🦜 Aves e Pássaros

Abetarda

Otis tarda

Atualizado em

75 a 105 cmTamanho
3,5 a 18 kgPeso
10 a 15 anosExpectativa de vida
Grave e raroCanto
Estepes e planícies abertasHabitat
Abetarda-comum de corpo inteiro em pé na estepe

A abetarda-comum (Otis tarda) é a maior ave capaz de voar da Europa e uma das mais pesadas do planeta, com machos que podem ultrapassar 16 kg. De plumagem críptica em tons de castanho, branco e preto, ela habita estepes e planícies agrícolas abertas da Península Ibérica à Ásia Central.

Extremamente arisca e dependente de grandes áreas contínuas sem perturbação humana, a espécie é famosa pelo ritual de exibição dos machos, que se transformam em verdadeiras bolas de plumas brancas para atrair fêmeas. Classificada como Vulnerável pela IUCN, sofre com a intensificação agrícola e colisões em linhas elétricas.

Também conhecido como: Abetarda-comum, Abetarda-europeia, Great Bustard (inglês), Avutarda común (espanhol), Outarde barbue (francês), Großtrappe (alemão)

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Galeria de fotos de Abetarda

Abetarda-comum de corpo inteiro em pé na estepe
Abetarda-comum adulta em habitat de estepe aberta.
Retrato da cabeça da abetarda-comum mostrando bigodes brancos
Detalhe da cabeça do macho com os característicos bigodes brancos.
Abetarda-comum em voo com asas abertas
Em voo, a envergadura pode chegar a 2,6 metros.
Bando de abetardas em planície cerealífera
Habitat típico: planícies cerealíferas e pousios extensos.
Macho de abetarda em exibição nupcial no lek
Macho em exibição, transformado em bola branca para atrair fêmeas.
Ninho da abetarda no solo com dois ovos camuflados
Ninho simples no solo com ovos bem camuflados.

Perfil rápido de Abetarda

Estado de conservação

VU
Vulnerável

População global em declínio devido à perda de habitat estepario e mortalidade antropogênica.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, protegida por diretivas europeias e convenções internacionais

Calendário

Exibição e acasalamentoJFMAMJJASOND
Postura e incubaçãoJFMAMJJASOND
Eclosão e cuidados com filhotesJFMAMJJASOND
Migração (populações orientais)JFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos, raramente até 20
Em cativeiro
20 a 28 anos com manejo especializado

Reprodução

Acasalamento
Poligínico em leks; fêmea escolhe o macho
Estrutura social
Machos exibem-se separados; fêmeas nidificam isoladas
Padrão sazonal
Primavera (março a junho no Hemisfério Norte)
Tipo de nascimento
Ovíparo
Ninhada
1 a 3 ovos; geralmente 2; 1 postura por ano
Incubação
21 a 28 dias apenas pela fêmea
Maturidade sexual
2 a 3 anos (fêmea) e 5 a 6 anos (macho)

Habitat

Ambientes

  • Estepes naturais
  • Pseudo-estepes
  • Planícies cerealíferas extensivas
  • Pousios e pastagens secas
  • Áreas agrícolas de sequeiro

Biomas

  • Estepe
  • Pradaria temperada
  • Savana temperada

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes e grãos
  • Folhas e brotos de leguminosas
  • Insetos (gafanhotos e besouros)

Outros alimentos

  • Flores e frutos rasteiros
  • Pequenos vertebrados (lagartixas, rãs)
  • Grãos cultivados no inverno

Encontrado em 10 países

  • Espanha
  • Portugal
  • Marrocos
  • Alemanha
  • Hungria
  • Rússia
  • Turquia
  • Cazaquistão
  • Mongólia
  • China

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Otidiformes
Família
Otididae
Gênero
Otis
Espécie
Otis tarda

Resumo

  • A abetarda-comum é a ave voadora mais pesada do mundo, com forte dimorfismo sexual e plumagem camuflada para estepes abertas.
  • Vive em planícies e áreas agrícolas extensas da Europa e Ásia, com dieta onívora e comportamento arisco e gregário fora da época reprodutiva.
  • Está classificada como Vulnerável devido à perda de habitat, mecanização agrícola e mortalidade por colisão com infraestruturas humanas.

