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Arara-vermelha-grande

Ara chloropterus

Atualizado em

86 a 95 cmTamanho
1,1 a 1,7 kgPeso
50 a 60 anosExpectativa de vida
Grito alto e roucoCanto
Florestas e buritizaisHabitat
Arara-vermelha-grande empoleirada em galho mostrando plumagem vermelha com faixa verde e pontas azuis

A arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) é uma das maiores araras do Brasil, com cerca de 90 cm de comprimento e plumagem predominantemente vermelha, asas com faixa verde e pontas azuis. O rosto branco com finas linhas de penas vermelhas e o bico enorme e bicolor são marcas inconfundíveis da espécie.

Vive em pares ou pequenos bandos nas florestas da Amazônia, Cerrado, Pantanal e trechos de Mata Atlântica, sempre perto de palmeiras e árvores altas com ocos para nidificar. Monogâmica e muito barulhenta, é facilmente localizada pelo grito rouco que atravessa a mata e pelo voo forte e direto.

Apesar da distribuição ampla, sofre com desmatamento, captura para tráfico e falta de ocos naturais. É classificada como Pouco Preocupante pela IUCN, mas depende de áreas preservadas e de barreiros de argila para se manter saudável na natureza.

Também conhecido como: Arara-verde, Arara-vermelha, Green-winged Macaw (inglês), Guacamayo rojo y verde (espanhol), Ara à ailes vertes (francês)

Faz parte de: Aves da Amazônia

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Galeria de fotos de Arara-vermelha-grande

Arara-vermelha-grande empoleirada em galho mostrando plumagem vermelha com faixa verde e pontas azuis
Arara-vermelha-grande adulta empoleirada, com destaque para a faixa verde da asa.
Close da cabeça da arara-vermelha-grande mostrando rosto branco com linhas vermelhas e bico bicolor
Detalhe da cabeça: rosto branco riscado de vermelho e bico forte bicolor.
Arara-vermelha-grande em voo sobre a floresta com asas abertas
Em voo, exibe o contraste entre vermelho, verde e azul das asas.
Casal de arara-vermelha-grande em barreiro de argila na Amazônia
Casal em barreiro de argila, comportamento essencial para a dieta.
Arara-vermelha-grande se alimentando de frutos de buriti
Alimentação com frutos de palmeiras, base da dieta na natureza.
Ninho em oco de árvore alta usado pela arara-vermelha-grande
Ninho em oco de árvore alta, local disputado na época reprodutiva.

Perfil rápido de Arara-vermelha-grande

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ainda ampla, mas em declínio local por desmatamento e tráfico.

População
Em declínio
Protegido por
CITES Apêndice II; protegida por lei no Brasil

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade em barreirosJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
50 a 60 anos, com alta mortalidade de filhotes no primeiro ano
Em cativeiro
60 a 75 anos com manejo e veterinário adequados; há registros próximos de 80 anos

Reprodução

Maturidade sexual
3 a 5 anos
Sistema social
Monogâmico, casal fiel e territorial no período reprodutivo
Época reprodutiva
Estação seca a início das chuvas, em geral outubro a março no Brasil central
Local do ninho
Oco natural de árvore alta, a 15 a 30 m de altura
Ovos e incubação
2 a 3 ovos brancos; 28 a 30 dias de incubação pela fêmea
Filhotes
Nidícolas; ficam 90 a 100 dias no ninho e dependem dos pais por semanas após voar

Habitat

Ambientes

  • Florestas altas de terra firme
  • Matas de galeria e cerradões
  • Buritizais e palmeirais
  • Florestas de várzea no Pantanal

Biomas

  • Amazônia
  • Cerrado
  • Pantanal
  • Mata Atlântica
  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes e castanhas de palmeiras (buriti, babaçu, bacuri)
  • Frutos de jatobá, pequi e baru

Outros alimentos

  • Polpa de frutos
  • Flores e brotos
  • Argila de barreiros

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Paraguai
  • Argentina
  • Panamá

