🦜 Aves e Pássaros

Coleirinho

Sporophila caerulescens

Atualizado em

10 a 12 cmTamanho
8 a 12 gPeso
5 a 8 anos na naturezaExpectativa de vida
Forte e repetitivo tui-tuiCanto
Campos e cerrados abertosHabitat
Coleirinho macho adulto com dupla coleira preta pousado em haste de capim

O coleirinho (Sporophila caerulescens) é um dos pássaros silvestres mais conhecidos do Brasil. Pequeno, com cerca de 11 cm, o macho se destaca pela cabeça preta, garganta branca e as duas coleiras pretas que dão nome à espécie, enquanto a fêmea é toda parda e discreta.

Famoso pelo canto forte e repetitivo, o coleirinho ocupa campos, cerrados, capoeiras e até áreas urbanas de quase todo o país. É granívoro, migratório e tem reprodução rápida, mas sua popularidade como ave de canto o torna alvo frequente de captura ilegal.

Também conhecido como: Papa-capim, Coleiro, Coleirinha, Papa-arroz, Double-collared Seedeater (inglês), Corbatita común (espanhol)

Faz parte de: Aves Migratórias

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Galeria de fotos de Coleirinho

Coleirinho macho adulto com dupla coleira preta pousado em haste de capim
Macho adulto de coleirinho com as duas coleiras pretas características.
Close da cabeça e bico do coleirinho macho
Detalhe da cabeça preta e do bico curto adaptado a sementes.
Coleirinho em voo sobre campo aberto
Coleirinho em voo, com asas curtas e voo rápido e ondulado.
Coleirinho em habitat natural de cerrado com gramíneas
Habitat típico: campos e cerrados com gramíneas nativas.
Coleirinho se alimentando de sementes de capim
Alimentação granívora em sementes de gramíneas.
Ninho em forma de taça do coleirinho com ovos manchados
Ninho frágil em arbusto baixo com 2 ovos claros manchados.
Comparação da plumagem do macho e da fêmea de coleirinho
Diferença entre macho preto e branco e fêmea parda.

Como cuidar

Ambiente
Viveiro de no mínimo 60 cm com poleiros de diferentes diâmetros, área de banho e sol matinal
Alimentação
Mix para Sporophila + sementes de gramíneas nativas; folhas verdes 2x por semana
Higiene e saúde
Troca diária de água, limpeza de poleiros e controle veterinário de ácaros e fungos
Manejo
Evitar superlotação e gaiolas escuras; respeitar período de muda e migração

Perfil rápido de Coleirinho

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável, mas com declínio local por captura e perda de campos nativos.

População
Estável com declínio localizado
Protegido por
Lei de Proteção à Fauna e controle pelo SISPASS/IBAMA

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Migração para o norteJFMAMJJASOND
Retorno e início do canto territorialJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
5 a 8 anos
Em cativeiro legalizado
8 a 12 anos, com manejo adequado

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal, macho territorial com canto e voo de exibição
Estrutura social
Par isolado na reprodução; bandos de 10 a 50 aves fora da estação
Padrão sazonal
Reproduz de outubro a fevereiro, na estação chuvosa
Tipo de nascimento
Ovíparo, 2 a 3 ovos por ninhada, até 3 ninhadas por ano
Ninhada
Incubação 12-13 dias só pela fêmea; filhotes saem do ninho com 10-13 dias

Habitat

Ambientes

  • Campos naturais e pastagens
  • Cerrados ralos e capoeiras
  • Bordas de matas e áreas agrícolas
  • Terrenos baldios e praças urbanas com gramíneas

Biomas

  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes de gramíneas (capim-navalha, braquiária, colonião, milheto)

Outros alimentos

  • Pequenos insetos na fase de filhotes
  • Brotos tenros e farinhada de ovo em cativeiro

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Como animal de estimação

Adequação
Baixa para pet convencional; ave silvestre de canto territorial
Legalidade no Brasil
Só com anilha e origem SISPASS/IBAMA; captura na natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Médio a alto: exige viveiro, dieta variada de sementes, sol e manejo do canto
Custo de aquisição
Apenas via criador legalizado; sem comércio de aves de natureza

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Thraupidae
Gênero
Sporophila
Espécie
Sporophila caerulescens (Vieillot, 1823)

Resumo

  • O coleirinho é um pássaro de 10 a 12 cm da família Thraupidae, com macho preto e branco de dupla coleira e fêmea parda.
  • Vive em campos, cerrados e áreas abertas de quase todo o Brasil e migra para o norte no outono-inverno.
  • É famoso pelo canto tui-tui com dialetos regionais e só pode ser criado com autorização do IBAMA via SISPASS.

