🌳 Árvores

Angico-preto

Anadenanthera colubrina

Atualizado em

15 a 25 m de alturaTamanho
Caducifólia na secaFolhagem
RápidoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
80 a 120 anosLongevidade
Copa do Angico-preto vista de baixo com luz filtrada

O Angico-preto é uma árvore nativa de grande porte, muito comum na Caatinga, no Cerrado e na Mata Atlântica. Reconhecida pelo tronco escuro, tortuoso e pela copa ampla, chega a 15 a 20 metros na maioria dos terrenos, com exemplares que ultrapassam 25 metros em mata.

É uma espécie pioneira e de crescimento rápido, que perde boa parte das folhas na seca e floresce em inflorescências brancas e pequenas na primavera. A madeira é extremamente dura e durável, e a árvore fixa nitrogênio no solo, por isso é amplamente usada em recuperação ambiental.

Apesar do valor ecológico, não é árvore para calçada ou quintal pequeno. Tem raízes vigorosas, copa larga e sementes com compostos tóxicos se ingeridas, exigindo espaço e manejo adequado.

Também conhecido como: Angico-vermelho, Angico-bravo, Angico-do-cerrado, Curupaí, Cebil, Vilca

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes

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Galeria de fotos de Angico-preto

Copa do Angico-preto vista de baixo com luz filtrada
Copa ampla vista de baixo, com folhagem leve e filtrando a luz.
Folhas bipinadas e flores em pompom branco do Angico-preto
Folhas finamente divididas e inflorescências brancas em forma de pompom.
Tronco e casca fissurada escura do Angico-preto com acúleos jovens
Casca escura e fissurada; árvores jovens apresentam acúleos.
Vagens achatadas e sementes pretas do Angico-preto no chão
Vagens achatadas marrom-escuras e sementes pretas e brilhantes.
Angico-preto plantado como árvore de sombra em pastagem rural
Uso rural como árvore de sombra e recuperação de área degradada.
Copa do Angico-preto vista de baixo com luz filtrada
Copa ampla vista de baixo, com folhagem leve e filtrando a luz.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, fazenda ou terreno grande e busca sombra rural, recuperação de área degradada ou madeira durável. É perfeita para projetos de reflorestamento, sistemas agroflorestais e para apicultores que precisam de floração primaveril abundante, pois cresce rápido mesmo em solo pobre e seco.

Pode não ser ideal para

Não é indicada para calçada, quintal pequeno, jardim urbano compacto ou para quem não pode fazer manutenção anual. A copa larga, a queda intensa de folhas e vagens e as sementes tóxicas trazem sujeira e risco para crianças e pets, além de exigir distância segura de muros, fiação e tubulações.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas diárias
Rega
Moderada no 1º ano; depois tolera seca prolongada
Solo
Profundo, bem drenado, arenoso a argiloso; tolera pedregoso e pobre
Temperatura
18°C a 30°C; tolera geadas leves e calor acima de 35°C
Adubação
Orgânica no plantio; NPK leve se solo muito pobre
Poda
Formação leve no inverno; remover galhos secos e cruzados
Propagação
Por sementes com escarificação mecânica ou térmica

Perfil rápido de Angico-preto

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie amplamente distribuída e comum, sem risco iminente de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não possui proteção específica, mas nativa protegida por lei contra desmatamento ilegal

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
PlantioJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Florestas estacionais semideciduais
  • Matas ciliares e capoeirões
  • Cerradão e Caatinga arbórea
  • Áreas degradadas em regeneração

Biomas

  • Caatinga
  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Pantanal

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Peru

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Anadenanthera
Espécie
Anadenanthera colubrina

Resumo

  • O Angico-preto (Anadenanthera colubrina) é uma árvore nativa de grande porte, caducifólia e de crescimento rápido, típica da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.
  • Distingue-se pelo tronco escuro com acúleos quando jovem, folhas bipinadas muito divididas e inflorescências brancas em forma de pompom na primavera.
  • É muito usada para recuperação de áreas degradadas, produção de madeira dura e apicultura, mas exige espaço amplo por causa da copa e das raízes.