Como animal de estimação

Pode ser pet?
Apenas com origem legal de criadouro autorizado pelo IBAMA; não é indicada para iniciantes
Legalidade no Brasil
Exige anilha/microchip, nota fiscal e cadastro; captura e comércio de nativos sem autorização são crime ambiental
Nível de cuidado
Muito alto: viveiro grande, dieta específica, enriquecimento diário e veterinário de aves
Temperamento
Afetuosa com o tutor, mas muito barulhenta, destrutiva e exigente em atenção

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Ara
Espécie
Ara chloropterus

Resumo

  • A arara-vermelha-grande tem cerca de 90 cm, plumagem vermelha com verde e azul nas asas, rosto branco com linhas vermelhas e bico grande preto e marfim.
  • Vive em florestas e buritizais da Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, em casal fiel por toda a vida, e se alimenta principalmente de castanhas e frutos de palmeiras.
  • Não pode ser criada sem autorização do IBAMA; a venda de aves capturadas na natureza é crime ambiental e a espécie precisa de viveiro grande e manejo especializado.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul, do Panamá ao norte da Argentina; no Brasil em quase todo o território exceto extremo sul
HabitatFlorestas altas, matas de galeria, buritizais e cerradões
Tamanho (comprimento)86 a 95 cm
Envergadura105 a 125 cm
Peso1,1 a 1,7 kg
Coresvermelhoverdeazulbranco (face)pretomarfim (bico)
Expectativa de vida50 a 60 anos na natureza; até 70 anos em cativeiro bem manejado
AlimentaçãoGranívora e frugívora: castanhas, sementes e frutos de palmeiras
CantoGritos fortes, roucos e repetidos, audíveis a longa distância
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em oco de árvore alta; 2 a 3 ovos brancos; incubação de 28 a 30 dias
Comportamento socialMonogâmica, vive em casal ou pequenos bandos familiares
Variedades ou subespéciesSem subespécies reconhecidas (monotípica)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaMuito alto
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMédio

Como reconhecer a arara-vermelha-grande sem confundir

A arara-vermelha-grande é predominantemente vermelha, mas o detalhe que entrega a espécie está nas asas. As coberteiras são verdes e as pontas das asas e da cauda são azuis, criando um contraste muito nítido em voo. O rosto é branco com linhas finas de penas vermelhas alinhadas, como se fossem traços de pincel.

O bico é desproporcional e bicolor: mandíbula superior marfim e inferior preta, com base escura e extremamente forte para quebrar castanhas. Os olhos são amarelados com anel claro, e as pernas são acinzentadas e curtas. Jovens têm cauda mais curta e cores menos intensas.

A confusão mais comum é com a arara-vermelha-pequena ou arara-macao (Ara macao). A diferença prática está na face e na asa:

Característica Arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) Arara-vermelha-pequena (Ara macao)
Faixa na asa Verde larga e bem marcada Amarela larga
Rosto Branco com linhas vermelhas finas Branco com poucas ou nenhuma linha, pele mais exposta
Tamanho 86 a 95 cm, mais robusta 80 a 90 cm, mais esguia
Bico Parte superior clara com base escura Parte superior clara com base mais clara

Onde vive: distribuição e habitat no Brasil

A espécie ocorre do Panamá ao norte da Argentina, com núcleo no Brasil. Está presente na Amazônia, Cerrado, Pantanal, interior da Mata Atlântica e em manchas de Caatinga arbórea com palmeiras. Falha apenas no Pampa e em áreas muito desmatadas do Sudeste e Sul.

Prefere florestas altas, matas de galeria, buritizais e cerradões com árvores emergentes. Depende de árvores com ocos grandes, como jatobá, angelim e samaúma, para nidificar, e de palmeiras como buriti, bacuri e babaçu para se alimentar. Em regiões de floresta contínua é mais comum; em áreas fragmentadas aparece em pares que cruzam longas distâncias.

É residente e não migratória, mas faz deslocamentos diários e sazonais curtos em busca de frutificação e de barreiros. No Pantanal e no sul da Amazônia é uma das araras mais avistadas sobrevoando rios ao amanhecer.

O que a arara-vermelha-grande come na natureza

A base da dieta são sementes duras, castanhas e frutos de palmeiras. Ela usa o bico como torno e a língua musculosa para extrair a amêndoa. Coquinhos de buriti, frutos de jatobá, pequi, baru e castanha-do-pará estão entre os itens mais consumidos.

