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Águia-careca

Haliaeetus leucocephalus

Atualizado em

70 a 102 cm de comprimentoTamanho
3 a 6,3 kgPeso
20 a 30 anos na naturezaExpectativa de vida
gorjeio agudo e fracoCanto
rios, lagos e costasHabitat
Águia-careca adulta empoleirada em galho de pinheiro perto de lago

A águia-careca (Haliaeetus leucocephalus) é uma ave de rapina de grande porte, famosa pela cabeça e cauda brancas que contrastam com o corpo marrom-escuro. Apesar do nome, ela não é careca: o branco vem das penas. É o símbolo nacional dos Estados Unidos desde 1782.

Na natureza, vive quase exclusivamente na América do Norte, sempre perto de água. É uma pescadora habilidosa, mas também oportunista, e constrói alguns dos maiores ninhos entre todas as aves do mundo. Depois de quase desaparecer pelo uso do pesticida DDT, tornou-se um dos maiores casos de recuperação da conservação.

Também conhecido como: Águia-americana, Águia-de-cabeça-branca, Bald Eagle (inglês), Pygargue à tête blanche (francês), Weißkopfseeadler (alemão)

Faz parte de: Aves de Rapina

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Galeria de fotos de Águia-careca

Águia-careca adulta empoleirada em galho de pinheiro perto de lago
Águia-careca adulta com cabeça e cauda brancas características.
Close da cabeça da águia-careca mostrando bico amarelo e penas brancas
Detalhe da cabeça branca e do bico amarelo curvo.
Águia-careca em voo planado com asas totalmente abertas
Envergadura de até 2,3 metros em voo planado.
Águia-careca pescando peixe em lago com as garras
Pesca com garras é a principal forma de alimentação.
Ninho gigante de águia-careca com filhotes no topo de árvore alta
Ninhos podem pesar mais de uma tonelada e são reutilizados por anos.
Águia-careca jovem com plumagem marrom mosqueada
Jovem sem cabeça branca até os 4 a 5 anos de idade.

Perfil rápido de Águia-careca

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e em crescimento na América do Norte após recuperação histórica.

População
crescente
Protegido por
Sim, protegida por leis federais nos EUA e convenções internacionais; venda e posse são proibidas

Calendário

Reprodução (sul dos EUA)JFMAMJJASOND
Reprodução (norte e Alasca)JFMAMJJASOND
Migração para o sulJFMAMJJASOND
Migração para o norteJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
20 a 30 anos; recorde de 38 anos
Em cativeiro
Até 38 a 50 anos com manejo veterinário
Maturidade sexual
4 a 5 anos, quando adquire cabeça branca

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, casal por toda a vida; renova o vínculo a cada estação
Estrutura social
Casal territorial isolado; agrupa-se apenas em áreas de alimentação abundante
Padrão sazonal
Sazonal; postura no inverno/primavera conforme a latitude
Tipo de nascimento
Ovíparo, 1 a 3 ovos brancos por ninhada
Ninhada e incubação
Incubação de 34 a 36 dias por ambos; filhotes voam com 10 a 13 semanas e dependem dos pais por mais 1 a 3 meses

Habitat

Ambientes

  • Rios e lagos de água doce
  • Estuários e manguezais
  • Costas marinhas e ilhas
  • Florestas ribeirinhas com árvores altas
  • Reservatórios e grandes represas

Biomas

  • Floresta temperada
  • Floresta boreal
  • Zonas úmidas costeiras
  • Tundra no verão (Alasca)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes (salmão, truta, bagre, tainha)

Outros alimentos

  • Aves aquáticas (patos, gaivotas)
  • Pequenos mamíferos (coelhos, esquilos)
  • Répteis e carcaças
  • Ovos e filhotes de outras aves

Encontrado em 3 países

  • Estados Unidos
  • Canadá
  • México

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Accipitriformes
Família
Accipitridae
Gênero
Haliaeetus
Espécie
Haliaeetus leucocephalus

Resumo

  • A águia-careca é uma ave de rapina da América do Norte com cabeça branca, bico amarelo e envergadura de até 2,3 metros, símbolo dos Estados Unidos.
  • Vive perto de rios, lagos e costas, alimenta-se principalmente de peixes e constrói ninhos gigantes que podem passar de 1 tonelada.
  • Quase extinta nas décadas de 1960 e 1970, se recuperou após a proibição do DDT e hoje é classificada como Pouco Preocupante pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

