Resumo
- O Angico-preto (Anadenanthera colubrina) é uma árvore nativa de grande porte, caducifólia e de crescimento rápido, típica da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.
- Distingue-se pelo tronco escuro com acúleos quando jovem, folhas bipinadas muito divididas e inflorescências brancas em forma de pompom na primavera.
- É muito usada para recuperação de áreas degradadas, produção de madeira dura e apicultura, mas exige espaço amplo por causa da copa e das raízes.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Angico-preto |
|---|---|
| Nome científico | Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan |
| Família botânica | Fabaceae (Mimosoideae) |
| Origem | América do Sul - nativa do Brasil |
| Tamanho | 15 a 25 m de altura; 40 a 80 cm de DAP |
| Copa | Ampla, arredondada e bem ramificada, 8 a 12 m de diâmetro |
| Folhagem | Caducifólia a semidecídua |
| Crescimento | Rápido |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Baixa após estabelecimento; tolera seca prolongada |
| Solo | Bem drenado, profundo, tolera solos pobres e pedregosos; pH 5,5 a 7,0 |
| Usos | Reflorestamento, madeira, sombra rural, apícola, cortina quebra-vento |
| Longevidade | 80 a 120 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Alto |
|---|---|
| Sombra | Alto |
| Resistência à seca | Muito alto |
| Agressividade das raízes | Médio |
| Facilidade de cultivo | Alto |
| Atrai fauna | Alto |
Como reconhecer o Angico-preto sem confundir
O Angico-preto é Anadenanthera colubrina, da família Fabaceae. No campo, muita gente confunde com angico-branco (Anadenanthera peregrina) e angico-vermelho (Parapiptadenia rigida), mas há marcas claras.
O tronco adulto é acinzentado a quase preto, áspero e fissurado, com cristas lenhosas. Quando jovem, apresenta acúleos pontiagudos e escuros espalhados pela casca, que caem com a idade. É o detalhe mais seguro para identificar mudas e árvores jovens.
As folhas são bipinadas, com 15 a 30 pares de pinas e folíolos minúsculos (3 a 6 mm), que dão aspecto de pena fina. Ao toque, a folhagem é leve e fecha parcialmente à noite. As flores são pequenas, branco-creme em capítulos esféricos de 1,5 cm, com forte perfume adocicado que atrai abelhas.
O fruto é uma vagem achatada, marrom-escura, de 10 a 20 cm, com bordas onduladas e sementes pretas, lisas e muito duras. A vagem não se abre com explosão, permanece na árvore por semanas e estala ao secar.
Onde vive no Brasil e por que é tão resistente
É uma das árvores nativas de maior amplitude no país. Ocorre naturalmente da Caatinga nordestina ao Sudeste e Sul, passando por Cerrado, Mata Atlântica estacional e bordas de Floresta Ombrófila.
Prefere florestas estacionais semideciduais, matas ciliares e cerradões, entre 100 e 1.200 metros de altitude. Suporta solos rasos, pedregosos e de baixa fertilidade, onde poucas árvores grandes vingam.
O segredo da resistência está em dois pontos: raiz profunda e simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio. Isso permite crescer rápido mesmo em áreas degradadas e melhorar o solo ao redor. É por isso que a Embrapa Florestas a classifica como espécie pioneira rústica para restauração.
Na seca, perde folhas para economizar água e rebrota vigorosamente com as primeiras chuvas. Tolera geadas leves e períodos de 6 a 8 meses sem chuva no sertão.
Tamanho, copa e raízes: o que esperar no terreno
Em campo aberto, atinge 15 a 20 metros de altura com copa arredondada de 8 a 12 metros de diâmetro. Em mata fechada, cresce mais esguio e pode passar de 25 metros buscando luz.
O tronco é geralmente torto e ramificado a 3 a 5 metros do solo, com diâmetro de 40 a 80 cm. A madeira é extremamente densa, com densidade de 0,80 a 1,10 g/cm³, o que explica a durabilidade e o peso.