Complementa com polpa de frutos, flores e brotos, e visita regularmente barreiros de argila, os famosos barreiros ou “clay licks”. Ali ingere argila rica em minerais que ajuda a neutralizar toxinas de sementes e a suprir sódio, comportamento compartilhado com outras araras amazônicas.

Em áreas agrícolas pode atacar milharais, o que gera conflito com produtores. Na natureza, atua como disseminadora de sementes, mas também como predadora, já que destrói muitas sementes ao se alimentar.

Comportamento e vida social: casal para a vida toda

Vive em casal monogâmico fiel, que se mantém junto por anos e voa sempre próximo, quase tocando as asas. Fora da época reprodutiva, casais se juntam em bandos familiares de 6 a 12 indivíduos para dormir e forragear. É comum vê-los fazendo acrobacias e alisando as penas um do outro.

É extremamente inteligente e curiosa. Manipula objetos com o pé, testa a resistência de galhos e aprende rotas de alimentação observando o parceiro. Na natureza não imita fala humana como em cativeiro, mas tem repertório variado de grasnados para manter contato, alertar e reforçar o vínculo do casal.

Durante o dia alterna voos longos e altos com períodos de alimentação silenciosa na copa. Ao entardecer, busca dormitórios coletivos em árvores altas, onde o barulho coletivo é intenso antes do silêncio da noite.

Voz e canto: por que ela grita tão alto

O canto é um grito rouco, áspero e muito alto, repetido em séries de “raaa-raaa”. Serve para manter o casal unido em voo, marcar território e alertar sobre predadores. Em floresta densa, o som atravessa centenas de metros e é a forma mais fácil de detectar a espécie.

Cada casal tem variações sutis no chamado, o que ajuda no reconhecimento individual. Filhotes pedem alimento com guinchos agudos e, quando adultos, reduzem a frequência mas aumentam a intensidade. Em cativeiro pode aprender a imitar assobios e algumas palavras, mas com menos clareza que o papagaio-verdadeiro.

Para quem observa aves, o truque é ouvir primeiro e olhar depois: o grito quase sempre antecede a passagem do par em voo reto, com batidas profundas e cauda longa esticada.

Reprodução, ninhos em ocos e cuidado com os filhotes

A reprodução ocorre na estação seca e início das chuvas, variando por região, geralmente entre outubro e março no Brasil central. O casal escolhe um oco alto e profundo, a mais de 15 metros do solo, e disputa o local com outras araras, tucanos e abelhas.

A fêmea põe 2 a 3 ovos brancos, incubados por 28 a 30 dias, quase exclusivamente por ela, enquanto o macho alimenta e defende o território. Os filhotes nascem cobertos de penugem branca, de olhos fechados, e permanecem no ninho por cerca de 90 a 100 dias até o primeiro voo.

Na maioria dos ninhos, apenas um ou dois filhotes sobrevivem, pois o mais forte recebe mais alimento. Os pais continuam alimentando os jovens por semanas após deixarem o oco, ensinando rotas até barreiros e árvores frutíferas. A maturidade sexual chega entre 3 e 5 anos.

É possível ter arara-vermelha-grande em casa? Legalidade e cuidados

Não é um pet comum e não pode ser capturada na natureza. No Brasil, manter qualquer arara exige origem de criadouro comercial autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha ou microchip e nota fiscal. A compra, venda ou manutenção de ave silvestre sem comprovação de origem é crime ambiental (Lei 9.605/98).

Mesmo legalizada, exige viveiro muito grande, com no mínimo 4 a 6 metros de comprimento, poleiros grossos, enriquecimento constante e dieta à base de ração extrusada para psitacídeos grandes, mix de castanhas, frutas e verduras. É barulhenta, destrói madeira com facilidade e precisa de interação diária e acompanhamento veterinário especializado.

Na nossa avaliação, é uma ave para criadores experientes e com espaço rural ou chácara, não para apartamento. Quem deseja apenas admirar, a melhor opção é a observação responsável na natureza ou em centros de reabilitação autorizados.

