🌳 Árvores

Cerejeira-do-japão

Prunus serrulata

Atualizado em

4 a 8 m de alturaTamanho
Caducifólia, verde a bronzeFolhagem
Moderado a rápidoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
30 a 50 anosLongevidade
Cerejeira-do-japão adulta em plena floração rosa e branca

A cerejeira-do-japão é uma árvore caducifólia de pequeno a médio tamanho, famosa pela floração exuberante que cobre os galhos ainda sem folhas. No Brasil, ela é mais vista no Sul e Sudeste, onde o inverno frio permite a floração entre julho e setembro.

Apesar do nome, ela não produz a cereja comestível. Seus frutos são pequenos, escuros e pouco atrativos, e o grande valor da espécie é ornamental. É a árvore símbolo do hanami japonês e protagonista de festas como as de Campos do Jordão e Curitiba.

Também conhecido como: Cerejeira-ornamental, Sakura, Cerejeira-japonesa, Japanese cherry (inglês), Sakura (japonês)

Faz parte de: Árvores Ornamentais, Árvores Pequenas

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Galeria de fotos de Cerejeira-do-japão

Cerejeira-do-japão adulta em plena floração rosa e branca
Cerejeira-do-japão adulta florida no inverno, com copa arredondada.
Flores e folhas jovens da cerejeira-do-japão em detalhe
Flores dobradas rosa e folhas serrilhadas bronzeadas.
Tronco e casca da cerejeira-do-japão com lenticelas horizontais
Casca acinzentada com lenticelas horizontais características.
Copa florida da cerejeira-do-japão vista de baixo
Copa vista de baixo durante o pico da floração.
Frutos pequenos escuros da cerejeira-do-japão
Frutos pequenos e escuros, não comestíveis, apreciados por pássaros.
Alameda de cerejeiras-do-japão floridas em parque brasileiro
Alameda de cerejeiras formando tapete de pétalas no chão.
Ideal para

Ideal para quem mora em região com inverno frio e busca uma árvore ornamental de impacto, mas de tamanho contido para jardins médios e praças. Funciona muito bem para quem valoriza floração marcante no inverno, quando poucas árvores florescem, e aprecia paisagismo de inspiração japonesa. Também é ótima para condomínios e parques urbanos que querem atrair polinizadores e criar alamedas fotogênicas. Com sol pleno e solo bem drenado, mesmo tutores de primeira viagem conseguem bom resultado se respeitarem o clima local.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em regiões quentes de baixa altitude, como litoral do Nordeste e Norte, onde a falta de frio impede a floração. Também não é a melhor escolha para quem busca sombra densa o ano todo, fruto comestível ou árvore de vida muito longa. Quem tem quintal muito pequeno, pouca insolação ou solo encharcado terá frustração. E quem não tolera a queda anual de folhas e pétalas, que exige limpeza por algumas semanas, deve considerar outra espécie.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto por dia; meia-sombra reduz drasticamente a floração
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, leve a médio, pH 5,5 a 6,5; não tolera encharcamento
Rega
Moderada; manter úmido no primeiro ano, depois apenas em estiagens; reduzir no inverno
Temperatura
Temperado a subtropical; precisa de 500-800 horas de frio 32°C prolongado
Adubação
Uma vez ao ano após a floração com composto orgânico + NPK 4-14-8 ou similar rico em P e K
Poda
Leve, logo após florir; remover galhos secos e cruzados; evitar poda pesada no outono
Propagação
Enxertia sobre porta-enxerto de Prunus; estaquia e sementes são lentas e pouco usadas ornamentalmente

Perfil rápido de Cerejeira-do-japão

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
BrotaçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Plantio recomendadoJFMAMJJASOND

Encontrado em 4 países

  • Japão
  • Coreia do Sul
  • China
  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Rosales
Família
Rosaceae
Gênero
Prunus
Espécie
Prunus serrulata

Resumo

  • A cerejeira-do-japão é uma árvore caducifólia de 4 a 8 m, de floração intensa rosa ou branca que surge antes das folhas no inverno.
  • No Brasil, só floresce bem em regiões com frio no inverno, como Sul, Sudeste serrano e partes do Centro-Oeste de altitude, exigindo sol pleno e solo bem drenado.
  • É ideal como árvore ornamental de jardins e parques, mas tem floração curta de 10 a 20 dias e vida relativamente breve de 30 a 50 anos.