FamíliaAccipitridae
Origem e distribuiçãoAmérica do Norte (Alasca, Canadá, Estados Unidos e norte do México)
HabitatMargens de rios, lagos, estuários, costas marinhas e áreas alagadas com árvores altas
Tamanho (comprimento)70 a 102 cm
Envergadura1,80 a 2,30 m
Peso3 a 6,3 kg (fêmeas maiores que machos)
Coresmarrom-escurobrancoamarelopreto
Expectativa de vida20 a 30 anos na natureza, até 38 anos em cativeiro
AlimentaçãoPiscívora oportunista (peixes, aves aquáticas, pequenos mamíferos e carcaças)
CantoSequência aguda de chilreios e assobios, bem menos potente que o grito usado em filmes
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em árvore alta ou penhasco; 1 a 3 ovos brancos, incubação de 34 a 36 dias
Comportamento socialMonogâmica e territorial, vive em casal ou solitária; forma agrupamentos apenas onde há muita comida
Subespécies2: H. l. leucocephalus (sul) e H. l. washingtoniensis (norte, maior)

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoBaixo
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a águia-careca: não é careca de verdade

A águia-careca adulta é inconfundível. Cabeça e cauda totalmente brancas, corpo e asas em marrom-escuro quase preto, bico e patas amarelo-intenso e olhos amarelo-claros. O nome vem do inglês bald, que no inglês antigo significava “cabeça branca”, não sem penas.

O jovem é completamente diferente e confunde muita gente. Até os 4 a 5 anos, ele é marrom mosqueado de branco, sem cabeça branca e com bico escuro. Muita gente acha que é outra espécie, como a águia-dourada. A diferença está no bico mais pesado, na cabeça maior e nas pernas sem penas até os dedos.

Outro detalhe que entrega a espécie é a perna curta e sem penas na parte inferior, adaptada para agarrar peixes escorregadios. As garras são pretas, enormes e com solas ásperas chamadas espículas.

Tamanho, peso e por que ela parece ainda maior voando

É uma das maiores aves de rapina da América do Norte. Mede 70 a 102 cm de comprimento e pesa de 3 a 6,3 kg. As fêmeas são cerca de 25% maiores que os machos, um dimorfismo comum em aves de rapina.

O que impressiona mesmo é a envergadura: 1,80 a 2,30 metros. Em voo, as asas são largas, retas como uma tábua e com as pontas bem separadas em forma de dedos. A cauda curta e branca em leque ajuda a identificar à distância.

Apesar do tamanho, não é a mais pesada. A águia-dourada e a águia-de-steller são mais robustas. A águia-careca compensa com visão cerca de 4 a 5 vezes mais nítida que a humana e capacidade de enxergar peixes a centenas de metros de altura.

Onde vive: sempre perto de água

A águia-careca só ocorre na América do Norte. Vai do Alasca e Canadá até o norte do México, com maior concentração no Alasca, na região dos Grandes Lagos, na Flórida e no noroeste do Pacífico. Não existe solta no Brasil.

O habitat é previsível: onde tem água com peixe e árvore alta para ninho e poleiro. Rios grandes, lagos, reservatórios, estuários, manguezais e costas marinhas. Evita desertos e áreas urbanas densas, mas hoje tolera bem áreas com presença humana se houver alimento.

No Alasca, chega a formar poleiros comunitários de centenas de indivíduos no inverno, quando o salmão morre após a desova. No sul dos EUA, muitos casais são residentes e não migram.

O que come: pescadora que prefere roubar se puder

A dieta é 60 a 90% peixe, dependendo da região. Prefere peixes de superfície como salmão, truta, bagre e tainha, capturados com um voo rasante e garras à frente. Não mergulha como a águia-pescadora: só molha as garras.

Quando a pesca está difícil, vira oportunista. Come aves aquáticas, coelhos, esquilos, tartarugas e muita carcaça, especialmente no inverno. É famosa pela cleptoparasitismo: persegue águias-pescadoras, gaivotas e até outras águias-carecas até que soltem a presa.