Características

Ficha da espécie

FamíliaOtididae
Origem e distribuiçãoEuropa, Norte da África e Ásia Central (da Península Ibérica à China)
HabitatEstepes, pseudo-estepes, planícies cerealíferas e pastagens abertas
Tamanho (comprimento)75 a 85 cm (fêmea) e 90 a 105 cm (macho)
Envergadura190 a 260 cm
Peso3,5 a 5 kg (fêmea) e 5,8 a 18 kg (macho)
Corescastanho-alaranjadobrancopretocinzabege
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza, até 28 anos em cativeiro
AlimentaçãoOnívora (sementes, brotos, insetos e pequenos vertebrados)
CantoPouco vocal; macho emite sons graves e surdos do tipo “umb” na exibição
Reprodução (ninho e ovos)Ninho no solo; 1 a 3 ovos oliváceos e bem camuflados; incubação de 21 a 28 dias
Comportamento socialGregária fora da reprodução; machos poligínicos e solitários na época de exibição
Variedades ou subespécies2 subespécies: Otis tarda tarda (oeste) e Otis tarda dybowskii (leste)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMédio
Intensidade do cantoMuito baixo
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeMédio
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a abetarda: tamanho e plumagem inconfundíveis

A abetarda-comum é inconfundível quando vista bem. O macho adulto pode pesar mais que o dobro da fêmea, um dos maiores dimorfismos sexuais entre aves voadoras.

Essa diferença é visível a olho nu. Machos têm pescoço mais grosso, peito com faixa castanha larga e bigodes brancos em forma de pincel nas laterais do bico, ausentes nas fêmeas e nos jovens.

A plumagem superior é castanho-alaranjada com barras pretas finas, que funciona como camuflagem perfeita em campos secos. O ventre e a base da cauda são brancos, e as asas exibem grande mancha branca e preta visível apenas em voo.

As pernas são longas, amareladas e sem penas, adaptadas para caminhar muito. O bico é curto, achatado e acinzentado, e os olhos são castanhos com íris clara.

Em voo, a abetarda parece enorme e pesada, com envergadura de até 2,6 metros e batidas de asa lentas e profundas. Apesar do peso, ela voa forte e pode atingir mais de 60 km/h.

Onde vive a abetarda: distribuição e habitat de estepe

A espécie ocorre de forma fragmentada da Península Ibérica e Marrocos até o noroeste da China e Mongólia. Cerca de 60% da população mundial está na Espanha e Portugal.

Seu habitat ideal é a estepe natural, pseudo-estepe e planície cerealífera extensiva, com vegetação baixa, boa visibilidade e pouca presença humana. Evita áreas florestadas, montanhosas ou muito urbanizadas.

No passado ocupava estepes contínuas. Hoje depende quase totalmente de sistemas agrícolas tradicionais de sequeiro, com rotação de cereais, pousios, alfafa e pastagens.

É extremamente sensível à perturbação. Abandona áreas com estradas, linhas elétricas, parques eólicos e tráfego intenso, mesmo que o habitat pareça intacto.

Na Península Ibérica é essencialmente residente, fazendo apenas deslocamentos curtos. Já as populações do leste, como a subespécie dybowskii, são migratórias e percorrem até 2.000 km para invernar no sul da China.

O que a abetarda come: dieta onívora e oportunista

A abetarda é onívora e muito oportunista, variando a dieta conforme a estação. Na primavera e verão predominam matéria vegetal verde e insetos.

Consome brotos, folhas de leguminosas como alfafa e ervilhaca, sementes, flores e frutos de plantas rasteiras. Essa base vegetal é complementada por gafanhotos, besouros, lagartas e formigas, cruciais para os filhotes.

Ocasionalmente captura pequenos vertebrados, como lagartixas, rãs, filhotes de outras aves e até pequenos roedores. Não precisa beber água diariamente, obtendo boa parte da hidratação dos alimentos.

No outono e inverno, quando os insetos somem, torna-se quase exclusivamente granívora e folívora, alimentando-se de grãos de cereal caídos, colza e folhas de couve.

Passa a maior parte do dia caminhando lentamente e bicando o solo, com o pescoço esticado. Usa a visão para detectar alimento e predadores a grande distância.

Comportamento e canto: discreta, mas gregária

Fora da época reprodutiva, a abetarda é gregária e forma bandos separados por sexo. Grupos de fêmeas com filhotes e bandos de machos solteiros podem reunir dezenas de indivíduos.

É uma das aves mais ariscas da Europa. Detecta pessoas a mais de 500 metros e foge caminhando ou voando baixo, o que dificulta a observação aproximada.

