🦜 Aves e Pássaros

Asa-de-telha

Agelasticus thilius

Atualizado em

18 a 19 cmTamanho
28 a 42 gPeso
7 a 10 anosExpectativa de vida
Forte e melodiosoCanto
Banhados e taboaisHabitat
Asa-de-telha macho pousado em junco mostrando mancha amarela da asa

A asa-de-telha (Agelasticus thilius) é um pássaro pequeno e paludícola muito comum nos banhados e taboais do Sul do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. O macho é inconfundível, todo preto com uma mancha amarela intensa nos ombros, enquanto a fêmea tem plumagem críptica e listrada que faz muita gente achar que são duas espécies diferentes.

Vive sempre associada à água, em juncos, arrozais e margens de lagoas, onde se alimenta de insetos e sementes e constrói ninhos amarrados na vegetação aquática. Tem canto forte e territorial, vive em colônias pequenas e, apesar da distribuição ampla, é pouco conhecida fora das áreas alagadas.

Também conhecido como: Sargento, Alferes, Soldadinho-do-banhado, Trile (Chile)

Faz parte de: Aves Aquáticas

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Galeria de fotos de Asa-de-telha

Asa-de-telha macho pousado em junco mostrando mancha amarela da asa
Macho de asa-de-telha com a característica mancha amarela na asa.
Close da cabeça da asa-de-telha macho
Detalhe da cabeça e bico do macho preto brilhante.
Fêmea de asa-de-telha listrada pousada na taboa
Fêmea com plumagem listrada críptica, bem diferente do macho.
Asa-de-telha em voo sobre banhado exibindo asa amarela
Em voo a mancha amarela da asa fica bem evidente.
Ninho de asa-de-telha amarrado entre juncos com ovos
Ninho em forma de taça ancorado entre juncos sobre a água.
Asa-de-telha se alimentando de inseto no brejo
Alimentação à base de insetos e larvas capturados no juncal.

Perfil rápido de Asa-de-telha

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável, mas dependente de áreas úmidas preservadas.

População
estável
Protegido por
sim

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND
Movimentos sazonaisJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
7 a 10 anos; mortalidade alta no primeiro ano por predação de ninhos

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico a poligínico; macho defende território e atrai 1 a 3 fêmeas
Estrutura social
Colonial frouxa, com territórios individuais bem delimitados
Padrão sazonal
Sazonal, de setembro a fevereiro no sul do Brasil
Tipo de nascimento
Ovíparo com incubação apenas da fêmea
Ninhada
2 a 4 ovos azul-claros com manchas escuras; 1 a 2 ninhadas por temporada
Incubação e filhotes
12 a 13 dias de incubação; filhotes deixam o ninho com 11 a 14 dias

Habitat

Ambientes

  • Banhados e brejos permanentes
  • Taboais e juncais densos
  • Margens de lagoas e esteros
  • Arrozais irrigados e canais

Biomas

  • Pampa
  • Mata Atlântica
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos aquáticos
  • Larvas e aranhas
  • Sementes de taboa e junco

Outros alimentos

  • Grãos de arroz
  • Pequenos frutos

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Chile
  • Uruguai
  • Paraguai
  • Bolívia

Como animal de estimação

Adequação
Não é ave de estimação; silvestre e dependente de banhado
Legalidade no Brasil
Protegida por lei; captura e comércio sem autorização do IBAMA são crime ambiental
Nível de cuidado
Muito alto em cativeiro; exige ambiente alagado, dieta viva e manejo em colônia
Observação responsável
Prefira observação em vida livre com binóculo e fotografia em áreas úmidas protegidas

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Icteridae
Gênero
Agelasticus
Espécie
Agelasticus thilius

Resumo

  • A asa-de-telha é um icterídeo de 18 a 19 cm dos banhados sul-americanos, com forte dimorfismo sexual entre macho preto de ombro amarelo e fêmea listrada.
  • Vive em brejos, taboais e arrozais do Sul e Sudeste do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia, onde nidifica em colônias sobre juncos.
  • Tem canto melodioso e territorial, dieta onívora de insetos e sementes e status de conservação Pouco Preocupante, mas depende de áreas úmidas preservadas.

Características

Ficha da espécie

FamíliaIcteridae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul: Brasil (Sul e Sudeste), Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia
HabitatBanhados, brejos, taboais, juncais, margens de lagoas e arrozais
Tamanho (comprimento)18 a 19 cm
Envergadura23 a 27 cm
Peso28 a 42 g
Coresmacho: pretoamarelofêmeajovem: marrompretobegeamarelo pálido
Expectativa de vida7 a 10 anos na natureza
AlimentaçãoOnívora: insetos, larvas, sementes e pequenos frutos
CantoAssobio melodioso e repetitivo, com notas metálicas
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em forma de taça ancorado em juncos; 2 a 4 ovos azul-claros com manchas escuras
Comportamento socialColonial e territorial; macho pode ser poligínico
Variedades ou subespécies3 subespécies reconhecidas: A. t. thilius, A. t. altiparvus e A. t. petersii

Perfil e comportamento

SociabilidadeAlto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a asa-de-telha: macho, fêmea e jovem

A identificação da asa-de-telha confunde iniciantes por causa do dimorfismo sexual extremo. Macho e fêmea parecem espécies diferentes, o que gera muitos erros no WikiAves.