Conservação: ameaças e situação atual

Globalmente a espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, por ainda ter população grande e distribuição extensa. A tendência, porém, é de declínio lento onde há desmatamento intenso e captura.

As principais ameaças são perda de habitat, falta de ocos para nidificar, tráfico de filhotes e abate por conflito em plantações. Incêndios no Pantanal e no Cerrado em anos secos destroem ninhos e árvores porta-sementes. Em áreas fragmentadas, a baixa oferta de palmeiras reduz o sucesso reprodutivo.

Medidas que funcionam incluem proteção de barreiros, instalação de ninhos artificiais grandes e fiscalização do comércio ilegal. Unidades de conservação na Amazônia e no Pantanal, como o Parque Nacional do Jaú e o Pantanal Matogrossense, são refúgios importantes. O turismo de observação bem conduzido gera renda e desestimula a captura.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre arara-vermelha-grande e arara-vermelha-pequena?

A grande (Ara chloropterus) tem faixa verde na asa e rosto com linhas vermelhas finas; a pequena (Ara macao) tem faixa amarela e rosto com pele branca mais exposta.

Quanto tempo vive uma arara-vermelha-grande?

Vive 50 a 60 anos na natureza e pode chegar a 70 a 75 anos em cativeiro com manejo adequado.

Onde a arara-vermelha-grande vive no Brasil?

Em florestas da Amazônia, Cerrado, Pantanal, interior da Mata Atlântica e Caatinga arbórea, sempre perto de palmeiras e árvores com ocos.

O que ela come?

Principalmente castanhas e sementes duras de palmeiras como buriti e babaçu, além de frutos, flores e argila de barreiros.

Ela fala?

Pode imitar assobios e algumas palavras em cativeiro, mas com menos clareza que papagaios; na natureza usa gritos roucos para comunicação.

É legal ter arara-vermelha-grande em casa?

Só se vier de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha/microchip e nota fiscal. Capturar ou comprar ave da natureza é crime ambiental.

Está ameaçada de extinção?

É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas está em declínio local por desmatamento, falta de ocos e tráfico.

Fatos surpreendentes sobre a arara-vermelha-grande

1

Rosto com impressão digital

As linhas de peninhas vermelhas sobre a pele branca do rosto são únicas em cada indivíduo, como uma impressão digital, e ajudam pesquisadores a identificar aves em fotos.

2

Bico com força de quebra-nozes industrial

A pressão do bico supera 130 kgf e permite abrir coquinhos de buriti e castanhas que poucas aves conseguem, com ajuda da língua óssea e áspera.

3

Fidelidade que dura décadas

Pares formados na juventude costumam permanecer juntos por toda a vida, voando lado a lado e se reencontrando no dormitório mesmo após se separarem para forragear.

4

Farmácia na argila

Visitas diárias a barreiros de argila não são por gosto, mas para ingerir minerais que neutralizam alcaloides tóxicos de sementes ainda verdes.

Fontes

  1. IUCN Red List - Ara chloropterus
  2. WikiAves - Arara-vermelha-grande
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife International

Prós e contras: Arara-vermelha-grande

Prós

  • Uma das araras mais imponentes e coloridas para observação na natureza
  • Muito inteligente, forma vínculo forte e duradouro com o parceiro
  • Indicadora de floresta saudável, ajuda a dispersar sementes de palmeiras
  • Longevidade alta quando bem manejada
  • Voo e vocalização marcantes, fácil de detectar em campo

Contras

  • Extremamente barulhenta, grito audível a grande distância
  • Exige espaço muito grande e dieta especializada
  • Não é para iniciantes e demanda tempo diário e veterinário especializado
  • Dependente de autorização legal; tráfico ainda pressiona a espécie
  • Pode ser destrutiva com madeira e estruturas do viveiro
Nossa opinião

A arara-vermelha-grande é o melhor exemplo de arara que une tamanho, cor e inteligência sem precisar de exageros: a faixa verde na asa e o rosto riscado de vermelho a tornam inconfundível em campo. Na nossa avaliação, seu maior valor está livre na natureza, como indicadora de florestas maduras com ocos e palmeiras — criá-la exige responsabilidade que poucos tutores têm.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.