🦜 Aves e Pássaros

Pica-pau-do-peito-amarelo

Celeus flavus

Atualizado em

24 a 26 cmTamanho
95 a 130 gPeso
6 a 9 anosExpectativa de vida
Agudo e repetidoCanto
Várzea e igapó amazônicoHabitat
Pica-pau-do-peito-amarelo adulto pousado em tronco morto na várzea amazônica

O pica-pau-do-peito-amarelo (Celeus flavus) é um pica-pau de plumagem amarelo-creme quase uniforme, com crista pontuda e olhos claros, inconfundível quando visto bem na luz da várzea. Mede cerca de 24 a 26 cm e chama atenção pelo contraste entre o corpo claro e as asas e cauda mais escuras.

Vive quase exclusivamente em florestas alagáveis da Amazônia e bacias do Orinoco, onde forrageia em troncos, galhos e até no solo atrás de formigas e cupins. Não é ave de gaiola e deve ser observado livre na natureza, com respeito à legislação ambiental brasileira.

Também conhecido como: Pica-pau-amarelo-claro, Pica-pau-creme, Cream-colored Woodpecker (inglês), Carpintero amarillento (espanhol), Picus flavus (sinônimo antigo)

Faz parte de: Aves da Amazônia

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Galeria de fotos de Pica-pau-do-peito-amarelo

Pica-pau-do-peito-amarelo adulto pousado em tronco morto na várzea amazônica
Adulto com plumagem creme característica pousado em tronco de várzea.
Close da cabeça do pica-pau-do-peito-amarelo mostrando crista e olho claro
Detalhe da crista pontuda e da íris clara, marca da espécie.
Pica-pau-do-peito-amarelo em voo sobre rio amazônico
Voo ondulado com contraste entre corpo creme e asas escuras.
Pica-pau-do-peito-amarelo em habitat natural de igapó alagado
Habitat típico de igapó e várzea na Amazônia.
Pica-pau-do-peito-amarelo se alimentando de formigas no tronco
Forrageio sondando formigas e cupins em madeira mole.
Ninho em cavidade de tronco com ovos brancos do pica-pau-do-peito-amarelo
Cavidade escavada em tronco morto com ovos brancos.

Perfil rápido de Pica-pau-do-peito-amarelo

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie de ampla distribuição amazônica e população estável.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegido por lei federal no Brasil; captura e comércio são crime ambiental

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade vocalJFMAMJJASOND
Dispersão de jovensJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
6 a 9 anos, com mortalidade maior no primeiro ano após sair do ninho
Em cativeiro
Não se aplica; espécie silvestre não mantida legalmente em cativeiro

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, com par territorial estável
Estrutura social
Par isolado ou grupo familiar de 3 a 5
Padrão sazonal
Sazonal, pico na seca e início das chuvas (ago-dez na Amazônia central)
Tipo de nascimento
Ovíparo
Ninhada
2 a 3 ovos brancos; incubação 14 a 16 dias; filhotes nidícolas por 21 a 28 dias

Habitat

Ambientes

  • Floresta de várzea
  • Floresta de igapó
  • Matas de galeria úmidas
  • Capoeiras alagáveis e bordas de rio
  • Ilhas fluviais com árvores mortas

Biomas

  • Amazônia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Formigas
  • Cupins

Outros alimentos

  • Larvas de besouros
  • Outros artrópodes
  • Frutos pequenos

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Piciformes
Família
Picidae
Gênero
Celeus
Espécie
Celeus flavus