Características

Ficha da árvore

Nome popularCerejeira-do-japão, cerejeira-ornamental, sakura
Nome científicoPrunus serrulata Lindl. (sin. Cerasus serrulata)
Família botânicaRosaceae
OrigemJapão, Coreia e China
Tamanho4 a 8 m de altura; 3 a 6 m de diâmetro de copa
CopaArredondada a em forma de vaso, aberta
FolhagemCaducifólia
Coresrosarosa-clarobranco
CrescimentoModerado a rápido (40 a 70 cm/ano)
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 horas/dia)
RegaModerada; solo úmido sem encharcar
SoloFértil, profundo, bem drenado, levemente ácido (pH 5,5 a 6,5)
UsosOrnamental, paisagismo urbano, parques, hanami
Longevidade30 a 50 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoAlto
SombraMédio
Resistência à secaBaixo
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Atrai faunaMédio

O que é e como reconhecer a cerejeira-do-japão

A cerejeira-do-japão mais plantada no Brasil é a Prunus serrulata, mas o nome popular engloba também híbridos como Prunus × yedoensis (Somei Yoshino) e Prunus campanulata. Todas são do gênero Prunus, o mesmo de ameixas e pêssegos.

O reconhecimento é fácil na floração. As flores surgem em buquês de 3 a 5 unidades diretamente nos ramos lenhosos, antes de qualquer folha. Cada flor tem 5 pétalas nas formas simples ou 20 a 50 pétalas nas dobradas, com cores que vão do branco puro ao rosa intenso.

Fora da florada, observe as folhas. São elípticas, com borda serrilhada e ponta afilada, verde-brilhante na face superior e com tons bronzeados quando brotam. No outono, ficam amareladas a avermelhadas antes de cair. A casca é marrom-acinzentada com lenticelas horizontais bem marcadas, característica do gênero.

Floração no Brasil: quando acontece e por que dura tão pouco

No Japão a florada marca a primavera. No Brasil, o ciclo inverte: a cerejeira floresce no inverno, entre julho e setembro, após a queda total das folhas. Em Curitiba e Campos do Jordão, o pico costuma ser em julho e agosto.

A floração é curta por natureza, 10 a 20 dias por árvore. Cada flor individual dura 4 a 7 dias e a árvore abre as flores de forma quase sincronizada. Vento forte e chuva derrubam as pétalas rapidamente, criando o famoso tapete rosa no chão.

O gatilho é o frio. A cerejeira precisa de 500 a 800 horas de frio abaixo de 7,2 °C para quebrar a dormência das gemas. Sem esse acúmulo, ela brota folhas sem flores ou floresce de forma rala e falhada. É por isso que no litoral quente e no Norte ela vegeta, mas raramente dá espetáculo.

Clima e onde ela realmente pega no Brasil

A cerejeira-do-japão é de clima temperado a subtropical. Vai melhor em regiões com inverno definido e verão úmido, mas não tolera calor extremo constante nem solo encharcado.

No Brasil, o cultivo funciona bem no Sul, Sudeste serrano (Serra da Mantiqueira, Serra Gaúcha, Campos do Jordão, Petrópolis, Gramado) e em áreas de altitude do Centro-Oeste e Sudeste acima de 700 a 800 m. Em cidades quentes como Cuiabá, Fortaleza ou Manaus, o desenvolvimento é fraco e a floração quase inexistente.

Geada moderada é tolerada por plantas adultas, mas geadas tardias após a abertura das flores queimam a florada do ano. Já o calor acima de 32 °C prolongado no verão pode causar escaldadura nas folhas e encurtar a vida útil da árvore.

Como plantar cerejeira-do-japão do jeito certo

Plante no final do outono ou início do inverno, quando a muda está dormente. Isso dá tempo para enraizar antes da brotação de primavera. Mudas de viveiro com 1,2 a 1,8 m já enxertadas florescem em 2 a 3 anos.

