🦜 Aves e Pássaros

Caburé

Glaucidium brasilianum

Atualizado em

15 a 17 cmTamanho
46 a 70 gPeso
7 a 10 anosExpectativa de vida
Trinado agudo e repetidoCanto
Matas, cerrados e áreas urbanasHabitat
Caburé-ferrugem adulto empoleirado em galho seco mostrando plumagem ferrugem

O caburé é o nome popular das menores corujas do Brasil, com destaque para o caburé-ferrugem (Glaucidium brasilianum). Com apenas 15 a 17 cm, cabe na palma da mão, mas caça como uma ave de rapina de verdade, atacando presas quase do seu tamanho.

Diferente da maioria das corujas, é ativo de dia, tem canto agudo e repetitivo que entrega sua presença na mata e possui duas manchas pretas na nuca que imitam olhos. É uma das corujas mais comuns e mais ouvidas do país, presente do interior do Nordeste ao Pampa.

Confundido com filhote de coruja, o caburé adulto é territorial, solitário e temido por passarinhos, que se juntam para expulsá-lo quando o encontram. Entender essa dinâmica explica por que seu canto é tão usado por observadores de aves para atrair outras espécies.

Também conhecido como: Caburé-ferrugem, Corujinha-ferrugem, Caburé-miudinho, Caburé-da-amazônia, Ferruginous Pygmy-Owl (inglês), Tecolote bajeño (espanhol)

Faz parte de: Aves de Rapina

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Galeria de fotos de Caburé

Caburé-ferrugem adulto empoleirado em galho seco mostrando plumagem ferrugem
Caburé-ferrugem adulto em poleiro exposto, postura típica de caça.
Close do rosto do caburé com olhos amarelos e bico curto
Detalhe da cabeça redonda e dos olhos amarelos do caburé.
Nuca do caburé mostrando os falsos olhos pretos com borda branca
Os falsos olhos na nuca, marca registrada do caburé.
Caburé em voo com asas abertas sobre o cerrado
Voo rápido e direto do caburé entre poleiros.
Caburé em seu habitat natural no cerrado brasileiro
Habitat típico: bordas de mata e cerrado com árvores com ocos.
Caburé se alimentando segurando lagartixa nas garras
Caburé com presa: lagartixas são parte importante da dieta.

Perfil rápido de Caburé

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável em grande parte da distribuição.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegida pela Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67)

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND
Dispersão dos filhotesJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
7 a 10 anos; até 12 anos em áreas protegidas
Em cativeiro autorizado
Raramente mantido; pode passar de 10 anos com manejo especializado

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal; casal defende território com canto
Estrutura social
Solitário fora da reprodução; par apenas na época de cria
Padrão sazonal
Reproduz de agosto a novembro na maior parte do Brasil
Tipo de nascimento
Ovíparo; 2 a 5 ovos brancos por postura
Ninhada
Incubação de 28 dias pela fêmea; filhotes deixam o oco com 27 a 30 dias

Habitat

Ambientes

  • Bordas de matas
  • Cerradões e capoeiras
  • Caatinga arbórea
  • Restingas e manguezais
  • Parques e quintais urbanos com árvores

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Amazônia (bordas)
  • Pantanal
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos grandes
  • Lagartixas e lagartos pequenos
  • Pequenos pássaros

Outros alimentos

  • Escorpiões e aranhas
  • Pererecas
  • Pequenos roedores
  • Morcegos

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Colômbia
  • Venezuela
  • México
  • Estados Unidos
  • Panamá
  • Peru

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não adequado; ave de rapina silvestre, não domesticada
Legalidade no Brasil
Protegida por lei; captura e comércio sem autorização do IBAMA são crime ambiental
Nível de cuidado
Altíssimo; exige recinto grande, dieta de presas inteiras e veterinário especializado
Custo de aquisição
Não há venda legal para pet; apenas criadouros científicos autorizados

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Strigiformes
Família
Strigidae
Gênero
Glaucidium
Espécie
Glaucidium brasilianum

