🦜 Aves e Pássaros

Atobá

Sula spp. (principal: Sula leucogaster)

Atualizado em

65 a 85 cmTamanho
900 g a 1,8 kgPeso
15 a 25 anosExpectativa de vida
Grasnado rouco e ásperoCanto
Oceano aberto e ilhas rochosasHabitat
Atobá-pardo de corpo inteiro em ilha rochosa com plumagem marrom e barriga branca

Atobá é o nome popular no Brasil para as aves marinhas da família Sulidae, do gênero Sula. São aves de oceano aberto famosas pelo mergulho vertical em queda livre, quando despencam de dezenas de metros para capturar peixes com precisão cirúrgica.

No Brasil ocorrem com frequência quatro espécies: o atobá-pardo (Sula leucogaster), o atobá-mascarado (Sula dactylatra), o atobá-de-pés-vermelhos (Sula sula) e o atobá-de-Nazca (Sula granti). Todas nidificam em ilhas oceânicas e costeiras, vivem em colônias barulhentas e são protegidas por lei, não sendo aves de gaiola.

Também conhecido como: Mumbebo, Atobá-pardo, Atobá-mascarado, Atobá-de-pés-vermelhos, Booby (inglês), Fou (francês)

Faz parte de: Aves Aquáticas

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Galeria de fotos de Atobá

Atobá-pardo de corpo inteiro em ilha rochosa com plumagem marrom e barriga branca
Atobá-pardo, a espécie mais comum no litoral brasileiro.
Close da cabeça do atobá-mascarado mostrando bico amarelo e máscara preta
Detalhe da cabeça do atobá-mascarado e sua máscara característica.
Atobá-de-pés-vermelhos em voo sobre o oceano com asas abertas
Atobá-de-pés-vermelhos em voo, note os pés vermelhos.
Colônia de atobás nidificando em ilha rochosa do Atol das Rocas
Colônia de atobás em ilha oceânica, ambiente típico de nidificação.
Atobá mergulhando em queda livre no oceano para pescar
Mergulho em torpedo: a técnica de pesca do atobá.
Ninho de atobá com dois ovos branco-azulados no chão rochoso
Ninho simples no chão com dois ovos; geralmente só um filhote sobrevive.
Filhote de atobá com penugem branca ao lado do adulto no ninho
Filhote de atobá ainda com penugem, antes do primeiro voo.

Perfil rápido de Atobá

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Populações globais estáveis, mas colônias insulares sensíveis a distúrbios humanos.

População
estável
Protegido por
Sim, protegido por lei no Brasil e em reservas como Atol das Rocas e Abrolhos

Calendário

Reprodução (pico no Brasil)JFMAMJJASOND
Dispersão pós-reprodutivaJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
15 a 25 anos, com registros de 26 anos em anilhamento
Em cativeiro
Não se aplica; apenas reabilitação temporária autorizada

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal, com fidelidade ao par e à ilha natal
Estrutura social
Colonial, ninhos espaçados por bicadas, defesa territorial curta
Padrão sazonal
Reproduz o ano todo com pico de agosto a janeiro no Brasil
Tipo de nascimento
Ovíparo, 1 a 2 ovos branco-azulados por postura
Ninhada
1 filhote criado; 2 ovos eclodem mas geralmente só 1 sobrevive

Habitat

Ambientes

  • Oceano pelágico tropical
  • Ilhas rochosas e atóis
  • Falésias costeiras
  • Parcéis e recifes isolados

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Ilhas Oceânicas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pelágicos (peixe-voador, sardinha, anchova)
  • Lulas

Outros alimentos

  • Restos de pesca descartados (oportunista)

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Colômbia
  • Austrália
  • África do Sul
  • Senegal
  • Equador

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Suliformes
Família
Sulidae
Gênero
Sula
Espécie
Sula leucogaster (espécie-tipo no Brasil) e outras 5 do gênero

Resumo

  • Atobá é um grupo de aves marinhas da família Sulidae que mergulha de até 30 metros de altura para pescar peixes e lulas.
  • No Brasil as espécies mais vistas são o atobá-pardo e o atobá-mascarado, que formam colônias em ilhas como Fernando de Noronha, Abrolhos e Atol das Rocas.
  • São aves coloniais, monogâmicas e de vida longa, famosas pelos pés coloridos, pelo bico afiado e pelo impacto amortecido por sacos de ar sob a pele.

