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Lobo-marinho-subantártico

Arctocephalus tropicalis

Atualizado em

1,2 a 1,8 mTamanho
25 a 165 kgPeso
20 a 25 anosExpectativa de vida
Ilhas subantárticas e mar abertoHabitat
Baixo, territorial na colôniaPerigo para humanos
Lobo-marinho-subantártico adulto nadando no oceano, corpo inteiro de perfil

O lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) é um mamífero marinho da família Otariidae, facilmente reconhecido pela pelagem densa, focinho curto e orelhas visíveis. Machos são muito maiores que as fêmeas e desenvolvem uma juba de pelos longos no pescoço e ombros.

Vive em colônias reprodutivas nas ilhas subantárticas do Atlântico e Índico, como Gough, Amsterdã e Tristão da Cunha, e passa a maior parte do ano em mar aberto. No Brasil aparece apenas como visitante ocasional, encalhado ou em descanso no litoral do Sul e Sudeste.

Também conhecido como: Lobo-marinho-de-Amsterdã, Subantarctic fur seal (inglês), Ours à fourrure subantarctique (francês), Lobo fino subantártico

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil

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Galeria de fotos de Lobo-marinho-subantártico

Lobo-marinho-subantártico adulto nadando no oceano, corpo inteiro de perfil
Adulto em natação pelágica, com pelagem marrom e peito claro característicos.
Close da cabeça do lobo-marinho-subantártico mostrando focinho e bigodes
Detalhe da cabeça com focinho curto e bigodes longos usados na caça noturna.
Detalhe da pelagem densa do lobo-marinho-subantártico
Subpelo denso e impermeável que mantém o animal isolado no frio.
Colônia de lobo-marinho-subantártico em ilha rochosa subantártica
Colônia reprodutiva em costa rochosa de ilha oceânica.
Fêmea de lobo-marinho-subantártico amamentando filhote preto nas rochas
Fêmea com filhote recém-nascido de pelagem preta.
Juvenil de lobo-marinho-subantártico descansando em praia do sul do Brasil
Juvenil errante em descanso no litoral sul brasileiro.

Perfil rápido de Lobo-marinho-subantártico

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global em recuperação após a caça histórica, com cerca de 300 mil indivíduos maduros.

População
Crescente
Protegido por
Protegido por convenções internacionais e pela legislação brasileira; captura e comércio proibidos

Calendário

Reprodução e nascimentosJFMAMJJASOND
Lactação e viagens das fêmeasJFMAMJJASOND
Dispersão e migração pelágicaJFMAMJJASOND
Ocorrência de errantes no BrasilJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
20 a 25 anos, fêmeas vivem mais que machos
Maturidade sexual
Fêmeas 3-4 anos, machos 4-6 anos (harém só após 8 anos)

Reprodução

Estrutura social
Poligínica, machos defendem territórios e haréns de 5 a 15 fêmeas
Época reprodutiva
Novembro a janeiro (verão austral)
Gestação
~11,5 meses com implantação retardada
Ninhada
1 filhote (4 a 5 kg), lactação de 10 a 11 meses
Cuidado parental
Exclusivo da fêmea, com viagens intercaladas de alimentação no mar

Habitat

Ambientes

  • Ilhas oceânicas rochosas subantárticas
  • Mar pelágico subtropical e subantártico
  • Zona da Convergência Subtropical

Biomas

  • Oceano Atlântico Sul
  • Oceano Índico Sul
  • Costas rochosas de ilhas oceânicas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Lulas oceânicas
  • Krill
  • Peixes mictófideos (peixes-lanterna)

Outros alimentos

  • Crustáceos pelágicos
  • Pequenos peixes mesopelágicos

Encontrado em 7 países

  • África do Sul
  • Namíbia
  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Austrália
  • Nova Zelândia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Carnivora
Família
Otariidae
Gênero
Arctocephalus
Espécie
Arctocephalus tropicalis (Gray, 1872)

