Resumo
- O caburé é uma mini-coruja diurna de 15 a 17 cm, com olhos amarelos e falsos olhos pretos na nuca, que caça insetos, lagartixas e até outras aves.
- Vive em quase todo o Brasil, de matas e cerrados a quintais urbanos, nidifica em ocos de árvores e tem canto agudo em sequência que provoca mobbing de passarinhos.
- No Brasil sua criação como pet é crime ambiental e depende de autorização do IBAMA, sendo a espécie mais comum (Glaucidium brasilianum) classificada como Pouco Preocupante pela IUCN.
Características
Ficha da espécie
| Família | Strigidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Do sul dos EUA ao sul da América do Sul; em todo o Brasil |
| Habitat | Bordas de matas, cerrado, caatinga, restingas e áreas urbanas arborizadas |
| Tamanho (comprimento) | 15 a 17 cm |
| Envergadura | 35 a 38 cm |
| Peso | 46 a 70 g (fêmea maior que o macho) |
| Cores | ferrugemmarromcinzabrancopretoamarelo (olhos) |
| Expectativa de vida | 7 a 10 anos na natureza |
| Alimentação | Carnívora: insetos, lagartixas, pequenos pássaros e roedores |
| Canto | Sequência de 20 a 30 notas agudas por minuto, tipo "pó-pó-pó-pó" |
| Reprodução (ninho e ovos) | Ninho em oco de árvore; 2 a 5 ovos brancos; incubação de 28 dias |
| Comportamento social | Solitário e territorial; ativo de dia, principalmente ao amanhecer e entardecer |
| Variedades ou subespécies | Cerca de 12 subespécies de G. brasilianum; outros caburés no Brasil: G. minutissimum e G. hardyi |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Baixo |
|---|---|
| Intensidade do canto | Alto |
| Inteligência | Alto |
| Facilidade de criação | Muito baixo |
| Necessidade de espaço | Médio |
| Nível de atividade | Alto |
| Capacidade de imitar sons | Muito baixo |
Como reconhecer o caburé: tamanho, cores e os falsos olhos
O caburé é uma coruja em miniatura. O mais comum no Brasil, o caburé-ferrugem (Glaucidium brasilianum), mede de 15 a 17 cm e pesa entre 46 e 70 g, com a fêmea sempre um pouco maior e mais pesada que o macho.
Não tem “orelhas” de penas como a coruja-orelhuda. A cabeça é redonda, os olhos são amarelos e grandes, o bico é curto e amarelado e as garras são fortes e acurvadas. As asas são curtas e arredondadas, e a cauda é relativamente longa e barrada.
A plumagem varia muito, mesmo na mesma região. Existem três morfos principais: ferrugem (avermelhado), marrom e acinzentado, todos com peito estriado de branco e marrom e barriga mais clara. Essa variação confunde iniciantes, que acham ser espécies diferentes.
O detalhe inconfundível está na nuca: duas manchas pretas com borda branca que imitam olhos, chamadas de ocelos occipitais. Servem para enganar predadores e presas, dando a impressão de que a coruja está sempre olhando para trás.
Onde vive o caburé no Brasil e nas Américas
O caburé-ferrugem é uma das corujas de maior distribuição do continente. Ocorre do sul do Texas e México até o norte da Argentina, passando por toda a América Central e quase todo o Brasil, exceto áreas muito densas e fechadas da Amazônia central.
No Brasil, é encontrado em todos os biomas: Amazônia (bordas), Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Prefere bordas de mata, capoeiras, cerradões, caatingas arbóreas, restingas, parques e até quintais com árvores grandes.
Evita o interior de floresta primária muito fechada e áreas totalmente abertas sem poleiros. É sedentário e territorial: o casal ocupa o mesmo território o ano todo e defende com canto. Em cidades, adapta-se bem se houver ocos para nidificar e oferta de lagartixas e insetos.