O macho adulto é todo preto brilhante com uma mancha amarelo-vivo na dobra da asa, a chamada dragona. Essa mancha fica quase escondida quando a ave está pousada e explode em cor quando voa. Bico preto e alongado, olhos escuros.

A fêmea é totalmente listrada de marrom-escuro e bege nas costas, com sobrancelha clara e peito estriado. O ombro tem um tom amarelo pálido, bem menos intenso que no macho. O jovem é semelhante à fêmea, mas mais apagado e com tons amarelados difusos.

Com 18 a 19 cm e 28 a 42 g, é menor que o chopim e que o sargento-americano. A cauda é relativamente curta e as asas são arredondadas, típicas de quem voa pouco e baixo sobre o brejo.

Onde vive a asa-de-telha no Brasil e na América do Sul

A asa-de-telha é uma ave estritamente paludícola: não vive em mata seca, cidade ou campo aberto sem água. Precisa de vegetação emergente densa.

No Brasil ocorre principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul, com registros mais esparsos no Sudeste. Fora do Brasil, distribui-se pela Argentina, Chile central e sul, Uruguai, Paraguai e Bolívia andina.

Seus habitats preferidos são banhados, esteros, taboais (Typha), juncais (Schoenoplectus), margens de lagoas e arrozais irrigados. Evita água profunda sem vegetação e também brejos drenados. Em áreas agrícolas, coloniza rapidamente arrozais, o que a torna comum para observadores no interior gaúcho.

O canto da asa-de-telha: como é e para que serve

O canto é um dos melhores marcadores da espécie. É um assobio forte, melodioso e repetitivo, descrito como ti-li, ti-li, que deu origem ao nome científico thilius, onomatopeia do canto no Chile.

O macho canta pousado no topo do junco, bem exposto, para defender território e atrair fêmeas. O canto tem notas metálicas e pode ser ouvido a dezenas de metros mesmo com vento. Em colônias, vários machos cantam em sequência, criando um coro característico de banhado.

A fêmea também vocaliza, mas com chamados mais curtos e ásperos, usados para contato com o macho e alarme perto do ninho. Não imita outras espécies e não tem canto de gaiola elaborado como o do canário.

O que a asa-de-telha come em brejos e áreas alagadas

É onívora oportunista, mas com forte componente insetívoro na época reprodutiva. Forrageia baixo, entre caules e sobre a água rasa.

  • Insetos e artrópodes: libélulas, besouros aquáticos, lagartas, aranhas e larvas de dípteros capturados na vegetação.
  • Sementes e grãos: sementes de taboa, junco e gramíneas aquáticas; em arrozais consome grãos caídos.
  • Pequenos frutos e matéria vegetal: complementam a dieta fora da estação reprodutiva.

Costuma buscar alimento escalando caules verticalmente, como um pássaro-palustre típico, e às vezes faz voos curtos para capturar insetos no ar. Não visita comedouros urbanos e raramente se afasta mais que poucos metros da água.

Comportamento social e territorial

A asa-de-telha é colonial e territorial ao mesmo tempo. Forma colônias frouxas de alguns casais até dezenas, mas cada macho defende um pequeno território de junco contra vizinhos.

O sistema reprodutivo é frequentemente poligínico: um macho pode atrair 2 a 3 fêmeas para seu território se a área for rica em alimento e locais de ninho. Ele ajuda pouco na incubação, mas defende ativamente contra predadores e outros machos.

Fora da reprodução, forma bandos pequenos e dispersos, às vezes mistos com outros icterídeos como o carretão e o chopim-do-brejo. É ativa durante o dia, inquieta, e dorme em meio ao juncal. Não é migrante de longa distância no Brasil, mas faz deslocamentos locais conforme o nível da água.

Reprodução, ninho e filhotes: o berçário no junco

A estação reprodutiva vai de setembro a fevereiro no sul do Brasil e Argentina, com pico entre outubro e dezembro. No Chile pode começar um pouco mais tarde.

O ninho é uma taça profunda e bem amarrada feita com fibras vegetais secas, tiras de taboa e barba-de-bode, trançada entre 2 a 4 caules verticais de junco ou taboa, a 30 a 100 cm acima da água. Essa ancoragem flexível protege contra alagamentos e vento.

A fêmea põe 2 a 4 ovos azul-claros com manchas pretas e lilases concentradas na ponta larga. A incubação dura cerca de 12 a 13 dias e é feita só por ela. Os filhotes nascem com penugem escassa, ficam no ninho por 11 a 14 dias e são alimentados por ambos os pais, principalmente com larvas e insetos moles.

Taxa de predação é alta: cobras-d’água, gaviões e ratos-do-banhado atacam ninhos baixos. Por isso a colônia funciona como defesa coletiva, com machos dando alarme em coro.

A asa-de-telha migra? Movimentos ao longo do ano

Não é uma migrante de longa distância como a andorinha, mas faz movimentos sazonais e altitudinais. Populações do extremo sul e dos Andes chilenos descem para áreas mais baixas e ao norte no outono-inverno.