Características

Ficha da espécie

FamíliaSulidae
Origem e distribuiçãoOceanos tropicais e subtropicais do mundo; no Brasil do Amapá ao Rio Grande do Sul, com colônias em ilhas oceânicas
HabitatMar aberto, ilhas rochosas, falésias, atóis e parcéis
Tamanho (comprimento)65 a 85 cm
Envergadura140 a 175 cm
Peso0,9 a 1,8 kg
Coresbrancomarrompretocinzabico amareloazulado ou rosadopés azuisvermelhos ou amarelados conforme a espécie
Expectativa de vida15 a 25 anos na natureza
AlimentaçãoPeixes pelágicos (flying fish, sardinha, anchova) e lulas
CantoGrasnados ásperos, assobios finos e trombeteios na colônia
Reprodução (ninho e ovos)Ninho no chão ou em rocha, 1 a 2 ovos branco-azulados, incubação de 42 a 45 dias com os pés
Comportamento socialColonial, monogâmico sazonal, territorial no entorno do ninho
Variedades ou subespécies6 espécies no gênero Sula; 4 com ocorrência confirmada no Brasil

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoBaixo
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Atobá não é uma espécie só: entenda o grupo

Atobá é nome coletivo para seis espécies do gênero Sula. No Brasil, o termo quase sempre se refere ao atobá-pardo (Sula leucogaster), o mais costeiro e fácil de ver.

As outras espécies que aparecem por aqui são o atobá-mascarado (Sula dactylatra), o atobá-de-pés-vermelhos (Sula sula) e o atobá-de-Nazca (Sula granti), este último separado recentemente do mascarado. Todas pertencem à mesma família do pelicano, mas com corpo de torpedo.

Confundir atobá com gaivota é erro comum. Gaivotas têm voo batido e bico curvo; atobás têm asas longas e pontudas, cauda em forma de cunha e bico cônico e serrilhado, feito para segurar peixe escorregadio.

Como reconhecer um atobá: tamanho, cores e bico

O tamanho varia de 65 a 85 cm com envergadura de até 1,75 m. É uma ave grande, maior que uma gaivota e menor que um albatroz.

A cor entrega a espécie. O atobá-pardo é marrom-escuro nas costas e branco na barriga, com bico amarelado e pés amarelos nas fêmeas e azul-esverdeados nos machos. O mascarado é branco com pontas das asas pretas e máscara preta ao redor do bico amarelo.

O atobá-de-pés-vermelhos tem duas plumagens: branca ou marrom, mas sempre com pés vermelho-vivo e bico azulado com ponta rosada. É o único que nidifica em arbustos, não no chão. Já o atobá-de-pés-azuis (Sula nebouxii), famoso de Galápagos, não ocorre no Brasil, mas aparece em documentários.

Um detalhe anatômico único: atobás não têm narinas externas abertas. Elas são fechadas e respiram pela boca, adaptação para o mergulho de impacto sem inalar água.

Onde vive o atobá no Brasil: ilhas que concentram colônias

Atobá é ave pelágica: passa 90% do tempo em mar aberto e só vem à terra para reproduzir. No continente é raro, visto apenas quando segue barcos de pesca.

As colônias brasileiras ficam em ilhas oceânicas protegidas: Atol das Rocas, Fernando de Noronha, Abrolhos, Cagarras (RJ), Alcatrazes (SP) e Moleques do Sul (SC). Rocas e Abrolhos abrigam as maiores populações, com milhares de ninhos.

Fora do período reprodutivo, dispersam-se pelo Atlântico tropical. Jovens podem vagar por milhares de quilômetros e aparecer no litoral como visitantes.