Resumo

  • O pica-pau-do-peito-amarelo (Celeus flavus) é um pica-pau amarelo-creme de 24 a 26 cm, com crista eriçada e distribuição amazônica ligada a várzeas e igapós.
  • Alimenta-se sobretudo de formigas e cupins, forrageando em troncos e no chão, e se comunica por chamados agudos e tamborilar breve.
  • Nidifica em cavidades escavadas em árvores mortas, põe 2 a 3 ovos brancos e é classificado como pouco preocupante (LC) pela IUCN, mas depende de florestas alagáveis preservadas.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPicidae
Origem e distribuiçãoAmazônia e bacia do Orinoco: Brasil, Colômbia, Venezuela, Guianas, Equador, Peru e Bolívia
HabitatFlorestas de várzea, igapó, bordas úmidas e capoeiras alagáveis até ~700 m de altitude
Tamanho (comprimento)24 a 26 cm
Envergadura38 a 42 cm (estimativa)
Peso95 a 130 g
Coresamarelo-cremebegemarrom-escuropretocrista amarela
Expectativa de vida6 a 9 anos na natureza
AlimentaçãoInsetívora, com frutos ocasionais
CantoChamado agudo tipo puew-puew e tamborilar curto
Reprodução (ninho e ovos)Cavidade em tronco; 2 a 3 ovos brancos; incubação 14 a 16 dias
Comportamento socialPares ou pequenos grupos familiares, às vezes segue formigas-de-correição
Variedades ou subespécies3 reconhecidas: C. f. flavus, C. f. peruvianus e C. f. tectricialis

Perfil e comportamento

SociabilidadeMédio
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o pica-pau-do-peito-amarelo sem confundir

O pica-pau-do-peito-amarelo é quase todo amarelo-creme pálido, cor que lhe rende o nome em inglês Cream-colored Woodpecker. A cabeça tem crista pontuda e eriçável amarelo mais vivo, bico acinzentado e íris clara, amarelada ou esbranquiçada, detalhe raro entre pica-paus amazônicos.

As asas, o dorso e a cauda são mais escuros, em tons de marrom-escuro e preto com barras sutis, o que cria contraste quando a ave abre as asas. Macho e fêmea são muito parecidos; o macho tem faixa malar vermelha discreta, às vezes difícil de ver a distância, enquanto a fêmea não tem vermelho no rosto.

A confusão mais comum é com o pica-pau-amarelo (Celeus flavescens) e com o pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus elegans). O do peito amarelo é mais claro e uniforme, sem o barrado forte do flavescens e sem o marrom-avermelhado intenso do elegans. O porte também ajuda: com 24 a 26 cm, é médio para a família, menor que pica-paus-rei e maior que picapauzinhos.

Onde vive e onde encontrar no Brasil

É uma ave essencialmente amazônica. No Brasil ocorre em toda a Amazônia Legal, do Amapá e Pará ao Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, descendo até o norte do Maranhão e Tocantins em matas de galeria. Fora do Brasil, distribui-se pelas Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e norte da Bolívia.

O habitat preferido não é a mata de terra firme alta e seca, e sim floresta de várzea, igapó, margens de rios, ilhas fluviais e capoeiras úmidas. Essa ligação com áreas alagáveis explica por que é mais fácil encontrá-lo de barco do que em trilha de interior. Tolera bordas e clareiras, mas evita áreas totalmente desmatadas.

Para observação, procure manhã cedo em bordas de rio com árvores mortas em pé. Ele costuma pousar a meia altura, bem exposto, e se desloca em voos ondulados curtos entre moitas. Em época de cheia, concentra-se em ilhas e diques onde o alimento fica mais acessível.

O que come e como forrageia

A base da dieta são formigas e cupins, incluindo larvas, pupas e adultos. Complementa com outros artrópodes, larvas de besouros em madeira mole e, ocasionalmente, frutos pequenos e bagas. É um insetívoro especialista, não um consumidor de sementes.

O forrageio é versátil e pouco “típico” de pica-pau. Além de martelar troncos, ele investiga galhos finos, cachos de folhas secas, bromélias e até o solo, descendo para revirar folhiço atrás de formigas. Essa plasticidade o faz seguir com frequência formigas-de-correição, capturando insetos espantados pela correição.

Diferente de pica-paus que escavam fundo em madeira dura, prefere madeira morta e mole, troncos em decomposição e ninhos de cupins arborícolas. O bico é usado mais para sondar e abrir galerias superficiais do que para tamborilar forte por longos períodos.

Canto, tamborilar e comunicação

O canto mais ouvido é um puew-puew ou whew-whew agudo, nasal e repetido, emitido em série de 2 a 5 notas. É um chamado de contato e territorial que carrega bem na mata alagada. Quando alarmado, solta um trinado áspero e acelerado.