Resumo

  • O lobo-marinho-subantártico é um otariídeo de ilhas subantárticas com acentuado dimorfismo sexual e pelagem densa com subpelo impermeável.
  • Caça à noite lulas, krill e peixes mesopelágicos em mergulhos de até 200 metros e migrações que podem ultrapassar 2.000 km.
  • Foi quase extinto pela caça comercial no século XIX e hoje é classificado como Pouco Preocupante, mas ainda sofre com emalhe em redes e poluição plástica.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCarnivora
FamíliaOtariidae
Origem e distribuiçãoIlhas subantárticas dos oceanos Atlântico e Índico (Gough, Tristão da Cunha, Amsterdã, São Paulo)
TamanhoMachos 1,6 a 1,8 m; fêmeas 1,2 a 1,4 m
PesoMachos 70 a 165 kg; fêmeas 25 a 50 kg
Coresmarrom-escurocinza-acastanhadocreme no peitofocinhopreto nas nadadeiras
ProfundidadeMergulhos comuns 20 a 60 m, máximos até 200 m
HabitatCostas rochosas de ilhas oceânicas e mar pelágico subtropical e subantártico
AlimentaçãoCarnívora: lulas, krill, peixes mictófideos e crustáceos pelágicos
ReproduçãoPoligínica, 1 filhote por gestação de ~11,5 meses
Expectativa de vida20 a 25 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasBaixo
SociabilidadeMuito alto
InteligênciaAlto
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoAlto
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar o lobo-marinho-subantártico sem confundir

O lobo-marinho-subantártico é um otariídeo com orelha externa visível, o que já o separa das focas verdadeiras. Ele apoia o corpo nas nadadeiras anteriores e consegue caminhar em terra, diferente das focas que se arrastam.

O dimorfismo sexual é extremo: machos adultos pesam até 3 vezes mais que as fêmeas e exibem uma juba de pelos longos e grossos no pescoço e ombros, além de focinho mais largo. Fêmeas e jovens são mais esguios, com coloração mais clara no ventre e peito.

A pelagem é o melhor detalhe para reconhecimento. O pelo externo é marrom-escuro a cinza-acastanhado com pontas amareladas, e o subpelo é denso e creme-alaranjado. No peito e na face a cor puxa para o creme ou amarelo-pálido, formando um contraste que não aparece no lobo-marinho-antártico (Arctocephalus gazella), mais acinzentado.

Filhotes nascem pretos com focinho claro e mudam para marrom-escuro após 2 a 3 meses. Adultos têm bigodes longos e claros, até 20 cm, essenciais para detectar presas no escuro.

Onde vive: distribuição nas ilhas subantárticas e presença no Brasil

A espécie é endêmica do cinturão subantártico, entre 30°S e 50°S. As maiores colônias reprodutivas ficam nas ilhas Gough, Tristão da Cunha, Amsterdã e São Paulo, além de Marion e Prince Edward.

Fora da reprodução, vive de forma pelágica e solitária em mar aberto, em águas subtropicais e subantárticas. Machos e fêmeas se dispersam por áreas diferentes, com fêmeas mais ao norte.

No Brasil não há colônia reprodutiva. Ocorrências são de indivíduos errantes, principalmente juvenis, que chegam debilitados ou para descanso entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, com registros mais frequentes de julho a novembro. São animais que se perderam das rotas migratórias.

Em terra, prefere costas rochosas, lajes e praias de seixos com acesso rápido ao mar. Evita praias arenosas extensas, onde tem dificuldade de termorregulação e maior exposição a predadores.

O que come e como caça em mar aberto

É um predador noturno de meia-água. Caça principalmente lulas, krill e peixes mictófideos (peixes-lanterna), que sobem à superfície à noite na migração vertical diária.

A estratégia é o mergulho raso e repetido. A maioria dos mergulhos dura 1 a 3 minutos entre 20 e 60 m, mas pode chegar a 200 m e 6 minutos quando a presa está mais profunda. Usa os bigodes para sentir vibrações e a visão adaptada à baixa luz.

Durante a lactação, as fêmeas fazem viagens de alimentação de 3 a 11 dias, percorrendo 300 a 600 km da colônia, e voltam para amamentar por 2 a 3 dias. Machos adultos, fora da temporada, podem jejuar por semanas defendendo território.

  • Principal: lulas oceânicas e krill subantártico
  • Complementar: peixes mictófideos, pequenos crustáceos e ocasionalmente pinguins juvenis
  • Como caça: mergulhos noturnos em série, detecção por vibrissas e emboscada de baixo para cima

Reprodução e ciclo de vida em colônias densas

A reprodução é fortemente poligínica e sazonal, concentrada no verão austral. Machos chegam primeiro, em outubro e novembro, e estabelecem territórios de 20 a 50 m² entre rochas, que defendem com vocalizações graves e combates.