Características

Ficha da árvore

Nome popularAngico-preto
Nome científicoAnadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
Família botânicaFabaceae (Mimosoideae)
OrigemAmérica do Sul - nativa do Brasil
Tamanho15 a 25 m de altura; 40 a 80 cm de DAP
CopaAmpla, arredondada e bem ramificada, 8 a 12 m de diâmetro
FolhagemCaducifólia a semidecídua
CrescimentoRápido
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa após estabelecimento; tolera seca prolongada
SoloBem drenado, profundo, tolera solos pobres e pedregosos; pH 5,5 a 7,0
UsosReflorestamento, madeira, sombra rural, apícola, cortina quebra-vento
Longevidade80 a 120 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoAlto
SombraAlto
Resistência à secaMuito alto
Agressividade das raízesMédio
Facilidade de cultivoAlto
Atrai faunaAlto

Como reconhecer o Angico-preto sem confundir

O Angico-preto é Anadenanthera colubrina, da família Fabaceae. No campo, muita gente confunde com angico-branco (Anadenanthera peregrina) e angico-vermelho (Parapiptadenia rigida), mas há marcas claras.

O tronco adulto é acinzentado a quase preto, áspero e fissurado, com cristas lenhosas. Quando jovem, apresenta acúleos pontiagudos e escuros espalhados pela casca, que caem com a idade. É o detalhe mais seguro para identificar mudas e árvores jovens.

As folhas são bipinadas, com 15 a 30 pares de pinas e folíolos minúsculos (3 a 6 mm), que dão aspecto de pena fina. Ao toque, a folhagem é leve e fecha parcialmente à noite. As flores são pequenas, branco-creme em capítulos esféricos de 1,5 cm, com forte perfume adocicado que atrai abelhas.

O fruto é uma vagem achatada, marrom-escura, de 10 a 20 cm, com bordas onduladas e sementes pretas, lisas e muito duras. A vagem não se abre com explosão, permanece na árvore por semanas e estala ao secar.

Onde vive no Brasil e por que é tão resistente

É uma das árvores nativas de maior amplitude no país. Ocorre naturalmente da Caatinga nordestina ao Sudeste e Sul, passando por Cerrado, Mata Atlântica estacional e bordas de Floresta Ombrófila.

Prefere florestas estacionais semideciduais, matas ciliares e cerradões, entre 100 e 1.200 metros de altitude. Suporta solos rasos, pedregosos e de baixa fertilidade, onde poucas árvores grandes vingam.

O segredo da resistência está em dois pontos: raiz profunda e simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio. Isso permite crescer rápido mesmo em áreas degradadas e melhorar o solo ao redor. É por isso que a Embrapa Florestas a classifica como espécie pioneira rústica para restauração.

Na seca, perde folhas para economizar água e rebrota vigorosamente com as primeiras chuvas. Tolera geadas leves e períodos de 6 a 8 meses sem chuva no sertão.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar no terreno

Em campo aberto, atinge 15 a 20 metros de altura com copa arredondada de 8 a 12 metros de diâmetro. Em mata fechada, cresce mais esguio e pode passar de 25 metros buscando luz.

O tronco é geralmente torto e ramificado a 3 a 5 metros do solo, com diâmetro de 40 a 80 cm. A madeira é extremamente densa, com densidade de 0,80 a 1,10 g/cm³, o que explica a durabilidade e o peso.

As raízes são pivotantes e profundas, mas com laterais vigorosas nos primeiros 60 cm do solo. Não são tão agressivas quanto as de figueiras, mas podem levantar calçadas, muros e tubulações se plantadas a menos de 8 metros de estruturas.

A sombra é média a densa no verão e rala no inverno, quando a queda foliar deixa passar luz. Essa caducidade é útil em sistemas agrossilvipastoris, mas suja bastante o chão com folíolos e vagens.

Flores, frutos e ciclo ao longo do ano

A floração ocorre na primavera, de setembro a dezembro, logo após a rebrota. As inflorescências em pompom branco-creme duram poucos dias, mas a árvore fica muito visitada por abelhas nativas, Apis mellifera e pequenos besouros.

A frutificação vem no outono-inverno, de maio a agosto. Cada vagem carrega 5 a 10 sementes orbiculares, pretas e brilhantes. A dispersão é principalmente autocórica e por gravidade, com ajuda do vento para vagens secas.