Características

Ficha da espécie

FamíliaThraupidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia
HabitatCampos naturais, cerrados, capoeiras, bordas de mata e áreas urbanas com gramíneas
Tamanho10 a 12 cm de comprimento
Envergadura16 a 19 cm
Peso8 a 12 g
Coresmacho: pretobrancocinzafêmeajovem: pardoolivabege
Expectativa de vida5 a 8 anos na natureza; até 12 anos em criação legalizada
AlimentaçãoGranívora: sementes de gramíneas, principalmente capim-navalha e braquiária
CantoRepetitivo, agudo e alto; estrofe curta tui-tui com variações regionais
ReproduçãoNinho em taça baixa; 2 a 3 ovos claros com manchas marrons; incubação 12 a 13 dias
Comportamento socialVive em bandos fora da reprodução; territorial na época de canto
Subespécies3 reconhecidas: S. c. caerulescens, S. c. hellmayri e S. c. yungae

Perfil e comportamento

SociabilidadeAlto
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMédio
Necessidade de espaçoBaixo
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsBaixo

Como reconhecer o coleirinho: tamanho, cores e diferenças entre macho e fêmea

O coleirinho é pequeno e leve, com 10 a 12 cm e 8 a 12 g. O bico é curto, grosso e amarelado, típico de papa-capim, adaptado para quebrar sementes.

O macho adulto é inconfundível: cabeça e peito pretos, garganta e barriga brancas e duas coleiras pretas bem marcadas — uma ao redor do pescoço e outra no peito. As costas são cinza-escuro e a cauda é preta curta.

A fêmea e o jovem são totalmente diferentes: pardo-oliváceos por cima e bege-claro por baixo, sem coleira. Essa plumagem apagada confunde até observadores experientes, pois é quase idêntica à de outros Sporophila como o coleirinho-do-brejo e o caboclinho.

Para não errar, observe três detalhes: bico amarelo-palha, ausência de manchas brancas na asa e canto. Fêmeas não cantam a estrofe completa, apenas piados curtos.

Onde o coleirinho vive e por que está em todo o Brasil

O coleirinho ocorre de Roraima ao Rio Grande do Sul, mas é mais abundante no Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Também vive no Paraguai, norte da Argentina, Uruguai e leste da Bolívia.

Seu habitat preferido são áreas abertas com gramíneas: campos naturais, cerrados ralos, pastagens, capoeiras, beiras de estrada e terrenos baldios urbanos. Evita mata fechada e precisa de moitas baixas para nidificar.

É uma das aves silvestres mais tolerantes à urbanização. Em cidades do interior, é comum vê-lo em bandos comendo sementes de braquiária em calçadas e praças, o que explica por que tanta gente o conhece pelo canto mesmo sem ir ao campo.

O canto do coleirinho: o famoso tui-tui e os dialetos regionais

O canto é o motivo da fama e da captura ilegal. É alto, metálico e repetitivo, com frases curtas do tipo tui-tui-tchê-tchê ou ti-ti-ti-tui, repetidas dezenas de vezes sem intervalo.

Cada macho tem repertório próprio e há dialetos regionais claros. Aves do Sudeste costumam ter canto mais acelerado e com final arrematado, enquanto aves do Sul apresentam notas mais espaçadas. Criadores chamam esses tipos de coleirinho tui-tui, tui-tui-zero e grego.

O canto tem função territorial e só o macho canta forte, principalmente entre agosto e fevereiro. Fora da estação reprodutiva, o bando fica silencioso. Filhotes aprendem o canto ouvindo o pai e machos vizinhos nos primeiros 60 a 90 dias de vida.