As fêmeas chegam em novembro e dezembro, dão à luz a um único filhote de 4 a 5 kg poucos dias depois e entram no estro cerca de 7 a 10 dias após o parto. A gestação total dura cerca de 11,5 meses, com implantação retardada de 3 a 4 meses.

O filhote mama por 10 a 11 meses, um dos períodos de lactação mais longos entre os otariídeos. A mãe alterna amamentação em terra e viagens ao mar, reconhecendo o filhote pelo chamado vocal e pelo olfato em meio a centenas de outros.

A maturidade sexual chega aos 3 a 4 anos nas fêmeas e 4 a 6 anos nos machos, mas machos só conseguem manter harém com 8 a 10 anos. A taxa reprodutiva é baixa, de um filhote por ano, o que torna a recuperação populacional lenta.

Comportamento, mergulho e migrações longas

Em terra é gregário e barulhento, formando colônias de milhares de indivíduos. No mar, torna-se solitário e silencioso, passando 70% a 80% do tempo submerso em deslocamento.

É um excelente nadador. Atinge 15 a 20 km/h em rajadas usando as nadadeiras anteriores como remos e as posteriores como leme. Para descansar, faz o comportamento de “bóia de garrafa”, flutuando verticalmente com apenas o focinho fora d’água.

A capacidade de migração é alta. Fêmeas rastreadas por satélite a partir de Gough percorreram mais de 2.000 km em poucas semanas em direção à Convergência Subtropical, área rica em presas. Machos jovens são os que mais aparecem como errantes a longas distâncias, inclusive no Atlântico Sul ocidental.

A comunicação envolve latidos, rosnados e chamados nasais distintos entre mãe e filhote. Machos territoriais emitem um som gutural repetido que pode ser ouvido a dezenas de metros.

É perigoso para humanos? Risco real na costa e nas colônias

Para banhistas e observadores, o risco é baixo. Não há registro de ataques predatórios, e a espécie evita contato. O perigo existe se o animal for acuado, tocado ou separado do filhote.

Em colônias reprodutivas, machos territoriais são agressivos e muito rápidos em terra curta distância. Podem morder com caninos afiados, causando ferimentos profundos e risco de infecção bacteriana. Fêmeas com filhote também avançam se perceberem ameaça.

No Brasil, animais encalhados parecem dóceis por estarem debilitados, desidratados ou doentes, mas continuam sendo selvagens. A orientação do ICMBio e de centros de reabilitação é nunca tocar, alimentar, molhar ou tentar devolver ao mar por conta própria.

Mantenha no mínimo 30 metros de distância, contenha cachorros e acione o órgão ambiental local. A mordida pode transmitir bactérias como Mycoplasma e exige atendimento médico.

Ameaças e estado de conservação

A espécie foi caçada intensamente entre 1800 e 1900 por pele e óleo, chegando perto da extinção em várias ilhas. Com a proteção internacional a partir da década de 1950, a população se recuperou para cerca de 300 mil indivíduos maduros e hoje é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com tendência de aumento.

As ameaças atuais são diferentes. As principais são emaranhamento em redes de pesca e linhas, ingestão de plástico e contaminação química. Como se alimenta de presas também exploradas pela pesca de krill e lula, sofre com competição por alimento em anos de baixa produtividade.

Mudanças climáticas que deslocam a Convergência Subtropical afetam a distribuição de presas e o sucesso reprodutivo. Em ilhas como Amsterdã, eventos de mortalidade de filhotes por tempestades e deslizamentos já foram documentados.

No Brasil, a proteção é garantida pela Lei de Proteção à Fauna e por acordos internacionais. Todo encalhe deve ser notificado à rede de encalhes. A reabilitação só pode ser feita por instituições autorizadas.

Onde observar com responsabilidade

A observação na natureza só é viável em expedições autorizadas às ilhas subantárticas, sempre com guias e regras rígidas de distância e número de visitantes. Não existe turismo regular para ver a espécie no Brasil.

