🌳 Árvores

Burra-leiteira

Sapium glandulosum

Atualizado em

10 a 20 m de alturaTamanho
Semidecídua, verde-brilhanteFolhagem
Rápido a moderadoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
40 a 60 anosLongevidade
Árvore burra-leiteira adulta isolada mostrando copa arredondada e tronco acinzentado

A burra-leiteira (Sapium glandulosum) é uma árvore nativa pioneira da Mata Atlântica e do Cerrado, famosa pelo látex branco e abundante que escorre ao cortar qualquer ramo. De crescimento rápido e copa cheia, atinge de 10 a 20 metros e é uma das primeiras a colonizar clareiras e áreas degradadas.

Muito confundida com seringueira, ela se distingue pelas folhas com duas glândulas na base, floração amarelada discreta e frutos que estouram para lançar sementes. É melífera, atrai pássaros e tem madeira leve, mas exige cuidado pelo leite irritante.

Também conhecido como: leiteiro, pau-de-leite, leiteira, burra, sapium, mata-olho

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes

Explore a wiki

Galeria de fotos de Burra-leiteira

Árvore burra-leiteira adulta isolada mostrando copa arredondada e tronco acinzentado
Burra-leiteira adulta em campo aberto, com copa cheia e porte médio a grande.
Folhas da burra-leiteira em close mostrando as duas glândulas na base
Folhas com as duas glândulas características na base, detalhe para identificação.
Tronco e casca da burra-leiteira com látex branco escorrendo
Casca acinzentada e látex branco tóxico que dá nome à árvore.
Inflorescência em espiga da burra-leiteira com flores amareladas
Espigas amareladas da floração melífera entre agosto e novembro.
Frutos trilobados e sementes com carúncula vermelha da burra-leiteira
Cápsulas trilobadas que explodem e sementes com isca vermelha para aves.
Plantio jovem de burra-leiteira em área de restauração florestal
Uso como pioneira em restauração florestal na Mata Atlântica.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, fazenda ou área degradada para recuperar e precisa de sombra rápida e atração de abelhas e pássaros. Cresce sem frescura, cobre o solo em 2 a 3 anos e prepara o terreno para árvores mais exigentes, sendo ótima como pioneira em restauração florestal.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para calçada estreita, quintal pequeno, playground ou jardim com cachorro e gato soltos. O látex tóxico e irritante, a queda de frutos e sementes e o tamanho de 10 a 20 metros trazem sujeira e risco de contato acidental, além de exigir espaço longe de fiação e muros.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno; não tolera sombreamento na fase jovem
Solo
Profundo, fértil e bem drenado; aceita solos ácidos e pobres, mas não encharcados
Rega
Moderada no primeiro ano; depois apenas em seca prolongada
Temperatura
Subtropical a tropical; tolera geadas leves (-3 °C) no Sul
Adubação
Orgânica na cova; sem necessidade de adubação química pesada
Poda
Apenas formação nos 2 primeiros anos; usar luvas e óculos devido ao látex
Propagação
Por sementes recém-colhidas; germinação em 15 a 30 dias

Perfil rápido de Burra-leiteira

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie nativa comum e amplamente distribuída, sem risco de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
PlantioJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Látex irritante para pele e olhos; folhas e sementes causam vômito e diarreia se ingeridas. Manusear com luvas.

Habitat

Ambientes

  • Matas semidecíduas
  • Matas ciliares
  • Capoeiras e clareiras
  • Campos com arbustos

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pampa

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malpighiales
Família
Euphorbiaceae
Gênero
Sapium
Espécie
Sapium glandulosum (L.) Morong

Resumo

  • A burra-leiteira é uma árvore nativa pioneira de 10 a 20 metros, de crescimento rápido e copa arredondada, comum na Mata Atlântica e Cerrado.
  • Reconhece-se pelo látex branco tóxico, folhas com duas glândulas na base do limbo e frutos trilobados que se abrem de forma explosiva.
  • É muito usada em restauração florestal, apicultura e sombra rural, mas não é indicada para calçadas ou quintais pequenos com crianças e pets.