É quase silenciosa. Não tem canto melódico. O macho emite apenas sons graves e surdos, como um “umb” ou “oh” profundo, audível a pouca distância durante a exibição. Fêmeas e filhotes usam chamados suaves de contato.

Tem atividade diurna, com picos de alimentação ao amanhecer e ao entardecer. Nas horas mais quentes, descansa deitada na vegetação, confiando na camuflagem.

A comunicação é mais visual que vocal. Posturas corporais, abertura de asas e a exibição nupcial substituem o canto na disputa por território e parceiras.

A exibição do macho: um dos rituais mais impressionantes entre as aves

Entre março e maio, os machos se reúnem em áreas tradicionais chamadas leks ou arenas de exibição, usadas há décadas no mesmo local.

Cada macho ocupa um pequeno território e inicia a transformação: infla o saco gular, vira as asas ao avesso e eriça as plumas brancas até parecer uma enorme bola de espuma branca com pernas.

Nessa posição, com a cabeça recolhida e a cauda levantada, ele gira lentamente, dá pequenos saltos e emite estalos surdos. O objetivo é parecer o maior possível para as fêmeas que observam a distância.

As fêmeas visitam a arena, avaliam vários machos e escolhem apenas um para acasalar. O sistema é poligínico: poucos machos dominantes realizam a maioria das cópulas.

Após o acasalamento, não há vínculo. O macho não participa da incubação nem dos cuidados com os filhotes e volta a exibir-se para outras fêmeas.

Reprodução, ninho e filhotes

A fêmea faz um ninho extremamente simples no solo: uma leve depressão entre cereais, pousio ou pastagem, sem forro, quase invisível.

Põe geralmente 2 ovos, raramente 1 ou 3, de cor verde-oliva a marrom-clara com manchas escuras. A camuflagem é tão eficiente que o ninho só é encontrado quase pisando nele.

A incubação dura 21 a 28 dias e é feita apenas pela fêmea, que sai pouquíssimo para se alimentar e achata o corpo contra o solo se um predador se aproxima.

Os filhotes são nidífugos e já caminham horas após eclodir, seguindo a mãe. Nas primeiras duas semanas dependem quase exclusivamente de insetos, especialmente gafanhotos, para crescer rápido.

A mãe os guia por semanas, ensinando onde se alimentar e como se esconder. A mortalidade no primeiro mês é alta por predação, máquinas agrícolas e falta de insetos devido a pesticidas.

Migração e ciclo anual

O ciclo anual é marcado pela fidelidade aos locais. Adultos retornam ano após ano às mesmas áreas de exibição, nidificação e invernada.

Populações ibéricas e do norte da África são residentes com movimentos dispersivos curtos de até 100 km. Já as do leste da Rússia, Mongólia e China são migratórias de longa distância.

  • Março a maio: exibições nos leks e acasalamentos.
  • Maio a junho: postura e incubação.
  • Junho a agosto: crescimento dos filhotes e muda das penas dos adultos.
  • Setembro a fevereiro: formação de bandos e, nas populações orientais, migração para áreas de invernada.

Durante a muda, que ocorre no verão, os machos ficam temporariamente incapazes de voar por algumas semanas e tornam-se ainda mais reclusos.

Estado de conservação e por que a abetarda está ameaçada

A abetarda-comum é classificada como Vulnerável (VU) pela IUCN, com população global estimada entre 44.000 e 57.000 indivíduos e tendência de declínio.

A maior ameaça é a intensificação e abandono da agricultura tradicional. A substituição de mosaicos de cereal e pousio por regadio intensivo, vinhedos ou florestas elimina o habitat aberto.

Outros fatores críticos são a colisão com linhas elétricas e cercas, hoje a principal causa de mortalidade de adultos em muitos países, e a colisão com pás de aerogeradores.

A mecanização também destrói ninhos durante a colheita precoce e o uso de pesticidas reduz drasticamente os insetos necessários aos filhotes.

Medidas eficazes incluem soterramento ou sinalização de linhas elétricas, atraso da colheita, manutenção de pousios e compensação a agricultores que mantêm práticas extensivas. Em Portugal e Espanha, programas LIFE têm estabilizado alguns núcleos.

Espécies e confusões comuns

O termo abetarda designa toda a família Otididae, com 26 espécies. A abetarda-comum é apenas a maior delas, mas é frequentemente confundida com outras.

