🦜 Aves e Pássaros

Pato-mergulhão

Mergus octosetaceus

Atualizado em

49 a 56 cmTamanho
600 a 700 gPeso
10 a 15 anosExpectativa de vida
Áspero e curtoCanto
Rios limpos do CerradoHabitat
Pato-mergulhão de corpo inteiro em pedra no rio cristalino do Cerrado

O pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) é uma ave aquática extremamente rara, considerada um dos patos mais ameaçados do mundo. Endêmico da América do Sul, hoje sobrevive quase exclusivamente em rios de águas cristalinas do Cerrado brasileiro.

Discreto, territorialista e excelente mergulhador, ele depende de rios limpos, com corredeiras e mata ciliar preservada. Cada casal defende quilômetros de rio e se alimenta quase só de peixes capturados em mergulhos rápidos. Ver um na natureza é um privilégio para poucos observadores.

Também conhecido como: Pato-mergulhão-brasileiro, Brazilian Merganser

Faz parte de: Aves Aquáticas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Pato-mergulhão

Pato-mergulhão de corpo inteiro em pedra no rio cristalino do Cerrado
Pato-mergulhão adulto em seu habitat típico de rio com corredeiras.
Close da cabeça do pato-mergulhão mostrando bico serrilhado e penacho verde
Detalhe da cabeça com o bico serrilhado adaptado para segurar peixes.
Pato-mergulhão mergulhando em rio cristalino caçando peixe
Mergulho característico para capturar peixes em poços transparentes.
Fêmea de pato-mergulhão com filhotes nadando no rio
Fêmea com filhotes poucos dias após deixarem o ninho no oco.
Oco de árvore usado como ninho pelo pato-mergulhão perto do rio
Oco em árvore na mata ciliar onde a espécie faz o ninho.
Pato-mergulhão em voo baixo sobre o rio do Cerrado
Voo rápido e baixo sobre o rio, com o espelho branco da asa visível.

Perfil rápido de Pato-mergulhão

Estado de conservação

CR
Criticamente em Perigo

Risco extremamente alto de extinção na natureza em futuro imediato.

População
Decrescente
Protegido por
Sim

Calendário

Reprodução e posturaJFMAMJJASOND
Incubação e cuidado com filhotesJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro autorizado
Dados escassos, estimado até 15 anos

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, casal estável e territorial
Estrutura social
Casal isolado, defende território linear de rio
Padrão sazonal
Reproduz na seca, de junho a setembro
Tipo de nascimento
Ovíparo, em oco de árvore ou fenda de rocha
Ninhada
3 a 6 ovos creme; incubação ~32 dias; filhotes nidífugos saltam do ninho no 2º dia

Habitat

Ambientes

  • Rios de cabeceira com corredeiras e poços cristalinos
  • Cachoeiras e trechos encachoeirados
  • Margens com mata ciliar preservada e árvores ocas

Biomas

  • Cerrado
  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pequenos de água doce (lambaris e piabas)
  • Larvas de insetos aquáticos

Outros alimentos

  • Pequenos crustáceos
  • Moluscos aquáticos

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não adequado; ave silvestre criticamente ameaçada
Legalidade no Brasil
Proibida a captura, compra e manutenção; crime ambiental; apenas projetos científicos com autorização IBAMA/ICMBio
Nível de cuidado
Extremamente alto; exige rio de corredeira com água cristalina e peixes vivos
Observação responsável
Apenas com guias autorizados e à distância, sem alimentar ou perseguir

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Anseriformes
Família
Anatidae
Gênero
Mergus
Espécie
Mergus octosetaceus

Resumo

  • O pato-mergulhão é um pato mergulhador raro do Cerrado, com bico fino e serrilhado e penacho verde-escuro na cabeça.
  • Vive em casais territoriais ao longo de rios limpos e encachoeirados, onde mergulha para capturar peixes pequenos.
  • Está criticamente em perigo de extinção, com menos de 250 indivíduos adultos na natureza, e sua criação em casa é proibida por lei.

Características

Ficha da espécie

FamíliaAnatidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul; hoje quase restrito ao Brasil central (Serra da Canastra, Chapada dos Veadeiros e Jalapão)
HabitatRios de cabeceira com águas cristalinas, corredeiras e mata ciliar no Cerrado e transição com Mata Atlântica
Tamanho49 a 56 cm de comprimento
Envergadura70 a 77 cm
Peso600 a 700 g
Coresverde-escuropretocinzabrancocastanho-avermelhado
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza
AlimentaçãoPiscívora: peixes pequenos, larvas de insetos aquáticos e pequenos crustáceos
CantoVocalização curta, áspera e aguda, tipo krack-krack, mais ouvida em alarme
ReproduçãoMonogâmica; ninho em oco de árvore ou fenda de rocha; 3 a 6 ovos; incubação cerca de 32 dias
Comportamento socialVive em casais territoriais estáveis, defende 8 a 12 km de rio
Variedades ou subespéciesNenhuma subespécie reconhecida; espécie monotípica

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoBaixo
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

O que é o pato-mergulhão e por que ele é tão raro

O pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) é um dos patos mais raros e ameaçados do planeta. É um mergulhão verdadeiro, do mesmo gênero dos mergansers do Hemisfério Norte, mas o único que ocorre no Hemisfério Sul.