Características

Ficha da árvore

Nome popularBurra-leiteira
Nome científicoSapium glandulosum (L.) Morong
Família botânicaEuphorbiaceae
OrigemNativa do Brasil e América do Sul
Tamanho10 a 20 m de altura (até 25 m na mata)
CopaArredondada a piramidal, 6 a 10 m de diâmetro
FolhagemSemidecídua
CrescimentoRápido nos primeiros 3 a 5 anos
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada; tolera seca curta após estabelecida
SoloFértil, profundo e bem drenado; tolera solos pobres e ácidos
UsosRestauração florestal, sombra rural, apicultura, madeira leve
Longevidade40 a 60 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoAlto
SombraAlto
Resistência à secaMédio
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoAlto
Atrai faunaMuito alto

O que é a burra-leiteira e como reconhecê-la

A burra-leiteira é Sapium glandulosum, árvore nativa pioneira da família Euphorbiaceae, a mesma da seringueira e do amendoim-bravo. O nome vem do látex branco abundante que jorra de qualquer corte na casca, nos ramos ou nas folhas.

Na nossa avaliação, ela é uma das pioneiras mais eficientes do Sul e Sudeste para quem precisa cobrir o solo rápido. Não é árvore de calçada nobre nem de jardim pequeno, mas sim de restauração, beira de mata e sombra no sítio.

Confunde-se muito com Sapium haematospermum e com seringueiras jovens. O detalhe que entrega a burra-leiteira são as duas glândulas arredondadas na base da folha, na junção com o pecíolo, visíveis a olho nu.

Tamanho, copa, tronco e raízes: o que esperar no terreno

Em campo aberto chega a 10 a 15 metros com tronco curto e copa larga. Dentro de mata fechada estica e pode passar de 20 a 25 metros buscando luz, com fuste mais retilíneo.

A copa é arredondada a piramidal, com 6 a 10 metros de diâmetro, medianamente densa. Oferece sombra boa, mas não fechada como a de uma figueira, o que permite grama rala embaixo.

O tronco tem casca acinzentada, lisa quando jovem e levemente fissurada com a idade, com lenticelas claras. As raízes são pouco agressivas e não tabulares, o que é uma vantagem sobre outras pioneiras. Mesmo assim, mantenha 5 a 8 metros de distância de muros, fossas e tubulações.

Onde vive no Brasil: distribuição e habitat natural

É nativa e amplamente distribuída, do Nordeste ao Rio Grande do Sul, com maior frequência no Sudeste e Sul. Ocorre na Mata Atlântica, Cerrado, matas ciliares e capoeiras, de 0 a 1.200 metros de altitude.

É heliófita pioneira: coloniza clareiras, pastos abandonados, barrancos e beira de estrada. Tolera geada fraca a moderada no Sul e seca curta no Cerrado, mas não aguenta encharcamento prolongado.

Por ser comum em áreas antropizadas, muita gente a encontra como “mato” nascendo sozinha no terreno. Se deixar, em 3 anos já forma poleiro para pássaros e começa a melhorar o solo para outras espécies.

Folhas, flores e frutos: como identificar sem erro

As folhas são alternas, simples, elípticas a lanceoladas, com 5 a 10 cm, margem finamente serreada e brilho na face superior. O par de glândulas nectaríferas na base atrai formigas que, em troca, protegem a planta contra lagartas.

A floração é discreta, em espigas amareladas de 5 a 12 cm, sem pétalas vistosas. Floresce principalmente entre agosto e novembro, com forte cheiro adocicado que atrai abelhas.

O fruto é uma cápsula trilobada de 1 a 1,5 cm, verde e depois marrom, que se abre de forma explosiva lançando 3 sementes. Cada semente tem uma carúncula vermelha que atrai sabiás, saíras e bem-te-vis, principais dispersores.