Espécie no Brasil Tamanho médio Onde nidifica Traço distintivo
Atobá-pardo S. leucogaster 71 cm Ilhas costeiras e oceânicas, no chão/rocha Peito marrom bem delimitado do branco
Atobá-mascarado S. dactylatra 82 cm Atol das Rocas e Fernando de Noronha Máscara preta e bico amarelo intenso
Atobá-de-pés-vermelhos S. sula 70 cm Rocas e Noronha, em arbustos Pés vermelhos e bico azul-rosado
Atobá-de-Nazca S. granti 80 cm Raro, Rocas Bico laranja-rosado, separado do mascarado por DNA

O mergulho em torpedo: como o atobá pesca

A pesca do atobá é um dos espetáculos mais impressionantes do oceano. Ele voa a 15 a 30 metros de altura, trava as asas para trás e despenca como uma flecha.

Na queda pode atingir cerca de 100 km/h e penetrar até 10 a 15 metros de profundidade. Para não se quebrar, tem sacos aéreos subcutâneos no peito e no pescoço que funcionam como airbags, além de ossos reforçados e narinas fechadas.

A dieta é quase toda de peixes-voadores, sardinhas, anchovas e lulas. Muitas vezes pesca em conjunto com golfinhos e atuns, que empurram o cardume para a superfície. Nesses momentos, dezenas de atobás mergulham em sequência, quase sincronizados.

Diferente de cormorões, atobás não mergulham a partir da água. Se não encontram peixe no impacto, voltam à superfície e decolam com forte impulso dos pés.

Vida em colônia: comportamento e canto

Atobás são extremamente coloniais e barulhentos, mas silenciosos em voo. Na colônia, cada casal defende um raio de bicadas ao redor do ninho.

O canto não é melódico. Machos emitem assobios finos e prolongados, fêmeas respondem com grasnados roucos e graves. Essa diferença vocal ajuda a reconhecer o sexo sem ver a plumagem.

São monogâmicos sazonais e mantêm o par por várias temporadas se a reprodução der certo. A exibição de corte inclui apontar o bico para o céu, sacudir a cabeça e, no caso do atobá-de-pés-azuis, levantar os pés coloridos alternadamente em uma dança famosa.

Fora da época de cria, são mais solitários no mar, mas ainda dormem em grupos nas ilhas. Adultos podem viver mais de 20 anos e retornam à mesma ilha onde nasceram para nidificar.

Reprodução, ovos e filhotes: por que só um sobrevive

A reprodução ocorre o ano todo em Rocas e Noronha, com pico entre agosto e janeiro. O ninho é rudimentar: um círculo de gravetos, algas ou apenas uma depressão na rocha.

A fêmea põe 1 a 2 ovos branco-azulados que ficam sujos de barro rapidamente. A incubação dura 42 a 45 dias e é feita com a membrana dos pés palmados, ricamente vascularizados, que aquecem os ovos. Macho e fêmea revezam.

Quando nascem dois filhotes, quase sempre ocorre siblicídio facultativo: o mais velho, nascido 4 a 8 dias antes, empurra o irmão para fora do ninho ou monopoliza a comida. Em anos de muito peixe, os dois podem sobreviver, mas o padrão é criar apenas um.

O filhote fica coberto de penugem branca, ganha penas juvenis marrons e só voa com 90 a 120 dias. Mesmo depois de voar, depende dos pais por mais algumas semanas até aprender a mergulhar.

Atobá pode ser criado em casa? Legalidade e por que não é pet

Não. Atobá é ave silvestre marinha protegida por lei e não pode ser criada como pet. A captura, o transporte e a manutenção em cativeiro sem autorização são crime ambiental (Lei 9.605/98).

Somente centros de reabilitação autorizados pelo IBAMA e órgãos estaduais podem manter atobás, sempre com finalidade de soltura. Não existe criação legalizada para venda como há com calopsita ou canário.

Além da questão legal, a biologia impede a criação doméstica. Atobás precisam de oceano aberto, peixe vivo e colônias para se desenvolver, têm dieta especializada e sofrem muito estresse em viveiros. Aves encontradas feridas na praia devem ser encaminhadas ao órgão ambiental ou projeto de monitoramento de praias.

Conservação e ameaças: plástico, pesca e turismo desordenado

Globalmente, as espécies brasileiras são classificadas como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas as populações insulares são vulneráveis localmente.

