🐛 Insetos

Bitu

Simulium spp. (complexo Simulium)

Atualizado em

1,5 a 5 mmTamanho
Fêmea hematófaga, macho néctarAlimentação
3 a 6 semanasCiclo de vida
Rios e córregos de água correnteHabitat
Picada dolorosa e alérgicaPerigo para humanos
Bitu borrachudo adulto visto de perto mostrando corpo preto corcunda e asas transparentes

O bitu é o nome popular dado no Brasil ao borrachudo, também chamado de pium ou mosquito-pólvora, do gênero Simulium, família Simuliidae. É um díptero bem menor que o pernilongo comum, de 1,5 a 5 mm, preto e corcunda, famoso pela picada dolorosa que deixa marca vermelha e coceira que dura dias.

Ao contrário do pernilongo, o bitu não pica com uma agulha fina: a fêmea corta a pele com mandíbulas serrilhadas e lambe o sangue, por isso a dor é imediata. Ele só aparece em áreas com água corrente e limpa, onde suas larvas se desenvolvem fixas em pedras e folhas submersas.

Apesar do incômodo, o bitu tem papel ecológico importante como filtrador de água na fase larval e alimento para peixes e pássaros. O controle não é com veneno em casa, mas com manejo ambiental e proteção pessoal.

Também conhecido como: Borrachudo, Pium, Piúm, Mosquito-pólvora, Black fly

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Peçonhentos, Insetos Voadores

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Galeria de fotos de Bitu

Bitu borrachudo adulto visto de perto mostrando corpo preto corcunda e asas transparentes
Adulto de bitu (Simulium spp.), o borrachudo preto de 1,5 a 5 mm.
Cabeça do bitu em close extremo mostrando olhos compostos e antenas curtas
Detalhe da cabeça do bitu com olhos grandes e mandíbulas serrilhadas da fêmea.
Bitu com asas abertas em voo baixo
Voo baixo e silencioso, típico do bitu durante o dia.
Larvas e pupas de bitu fixas em pedra submersa em água corrente
Larvas filtradoras e pupas em casulo fixas em pedra no rio.
Fêmea de bitu se alimentando de sangue na pele
Fêmea cortando a pele para se alimentar de sangue.
Enxame de bitus na margem de rio com mata ciliar
Enxame de bitus na margem de rio, seu habitat natural.

Perfil rápido de Bitu

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Complexo de espécies muito abundante e não avaliado individualmente pela IUCN.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Maior atividade dos adultosJFMAMJJASOND
Pico de larvas nos riosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsModerada - picada dolorosa, coceira intensa e risco de alergia e infecção secundária por coçadura
  • PessoasBaixa a moderada - não é peçonhento, mas picada dolorosa com reação alérgica local prolongada; risco de infecção se coçar

Não transmite doenças graves no Brasil na maioria das regiões, mas pode transmitir Mansonella ozzardi na Amazônia; procure serviço de saúde se houver reação extensa, febre ou sinais de infecção.

Vida útil

Na natureza
2 a 4 semanas como adulto; ciclo completo de 3 a 6 semanas da postura à morte

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa e adulto
Acasalamento
Em enxames de voo sobre rios, ao amanhecer e entardecer
Postura
150 a 500 ovos por postura, 2 a 3 posturas por fêmea, sobre pedras e folhas na água corrente
Incubação
2 a 6 dias até eclosão dos ovos
Fecundidade
Alta; uma fêmea pode gerar centenas de descendentes em poucas semanas

Habitat

Ambientes

  • Rios e córregos de água corrente e oxigenada
  • Cachoeiras e corredeiras
  • Mata ciliar e margens com vegetação submersa
  • Áreas rurais e balneários de rio

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Amazônia
  • Cerrado
  • Caatinga (em brejos e serras úmidas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sangue de mamíferos e aves (apenas fêmeas)

Outros alimentos

  • Néctar de flores
  • Seiva e líquidos açucarados (machos e fêmeas)

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Colômbia
  • Venezuela

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Diptera
Família
Simuliidae
Gênero
Simulium
Espécie
Simulium spp. (complexo de espécies)

Resumo

  • Bitu é o nome popular do borrachudo (Simulium spp.), díptero hematófago de 1,5 a 5 mm que pica durante o dia, principalmente perto de rios e córregos de água corrente.
  • Só a fêmea se alimenta de sangue, cortando a pele com mandíbulas serrilhadas, o que causa dor imediata, inchaço e coceira intensa que pode durar dias.
  • Suas larvas vivem fixas em pedras submersas e filtram a água, e o controle mais eficaz é a proteção pessoal e o manejo ambiental, não o inseticida doméstico.