O tamborilar existe, mas é curto, fraco e pouco frequente comparado a pica-paus de terra firme. Ele usa mais vocalizações do que batidas para demarcar território. Casais mantêm duetos vocais, com macho e fêmea respondendo em intervalos regulares.

Na nossa avaliação, é uma espécie que se detecta mais pelo ouvido que pela vista em igapó fechado. Aprender o chamado nasal evita confusão com o canto mais melódico do Celeus elegans e com o grito mais forte do pica-pau-de-topete-vermelho.

Comportamento social e rotina diária

Vive em pares monogâmicos ou grupos familiares de 3 a 5 indivíduos, mantendo território ao longo do ano. Não forma bandos mistos grandes, mas pode se associar temporariamente a bandos de borda quando há explosão de formigas.

É diurno e muito ativo nas primeiras três horas após o amanhecer e no fim da tarde. No meio do dia, recolhe-se à sombra e faz pausas longas para alisamento da plumagem. O voo é ondulado, com batidas rápidas intercaladas por planeios curtos, típico dos Picidae.

Mostra fidelidade a poleiros e árvores de forrageio, retornando aos mesmos troncos por dias seguidos. Essa rotina facilita a fotografia, desde que o observador mantenha distância e não corte vegetação para “limpar” a vista.

Reprodução, ninho e filhotes

Reproduz-se na estação seca e início das chuvas, variando por região, geralmente entre agosto e dezembro na Amazônia central. O casal escava a cavidade em tronco morto, toco ou palmeira morta, a poucos metros do solo até cerca de 10 m de altura.

A postura é de 2 a 3 ovos brancos e brilhantes, sem material adicional no ninho além de lascas de madeira. A incubação dura 14 a 16 dias e é compartilhada, com revezamento entre macho e fêmea. Os filhotes nascem nus e permanecem na cavidade por cerca de 3 a 4 semanas.

Após deixarem o ninho, os jovens seguem os pais por algumas semanas, aprendendo a sondar madeira mole e a seguir correições de formigas. A cavidade abandonada é reutilizada por outras aves, como andorinhas, corujas pequenas e periquitos, o que torna o pica-pau um engenheiro do ecossistema.

Diferenças entre as subespécies

Subespécie Distribuição Traço distintivo
C. f. flavus Guianas e norte do Brasil Tom creme mais pálido, forma nominal
C. f. peruvianus Oeste da Amazônia (Peru, Equador, oeste do Brasil) Amarelo ligeiramente mais escuro, asas mais barradas
C. f. tectricialis Sul da Amazônia (Brasil central e Bolívia) Tamanho médio menor, coloração mais bege

As diferenças são sutis e só perceptíveis com boa luz e comparação direta; para o observador comum, todas parecem o mesmo pássaro creme.

É possível ter pica-pau-do-peito-amarelo em casa? Legalidade e por que observar na natureza

Não. É ave silvestre nativa protegida por lei. No Brasil, manter, capturar ou comprar pica-pau oriundo da natureza sem autorização é crime ambiental (Lei 9.605/98). A criação legal só existe para espécies autorizadas pelo IBAMA e órgãos estaduais, com criadouros registrados, o que não inclui este pica-pau.

Além da questão legal, ele não se adapta à gaiola: precisa de espaço amplo, voo ondulado, troncos para sondar e dieta viva de formigas e cupins, impossível de replicar em casa sem sofrimento animal. Tentativas de criação resultam em estresse, problemas de bico e morte precoce.

A melhor forma de conviver com a espécie é pela observação responsável e fotografia na natureza, usando binóculo, mantendo distância do ninho e sem usar playback excessivo para atraí-lo. Apoiar reservas de várzea e turismo de base comunitária ajuda mais a espécie do que qualquer tentativa de posse.

Conservação, ameaças e observação responsável

A IUCN classifica Celeus flavus como Pouco Preocupante (LC), com população considerada estável e distribuição ampla. Isso não significa ausência de risco: a dependência de florestas alagáveis o torna sensível a hidrelétricas, desmatamento de margens, fogo em várzea e conversão para pasto.