Ele foi descrito em 1817 e chegou a ser considerado extinto entre as décadas de 1940 e 1950. Redescoberto na região da Serra da Canastra, em Minas Gerais, tornou-se símbolo da conservação de rios do Cerrado.

Na nossa avaliação, ele é um bioindicador implacável: onde o pato-mergulhão sobrevive, o rio está saudável. Onde ele some, o ecossistema já entrou em colapso silencioso.

Como identificar: tamanho, cores e características físicas

É um pato de tamanho médio, entre 49 e 56 cm, mais esguio que um pato doméstico. O corpo é alongado e hidrodinâmico, feito para cortar a correnteza.

A plumagem é predominantemente verde-escuro brilhante na cabeça e pescoço, com um penacho fino e arrepiado na nuca. O dorso é cinza-escuro e o peito é cinza-claro finamente estriado. O ventre é mais claro, quase esbranquiçado.

O detalhe que não deixa dúvida é o bico longo, fino e serrilhado, preto com bordas avermelhadas, com cerca de 30 dentículos em cada lado. Essa serra funciona como uma pinça para segurar peixes escorregadios.

Os olhos são escuros, as pernas e os pés são avermelhados e as asas mostram um espelho branco bem visível em voo. Macho e fêmea são muito parecidos, mas o macho tem o penacho ligeiramente mais longo e a cabeça mais verde.

Filhotes têm penugem escura no dorso e clara no ventre, com uma máscara escura nos olhos. Já nadam e mergulham no primeiro dia de vida.

Onde vive: habitat e distribuição atual no Brasil

O pato-mergulhão é especialista em rios de cabeceira com águas cristalinas, corredeiras, poços profundos e cachoeiras. Ele não vive em lagos, represas ou brejos parados.

Precisa de mata ciliar preservada para fazer ninho em ocos de árvores grandes, como jequitibás e ingás, e também usa fendas em paredões rochosos. Sem árvore oca perto do rio, não há reprodução.

Sua distribuição histórica incluía Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Paraná, Santa Catarina e partes da Argentina e Paraguai. Hoje está extinto em mais de 80% dessa área.

As populações remanescentes mais importantes estão no Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) e na região do Jalapão (TO). Estimativas recentes apontam menos de 250 indivíduos maduros na natureza, divididos em subpopulações isoladas.

Cada casal é extremamente territorial e defende 8 a 12 km lineares de rio o ano inteiro. Isso explica por que a espécie nunca foi abundante, mesmo antes da ação humana.

O que come e como caça mergulhando

É um piscívoro quase exclusivo. Cerca de 90% da dieta são peixes pequenos, principalmente lambaris e piabas de 3 a 10 cm, além de larvas de libélulas, besouros aquáticos e pequenos crustáceos.

A técnica de caça é o mergulho ativo. Ele afunda o corpo, nada submerso com forte impulso dos pés e persegue a presa sob a água por até 20 segundos. O bico serrilhado impede a fuga.

Caça preferencialmente em poços transparentes abaixo de corredeiras, onde a visibilidade é total. Em rios turvos por assoreamento ou esgoto, simplesmente não consegue se alimentar.

Costuma se alimentar nas primeiras horas da manhã e no final da tarde. No meio do dia, descansa em pedras no meio do rio, sempre atento.

Comportamento, canto e vida em casal territorial

O pato-mergulhão vive em casais monogâmicos e fiéis ao território. O vínculo do casal pode durar várias temporadas e ambos defendem o trecho de rio juntos.

É uma ave arisca e silenciosa. Não forma bandos. Fora da época reprodutiva, o casal permanece junto, mas raramente se junta a outros casais. Encontros entre vizinhos terminam em perseguições rápidas sobre a água.

O canto é pouco conhecido do público. É um krack-krack áspero, curto e agudo, emitido principalmente em situação de alarme ou durante voos territoriais. Não é um pato vocal como marrecos domésticos.

Em voo, é rápido e baixo sobre o rio, com batidas de asa firmes. Nada com o corpo bem baixo na água e mergulha ao menor sinal de perigo, podendo ficar submerso e reaparecer metros adiante.

Reprodução, ninhos em ocos e cuidado com os filhotes

A estação reprodutiva vai de junho a setembro, no auge da seca no Cerrado, quando o nível do rio está baixo e estável e os ocos ficam seguros.

O ninho é feito em oco natural de árvore alta ou em fenda de rochedo, sempre a poucos metros da água, entre 3 e 12 metros de altura. A fêmea forra o fundo com penugem.

A postura é de 3 a 6 ovos de cor creme, incubados apenas pela fêmea por cerca de 32 dias, enquanto o macho vigia o território nas proximidades.

Um comportamento impressionante acontece no segundo dia após a eclosão: os filhotes pulam do oco, mesmo de alturas de até 10 metros, guiados pelo chamado da mãe na água. São leves o suficiente para não se machucarem e já seguem a mãe nadando e mergulhando.