Se encontrar um indivíduo no litoral brasileiro, a melhor ajuda é observar à distância e comunicar. Fotografe sem flash, anote localização e comportamento e ligue para o órgão ambiental, Polícia Ambiental ou projeto de monitoramento de praias da região.

Nunca ofereça peixe, água ou gelo. A alimentação inadequada e o estresse do manejo incorreto são principais causas de morte de animais encalhados que poderiam ser reabilitados.

Curiosidades que pouca gente sabe

Apesar do nome, o lobo-marinho-subantártico não é subantártico estrito: reproduz-se ao norte da Convergência Antártica, em clima mais temperado que seu parente antártico. Essa posição intermediária explica a coloração mais amarelada.

Ele possui um dos pelos mais densos entre os pinípedes, com até 45 mil pelos por cm² no subpelo, que mantém o ar preso e o animal seco mesmo após horas na água fria. Foi exatamente essa pelagem que quase o extinguiu.

Fêmeas podem reconhecer o choro do próprio filhote em meio a 500 outros em menos de 5 minutos após voltar de uma viagem de 400 km. O reconhecimento vocal é tão preciso que erros de amamentação são raros.

Perguntas frequentes

Lobo-marinho-subantártico ocorre no Brasil?

Sim, mas apenas como visitante errante. Não forma colônias no Brasil; aparece isolado no Sul e Sudeste, geralmente juvenis desorientados ou debilitados.

Qual a diferença para o lobo-marinho-antártico?

O subantártico tem focinho mais curto, coloração mais amarelada no peito e juba mais dourada nos machos, e reproduz-se em ilhas mais ao norte, fora do círculo antártico.

O que ele come?

Principalmente lulas, krill e peixes-lanterna (mictófideos), caçados à noite entre 20 e 60 m, podendo mergulhar até 200 m.

É perigoso para humanos?

Risco baixo se mantida distância. Pode morder se acuado ou na defesa de território e filhote; nunca tente tocar ou alimentar um animal encalhado.

Quanto tempo vive?

De 20 a 25 anos na natureza. Fêmeas tendem a viver mais que machos devido ao desgaste das disputas territoriais.

Está ameaçado de extinção?

Não atualmente. É classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN e a população está em crescimento, mas ainda sofre com redes de pesca e poluição.

O que fazer ao encontrar um na praia?

Mantenha 30 m de distância, afaste cães, não ofereça alimento nem tente devolver ao mar e avise o órgão ambiental ou projeto de monitoramento de praias local.

Você sabia?

1

Juba que só o macho tem

Machos adultos desenvolvem juba dourada no pescoço que aumenta visualmente o tamanho e protege em brigas territoriais; fêmeas nunca formam juba.

2

Mergulho noturno sincronizado

Caça quase só à noite, seguindo a subida do krill e dos peixes-lanterna; de dia descansa boiando verticalmente com o focinho para fora.

3

Quase extinto por um casaco

No século XIX, um único navio levava até 10 mil peles; a ilha de Amsterdã ficou sem lobos-marinhos por décadas até a proteção.

4

Voz como RG

Mãe e filhote têm chamados individuais únicos e se reencontram pelo som e cheiro mesmo em colônias com milhares de animais.

Fontes

  1. IUCN Red List - Arctocephalus tropicalis
  2. NOAA Fisheries - Pinnipeds
  3. SeaLifeBase / WoRMS
  4. ICMBio - Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos

Prós e contras: Lobo-marinho-subantártico

Prós

  • Recuperação populacional bem documentada após proteção
  • Importante predador de controle de lulas e krill na cadeia pelágica
  • Pelagem extremamente eficiente para isolamento térmico
  • Forte fidelidade às ilhas de nascimento, facilita monitoramento

Contras

  • Baixa taxa reprodutiva, um filhote por ano
  • Vulnerável a emalhe em redes e ingestão de plástico
  • Sensível a variações climáticas na disponibilidade de presas
  • Filhotes sofrem alta mortalidade em tempestades nas colônias rochosas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o lobo-marinho-subantártico é o exemplo mais claro de recuperação silenciosa entre os pinípedes: pouco visto, mas ecologicamente relevante como predador de meia-água. Sua história mostra que proteção efetiva funciona, desde que a fiscalização contra pesca incidental e plástico continue.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.