  • Intensidade: ouvida a mais de 50 metros em área aberta.
  • Horário: pico ao amanhecer e no fim da tarde.
  • Erro comum: achar que fêmea canta igual; ela só emite chamados curtos.

O que o coleirinho come na natureza e na criação legalizada

Na natureza é essencialmente granívoro. Passa boa parte do dia no chão ou em hastes de capim, debulhando sementes de gramíneas nativas como capim-navalha, capim-mimoso e colonião.

Complementa raramente com pequenos insetos e brotos na época de alimentação dos filhotes, para aporte de proteína. Não é frugívoro e não se alimenta de néctar.

Em criação autorizada, a base deve ser mix de sementes para Sporophila (alpiste, painço, milheto e perila) mais sementes de gramíneas nativas. Folhas de chicória, couve e farinhada de ovo são oferecidas apenas como complemento e água limpa deve estar sempre disponível.

Aves capturadas e alimentadas só com alpiste puro desenvolvem deficiência nutricional e obesidade. A variedade de sementes é essencial para manter o bico e a plumagem saudáveis.

Reprodução, ninho e filhotes: ciclo rápido e baixo

A estação reprodutiva vai de outubro a fevereiro no Brasil central e Sudeste, coincidindo com a chuva e a oferta de sementes. O macho demarca território cantando em poleiro exposto e faz voos curtos de exibição.

O ninho é uma taça pequena e frágil, feita pela fêmea com fibras secas, raízes finas e teias de aranha, a 1 a 2 metros do solo em arbustos ou moitas de capim alto. É tão ralo que muitas vezes dá para ver os ovos por baixo.

A postura é de 2 a 3 ovos branco-esverdeados com manchas marrons. A incubação dura 12 a 13 dias e é feita só pela fêmea. Os filhotes nascem cegos, com penugem amarelada, e deixam o ninho com 10 a 13 dias, ainda incapazes de voar bem.

O casal pode fazer 2 a 3 ninhadas por temporada se houver alimento. Essa estratégia compensa a alta predação de ninhos baixos por cobras, lagartos e roedores.

Como diferenciar filhote de fêmea

Filhotes de ambos os sexos nascem pardos como a fêmea. Só após a primeira muda, entre 4 e 6 meses, o macho começa a mostrar penas pretas na cabeça. A muda completa para plumagem adulta ocorre perto dos 10 a 12 meses.

Migração e ciclo anual: para onde ele vai no inverno

O coleirinho é migratório parcial. Populações do Sul e Sudeste migram para o norte e centro do Brasil entre abril e julho, quando as gramíneas secam e as sementes escasseiam.

Durante a migração forma bandos de 20 a 50 indivíduos, misturados a outros papa-capins como o caboclinho e o baiano. Nessa fase ficam silenciosos e quase imperceptíveis, alimentando-se em áreas de Cerrado e Caatinga.

O retorno ao sul ocorre entre agosto e setembro, quando os machos já chegam cantando e disputando poleiros. Esse ciclo explica por que ele some de certas regiões no inverno e reaparece cantando forte na primavera.

Estudos com anilhamento mostram deslocamentos de mais de 1.500 km entre o Rio Grande do Sul e o Maranhão.

Coleirinho e coleiro são a mesma ave? Diferenças para não confundir

Não. São espécies diferentes, mas muito confundidas. O coleirinho é Sporophila caerulescens e o coleiro ou coleirinho-do-brejo é Sporophila collaris. O erro é comum porque ambos têm coleira.

Característica Coleirinho (S. caerulescens) Coleiro (S. collaris)
Coleira Dupla e fina, preta Única e larga, preta
Barriga Branca Canela-alaranjada
Bico Amarelo-palha Preto e amarelo
Canto Tui-tui repetitivo Assobio mais melodioso e variado
Habitat Campos secos e áreas urbanas Brejos, taboas e capinzais úmidos

Na nossa avaliação, a confusão vem do comércio ilegal, que vende qualquer Sporophila pardo como coleirinho. Observar cor da barriga e do bico é o jeito mais rápido de separar as duas espécies em campo.