Espécie Nome científico Tamanho médio Traço distintivo
Abetarda-comum Otis tarda 75 a 105 cm Maior de todas; macho com bigodes brancos
Abetarda-de-barriga-preta Lissotis melanogaster 60 cm Barriga preta no macho; ocorre na África
Sisão Tetrax tetrax 40 a 45 cm Muito menor; macho com pescoço preto e colar branco
Abetarda-de-Kori Ardeotis kori 90 a 120 cm Maior da África; pescoço acinzentado e mais pesada

No Brasil não existe nenhuma abetarda nativa. A confusão costuma ser com emas, seriemas ou sisões em fotos, mas nenhuma atinge o porte e a envergadura da abetarda-comum.

Na nossa avaliação, a abetarda é o melhor exemplo de como a conservação de uma ave depende da conservação de uma paisagem agrícola inteira. Sem estepes abertas e tranquilas, não há display, não há ninho e não há futuro para a espécie.

Perguntas frequentes

Abetarda é a mesma coisa que sisão?

Não. O sisão (Tetrax tetrax) é da mesma família, mas muito menor, com 40 a 45 cm e pescoço preto no macho. A abetarda-comum é quase o dobro do tamanho e bem mais pesada.

Onde ver abetarda em Portugal e na Espanha?

Nas planícies alentejanas, como Castro Verde em Portugal, e nas estepes de Castilla y León, Extremadura e La Mancha na Espanha, sempre em áreas abertas e com pouca perturbação.

A abetarda existe no Brasil?

Não. Não há abetardas nativas no Brasil. Todos os registros são da Eurásia e Norte da África; no Brasil a ave pode ser vista apenas em zoológicos.

A abetarda pode ser criada em casa?

Não. É uma ave silvestre protegida, arisca e que precisa de quilômetros de estepe aberta. A criação em cativeiro só ocorre em centros de conservação autorizados e não é permitida como pet.

Por que a abetarda está ameaçada?

Principalmente pela perda de habitat com agricultura intensiva, colisão com linhas elétricas e parques eólicos, destruição de ninhos por máquinas e redução de insetos por pesticidas.

Quanto pesa uma abetarda?

Fêmeas pesam 3,5 a 5 kg e machos 5,8 a 18 kg. Machos grandes são as aves voadoras mais pesadas do mundo.

A abetarda migra?

Depende da população. As ibéricas são residentes, enquanto as do leste da Ásia migram longas distâncias para passar o inverno em áreas mais quentes.

Você sabia?

1

A ave voadora mais pesada

Machos grandes de abetarda já foram registrados com 18 a 19 kg, superando cisnes e condores em peso de voo. Fêmeas, com metade do peso, voam com muito mais facilidade.

2

Transformação em bola de espuma

Na exibição, o macho infla o esôfago com ar e vira as penas brancas das asas ao avesso, ficando irreconhecível. De longe parece um arbusto branco se movendo no campo.

3

Fidelidade extrema ao lek

O mesmo local de exibição pode ser usado por gerações há mais de 50 anos. Se a área for arada ou perturbada, os machos podem abandonar a reprodução naquele ano.

4

Colisões são a maior ameaça invisível

Estudos na Espanha mostram que até 30% das mortes de adultos são por choque com linhas elétricas, pois a ave tem visão frontal limitada e voa baixo entre áreas de alimentação.

Fontes

  1. IUCN Red List - Otis tarda
  2. BirdLife International
  3. Cornell Lab of Ornithology - Birds of the World
  4. WikiAves

Prós e contras: Abetarda

Prós

  • Maior ave voadora da Europa, com exibição nupcial espetacular
  • Indicadora de ecossistemas de estepe saudáveis e agricultura extensiva
  • Dieta onívora ajuda no controle natural de insetos
  • Fidelidade a áreas tradicionais facilita monitoramento e conservação
  • Voo poderoso apesar do grande peso

Contras

  • Extremamente arisca e sensível à presença humana
  • Precisa de áreas abertas enormes e contínuas
  • Alta mortalidade por colisão com linhas elétricas e aerogeradores
  • Reprodução lenta: maturidade tardia e poucos ovos por ano
  • Dependente de práticas agrícolas tradicionais em declínio
Nossa opinião

A abetarda impressiona menos pelo canto e mais pelo porte e pelo teatro nupcial, que é único entre as aves europeias. Na nossa avaliação, é uma espécie-bandeira das planícies abertas: protegê-la exige manter agricultura extensiva e paisagens silenciosas, não apenas criar reservas.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.