Características

Ficha do inseto

OrdemDiptera
FamíliaSimuliidae
Origem e distribuiçãoNativa das Américas, presente em todo o Brasil, mais comum no Sul, Sudeste e Amazônia
Tamanho1,5 a 5 mm de comprimento; envergadura de 3 a 6 mm
Corespretocinza-escuromarrom-escuro
Asas e vooDuas asas membranosas transparentes, voo baixo, curto e silencioso, sem zumbido
AlimentaçãoFêmea: sangue de aves e mamíferos; Macho: néctar e seiva
MetamorfoseCompleta (ovo, larva, pupa e adulto)
Expectativa de vidaAdulto: 2 a 4 semanas; ciclo total: 3 a 6 semanas
HabitatCórregos, rios e cachoeiras de água corrente e oxigenada; mata ciliar
Comportamento socialGregário; forma enxames, principalmente ao amanhecer e entardecer
Principais predadoresPeixes, libélulas, morcegos, pássaros e larvas de outros insetos aquáticos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMédio
Importância para o ecossistemaAlto
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoAlto

O que é o bitu afinal?

O bitu não é uma espécie única, mas um nome popular regional para os borrachudos do gênero Simulium, da família Simuliidae. No Sul e Sudeste chama-se borrachudo, no Norte e Nordeste pium, piúm ou bitu, e em algumas áreas mosquito-pólvora.

Essa confusão de nomes faz muita gente achar que são insetos diferentes, mas são o mesmo grupo: dípteros pequenos, escuros e corcundas, bem distintos do pernilongo doméstico (Culex) e do maruim (Culicoides). Na nossa avaliação, tratar bitu como sinônimo de borrachudo é a forma mais correta e útil para o leitor brasileiro.

O termo bitu é mais usado no interior da Amazônia, no Maranhão, Piauí e no sertão nordestino, sempre associado a áreas de rio. Se alguém diz que foi atacado por muitos bitus na beira do rio, pode ter certeza que eram simulídeos.

Como identificar o bitu sem confundir com pernilongo ou maruim

O adulto tem 1,5 a 5 mm, corpo preto ou cinza-escuro, tórax arqueado e pernas curtas. Visto de lado, parece corcunda. As asas são transparentes, largas e sem manchas, e ele não tem aquele zumbido fino do pernilongo.

Outro detalhe que entrega: o bitu voa baixo, em enxame, e pousa com as asas abertas em forma de leque. Ele ataca em grupo, principalmente em pernas, tornozelos e braços expostos, e a picada dói na hora.

Diferenças rápidas

Característica Bitu / Borrachudo Pernilongo comum Maruim
Tamanho 1,5 a 5 mm 4 a 10 mm 1 a 3 mm
Cor Preto uniforme Marrom com listras Cinza com asas manchadas
Voo Baixo e silencioso Alto e zumbindo Muito baixo, quase rasteiro
Horário Dia, sol forte Noite e crepúsculo Crepúsculo
Picada Corta a pele, dor imediata Fura com probóscide, dor leve Picada ardida em conjunto

Se a picada deixou um ponto vermelho com sangue no centro e inchaço duro, é quase certamente bitu. Pernilongo deixa apenas uma bolinha clara com coceira.

Onde vive e por que ele sempre aparece perto de água corrente

Bitu só existe onde há água corrente, limpa e bem oxigenada: córregos, riachos, cachoeiras e rios de corredeira. É o oposto do pernilongo, que prefere água parada.

As larvas e pupas vivem fixas em pedras, folhas e galhos submersos, filtrando partículas. Por isso, surtos de bitu são comuns em áreas rurais, balneários de rio, chácaras e periferias urbanas que margeiam córregos preservados. Em cidades com rios poluídos, ele desaparece.

No Brasil, ocorre em todos os biomas, mas é mais abundante na Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado, onde a rede de drenagem é densa. Após desmatamento e assoreamento, paradoxalmente, a população pode aumentar porque a água fica mais exposta ao sol e mais quente, acelerando o ciclo.

O que o bitu come e por que só a fêmea morde

Machos e fêmeas se alimentam de néctar, seiva e líquidos açucarados para obter energia. Apenas a fêmea precisa de sangue para maturar os ovos, por isso só ela pica.