Resumo

  • O caburé é uma mini-coruja diurna de 15 a 17 cm, com olhos amarelos e falsos olhos pretos na nuca, que caça insetos, lagartixas e até outras aves.
  • Vive em quase todo o Brasil, de matas e cerrados a quintais urbanos, nidifica em ocos de árvores e tem canto agudo em sequência que provoca mobbing de passarinhos.
  • No Brasil sua criação como pet é crime ambiental e depende de autorização do IBAMA, sendo a espécie mais comum (Glaucidium brasilianum) classificada como Pouco Preocupante pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

FamíliaStrigidae
Origem e distribuiçãoDo sul dos EUA ao sul da América do Sul; em todo o Brasil
HabitatBordas de matas, cerrado, caatinga, restingas e áreas urbanas arborizadas
Tamanho (comprimento)15 a 17 cm
Envergadura35 a 38 cm
Peso46 a 70 g (fêmea maior que o macho)
Coresferrugemmarromcinzabrancopretoamarelo (olhos)
Expectativa de vida7 a 10 anos na natureza
AlimentaçãoCarnívora: insetos, lagartixas, pequenos pássaros e roedores
CantoSequência de 20 a 30 notas agudas por minuto, tipo "pó-pó-pó-pó"
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em oco de árvore; 2 a 5 ovos brancos; incubação de 28 dias
Comportamento socialSolitário e territorial; ativo de dia, principalmente ao amanhecer e entardecer
Variedades ou subespéciesCerca de 12 subespécies de G. brasilianum; outros caburés no Brasil: G. minutissimum e G. hardyi

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMédio
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o caburé: tamanho, cores e os falsos olhos

O caburé é uma coruja em miniatura. O mais comum no Brasil, o caburé-ferrugem (Glaucidium brasilianum), mede de 15 a 17 cm e pesa entre 46 e 70 g, com a fêmea sempre um pouco maior e mais pesada que o macho.

Não tem “orelhas” de penas como a coruja-orelhuda. A cabeça é redonda, os olhos são amarelos e grandes, o bico é curto e amarelado e as garras são fortes e acurvadas. As asas são curtas e arredondadas, e a cauda é relativamente longa e barrada.

A plumagem varia muito, mesmo na mesma região. Existem três morfos principais: ferrugem (avermelhado), marrom e acinzentado, todos com peito estriado de branco e marrom e barriga mais clara. Essa variação confunde iniciantes, que acham ser espécies diferentes.

O detalhe inconfundível está na nuca: duas manchas pretas com borda branca que imitam olhos, chamadas de ocelos occipitais. Servem para enganar predadores e presas, dando a impressão de que a coruja está sempre olhando para trás.

Onde vive o caburé no Brasil e nas Américas

O caburé-ferrugem é uma das corujas de maior distribuição do continente. Ocorre do sul do Texas e México até o norte da Argentina, passando por toda a América Central e quase todo o Brasil, exceto áreas muito densas e fechadas da Amazônia central.

No Brasil, é encontrado em todos os biomas: Amazônia (bordas), Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Prefere bordas de mata, capoeiras, cerradões, caatingas arbóreas, restingas, parques e até quintais com árvores grandes.

Evita o interior de floresta primária muito fechada e áreas totalmente abertas sem poleiros. É sedentário e territorial: o casal ocupa o mesmo território o ano todo e defende com canto. Em cidades, adapta-se bem se houver ocos para nidificar e oferta de lagartixas e insetos.

O que o caburé come e como caça de dia

Ao contrário da maioria das corujas, o caburé caça principalmente de dia, com picos ao amanhecer e no fim da tarde. Fica empoleirado em galho exposto, imóvel, observando o entorno e balançando a cauda de forma característica.

A dieta é carnívora e oportunista. A base são insetos grandes (gafanhotos, besouros, cigarras), lagartixas, pererecas e escorpiões. Mas é predador audacioso: captura pássaros de até seu próprio tamanho, como pardais e sebinhos, além de camundongos e morcegos pequenos.

A técnica é o bote rápido. Ele mergulha do poleiro, agarra a presa com as garras e mata com o bico. Costuma levar a presa para um poleiro e depenar aves antes de comer. Em época de fartura, estoca presas em ocos para consumir depois.

