parte da Amazônia onde é substituída pela de-cabeça-azul.
Habita matas semidecíduas, matas de galeria, cerradões, caatingas arbóreas, coqueirais e parques urbanos com árvores frutíferas. É uma das poucas psitacídeas que se adaptou bem à cidade, usando praças com mangueiras, amendoeiras e eucaliptos como dormitório.
Não é migratória de longa distância. Faz deslocamentos sazonais curtos em busca de frutificação, formando bandos maiores na seca. Durante o dia os bandos se espalham para comer e ao entardecer se reúnem em árvores altas para dormir, às vezes com dezenas de indivíduos.
O que a Maitaca come na natureza
A dieta é essencialmente frugívora e granívora. Na mata consome frutos de figueiras, embaúbas, mangueiras, jabuticabeiras, goiabeiras, pitangueiras e palmeiras, além de sementes, flores e brotos.
Em áreas agrícolas visita pomares e plantações de milho e sorgo, o que gera conflito com produtores. Em cidades, aprendeu a explorar coquinhos de palmeiras-imperiais, sementes de eucalipto e frutos de amendoeira-da-praia.
Como todo psitacídeo, usa o bico para descascar e a língua grossa para manipular o alimento. Costuma se alimentar no dossel médio e alto, raramente desce ao chão. Bebe água em cacimbas e beiras de rio, geralmente em grupo e com vigilância.
Comportamento, canto e vida social: por que faz tanto barulho
Maitacas são altamente sociais. Passam o dia em bandos coesos de 6 a 30 aves, que mantêm contato vocal constante. Quando pousadas ficam relativamente silenciosas, emitindo apenas chamados curtos e anasalados.
Em voo o comportamento muda. O bando solta gritos agudos, estridentes e repetitivos, do tipo “kra-kra-kra”, audíveis a centenas de metros. Esse coro serve para manter o grupo unido e avisar sobre predadores.
Outra característica marcante do gênero Pionus é a respiração ofegante quando estressada. A ave emite um chiado audível, como se estivesse com falta de ar, e pode exalar um odor forte e almiscarado das penas. Não é doença, é traço natural do grupo e mais perceptível em cativeiro.
São ativas de manhã cedo e no fim da tarde. No calor do meio-dia descansam à sombra, se alisam e fazem limpeza mútua das penas. A capacidade de imitar voz humana é limitada, bem inferior à de papagaios do gênero Amazona; emite mais assobios e palavras curtas e roucas.
Reprodução, ninhos e filhotes
A estação reprodutiva vai de agosto a janeiro na maior parte do Brasil, com pico entre setembro e novembro. O casal é monogâmico e defende o território próximo ao ninho.
Nidifica em ocos naturais de árvores, como paineiras, jatobás e palmeiras mortas, a 4 a 15 metros de altura. Não carrega material: põe os ovos direto sobre o pó de madeira no fundo do oco. A postura é de 3 a 4 ovos brancos, raramente 5.
A fêmea incuba por cerca de 26 dias enquanto o macho a alimenta e vigia. Os filhotes nascem sem penas e com olhos fechados, permanecem no ninho por 55 a 65 dias e continuam dependentes dos pais por mais algumas semanas após saírem. A maturidade sexual ocorre por volta dos 3 anos.
É possível ter Maitaca em casa? O que diz a lei
Não. A Maitaca é ave silvestre nativa protegida pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). Capturar, manter em cativeiro ou comprar ave retirada da natureza é crime ambiental, com multa e detenção.
A única forma legal é adquirir ave nascida em criadouro comercial autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada, nota fiscal e registro no SisFauna. Esses criadouros são raros para Pionus e a oferta é muito limitada.
Na nossa avaliação, a Maitaca não é ave para criação doméstica amadora. Exige viveiro grande, dieta variada com frutas e ração extrusada para psitacídeos, enriquecimento ambiental e acompanhamento veterinário especializado. Além disso, o chiado respiratório e o cheiro forte confundem tutores iniciantes, que acham que a ave está doente.