O que o caburé come e como caça de dia
Ao contrário da maioria das corujas, o caburé caça principalmente de dia, com picos ao amanhecer e no fim da tarde. Fica empoleirado em galho exposto, imóvel, observando o entorno e balançando a cauda de forma característica.
A dieta é carnívora e oportunista. A base são insetos grandes (gafanhotos, besouros, cigarras), lagartixas, pererecas e escorpiões. Mas é predador audacioso: captura pássaros de até seu próprio tamanho, como pardais e sebinhos, além de camundongos e morcegos pequenos.
A técnica é o bote rápido. Ele mergulha do poleiro, agarra a presa com as garras e mata com o bico. Costuma levar a presa para um poleiro e depenar aves antes de comer. Em época de fartura, estoca presas em ocos para consumir depois.
Canto, comportamento e por que os passarinhos o atacam
O canto é a forma mais fácil de achar um caburé. É uma sequência monótona de notas agudas, “pó-pó-pó-pó…”, emitidas em ritmo constante, cerca de 20 a 30 notas por minuto, sem parar por vários segundos. Cada macho tem um ritmo ligeiramente diferente.
Ele canta para marcar território e atrair fêmea, e pode ser ouvido tanto de dia quanto à noite. Na época reprodutiva, o macho canta por horas no mesmo poleiro. A fêmea tem canto similar, porém mais agudo e menos frequente.
Esse canto provoca um fenômeno famoso: o mobbing. Bem-te-vis, saíras, suiriris e outros passeriformes reconhecem o predador e se juntam para gritar, voar em círculos e até bicar o caburé até ele ir embora. Por isso, observadores de aves imitam o canto do caburé para atrair bandos mistos.
Fora da reprodução é solitário. Não forma bandos e não tolera outro caburé no território. Quando ameaçado, eriçam as penas, abre as asas e mostra os falsos olhos da nuca, além de estalar o bico.
Reprodução, ninho e filhotes
A reprodução ocorre entre agosto e novembro na maior parte do Brasil, coincidindo com o fim da seca. O macho atrai a fêmea cantando perto de um oco disponível e oferece alimento como parte da corte.
Não constrói ninho. Usa ocos naturais ou abandonados por pica-paus, em árvores como angicos, ipês e eucaliptos, e até em postes e caixas-ninho. A disputa por ocos com abelhas e outras aves é intensa.
A fêmea põe de 2 a 5 ovos brancos e redondos e incuba sozinha por cerca de 28 dias, enquanto o macho leva comida. Os filhotes nascem cobertos de penugem branca, abrem os olhos com poucos dias e deixam o oco com cerca de 27 a 30 dias, mas continuam sendo alimentados pelos pais por mais duas semanas.
Quais são os caburés do Brasil? Diferenças principais
“Caburé” não é uma espécie só. No Brasil, o CBRO reconhece três espécies do gênero Glaucidium, muito parecidas, mas com distribuição e voz distintas.
| Espécie | Nome popular | Tamanho | Onde ocorre | Traço distintivo |
|---|---|---|---|---|
| Glaucidium brasilianum | Caburé-ferrugem | 15-17 cm | Todo o Brasil, mais comum | Canto em sequência longa e rápida; três morfos de cor |
| Glaucidium minutissimum | Caburé-miudinho | 12-14 cm | Mata Atlântica do leste | Menor do país; canto mais curto e agudo, com pausas maiores |
| Glaucidium hardyi | Caburé-da-amazônia | 14-15 cm | Amazônia | Cabeça mais acinzentada; canto com notas duplas |
Para o leigo, a melhor forma de separar é pela voz e local. Visualmente, o miudinho e o da Amazônia são mais acinzentados e têm estrias mais finas na cabeça. O ferrugem é o único com morfo ferrugem bem avermelhado.
É possível ter caburé em casa? Legalidade e cuidados
Não. O caburé é ave silvestre nativa e protegida por lei. Capturar, manter em gaiola, comprar ou vender sem autorização é crime ambiental (Lei 9.605/98), com multa e detenção.