Canto, comportamento e por que os passarinhos o atacam

O canto é a forma mais fácil de achar um caburé. É uma sequência monótona de notas agudas, “pó-pó-pó-pó…”, emitidas em ritmo constante, cerca de 20 a 30 notas por minuto, sem parar por vários segundos. Cada macho tem um ritmo ligeiramente diferente.

Ele canta para marcar território e atrair fêmea, e pode ser ouvido tanto de dia quanto à noite. Na época reprodutiva, o macho canta por horas no mesmo poleiro. A fêmea tem canto similar, porém mais agudo e menos frequente.

Esse canto provoca um fenômeno famoso: o mobbing. Bem-te-vis, saíras, suiriris e outros passeriformes reconhecem o predador e se juntam para gritar, voar em círculos e até bicar o caburé até ele ir embora. Por isso, observadores de aves imitam o canto do caburé para atrair bandos mistos.

Fora da reprodução é solitário. Não forma bandos e não tolera outro caburé no território. Quando ameaçado, eriçam as penas, abre as asas e mostra os falsos olhos da nuca, além de estalar o bico.

Reprodução, ninho e filhotes

A reprodução ocorre entre agosto e novembro na maior parte do Brasil, coincidindo com o fim da seca. O macho atrai a fêmea cantando perto de um oco disponível e oferece alimento como parte da corte.

Não constrói ninho. Usa ocos naturais ou abandonados por pica-paus, em árvores como angicos, ipês e eucaliptos, e até em postes e caixas-ninho. A disputa por ocos com abelhas e outras aves é intensa.

A fêmea põe de 2 a 5 ovos brancos e redondos e incuba sozinha por cerca de 28 dias, enquanto o macho leva comida. Os filhotes nascem cobertos de penugem branca, abrem os olhos com poucos dias e deixam o oco com cerca de 27 a 30 dias, mas continuam sendo alimentados pelos pais por mais duas semanas.

Quais são os caburés do Brasil? Diferenças principais

“Caburé” não é uma espécie só. No Brasil, o CBRO reconhece três espécies do gênero Glaucidium, muito parecidas, mas com distribuição e voz distintas.

Espécie Nome popular Tamanho Onde ocorre Traço distintivo
Glaucidium brasilianum Caburé-ferrugem 15-17 cm Todo o Brasil, mais comum Canto em sequência longa e rápida; três morfos de cor
Glaucidium minutissimum Caburé-miudinho 12-14 cm Mata Atlântica do leste Menor do país; canto mais curto e agudo, com pausas maiores
Glaucidium hardyi Caburé-da-amazônia 14-15 cm Amazônia Cabeça mais acinzentada; canto com notas duplas

Para o leigo, a melhor forma de separar é pela voz e local. Visualmente, o miudinho e o da Amazônia são mais acinzentados e têm estrias mais finas na cabeça. O ferrugem é o único com morfo ferrugem bem avermelhado.

É possível ter caburé em casa? Legalidade e cuidados

Não. O caburé é ave silvestre nativa e protegida por lei. Capturar, manter em gaiola, comprar ou vender sem autorização é crime ambiental (Lei 9.605/98), com multa e detenção.

A criação só é legal por meio de criadouros autorizados pelo IBAMA ou órgãos estaduais, e não há criadouros comerciais de caburé para pet no Brasil. Aves de rapina exigem recinto grande, alimentação com presas vivas ou inteiras, e manejo veterinário especializado, além de serem estressadas em cativeiro doméstico.

Se você encontrar um filhote caído, não leve para casa. Observe se os pais estão por perto; na maioria das vezes, estão. Se estiver ferido, acione o órgão ambiental local, Polícia Ambiental ou CETAS. Tentar alimentar com carne temperada ou leite mata a ave.

Estado de conservação e principais ameaças

O caburé-ferrugem é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e ampla distribuição. É uma das corujas mais abundantes das Américas.

As ameaças locais são desmatamento, corte de árvores com ocos, uso de venenos agrícolas que contaminam insetos e lagartixas, e atropelamentos. Em áreas urbanas, colisões com vidraças e predação por gatos domésticos matam filhotes recém-saídos do ninho.