Conservação e principais ameaças
As duas Maitacas principais são classificadas como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, por terem distribuição ampla e população ainda numerosa. A tendência, porém, é de declínio local em regiões de desmatamento intenso.
As ameaças são perda de ocos para nidificação devido ao corte de árvores velhas, tráfico de filhotes retirados de ninhos e atropelamentos e colisões em áreas urbanas. O uso de agrotóxicos em pomares também contamina frutos consumidos pelos bandos.
Por ser adaptável, a Maitaca se beneficia de arborização urbana e de áreas protegidas. Manter árvores frutíferas nativas, preservar paineiras e figueiras com ocos e denunciar comércio ilegal são medidas práticas que ajudam a espécie a continuar comum nas cidades.
Curiosidades que pouca gente sabe sobre a Maitaca
Muita gente confunde Maitaca com Periquito ou Papagaio, mas o gênero Pionus tem um conjunto de traços únicos entre os psitacídeos brasileiros. Entender esses detalhes evita identificações erradas em campo.
- Não é periquito nem papagaio: apesar do tamanho intermediário, pertence a um gênero próprio, com cauda curta e comportamento mais calmo que periquitos e menos falante que papagaios Amazona.
- O vermelho escondido: vista pousada parece toda verde e azul, mas ao voar exibe o vermelho vivo sob a cauda, caráter diagnóstico usado por ornitólogos para confirmar a espécie à distância.
- Cheiro característico: as penas liberam um odor adocicado e penetrante, perceptível quando o bando está pousado. Criadores relatam que o cheiro fica mais forte em época reprodutiva.
Perguntas frequentes
Maitaca é papagaio ou periquito?
É papagaio do gênero Pionus, de porte médio. Menor que o Papagaio-verdadeiro e maior que periquitos, com cauda curta e quadrada.
Como diferenciar Maitaca de Papagaio-verdadeiro?
A Maitaca tem 27 a 29 cm, cabeça azul-acinzentada com aspecto escamado e vermelho vivo só sob a cauda. O Papagaio-verdadeiro é maior, tem bico mais robusto e testa com outras cores.
Maitaca fala?
Imita pouco. Pode aprender assobios e palavras curtas com voz rouca, mas sua capacidade de imitar é bem inferior à dos papagaios Amazona.
Onde a Maitaca faz ninho?
Em ocos naturais de árvores como paineiras e jatobás. Não constrói ninho, põe 3 a 4 ovos brancos direto no fundo do oco.
O que a Maitaca come?
Frutos de figueira, embaúba, manga, goiaba, jabuticaba, coquinhos de palmeiras, sementes, flores e brotos.
É legal ter Maitaca em casa?
Só se a ave vier de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha fechada e nota fiscal. Tirar da natureza ou comprar de traficante é crime ambiental.
Por que a Maitaca chia como se estivesse doente?
O chiado ofegante e o odor forte são normais do gênero Pionus quando a ave está estressada ou excitada, não indicam necessariamente doença respiratória.
Você sabia?
O chiado não é doença
Maitacas do gênero Pionus fazem uma respiração ofegante e chiada quando assustadas ou excitadas. O som parece asma, mas é normal da espécie e vem acompanhado de um odor forte das penas.
Vermelho só por baixo
Toda verde por cima, ela esconde penas vermelho-vivo sob a cauda. Ornitólogos usam esse detalhe para separar Maitaca de outros papagaios verdes à distância.
Dormitório barulhento
Ao entardecer, bandos de até 50 Maitacas se reúnem na mesma árvore para dormir. Ficam surpreendentemente silenciosas pousadas, mas gritam em coro estridente assim que levantam voo.
Oco disputado
Como nidifica apenas em ocos prontos de árvores velhas, compete com abelhas, tucanos e até com outras Maitacas pelo mesmo buraco, e pode reutilizar o mesmo oco por anos seguidos.