A perda de árvores mortas em pé, muitas vezes removidas como “madeira suja”, elimina locais de ninho e alimento. A contaminação por mercúrio do garimpo em rios amazônicos também afeta indiretamente a cadeia de insetos.

Para observar sem impactar: não bata no tronco para expulsar a ave, não corte galhos para fotografar o ninho e limite o uso de playback a poucos segundos. Registre suas observações em plataformas como WikiAves e eBird, que ajudam pesquisadores a mapear a distribuição real da espécie.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do pica-pau-do-peito-amarelo?

Mede de 24 a 26 cm de comprimento e pesa entre 95 e 130 g, porte médio entre os pica-paus amazônicos.

Onde vive o pica-pau-do-peito-amarelo no Brasil?

Em florestas alagáveis da Amazônia: várzeas, igapós, ilhas fluviais e matas de galeria úmidas, principalmente na Amazônia Legal.

O que o pica-pau-do-peito-amarelo come?

Principalmente formigas e cupins, com larvas e ocasionalmente frutos pequenos, forrageando em troncos, galhos finos e no solo.

Como é o canto do pica-pau-do-peito-amarelo?

Um chamado agudo e nasal tipo puew-puew repetido, além de trinados de alarme; o tamborilar é curto e pouco frequente.

Pode criar pica-pau-do-peito-amarelo em casa?

Não. É ave silvestre protegida por lei; capturar ou comprar da natureza é crime ambiental e a espécie não se adapta à gaiola.

Qual a diferença para o pica-pau-amarelo (Celeus flavescens)?

O do peito amarelo (Celeus flavus) é mais claro e uniforme, creme, com menos barrado nas asas, e prefere várzea, enquanto o flavescens é mais listrado e ocorre mais em Mata Atlântica e Cerrado.

Está ameaçado de extinção?

Não. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas depende de várzeas preservadas.

Fatos surpreendentes

1

Segue formigas-de-correição como um papa-formigas

Em vez de só martelar troncos, costuma acompanhar correições de formigas para capturar insetos espantados, comportamento mais comum em arapaçus do que em pica-paus.

2

Iris clara que brilha no igapó escuro

Os olhos amarelados ou esbranquiçados refletem bem a luz difusa da várzea e ajudam a identificá-lo mesmo quando a plumagem creme se confunde com folhas secas.

3

Ninho que vira casa de outros

A cavidade que escava em madeira mole é reaproveitada na estação seguinte por andorinhas, periquitos e até morcegos, fazendo dele um provedor de moradias na floresta alagável.

4

Tamborila pouco

Ao contrário da imagem clássica de pica-pau batendo sem parar, esta espécie vocaliza muito mais do que tamborila, e suas batidas são curtas e discretas.

Fontes

  1. IUCN Red List - Celeus flavus
  2. WikiAves - Pica-pau-do-peito-amarelo
  3. CBRO - Lista de Aves do Brasil
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Pica-pau-do-peito-amarelo

Prós

  • Plumagem creme única e fácil de identificar com boa luz
  • Fácil de observar em várzeas de barco, pousa exposto
  • Comportamento interessante seguindo formigas-de-correição
  • Cavidades beneficiam outras aves, importância ecológica
  • Canto agudo característico ajuda na detecção

Contras

  • Dependente de florestas alagáveis, sensível a desmatamento de margens
  • Pode ser confundido com outros Celeus por iniciantes
  • Tamborilar discreto dificulta detecção só pelo som de batida
  • Não é ave para criação doméstica, exige observação na natureza
  • Distribuição restrita à Amazônia, pouco acessível para quem está no Sudeste/Sul
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pica-pau-do-peito-amarelo é um dos pica-paus mais elegantes da Amazônia justamente por fugir do estereótipo colorido: o creme uniforme é camuflagem perfeita na luz filtrada da várzea. Vale mais a pena investir em uma manhã de barco no igapó para vê-lo ao vivo do que procurar qualquer atalho de criação, que além de ilegal não respeita a biologia da espécie.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.