Escolha local com sol pleno o dia todo e solo profundo. Abra cova de 60 x 60 x 60 cm, misture 30% de composto orgânico e areia grossa se o solo for argiloso. O ponto crítico é a drenagem: raiz de Prunus apodrece fácil em solo encharcado.

Distância mínima de 4 a 5 m de muros, casas e fiação. Apesar de raízes pouco agressivas, a copa precisa de espaço para abrir. Tutoramento nos primeiros dois anos evita que o vento entorte o tronco jovem.

Variedades mais encontradas no Brasil

Variedade Flor Cor Destaque
Somei Yoshino (P. × yedoensis) Simples, 5 pétalas Branco a rosa pálido Mais plantada no Japão e em Curitiba
Kanzan (P. serrulata ‘Kanzan’) Dobrada, 20-30 pétalas Rosa forte Floração densa e tardia
Yukiwari (P. campanulata) Simples, em sino Rosa-escuro Floresce mais cedo, tolera um pouco mais de calor

Como cuidar para florir todo ano

Luz é inegociável. Com menos de 6 horas de sol direto, a cerejeira estica, fica rala e não floresce. Ventos muito fortes ressecam os botões; se o local for muito exposto, plante quebra-vento próximo.

Rega deve ser regular no primeiro ano, 2 a 3 vezes por semana sem encharcar. Depois de estabelecida, regue apenas em estiagens longas. No inverno, reduza para não estimular brotação fora de hora.

Adube no final do inverno, logo após a floração, com fórmula rica em fósforo e potássio e matéria orgânica. Evite excesso de nitrogênio, que faz a planta soltar muita folha e pouca flor. Poda é leve: remova apenas galhos secos, cruzados ou doentes logo após florir. Poda pesada no outono remove gemas florais e anula a florada seguinte.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar no quintal

Altura adulta fica entre 4 e 8 m, com exceções de até 10 m em climas ideais. A copa varia conforme a variedade: em vaso aberto na Somei Yoshino e mais arredondada e densa na Kanzan, com 3 a 6 m de diâmetro.

O crescimento é moderado a rápido nos primeiros 5 anos, depois estabiliza. É uma árvore de sombra leve a média, ótima para filtrar sol sem escurecer demais a casa.

As raízes são superficiais e pouco agressivas, não costumam levantar calçadas como figueiras ou sibipirunas. Ainda assim, evite plantar a menos de 2 m de tubulações e fossas e sobre laje rasa.

Usos no paisagismo e na natureza

O uso principal é ornamental. Funciona isolada em gramado, em alamedas, em praças e como árvore de destaque em jardim japonês. A queda de pétalas cria efeito cênico, mas exige varrição por alguns dias.

Na natureza, as flores são visitadas por abelhas, abelhas nativas sem ferrão e beija-flores. Os frutos pequenos, do tipo drupa escura de 8 a 10 mm, são consumidos por pássaros, mas são adstringentes e não são a cereja de mesa (essa vem de Prunus avium).

Em projeto urbano, prefira plantar em grupos de 3 a 5 árvores da mesma variedade para sincronizar a floração. Misturar variedades com épocas diferentes estende o período florido total para até 40 dias na mesma rua.

Pragas, doenças e por que sua cerejeira não floriu

Os problemas mais comuns são pulgões, cochonilhas e lagartas na primavera, além de fungos como mancha foliar, oídio e podridão radicular por encharcamento. Galhos com goma escura e cheiro azedo indicam cancro bacteriano, que deve ser podado e queimado.

Se não floriu, as causas mais frequentes são falta de frio, sombra excessiva, poda na época errada e excesso de adubo nitrogenado. Muda muito jovem (menos de 3 anos) ou de semente também demora mais; prefira muda enxertada.

Outro erro é plantar em vaso pequeno por muitos anos. A cerejeira até sobrevive em vaso grande de 100 litros ou mais por alguns anos, mas precisa ir para o chão para atingir tamanho e floração plena.

Curiosidades e história que só a sakura tem

No Japão, a previsão da floração, chamada sakura zensen, é acompanhada como boletim meteorológico e move milhões de pessoas para o hanami, o piquenique sob as cerejeiras. A variedade Somei Yoshino, que domina o país, é na verdade um único clone propagado por enxertia há mais de 100 anos.