A derrubada de árvores antigas é o impacto mais silencioso, pois elimina locais de nidificação. Manter árvores com ocos, instalar caixas-ninho e reduzir pesticidas são medidas práticas que ajudam a espécie a permanecer nas cidades e no campo.

Como observar o caburé sem atrapalhar

Procure por poleiros expostos em bordas de mata no início da manhã. Se ouvir o canto, siga com calma e observe galhos secos no topo de árvores médias. Use binóculo e mantenha distância.

Evite tocar playback do canto por muito tempo. O uso excessivo estressa o macho territorial e atrai mobbing desnecessário, gastando energia da ave e dos passarinhos. Limite a poucos segundos e nunca perto de ninhos ativos.

  • Horário: amanhecer e fim de tarde são os melhores.
  • Sinal: bando de passarinhos alarmados e agitados quase sempre indica um caburé por perto.
  • Registro: fotografe sem flash e não divulgue localização exata de ninhos em redes sociais.

Perguntas frequentes

Caburé é coruja ou gavião?

É coruja, da família Strigidae. Apesar de caçar de dia como gaviões, tem disco facial, olhos frontais e voo silencioso típicos de corujas.

Qual o tamanho do caburé?

O caburé-ferrugem mede 15 a 17 cm e pesa 46 a 70 g, sendo uma das menores corujas das Américas.

Caburé canta de dia ou de noite?

Canta nos dois períodos, mas principalmente ao amanhecer e entardecer. O canto é uma sequência aguda e repetida de "pó-pó-pó".

O que o caburé come?

Insetos, lagartixas, pererecas, escorpiões e pequenos pássaros e roedores. Caça dando botes a partir de poleiros expostos.

Posso criar caburé em casa?

Não. É ave silvestre protegida por lei. Criar, comprar ou manter sem autorização do IBAMA é crime ambiental.

Por que os passarinhos atacam o caburé?

É o comportamento de mobbing: ao reconhecerem o predador, várias aves se juntam para gritar e expulsá-lo do território.

Onde encontrar caburé no Brasil?

Em quase todo o país, em bordas de matas, cerrados, caatingas e até áreas urbanas arborizadas com árvores com ocos.

Você sabia? 4 fatos surpreendentes sobre o caburé

1

Os falsos olhos enganam até gaviões

As manchas da nuca imitam olhos abertos. Quando o caburé está de costas, predadores acham que estão sendo observados e desistem do ataque.

2

Caça pássaros atraindo com o próprio canto

Ao cantar, ele provoca o mobbing e, quando os passarinhos se aproximam para expulsá-lo, dá um bote rápido e captura um deles.

3

Cabe na mão, mas é canibal de corujas

Há registros de caburés predando outras corujinhas menores e até filhotes de sua própria espécie em disputas por território.

4

Dorme com um olho aberto

Como outras corujas, pratica o sono uni-hemisférico: metade do cérebro dorme enquanto a outra fica alerta, mantendo um olho entreaberto.

Fontes

  1. IUCN Red List - Glaucidium brasilianum
  2. WikiAves - Caburé
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - Ferruginous Pygmy-Owl

Prós e contras: Caburé

Prós

  • Muito adaptável, ocorre em quase todo o Brasil
  • Ativo de dia, fácil de observar e ouvir
  • Controla insetos, escorpiões e roedores
  • Não depende de floresta primária fechada
  • Canto característico facilita identificação

Contras

  • Sofre com falta de ocos para nidificar
  • Sensível a venenos agrícolas na cadeia alimentar
  • Vítima de colisões com vidros e atropelamentos
  • Playback excessivo causa estresse territorial
  • Filhotes vulneráveis a gatos domésticos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o caburé é a porta de entrada perfeita para entender aves de rapina no Brasil: pequeno, comum e diurno, ele quebra o mito de que coruja só sai à noite. Sua combinação de falsos olhos, canto que mobiliza a mata inteira e coragem para caçar presas do seu tamanho o torna muito mais interessante que seu tamanho sugere.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.