Posso criar coleirinho em casa? Legalidade, SISPASS e conservação

O coleirinho é ave silvestre nativa protegida por lei. Capturar, manter ou vender ave da natureza sem autorização é crime ambiental (Lei 9.605/98).

A criação só é legal se a ave vier de criador comercial autorizado ou criador amador cadastrado no SISPASS/IBAMA, com anilha fechada e nota fiscal. O sistema controla plantel, reprodução e transporte, e exige recadastramento anual.

Mesmo legalizado, não é ave para iniciante sem tempo. Exige viveiro com poleiros variados, sol matinal, banho diário e dieta de sementes nativas. Gaiolas pequenas e escuras causam estresse, canto fraco e doenças respiratórias.

A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas populações locais diminuem onde a captura é intensa e onde campos nativos viram monocultura. Proteger áreas de gramíneas e denunciar comércio ilegal são medidas mais eficazes que manter aves em casa.

Perguntas frequentes

Coleirinho e papa-capim são a mesma coisa?

Sim. Coleirinho, papa-capim e coleirinha são nomes populares para Sporophila caerulescens. Papa-capim também é usado para outras espécies do gênero.

Como diferenciar macho e fêmea de coleirinho?

Macho adulto tem cabeça preta, garganta branca e duas coleiras pretas. Fêmea e filhote são pardos, sem coleira e com bico amarelo-palha.

O coleirinho canta o ano todo?

Não. Canta forte de agosto a fevereiro, na época de território e reprodução. No inverno, em bando migratório, fica quase silencioso.

É crime criar coleirinho?

Criar ave capturada na natureza é crime ambiental. Só é legal ter ave anilhada de criador autorizado e cadastrado no SISPASS/IBAMA.

O que o coleirinho come?

Principalmente sementes de gramíneas como capim-navalha e braquiária. Em cativeiro precisa de mix variado para Sporophila, não só alpiste.

Quanto tempo vive um coleirinho?

De 5 a 8 anos na natureza e até 12 anos em criação legalizada com manejo correto.

Qual a diferença entre coleirinho e coleiro?

O coleirinho (S. caerulescens) tem barriga branca e dupla coleira fina; o coleiro (S. collaris) tem barriga canela e coleira única e larga, além de viver em brejos.

Você sabia?

1

Duas coleiras de verdade

O macho é o único Sporophila do Brasil com duas faixas pretas separadas no pescoço e no peito; as outras espécies têm apenas uma.

2

Dialetos que entregam a origem

O canto varia tanto por região que criadores e ornitólogos conseguem dizer se a ave nasceu no Sudeste ou no Sul só ouvindo a estrofe.

3

Ninho transparente

O ninho em forma de taça é tão ralo e mal tecido que os ovos podem ser vistos por baixo, contra a luz.

4

Viajante de longa distância

Mesmo pesando 10 gramas, bandos migram mais de 1.500 km entre o Pampa e o Nordeste a cada inverno.

Fontes

  1. IUCN Red List / BirdLife - Sporophila caerulescens
  2. WikiAves - Coleirinho
  3. CBRO - Lista de Aves do Brasil
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Coleirinho

Prós

  • Canto forte e marcante, fácil de ouvir e identificar
  • Muito adaptável, ocorre em quase todo o Brasil inclusive em cidades
  • Ótimo para observação e introdução à ornitologia
  • Ciclo reprodutivo rápido e bem estudado
  • Migratório, ajuda a entender deslocamentos de aves campestres

Contras

  • Macho territorial, não convive bem com outro macho no mesmo viveiro
  • Fêmea e jovem muito parecidos com outras espécies, difícil identificação
  • Alvo frequente de tráfico por causa do canto
  • Exige autorização legal (SISPASS) para criação
  • Sofre com perda de campos nativos e uso de agrotóxicos em pastagens
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o coleirinho é a melhor porta de entrada para entender os papa-capins brasileiros, justamente por ser comum e fácil de observar. Sua popularidade, porém, é sua maior ameaça: sem controle do SISPASS e sem campos nativos preservados, o tui-tui some rápido da paisagem sonora.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.