Como não confundir

  • Burra-leiteira vs. leiteiro (Sapium haematospermum): o leiteiro tem sementes com arilo vermelho mais carnoso e ocorre mais no Pampa; a burra tem glândulas foliares mais evidentes.
  • Burra-leiteira vs. seringueira (Hevea brasiliensis): seringueira tem folha trifoliolada; burra tem folha simples.

O leite tóxico: riscos para gente e animais

Todo o látex é tóxico e irritante. Contém ésteres de forbol e outras substâncias que causam dermatite, vermelhidão, coceira e, nos olhos, irritação forte e risco de lesão na córnea.

Ingestão de folhas ou sementes provoca náusea, vômito e diarreia em humanos, cachorros e gatos. O gado geralmente evita, mas filhotes curiosos podem morder ramos caídos.

Use luvas e óculos ao podar e nunca deixe crianças brincarem com o “leite”. Lave bem as mãos e ferramentas após o manejo. Não use o látex como remédio caseiro, prática antiga e perigosa ainda citada no interior.

Como plantar: quando, onde e como propagar

Plante no início da estação chuvosa, de outubro a dezembro na maior parte do Brasil. Escolha sol pleno e solo profundo, mesmo que pobre. Evite baixadas encharcadas.

A propagação é quase sempre por sementes. Colha cápsulas quando começarem a rachar, seque à sombra por 1 a 2 dias até abrirem e semeie logo, pois perdem viabilidade rápido. A germinação ocorre em 15 a 30 dias sem tratamento, com taxa alta.

Para muda: use saquinho de 15 x 25 cm com substrato leve, cubra levemente a semente e mantenha úmido. Leve a campo com 30 a 50 cm, já rústica. Estacas pegam mal e não valem o esforço.

No plantio de restauração, use espaçamento de 3 x 3 metros como pioneira, intercalada com espécies secundárias. Ela cresce rápido e em 2 anos já sombreia o solo, abafando gramíneas invasoras.

Como cuidar: luz, solo, rega e poda

É árvore de baixa manutenção depois de pegada. Nos primeiros 6 a 12 meses, irrigue 1 a 2 vezes por semana se não chover. Depois, só em estiagens longas.

Não exige adubação pesada. Uma cova de 40 x 40 x 40 cm com composto orgânico e 100 g de calcário já basta em solos ácidos. Em solos muito pobres, uma cobertura anual com matéria orgânica acelera o arranque.

A poda deve ser leve e apenas de formação, para conduzir um tronco único nos dois primeiros anos. Podas drásticas provocam brotação excessiva e muito látex. Sempre com ferramentas limpas e proteção para os olhos.

Usos no paisagismo, na natureza e na madeira

O principal valor hoje é ecológico. É melífera de primeira linha, com florada que sustenta abelhas nativas e Apis mellifera na entressafra, e frutificação que alimenta aves. Por isso entra em quase todo projeto de restauração florestal e mata ciliar no Sul e Sudeste.

No paisagismo rural funciona como árvore de sombra para pasto, pátio e beira de açude, além de quebra-vento. Não recomendamos para calçada urbana estreita ou sob fiação, pelo tamanho e pelo látex que mancha e irrita.

A madeira é leve, macia e de baixa durabilidade, com densidade em torno de 0,40 a 0,50 g/cm³. Serve para caixotaria, forros, brinquedos e lenha, mas não para estruturas. Historicamente o látex foi usado para adulterar borracha e como “cola” improvisada, uso hoje abandonado pela toxicidade.

Pragas, doenças e problemas comuns

É rústica e pouco atacada. O problema mais comum são lagartas desfolhadoras e cochonilhas em mudas estressadas por sombra ou encharcamento. Formigas cortadeiras podem atacar folhas jovens em plantios novos.