  • Técnica principal: voo baixo sobre a água e agarrada com as duas garras.
  • Plano B: roubo de alimento e consumo de peixes mortos.
  • Curiosidade: consegue levantar cerca de 1,8 a 2 kg em voo; peixes maiores são arrastados até a margem para comer.

Essa flexibilidade alimentar foi chave para a recuperação da espécie. Ela não depende de uma única presa.

Comportamento, voo e o canto que Hollywood trocou

É monogâmica e territorial. O casal defende um território de 1 a 2 km ao redor do ninho e costuma ficar junto por toda a vida, renovando o ninho todo ano. Fora da reprodução, pode ser solitária ou formar grupos temporários em locais com muita comida.

O voo é potente e planado. Usa térmicas para subir e planar por quilômetros sem bater asas. Na corte, faz o famoso voo de garras dadas: o casal sobe alto, entrelaça as garras e despenca em espiral, soltando-se perto do chão.

E o canto decepciona quem espera um grito poderoso. A vocalização real é um chilreio agudo, trêmulo e relativamente fraco, descrito como “ki-ki-ki”. O grito forte que aparece em filmes de águia-careca é, na verdade, do gavião-de-cauda-vermelha dublado por cima.

Reprodução: ninhos que viram recordes mundiais

A reprodução começa entre os 4 e 5 anos, quando adquire a plumagem adulta. No sul, põe ovos de outubro a abril; no norte, de fevereiro a agosto. O casal constrói junto, no topo de árvores muito altas, penhascos ou até torres artificiais.

O ninho é uma estrutura colossal de galhos, forrada com grama, musgo e penas. O maior já registrado, na Flórida, tinha 2,9 metros de largura, 6 metros de altura e pesava mais de 2,7 toneladas. Ninhos comuns pesam de 400 kg a 1 tonelada e são reutilizados e aumentados por anos, às vezes por décadas.

A postura é de 1 a 3 ovos brancos, incubados por 34 a 36 dias por ambos. Os filhotes nascem com penugem cinza, crescem rápido e ficam no ninho por 10 a 13 semanas. Mesmo após voar, os pais alimentam o jovem por mais 4 a 11 semanas até ele aprender a caçar sozinho.

Por que tantos filhotes não chegam à fase adulta?

A mortalidade no primeiro ano chega a 50%. Quedas do ninho, falta de alimento e eletrocussão em postes são causas comuns. Quem sobrevive ao primeiro inverno tem grande chance de viver 20 anos ou mais.

Migração e ciclo anual: nem toda águia-careca migra

É uma migrante parcial. Populações do Alasca, Canadá e norte dos EUA migram para o sul no inverno, quando lagos congelam. Já as do sul e da costa do Pacífico são residentes.

O ciclo é bem marcado. No outono, as do norte descem; no final do inverno, voltam para reproduzir. Juvenis errantes podem vagar milhares de quilômetros antes de fixar território. No Brasil não há migração natural da espécie.

Subespécie Tamanho médio Distribuição Traço distintivo
H. l. washingtoniensis Maior, até 102 cm Alasca, Canadá e norte dos EUA Mais robusta, envergadura maior
H. l. leucocephalus Menor, 70 a 90 cm Sul dos EUA e norte do México Mais leve, adaptada a climas quentes

Essa divisão explica por que águias vistas na Flórida parecem menores que as do Alasca, mesmo sendo a mesma espécie.

Conservação: de 417 casais ao retorno triunfal

Em 1963, restavam apenas 417 casais reprodutivos nos 48 estados continentais dos EUA. O culpado principal foi o DDT, que afinava a casca dos ovos e impedia a eclosão, além de caça, envenenamento e destruição de habitat.

A virada veio com a proibição do DDT em 1972 nos EUA, a proteção por lei federal e programas de reprodução e reintrodução. Em 2007, saiu da lista de espécies ameaçadas. Hoje há mais de 70 mil indivíduos e cerca de 30 mil casais reprodutivos só nos EUA continentais, além de dezenas de milhares no Alasca e Canadá.

Continua protegida por duas leis federais americanas (Bald and Golden Eagle Protection Act e Migratory Bird Treaty Act). Ameaças atuais são eletrocussão, colisão com turbinas eólicas, envenenamento por chumbo de munição deixada em carcaças e poluição por mercúrio.