No Pampa brasileiro e argentino, muitos indivíduos são residentes se o banhado não seca. Quando o brejo seca ou é drenado, o bando se desloca para outro alagado próximo. Em anos de seca forte, desaparece localmente e retorna quando a água volta.

Essa dependência de água torna a espécie um bom indicador de saúde de áreas úmidas. Onde o banhado é aterrado, ela some rapidamente, mesmo que sobre vegetação ao redor.

Subespécies da asa-de-telha: como diferenciar

São reconhecidas três subespécies, separadas por geografia e sutis diferenças de tamanho e cor.

Subespécie Distribuição Traço distintivo
A. t. thilius Chile central e sul, sul da Argentina Nominal, amarelo da asa mais extenso, maior porte
A. t. altiparvus Andes da Bolívia e sul do Peru Altitude elevada, plumagem ligeiramente mais opaca
A. t. petersii Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e norte da Argentina Menor, amarelo mais restrito, fêmea mais estriada

No Brasil ocorre quase exclusivamente A. t. petersii, que é a forma que o observador verá em banhados gaúchos e catarinenses. As diferenças são sutis e só perceptíveis com comparação direta.

Conservação e relação com humanos: pode criar em casa?

A asa-de-telha é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e ampla distribuição. Não é ameaçada globalmente, mas sofre localmente com drenagem de banhados, expansão agrícola, queimadas de taboais e uso de agrotóxicos em arrozais.

É uma ave silvestre protegida por lei. No Brasil, capturar, manter em gaiola ou comercializar asa-de-telha sem autorização do IBAMA é crime ambiental (Lei 9.605/98). Não existe criação legalizada como ave de estimação e ela não se adapta bem ao cativeiro: precisa de área alagada, dieta viva e vida em colônia.

Na nossa avaliação, a graça da asa-de-telha está justamente em vê-la livre no brejo, com o macho cantando no topo do junco. Tentar mantê-la em gaiola além de ilegal, elimina o comportamento que a torna interessante. Para quem gosta da espécie, o melhor é observar e fotografar em áreas úmidas protegidas e apoiar a conservação de banhados.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho da asa-de-telha?

Mede 18 a 19 cm de comprimento e pesa entre 28 e 42 g, com envergadura de 23 a 27 cm.

Por que macho e fêmea são tão diferentes?

Há forte dimorfismo sexual: o macho é preto com ombro amarelo vivo e a fêmea é listrada de marrom e bege com ombro amarelo pálido, o que ajuda na camuflagem durante a incubação.

Onde encontrar asa-de-telha no Brasil?

Principalmente em banhados, taboais e arrozais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Asa-de-telha canta bem?

Sim, o macho tem canto forte, melodioso e repetitivo do tipo ti-li, usado para defender território e atrair fêmeas.

Pode criar asa-de-telha em gaiola?

Não. É ave silvestre protegida por lei; capturar ou manter sem autorização do IBAMA é crime ambiental e ela não se adapta ao cativeiro doméstico.

O que a asa-de-telha come?

Insetos aquáticos, larvas, aranhas e sementes de plantas de brejo como taboa e junco, além de grãos em arrozais.

A asa-de-telha está ameaçada de extinção?

Não. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas depende da preservação de áreas úmidas.

Você sabia?

1

O nome vem do canto

Thilius é a transcrição do canto ti-li ouvido no Chile, e asa-de-telha refere-se à mancha amarela que parece uma telha quando a ave abre a asa.

2

Fêmea que parece outra espécie

Por ser toda listrada de marrom e bege, a fêmea já foi confundida até por ornitólogos iniciantes com um tico-tico ou uma cotovia de brejo.

3

Ninho que balança mas não cai

O ninho é literalmente costurado entre caules vivos de junco, balançando com o vento e a água sem se soltar, técnica rara entre passeriformes campestres.

4

Macho com harém no junco

Em banhados produtivos um único macho pode atrair até três fêmeas para seu território, defendendo cada ninho contra vizinhos e predadores.

Fontes

  1. IUCN Red List - Agelasticus thilius
  2. WikiAves - Asa-de-telha
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife Data Zone

Prós e contras: Asa-de-telha

Prós

  • Macho muito vistoso e fácil de identificar em campo
  • Canto melodioso que anima banhados
  • Indicadora de áreas úmidas saudáveis
  • Colonial e ativa, ótima para observação com binóculo
  • Adapta-se bem a arrozais quando há manejo menos intensivo

Contras

  • Dependente de banhados, desaparece se a área é drenada
  • Fêmea críptica confunde iniciantes
  • Não se adapta ao cativeiro e é ilegal criar sem autorização
  • Ninhos baixos sofrem alta predação
  • Sensível a agrotóxicos usados em arrozais
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a asa-de-telha é um dos melhores exemplos de como beleza não precisa ser colorida: o contraste do macho preto com o amarelo puro é mais marcante que muitas aves tropicais. É também um termômetro de banhado saudável — onde ela canta em coro, o ecossistema ainda funciona.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.