A família permanece unida por cerca de 3 a 4 meses. A taxa de sobrevivência dos filhotes é baixa, e a perda de um único ninho tem impacto grande numa população tão pequena.

É possível ter pato-mergulhão em casa? Legalidade e cuidados

Não. O pato-mergulhão é uma ave silvestre criticamente ameaçada e protegida por lei. Sua captura, manutenção, compra ou venda são crime ambiental no Brasil, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98).

Não existe criação legalizada para pet. Apenas instituições autorizadas pelo IBAMA e ICMBio, com finalidade científica e de conservação, podem mantê-lo, e mesmo assim com extrema dificuldade. Ele exige rio corrente, água limpa e peixes vivos, condições impossíveis de replicar em cativeiro doméstico.

Tentar criar um pato-mergulhão em casa levaria à morte rápida do animal e a sanções legais graves para o tutor. A melhor forma de ajudar é apoiar projetos de conservação e não perturbar rios onde ele ocorre.

Conservação e principais ameaças

Classificado como Criticamente em Perigo (CR) pela IUCN, o pato-mergulhão é uma das aves aquáticas mais ameaçadas das Américas. A tendência populacional é de declínio contínuo.

As maiores ameaças são a construção de hidrelétricas e PCHs, que alagam corredeiras e transformam rios em lagos parados, o assoreamento por desmatamento, o uso de agrotóxicos, o turismo desordenado em rios e a extração de areia e diamantes.

Projetos como o Programa Pato-Mergulhão do ICMBio e do Instituto Terra Brasilis monitoram ninhos, instalam caixas-ninho artificiais em árvores e trabalham com proprietários rurais para recuperar mata ciliar. O ecoturismo controlado na Serra da Canastra também ajuda a financiar a proteção.

Sem rios livres e limpos, não há pato-mergulhão. Proteger essa ave significa proteger toda a bacia hidrográfica do Cerrado, da nascente à foz.

Perguntas frequentes

Onde o pato-mergulhão vive no Brasil hoje?

Principalmente na Serra da Canastra (MG), Chapada dos Veadeiros (GO) e Jalapão (TO), sempre em rios de cabeceira com água cristalina e corredeiras.

Quantos pato-mergulhões existem na natureza?

Menos de 250 indivíduos adultos, segundo a IUCN/BirdLife, divididos em populações pequenas e isoladas. É um dos patos mais raros do mundo.

O que o pato-mergulhão come?

Quase só peixes pequenos de 3 a 10 cm, como lambaris, além de larvas de insetos aquáticos e pequenos crustáceos capturados em mergulho.

Por que ele está em extinção?

Por desmatamento da mata ciliar, assoreamento, poluição, hidrelétricas que alagam corredeiras e turismo desordenado nos rios.

Pode criar pato-mergulhão em casa?

Não. É crime ambiental capturar, comprar ou manter a espécie. Só instituições científicas com autorização do IBAMA/ICMBio podem manejá-la para conservação.

Como diferenciar o pato-mergulhão de outros patos?

Pelo bico longo e fino com bordas serrilhadas, penacho verde-escuro na cabeça, corpo esguio e hábito de mergulhar em corredeiras de rios limpos.

Você sabia?

1

O pato que indica rio saudável

Ele só vive em rios com água cristalina. Se a água fica turva por assoreamento, ele abandona o local porque não consegue enxergar os peixes para caçar.

2

Salto de fé dos filhotes

Com apenas 1 a 2 dias de vida, os filhotes se jogam de ocos a até 10 metros de altura para alcançar a água, amortecendo a queda com a penugem leve.

3

Território quilométrico

Um único casal precisa de 8 a 12 km de rio preservado só para si. Essa exigência enorme explica por que a espécie nunca foi comum.

4

Bico com serra de verdade

O bico tem cerca de 30 dentículos afiados em cada lado, como uma serra, que travam peixes escorregadios durante o mergulho.

Fontes

  1. IUCN Red List - Mergus octosetaceus
  2. BirdLife International
  3. ICMBio / WikiAves

Prós e contras: Pato-mergulhão

Prós

  • Bioindicador de rios saudáveis e preservados
  • Comportamento fascinante de mergulho e caça subaquática
  • Símbolo forte para conservação do Cerrado
  • Fidelidade do casal ao território facilita monitoramento
  • Atrai ecoturismo responsável e pesquisa científica

Contras

  • Extremamente raro e difícil de avistar
  • Exige rios extensos e intocados, muito sensível a alterações
  • Não se adapta a cativeiro ou ambientes urbanos
  • População muito pequena e fragmentada, vulnerável a eventos locais
  • Reprodução lenta, com poucos ovos por ano
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pato-mergulhão é a ave mais emblemática do Cerrado para entender a crise dos rios brasileiros. Protegê-lo exige mais do que proibir a caça: exige manter rios livres, sem barragens desnecessárias e com mata ciliar de pé.

Continue explorando: Aves e Pássaros

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.