Ela não suga como um mosquito. Usa mandíbulas serrilhadas como pequenas lâminas para cortar a pele e forma uma poça de sangue que lambe. Nesse corte injeta saliva com anticoagulante e anestésico leve, que depois provoca a reação alérgica.

Essa estratégia explica por que a picada sangra um pouco e coça por dias. O bitu prefere mamíferos e aves de sangue quente — pessoas, cachorros, bois, galinhas — e é atraído por suor, gás carbônico e calor corporal. Roupas escuras e perfume forte aumentam a atração.

Ciclo de vida e reprodução: da larva aquática ao adulto voador

O bitu tem metamorfose completa em 4 fases: ovo, larva, pupa e adulto. O ciclo total leva de 3 a 6 semanas, dependendo da temperatura da água.

  • Ovos: a fêmea põe de 150 a 500 ovos em massas escuras sobre pedras ou vegetação logo acima da lâmina d’água. Eclodem em 2 a 6 dias.
  • Larvas: são vermiformes, castanho-claras, com dois leques filtradores na cabeça. Ficam presas por um disco de seda e filtram matéria orgânica. Passam por 6 a 8 ínstares em 10 a 20 dias.
  • Pupas: em forma de casulo em bota, fixas no substrato, com filamentos respiratórios bem visíveis. Dura 4 a 7 dias.
  • Adultos: emergem levando uma bolha de ar, voam imediatamente e formam enxames de acasalamento. A fêmea já busca sangue em 24 a 48 horas.

Um fato pouco conhecido: machos formam nuvens de acasalamento ao entardecer, voando em pontos fixos sobre o rio. As fêmeas entram no enxame, acasalam em voo e saem fecundadas. Cada fêmea faz 2 a 3 posturas na vida.

A picada do bitu dói? Riscos para pessoas, cachorros e gatos

Sim, a picada do bitu dói na hora e coça muito depois. A dor é maior que a do pernilongo porque há corte real da pele. Em poucas horas surge pápula avermelhada, inchaço, calor e coceira intensa que pode durar de 3 a 10 dias.

Na maioria dos casos é apenas incômodo, mas algumas pessoas desenvolvem reação alérgica maior, com bolhas, inchaço extenso e até febre baixa, chamada simulidose. Coçar pode causar infecção secundária. Em áreas com alta infestação, dezenas de picadas simultâneas levam a mal-estar, fraqueza e dermatite.

Para cachorros e gatos, o risco é semelhante: coceira, lambedura excessiva e feridas, principalmente em orelhas, focinho e barriga. Animais alérgicos podem ter edema. O bitu não é considerado peçonhento e no Brasil não transmite doenças humanas com frequência como na África (oncocercose), mas em áreas amazônicas pode transmitir Mansonella ozzardi e, em animais, leucocitozoonose em aves.

Orientação geral: lave com água e sabão, não coce, use compressa fria e procure atendimento médico se houver inchaço grande, pus, falta de ar ou febre. Para pets com muitas lesões, leve ao veterinário.

Qual o papel do bitu na natureza: vilão ou peça importante?

Apesar da fama de praga, o bitu tem importância ecológica alta. As larvas são filtradoras que limpam a água, retendo matéria orgânica e bactérias, e são bioindicadoras de água limpa. Sem elas, córregos acumulariam mais detritos.

Larvas e adultos são alimento essencial para peixes, libélulas, morcegos e andorinhas. Em rios preservados, a biomassa de simulídeos sustenta alevinos de lambaris e outros peixes pequenos.

O problema é o desequilíbrio. Quando há desmatamento da mata ciliar, esgoto orgânico no rio e ausência de predadores, a população explode e o bitu vira praga que inviabiliza turismo, pesca e criação de animais. Não é um inseto que destrói plantas, então não tem benefício agrícola direto e nem dano a lavouras.

Como se proteger do bitu sem acabar com polinizadores

Repelente e barreira física funcionam melhor que veneno. O bitu pica de dia, então a proteção deve ser diurna.

  • Roupas: use calça e manga comprida claras, de tecido fino. Ele pica através de malha muito fina, mas tem dificuldade com tecidos mais fechados.
  • Repelentes: produtos à base de icaridina ou DEET nas áreas expostas reduzem muito as picadas. Reaplique conforme rótulo, principalmente após suor e banho de rio.
  • Horário e local: evite ficar parado na margem de corredeiras entre 9h e 16h, quando o ataque é mais intenso. Ventiladores espantam porque ele voa mal contra o vento.
  • Telas e mosquiteiros: em casas ribeirinhas, telas finas em janelas são mais eficazes que inseticida.