As principais ameaças são captura incidental em anzóis e redes, ingestão de plástico e sobrepesca que reduz peixes-voadores. Em Abrolhos e Cagarras, o turismo sem controle já causou abandono de ninhos por pisoteio e ruído.

Por outro lado, a criação de unidades de conservação como o Atol das Rocas (Reserva Biológica) e o Parque Nacional Marinho de Abrolhos permitiu recuperação. Rocas, fechada à visitação, é hoje um dos santuários mais importantes do Atlântico Sul.

Observar atobás deve ser feito com distância mínima de 10 metros dos ninhos, sem flash e sem alimentar. Em passeios embarcados, manter distância de falésias com ninhos evita que os adultos se assustem e deixem ovos expostos ao sol.

Perguntas frequentes

Atobá é pássaro ou ave marinha?

É ave marinha da família Sulidae. Pássaro é termo popular para Passeriformes; atobá é Suliforme, grupo de aves oceânicas como pelicanos e cormorões.

Qual a diferença entre atobá-pardo e atobá-mascarado?

O pardo tem peito marrom e barriga branca bem divididos e é menor. O mascarado é branco com pontas das asas pretas e máscara preta ao redor do bico amarelo.

Onde ver atobá no Brasil?

Em ilhas oceânicas como Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Abrolhos, e em ilhas costeiras como Cagarras (RJ) e Alcatrazes (SP), sempre com passeio autorizado.

Atobá mergulha fundo?

Sim, mergulha de 15 a 30 m de altura, atinge cerca de 100 km/h e pode ir a 10-15 m de profundidade para capturar peixes.

Pode criar atobá em casa?

Não. É silvestre e protegido por lei. Criar, comprar ou manter sem autorização do IBAMA é crime ambiental. Só centros de reabilitação podem mantê-lo temporariamente.

O que o atobá come?

Principalmente peixes-voadores, sardinhas, anchovas e lulas capturados no mergulho em queda livre.

Por que o atobá põe dois ovos se só cria um filhote?

O segundo ovo é um seguro. Se o primeiro falhar, o segundo garante a cria. Se ambos nascem, o mais velho geralmente elimina o irmão quando há pouca comida.

Você sabia?

1

Narinas seladas e airbag natural

Atobás fecham as narinas e têm sacos aéreos sob a pele do peito que inflam antes do impacto, amortecendo um mergulho a 100 km/h como um colete.

2

Incubação com os pés

Em vez de chocar com o peito, o atobá incuba os ovos apoiando os pés palmados e quentes sobre eles, por isso os pés ficam mais vascularizados na época reprodutiva.

3

O segundo ovo é seguro biológico

O segundo ovo funciona como reserva. Se o primeiro for predado ou for infértil, o segundo garante a temporada; se ambos eclodem, o mais forte elimina o irmão em anos de pouca comida.

4

Pés que mudam de cor com a saúde

A intensidade do azul ou vermelho dos pés indica qualidade nutricional e imunidade. Fêmeas escolhem machos com pés mais vivos, sinal de bom pescador.

Fontes

  1. WikiAves - Atobá
  2. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  3. IUCN Red List / BirdLife International
  4. Cornell Lab - All About Birds

Prós e contras: Atobá

Prós

  • Mergulho espetacular, ótimo para observação e fotografia embarcada
  • Indicador de oceano saudável e de cardumes de peixes
  • Vida longa e fidelidade à ilha, facilita monitoramento científico
  • Colônias acessíveis em passeios autorizados a Noronha e Abrolhos
  • Papel ecológico importante no controle de peixes pelágicos

Contras

  • Não pode ser criado como pet; manutenção ilegal é crime
  • Extremamente sensível a perturbação humana nos ninhos
  • Dependente de ilhas isoladas, vulnerável a plástico e pesca incidental
  • Canto rouco e odor forte da colônia, sem apelo como ave de canto
  • Exige oceano aberto e peixe vivo, inviável em cativeiro doméstico
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o atobá é a ave marinha mais didática para entender adaptação ao oceano: todo o corpo é moldado para o mergulho de impacto. É também um termômetro da saúde do Atlântico tropical, por isso protegê-lo é proteger o estoque pesqueiro que sustenta comunidades costeiras.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.