A queda de folhas é concentrada no período seco, de junho a agosto, dependendo do bioma. No Sudeste, a árvore pode ficar quase pelada por 4 a 6 semanas.

As sementes têm dormência tegumentar forte. Sem escarificação, germinam pouco. Na natureza, o escarificador é o fogo rasteiro, o atrito no solo e a passagem pelo trato digestivo de animais.

Como plantar Angico-preto do jeito certo

Escolha local com sol pleno e espaço mínimo de 10 x 10 metros livre de fiação e construções. Não é espécie para calçada estreita ou quintal pequeno.

O plantio ideal é no início da estação chuvosa, de outubro a dezembro na maior parte do Brasil. No Nordeste, plante nas primeiras chuvas regulares, para garantir 4 a 5 meses úmidos para o enraizamento.

Passo a passo objetivo:

  • Cova de 50 x 50 x 50 cm, com solo solto e bem drenado. Em solo compactado, aprofunde para 60 cm.
  • Misture esterco curtido e 100 g de calcário se o pH estiver abaixo de 5,5. Não exagere em adubo químico.
  • Escarifique as sementes: lixe levemente um lado até ver ponto claro ou deixe 10 minutos em água a 80°C e depois 24 h em água em temperatura ambiente.
  • Semeie a 1,5 cm de profundidade ou plante muda com 30 a 50 cm. Mantenha tutoramento por 6 a 12 meses contra vento.
  • Regue 2 a 3 vezes por semana nos primeiros 3 meses, depois apenas em veranicos.

Mudas de viveiro florestal pegam mais rápido que semeadura direta. Espaçamento para reflorestamento: 3 x 3 metros. Para sombreamento rural isolado, deixe 10 a 12 metros entre árvores.

Como cuidar, podar e conduzir nos primeiros anos

Nos dois primeiros anos, o cuidado é controlar mato ao redor da coroa em um raio de 80 cm e evitar cipós. A competição com braquiária atrasa muito o crescimento.

Adubação é simples. Se o solo for pobre, faça uma cobertura com NPK 10-30-10 no plantio e outra após 6 meses. Depois disso, a fixação de nitrogênio sustenta a árvore.

Poda de formação deve ser leve e anual, no inverno seco. Retire galhos baixos, cruzados e brotos ladrões até definir um fuste de 2,5 a 3 metros. Nunca faça poda drástica ou destopo, pois a casca cicatriza devagar e abre porta para fungos.

É árvore muito tolerante à seca após o primeiro ano, mas sensível a encharcamento prolongado. Solo que alaga por mais de 15 dias pode causar apodrecimento de raízes.

Em áreas urbanas, faça vistorias anuais de galhos secos. A madeira é quebradiça em ventos fortes quando há ramos mortos não removidos.

Para que serve: madeira, ecologia e apicultura

A madeira do Angico-preto é pesada, dura e de alta resistência a fungos e cupins. É usada para moirões, dormentes, construção rural, carvão de alto poder calorífico e, antigamente, para currais e cercas que duram décadas sem tratamento.

Na recuperação ambiental, é uma das espécies mais plantadas no Brasil. Cresce rápido, recobre o solo em 2 a 3 anos e atrai fauna dispersora. A Embrapa a recomenda para recuperação de áreas degradadas e matas ciliares em solos pobres.

É também excelente melífera e polinífera. A floração branca fornece néctar e pólen no início da primavera, período de escassez para abelhas. O mel é claro e aromático.

A casca é rica em taninos (12 a 18%) e já foi usada em curtumes. Na medicina popular, o chá da casca aparece para afecções respiratórias, mas o uso interno é desaconselhado sem orientação por causa da toxicidade.

Uso Detalhe prático
Reflorestamento Pioneira, fixa nitrogênio, tolera solo pobre e seca
Madeira Moirões, postes, lenha e carvão; muito durável
Sombra rural Copa ampla para piquetes e pastagens
Apicultura Floração primaveril rica em néctar
Cortina vegetal Quebra-vento e proteção de nascentes

Riscos, pragas e cuidados com toxicidade

O principal alerta é a toxicidade das sementes. Elas contêm bufotenina e outros alcaloides triptamínicos. A ingestão pode causar náusea, vômitos, alterações cardíacas e efeitos alucinógenos. Mantenha sementes longe de crianças e animais.