A criação só é legal por meio de criadouros autorizados pelo IBAMA ou órgãos estaduais, e não há criadouros comerciais de caburé para pet no Brasil. Aves de rapina exigem recinto grande, alimentação com presas vivas ou inteiras, e manejo veterinário especializado, além de serem estressadas em cativeiro doméstico.
Se você encontrar um filhote caído, não leve para casa. Observe se os pais estão por perto; na maioria das vezes, estão. Se estiver ferido, acione o órgão ambiental local, Polícia Ambiental ou CETAS. Tentar alimentar com carne temperada ou leite mata a ave.
Estado de conservação e principais ameaças
O caburé-ferrugem é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e ampla distribuição. É uma das corujas mais abundantes das Américas.
As ameaças locais são desmatamento, corte de árvores com ocos, uso de venenos agrícolas que contaminam insetos e lagartixas, e atropelamentos. Em áreas urbanas, colisões com vidraças e predação por gatos domésticos matam filhotes recém-saídos do ninho.
A derrubada de árvores antigas é o impacto mais silencioso, pois elimina locais de nidificação. Manter árvores com ocos, instalar caixas-ninho e reduzir pesticidas são medidas práticas que ajudam a espécie a permanecer nas cidades e no campo.
Como observar o caburé sem atrapalhar
Procure por poleiros expostos em bordas de mata no início da manhã. Se ouvir o canto, siga com calma e observe galhos secos no topo de árvores médias. Use binóculo e mantenha distância.
Evite tocar playback do canto por muito tempo. O uso excessivo estressa o macho territorial e atrai mobbing desnecessário, gastando energia da ave e dos passarinhos. Limite a poucos segundos e nunca perto de ninhos ativos.
- Horário: amanhecer e fim de tarde são os melhores.
- Sinal: bando de passarinhos alarmados e agitados quase sempre indica um caburé por perto.
- Registro: fotografe sem flash e não divulgue localização exata de ninhos em redes sociais.
Perguntas frequentes
Caburé é coruja ou gavião?
É coruja, da família Strigidae. Apesar de caçar de dia como gaviões, tem disco facial, olhos frontais e voo silencioso típicos de corujas.
Qual o tamanho do caburé?
O caburé-ferrugem mede 15 a 17 cm e pesa 46 a 70 g, sendo uma das menores corujas das Américas.
Caburé canta de dia ou de noite?
Canta nos dois períodos, mas principalmente ao amanhecer e entardecer. O canto é uma sequência aguda e repetida de "pó-pó-pó".
O que o caburé come?
Insetos, lagartixas, pererecas, escorpiões e pequenos pássaros e roedores. Caça dando botes a partir de poleiros expostos.
Posso criar caburé em casa?
Não. É ave silvestre protegida por lei. Criar, comprar ou manter sem autorização do IBAMA é crime ambiental.
Por que os passarinhos atacam o caburé?
É o comportamento de mobbing: ao reconhecerem o predador, várias aves se juntam para gritar e expulsá-lo do território.
Onde encontrar caburé no Brasil?
Em quase todo o país, em bordas de matas, cerrados, caatingas e até áreas urbanas arborizadas com árvores com ocos.
Você sabia? 4 fatos surpreendentes sobre o caburé
Os falsos olhos enganam até gaviões
As manchas da nuca imitam olhos abertos. Quando o caburé está de costas, predadores acham que estão sendo observados e desistem do ataque.
Caça pássaros atraindo com o próprio canto
Ao cantar, ele provoca o mobbing e, quando os passarinhos se aproximam para expulsá-lo, dá um bote rápido e captura um deles.
Cabe na mão, mas é canibal de corujas
Há registros de caburés predando outras corujinhas menores e até filhotes de sua própria espécie em disputas por território.
Dorme com um olho aberto
Como outras corujas, pratica o sono uni-hemisférico: metade do cérebro dorme enquanto a outra fica alerta, mantendo um olho entreaberto.