No Brasil, a introdução em larga escala veio com a imigração japonesa a partir de 1908, com forte plantio no Paraná e em São Paulo. Curitiba tem mais de 1.500 cerejeiras no Parque do Tingui e Jardim Botânico, um dos maiores conjuntos fora do Japão.

A madeira de Prunus serrulata é dura e aromática, usada no Japão para móveis e objetos, mas aqui seu valor é quase todo paisagístico. E ao contrário do que muitos pensam, pétalas e folhas jovens são comestíveis na culinária japonesa (sakurazuke), mas devem ser preparadas com salga específica e não consumidas cruas em grande quantidade.

Perguntas frequentes

Cerejeira-do-japão dá cereja para comer?

Não. O fruto da Prunus serrulata é pequeno, escuro e adstringente, consumido apenas por pássaros. A cereja de mesa vem da Prunus avium, outra espécie.

Quanto tempo demora para florir?

Muda enxertada bem cultivada floresce em 2 a 4 anos. Muda de semente pode levar 7 a 10 anos e com floração irregular.

Posso plantar cerejeira-do-japão em vaso?

Sim, por alguns anos em vaso grande com mais de 100 litros, sol pleno e drenagem perfeita, mas ela só atinge porte e floração plena no chão.

Por que minha cerejeira não floresceu?

As causas mais comuns são falta de horas de frio, pouca luz solar, poda no outono que removeu gemas florais e excesso de nitrogênio.

Cerejeira-do-japão precisa de muito frio?

Sim, precisa de 500 a 800 horas abaixo de 7,2 °C no inverno. Por isso floresce bem no Sul e Sudeste serrano e falha no litoral quente e Norte.

Qual a diferença entre sakura e cerejeira?

Sakura é o nome japonês para cerejeira-do-japão. No Brasil, sakura e cerejeira-do-japão são a mesma árvore ornamental do gênero Prunus.

A raiz da cerejeira quebra calçada?

Raramente. As raízes são superficiais e pouco agressivas, bem menos problemáticas que as de figueiras e sibipirunas, mas mantenha 2 m de distância de tubulações.

Você sabia?

1

Um clone só domina o Japão

Quase todas as Somei Yoshino do Japão são geneticamente idênticas, propagadas por enxertia de uma única árvore original do período Edo. Por isso florescem de forma sincronizada.

2

Flores antes das folhas

A cerejeira abre as flores em galhos nus para facilitar a polinização por abelhas e pássaros, sem a barreira das folhas. Só depois surgem as folhas bronzeadas.

3

Não é a cereja que comemos

O fruto da Prunus serrulata tem 8 a 10 mm, é escuro e amargo. A cereja de mesa vem de outra espécie, a Prunus avium, de clima ainda mais frio.

4

Festival brasileiro no inverno

Campos do Jordão (SP) realiza o Festival da Cerejeira em Flor em julho e agosto, quando mais de 300 árvores florescem no Parque da Cerejeira, trazido por imigrantes japoneses.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. Instituto Brasileiro de Florestas - IBF

Prós e contras: Cerejeira-do-japão

Prós

  • Floração espetacular e muito fotogênica no inverno
  • Porte pequeno a médio, cabe em jardins e praças
  • Raízes pouco agressivas, bom para área urbana
  • Atrai abelhas e pássaros na florada
  • Crescimento moderado a rápido nos primeiros anos

Contras

  • Exige frio no inverno para florir bem
  • Floração muito curta, 10 a 20 dias
  • Caducifólia: fica sem folhas no inverno
  • Vida mais curta que árvores nativas de grande porte
  • Sensível a encharcamento e calor extremo prolongado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cerejeira-do-japão é a árvore ornamental mais espetacular para quem tem frio no inverno, mas a mais frustrante para quem tenta forçar seu cultivo no calor. Vale plantá-la pelo espetáculo de duas semanas que compensa o ano todo, desde que você aceite sua natureza caducifólia e sua vida mais curta que a de ipês e jacarandás.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.