As raízes são pivotantes e profundas, mas com laterais vigorosas nos primeiros 60 cm do solo. Não são tão agressivas quanto as de figueiras, mas podem levantar calçadas, muros e tubulações se plantadas a menos de 8 metros de estruturas.
A sombra é média a densa no verão e rala no inverno, quando a queda foliar deixa passar luz. Essa caducidade é útil em sistemas agrossilvipastoris, mas suja bastante o chão com folíolos e vagens.
Flores, frutos e ciclo ao longo do ano
A floração ocorre na primavera, de setembro a dezembro, logo após a rebrota. As inflorescências em pompom branco-creme duram poucos dias, mas a árvore fica muito visitada por abelhas nativas, Apis mellifera e pequenos besouros.
A frutificação vem no outono-inverno, de maio a agosto. Cada vagem carrega 5 a 10 sementes orbiculares, pretas e brilhantes. A dispersão é principalmente autocórica e por gravidade, com ajuda do vento para vagens secas.
A queda de folhas é concentrada no período seco, de junho a agosto, dependendo do bioma. No Sudeste, a árvore pode ficar quase pelada por 4 a 6 semanas.
As sementes têm dormência tegumentar forte. Sem escarificação, germinam pouco. Na natureza, o escarificador é o fogo rasteiro, o atrito no solo e a passagem pelo trato digestivo de animais.
Como plantar Angico-preto do jeito certo
Escolha local com sol pleno e espaço mínimo de 10 x 10 metros livre de fiação e construções. Não é espécie para calçada estreita ou quintal pequeno.
O plantio ideal é no início da estação chuvosa, de outubro a dezembro na maior parte do Brasil. No Nordeste, plante nas primeiras chuvas regulares, para garantir 4 a 5 meses úmidos para o enraizamento.
Passo a passo objetivo:
- Cova de 50 x 50 x 50 cm, com solo solto e bem drenado. Em solo compactado, aprofunde para 60 cm.
- Misture esterco curtido e 100 g de calcário se o pH estiver abaixo de 5,5. Não exagere em adubo químico.
- Escarifique as sementes: lixe levemente um lado até ver ponto claro ou deixe 10 minutos em água a 80°C e depois 24 h em água em temperatura ambiente.
- Semeie a 1,5 cm de profundidade ou plante muda com 30 a 50 cm. Mantenha tutoramento por 6 a 12 meses contra vento.
- Regue 2 a 3 vezes por semana nos primeiros 3 meses, depois apenas em veranicos.
Mudas de viveiro florestal pegam mais rápido que semeadura direta. Espaçamento para reflorestamento: 3 x 3 metros. Para sombreamento rural isolado, deixe 10 a 12 metros entre árvores.
Como cuidar, podar e conduzir nos primeiros anos
Nos dois primeiros anos, o cuidado é controlar mato ao redor da coroa em um raio de 80 cm e evitar cipós. A competição com braquiária atrasa muito o crescimento.
Adubação é simples. Se o solo for pobre, faça uma cobertura com NPK 10-30-10 no plantio e outra após 6 meses. Depois disso, a fixação de nitrogênio sustenta a árvore.
Poda de formação deve ser leve e anual, no inverno seco. Retire galhos baixos, cruzados e brotos ladrões até definir um fuste de 2,5 a 3 metros. Nunca faça poda drástica ou destopo, pois a casca cicatriza devagar e abre porta para fungos.
É árvore muito tolerante à seca após o primeiro ano, mas sensível a encharcamento prolongado. Solo que alaga por mais de 15 dias pode causar apodrecimento de raízes.
Em áreas urbanas, faça vistorias anuais de galhos secos. A madeira é quebradiça em ventos fortes quando há ramos mortos não removidos.
Para que serve: madeira, ecologia e apicultura
A madeira do Angico-preto é pesada, dura e de alta resistência a fungos e cupins. É usada para moirões, dormentes, construção rural, carvão de alto poder calorífico e, antigamente, para currais e cercas que duram décadas sem tratamento.
Na recuperação ambiental, é uma das espécies mais plantadas no Brasil. Cresce rápido, recobre o solo em 2 a 3 anos e atrai fauna dispersora. A Embrapa a recomenda para recuperação de áreas degradadas e matas ciliares em solos pobres.