É possível ter águia-careca no Brasil? Legalidade e observação

Não. A águia-careca não pode ser criada como pet no Brasil nem nos EUA. No Brasil, a fauna silvestre nativa e exótica só pode ser mantida com autorização do IBAMA e de órgãos estaduais, e a espécie não está entre as autorizadas para criação doméstica. Nos EUA, manter, caçar ou mesmo possuir uma pena é crime federal com multa pesada.

Em cativeiro, só existe em zoológicos, centros de reabilitação e criadouros conservacionistas licenciados, geralmente com aves que não podem voltar à natureza por lesão. A melhor forma de vê-la é em viagem de observação na América do Norte, em locais como Alasca, Parque Nacional de Yellowstone, Rio Mississippi e Flórida, sempre com binóculo e distância mínima de 100 metros do ninho.

Se encontrar oferta de venda na internet, desconfie: além de crime ambiental, o tráfico é uma das maiores ameaças às aves de rapina.

Perguntas frequentes

Águia-careca é careca mesmo?

Não. A cabeça é coberta de penas brancas. O nome vem do inglês antigo bald, que significava branco.

Qual a diferença entre águia-careca e águia-dourada?

A adulta careca tem cabeça e cauda brancas e bico amarelo; a dourada é toda marrom com nuca dourada e pernas emplumadas até os dedos.

Onde a águia-careca vive? Ela existe no Brasil?

Só na América do Norte: Alasca, Canadá, EUA e norte do México. Não ocorre solta no Brasil.

O que a águia-careca come?

Principalmente peixes, mas também aves aquáticas, pequenos mamíferos e carcaças. Rouba presas de outras aves quando pode.

Quanto tempo vive uma águia-careca?

De 20 a 30 anos na natureza e até 38 a 50 anos em cativeiro com cuidados.

Por que ela quase foi extinta?

Principalmente pelo pesticida DDT, que afinava a casca dos ovos, além de caça e perda de habitat. Proibido o DDT em 1972, a população se recuperou.

Pode ter águia-careca de estimação?

Não. No Brasil e nos EUA a posse é proibida por lei. Só zoológicos e centros de reabilitação licenciados podem mantê-la.

Você sabia?

1

O ninho mais pesado do mundo

O maior ninho de águia-careca registrado pesava mais de 2,7 toneladas e media 6 metros de altura. Ele caiu com a árvore por excesso de peso.

2

A voz é dublada no cinema

Quase todo grito de águia-careca em filmes é na verdade de um gavião-de-cauda-vermelha. O canto real da águia-careca é um piado agudo considerado pouco imponente para Hollywood.

3

Quase sumiu por causa do DDT

O pesticida DDT fazia a casca dos ovos ficar tão fina que quebrava sob o peso dos pais. A proibição em 1972 foi decisiva para a espécie sair de 417 casais para mais de 30 mil.

4

Enxerga peixe a 1 km

A águia-careca tem fóveas duplas na retina e enxerga de 4 a 5 vezes melhor que humanos. Consegue detectar um peixe perto da superfície a centenas de metros de altura.

Fontes

  1. IUCN Red List - Haliaeetus leucocephalus
  2. Cornell Lab of Ornithology - All About Birds
  3. U.S. Fish & Wildlife Service
  4. BirdLife International

Prós e contras: Águia-careca

Prós

  • Símbolo cultural forte e fácil de identificar na fase adulta
  • Caso de sucesso de conservação com população em crescimento
  • Visão e voo planado impressionantes para observação de aves
  • Dieta flexível que ajudou na adaptação a diferentes habitats
  • Monogamia e cuidado parental prolongado fascinantes para estudo

Contras

  • Não pode ser criada como pet e exige enorme território
  • Juvenis confundidos com outras águias, dificultando identificação
  • Dependente de corpos d'água limpos e peixes saudáveis
  • Vulnerável a chumbo, venenos e colisão com linhas elétricas
  • Canto fraco frustra quem espera o grito de filme
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a águia-careca é o melhor exemplo de como legislação ambiental funciona quando aplicada com rigor: saiu de símbolo à beira da extinção para praga de tão comum em algumas áreas do Alasca. Para quem observa aves, ela ensina que nem toda ave de rapina precisa de grito forte para impor respeito.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.