Em viveiro, excesso de água causa tombamento (damping-off). Garanta substrato bem drenado e sol pleno desde cedo. Em campo, a própria fauna de formigas atraída pelas glândulas foliares ajuda no controle biológico.

Queda de folhas mais intensa no inverno é normal, pois é semidecídua. Se a desfolha vier com manchas pretas e látex escurecido, pode ser antracnose; remova ramos afetados e melhore a ventilação.

Curiosidades que só a burra-leiteira tem

A dispersão é dupla: a cápsula explode e arremessa as sementes a metros e, depois, as aves levam as que caíram atraídas pela carúncula vermelha. Essa estratégia explica por que ela aparece tão rápido em áreas abertas.

As glândulas da folha são nectários extraflorais. Elas produzem néctar fora da flor só para alimentar formigas guarda-costas, um mutualismo bem estudado em Euphorbiaceae.

Apesar do nome, não tem relação com “burra” no sentido de animal. “Burra” aqui vem de burra-de-leite, vaso rústico onde se guardava látex, e o leite lembra o aspecto do látex branco.

Perguntas frequentes

Burra-leiteira é tóxica?

Sim. O látex branco é irritante para pele e olhos e tóxico se ingerido. Mantenha crianças e pets longe e use luvas e óculos ao podar.

Qual a diferença entre burra-leiteira e seringueira?

A seringueira tem folha composta por 3 folíolos; a burra-leiteira tem folha simples com duas glândulas na base. O látex da seringueira é elástico, o da burra é mais aquoso e irritante.

Burra-leiteira serve para calçada?

Não é recomendada. Atinge 10 a 20 metros, solta látex manchador e frutos que sujam. Prefira espécies de pequeno tamanho para calçadas.

Como plantar burra-leiteira?

Por sementes recém-colhidas, em sol pleno, no início das chuvas (outubro a dezembro). Germina em 15 a 30 dias e vai a campo com 30 a 50 cm.

Atrai abelhas e pássaros?

Sim, muito. A floração de agosto a novembro é altamente melífera e as sementes com carúncula vermelha atraem sabiás, saíras e bem-te-vis.

Perde as folhas no inverno?

Sim, é semidecídua. Perde boa parte das folhas entre junho e agosto, brotando novamente na primavera.

Você sabia?

1

Látex que já falsificou borracha

No início do século 20, o leite da burra-leiteira era misturado à borracha de seringueira para aumentar volume, mas deixava o produto quebradiço e foi proibido na indústria.

2

Formigas de aluguel

As duas glândulas na base da folha produzem néctar fora da época de flor para manter formigas patrulhando a árvore o ano todo contra lagartas.

3

Fruto que estoura

A cápsula seca cria tensão e explode com estalo audível, arremessando sementes a até 4 metros de distância da copa.

4

Semente com isca vermelha

Cada semente carrega uma carúncula vermelha e oleosa que não alimenta a planta, mas serve só para atrair sabiás e saíras que a dispersam.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List of Threatened Species

Prós e contras: Burra-leiteira

Prós

  • Crescimento rápido e rústica, ótima para restauração
  • Altamente melífera e atrai aves dispersoras
  • Raízes pouco agressivas comparada a outras pioneiras
  • Tolera solos pobres, ácidos e geada leve
  • Sementes com germinação fácil e rápida

Contras

  • Látex tóxico e irritante para pele, olhos, pets e crianças
  • Madeira leve e pouco durável, sem valor estrutural
  • Copa semidecídua suja o chão com folhas e frutos
  • Tamanho grande demais para quintais pequenos e calçadas
  • Pode nascer espontaneamente como invasora em áreas abertas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a burra-leiteira é uma pioneira imbatível para restauração e sombra rural, mas superestimada como ornamental urbana. Onde importa — recuperar solo, alimentar abelhas e pássaros rápido — ela entrega mais que muitas árvores famosas, desde que longe de crianças e pets.

Continue explorando: Árvores

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.