Não adianta pulverizar inseticida no quintal ou no rio: mata abelhas, libélulas e peixes e não resolve, porque novos adultos vêm da água corrente. O manejo integrado recomendado por órgãos como Embrapa e Fiocruz envolve preservar mata ciliar, evitar jogar restos orgânicos no rio e, em casos extremos de surto, controle biológico com Bacillus thuringiensis israelensis (Bti), aplicado apenas por equipes técnicas nos criadouros.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre o bitu

O bitu tem hábitos que o tornam único entre os mosquitos brasileiros. Um deles é a dependência total de água corrente para respirar: as pupas têm brânquias filamentosas que só funcionam em água oxigenada, por isso não colonizam caixas d’água.

Outro ponto curioso é que cada espécie de Simulium escolhe um tipo de substrato: umas preferem pedras lisas, outras folhas de bananeira ou capim submerso. Especialistas identificam a espécie só olhando onde a larva está fixada.

Por fim, o bitu é um péssimo voador de longa distância. Ele raramente passa de 1 a 3 km do rio onde nasceu, então quem mora longe de córregos quase não tem contato, mesmo em região infestada.

Perguntas frequentes

Bitu é o mesmo que borrachudo?

Sim. Bitu, pium e borrachudo são nomes populares diferentes para o mesmo grupo de insetos da família Simuliidae, gênero Simulium.

Bitu pica ou morde?

Ele corta a pele com mandíbulas serrilhadas e lambe o sangue, por isso a sensação é de mordida dolorosa e não de picada fina como a do pernilongo.

Por que a picada do bitu coça tanto e demora a sarar?

A saliva contém anticoagulante que provoca reação alérgica local. A coceira pode durar de 3 a 10 dias e piora se coçar.

Bitu transmite doenças?

Na maior parte do Brasil, não transmite doenças importantes para humanos. Na Amazônia pode transmitir Mansonella ozzardi, e em aves pode causar leucocitozoonose.

Como acabar com bitu em casa?

Não use inseticida no rio. Use repelente, roupas compridas, telas em janelas e ventilador. Controle de larvas com Bti só deve ser feito por equipes técnicas.

Bitu aparece à noite?

Não. Ele ataca durante o dia, com pico entre 9h e 16h, principalmente com sol e sem vento, perto de água corrente.

Bitu entra em água parada como caixa d'água?

Não. Larvas e pupas só sobrevivem em água corrente e oxigenada, nunca em água parada, pneus ou vasos.

Você sabia?

1

Corta em vez de furar

A fêmea não tem agulha como o pernilongo: ela serra a pele com mandíbulas em forma de serrote e lambe o sangue da ferida, por isso a picada sangra e dói mais.

2

Larva com leque filtrador

A larva tem dois leques na cabeça que abrem e fecham o tempo todo para filtrar microalgas e detritos, chegando a filtrar vários litros de água por dia.

3

Pupa que respira por chifres

A pupa fica dentro de um casulo em forma de bota e respira por filamentos branquiais que parecem chifres; o número de filamentos identifica a espécie.

4

Enxame de machos ao entardecer

Machos formam nuvens dançantes sobre o rio ao entardecer para acasalar em voo. Quem passa no meio do enxame sem saber leva susto, mas machos não picam.

Fontes

  1. Fiocruz - Simulídeos (borrachudos)
  2. Embrapa - Manejo de simulídeos
  3. GBIF - Simulium

Prós e contras: Bitu

Prós

  • Larvas filtram e ajudam a limpar a água dos rios
  • É alimento importante para peixes, libélulas, morcegos e pássaros
  • Indica água limpa e bem oxigenada
  • Não danifica plantas nem lavouras

Contras

  • Picada dolorosa com coceira prolongada
  • Pode causar reação alérgica e infecção secundária
  • Ataca em enxame e inviabiliza lazer em rios infestados
  • Afeta criação de animais e turismo rural em surtos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bitu é o exemplo clássico de inseto injustiçado: odiado pela picada, mas essencial para rios limpos. Tentar exterminá-lo com veneno é ineficaz e prejudica muito mais do que ajuda; o caminho é proteção pessoal e rio com mata ciliar preservada.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.