A casca e as folhas também têm taninos e saponinas que, em grande quantidade, são irritantes. O pó da madeira pode causar irritação respiratória e dermatite em pessoas sensíveis durante o corte.

Pragas são poucas. As mais comuns são serradores (Oncideres spp.) que anelam galhos finos, lagartas desfolhadoras e cochonilhas em mudas estressadas. Em viveiro, pode ocorrer damping-off por fungos de solo se houver excesso de água.

Evite plantar perto de redes elétricas e casas. A queda de vagens e folíolos exige limpeza sazonal, e galhos secos podem cair com vento forte se não houver manutenção.

Perguntas frequentes

Angico-preto e angico-branco são a mesma árvore?

Não. Angico-preto é Anadenanthera colubrina, com tronco escuro e acúleos quando jovem. Angico-branco geralmente é Anadenanthera peregrina, de casca mais clara e folíolos ligeiramente diferentes.

Angico-preto pode ser plantado na calçada?

Não é recomendado. A copa chega a 12 metros e as raízes laterais podem danificar calçadas e tubulações. Use apenas em áreas amplas, a pelo menos 8 a 10 metros de construções.

Quanto tempo leva para crescer?

É de crescimento rápido. Em solo adequado e com chuva regular, atinge 3 a 5 metros em 2 anos e pode chegar a 10 metros em 5 a 7 anos.

As sementes são tóxicas?

Sim. Contêm bufotenina e outros alcaloides. A ingestão pode causar vômitos, taquicardia e efeitos alucinógenos. Mantenha fora do alcance de crianças e animais.

Quando floresce o Angico-preto?

Floresce na primavera, entre setembro e dezembro, com pompons brancos perfumados que atraem muitas abelhas.

Precisa de muita água?

Só no primeiro ano. Depois de estabelecida, tolera secas de 6 a 8 meses e não tolera solo encharcado por longos períodos.

A madeira presta para que?

É muito dura e durável, usada para moirões, postes, dormentes, construção rural e carvão. Não é indicada para móveis finos por ser difícil de trabalhar.

Você sabia?

1

Rapé indígena milenar

As sementes torradas e moídas do Angico-preto são a base do yopo e do cebil, rapés psicoativos usados há séculos por povos do Chaco e dos Andes por conterem bufotenina.

2

Casca com espinhos que somem

Mudas e árvores jovens têm o tronco coberto de acúleos escuros e afiados como defesa contra herbívoros; com o envelhecimento, a casca engrossa, fissura e os espinhos caem.

3

Madeira que afunda na água

Com densidade que pode passar de 1,0 g/cm³, a madeira do Angico-preto é tão pesada que não flutua e é considerada uma das mais duras e duráveis do Brasil para moirões e dormentes.

4

Fixadora de nitrogênio

Por ser leguminosa, forma nódulos radiculares com bactérias que capturam nitrogênio do ar e fertilizam o solo, melhorando o crescimento de outras plantas ao redor.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. Instituto Brasileiro de Florestas - IBF

Prós e contras: Angico-preto

Prós

  • Crescimento rápido mesmo em solo pobre e seco
  • Excelente para reflorestamento e fixação de nitrogênio no solo
  • Muito melífera, atrai abelhas nativas e Apis
  • Madeira extremamente dura e resistente a cupins
  • Alta tolerância à seca e a geadas leves

Contras

  • Porte grande, inadequada para calçadas e quintais pequenos
  • Queda intensa de folhas e vagens suja o chão
  • Sementes tóxicas se ingeridas por crianças e pets
  • Raízes laterais podem afetar muros e tubulações próximas
  • Madeira difícil de serrar e pregar por causa da alta densidade
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o Angico-preto é uma das melhores escolhas para quem precisa recuperar solo pobre com rapidez e sem irrigação, mas é uma péssima ideia para paisagismo urbano pequeno. É árvore de fazenda e de restauração, não de calçada: exige espaço, tolera rusticidade e entrega em troca sombra, madeira nobre e serviço ecológico que poucas nativas entregam tão rápido.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.