É também excelente melífera e polinífera. A floração branca fornece néctar e pólen no início da primavera, período de escassez para abelhas. O mel é claro e aromático.
A casca é rica em taninos (12 a 18%) e já foi usada em curtumes. Na medicina popular, o chá da casca aparece para afecções respiratórias, mas o uso interno é desaconselhado sem orientação por causa da toxicidade.
| Uso | Detalhe prático |
|---|---|
| Reflorestamento | Pioneira, fixa nitrogênio, tolera solo pobre e seca |
| Madeira | Moirões, postes, lenha e carvão; muito durável |
| Sombra rural | Copa ampla para piquetes e pastagens |
| Apicultura | Floração primaveril rica em néctar |
| Cortina vegetal | Quebra-vento e proteção de nascentes |
Riscos, pragas e cuidados com toxicidade
O principal alerta é a toxicidade das sementes. Elas contêm bufotenina e outros alcaloides triptamínicos. A ingestão pode causar náusea, vômitos, alterações cardíacas e efeitos alucinógenos. Mantenha sementes longe de crianças e animais.
A casca e as folhas também têm taninos e saponinas que, em grande quantidade, são irritantes. O pó da madeira pode causar irritação respiratória e dermatite em pessoas sensíveis durante o corte.
Pragas são poucas. As mais comuns são serradores (Oncideres spp.) que anelam galhos finos, lagartas desfolhadoras e cochonilhas em mudas estressadas. Em viveiro, pode ocorrer damping-off por fungos de solo se houver excesso de água.
Evite plantar perto de redes elétricas e casas. A queda de vagens e folíolos exige limpeza sazonal, e galhos secos podem cair com vento forte se não houver manutenção.
Perguntas frequentes
Angico-preto e angico-branco são a mesma árvore?
Não. Angico-preto é Anadenanthera colubrina, com tronco escuro e acúleos quando jovem. Angico-branco geralmente é Anadenanthera peregrina, de casca mais clara e folíolos ligeiramente diferentes.
Angico-preto pode ser plantado na calçada?
Não é recomendado. A copa chega a 12 metros e as raízes laterais podem danificar calçadas e tubulações. Use apenas em áreas amplas, a pelo menos 8 a 10 metros de construções.
Quanto tempo leva para crescer?
É de crescimento rápido. Em solo adequado e com chuva regular, atinge 3 a 5 metros em 2 anos e pode chegar a 10 metros em 5 a 7 anos.
As sementes são tóxicas?
Sim. Contêm bufotenina e outros alcaloides. A ingestão pode causar vômitos, taquicardia e efeitos alucinógenos. Mantenha fora do alcance de crianças e animais.
Quando floresce o Angico-preto?
Floresce na primavera, entre setembro e dezembro, com pompons brancos perfumados que atraem muitas abelhas.
Precisa de muita água?
Só no primeiro ano. Depois de estabelecida, tolera secas de 6 a 8 meses e não tolera solo encharcado por longos períodos.
A madeira presta para que?
É muito dura e durável, usada para moirões, postes, dormentes, construção rural e carvão. Não é indicada para móveis finos por ser difícil de trabalhar.
Você sabia?
Rapé indígena milenar
As sementes torradas e moídas do Angico-preto são a base do yopo e do cebil, rapés psicoativos usados há séculos por povos do Chaco e dos Andes por conterem bufotenina.
Casca com espinhos que somem
Mudas e árvores jovens têm o tronco coberto de acúleos escuros e afiados como defesa contra herbívoros; com o envelhecimento, a casca engrossa, fissura e os espinhos caem.
Madeira que afunda na água
Com densidade que pode passar de 1,0 g/cm³, a madeira do Angico-preto é tão pesada que não flutua e é considerada uma das mais duras e duráveis do Brasil para moirões e dormentes.
Fixadora de nitrogênio
Por ser leguminosa, forma nódulos radiculares com bactérias que capturam nitrogênio do ar e fertilizam o solo, melhorando o crescimento de outras plantas ao redor.










