🐛 Insetos

Quenquém

Acromyrmex spp.

Atualizado em

3 a 10 mm (operárias), rainha até 15 mmTamanho
Fungo cultivado com folhas cortadasAlimentação
Metamorfose completa, rainha vive anosCiclo de vida
Solo de jardins, pastos e lavourasHabitat
Baixo, mordida dolorida sem venenoPerigo para humanos
Quenquém (Acromyrmex) carregando fragmento de folha em trilha

A quenquém é a formiga cortadeira do gênero Acromyrmex, menor e mais discreta que a saúva, mas igualmente conhecida por recortar folhas e carregá-las em fila até o ninho. Ela não come a folha: usa o material para cultivar o fungo Leucoagaricus gongylophorus, que é seu alimento de verdade.

Muito comum em quintais, hortas e áreas agrícolas do Brasil, forma colônias subterrâneas rasas com um ou poucos olheiros e montículos de terra solta. Diferente da saúva, tem o corpo coberto de espinhos e opérarias de tamanhos variados, mas sem soldados gigantes com cabeça enorme.

Também conhecido como: Quenquém, Formiga quenquém, Formiga cortadeira pequena, Leafcutter ant (inglês), Hormiga cortadora (espanhol)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Quenquém

Quenquém (Acromyrmex) carregando fragmento de folha em trilha
Quenquém operária com espinhos no tórax carregando folha para o fungo.
Close extremo da cabeça da quenquém mostrando mandíbulas e antenas
Detalhe da cabeça: mandíbulas em forma de serra e antenas geniculadas.
Trilha de quenquéns transportando folhas até o ninho
Trilha de forrageamento, comum ao entardecer e à noite.
Câmara subterrânea de ninho de quenquém com jardim de fungo
Câmara de fungo Leucoagaricus cultivado pelas operárias.
Rainha alada de quenquém durante revoada nupcial
Rainha alada que funda nova colônia após a revoada de primavera.
Quenquéns cortando folha de roseira no jardim
Corte em arco típico em roseiras e citros.

Perfil rápido de Quenquém

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Gênero Acromyrmex não avaliado individualmente na IUCN; espécies são comuns e amplamente distribuídas.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Revoada nupcialJFMAMJJASOND
Maior atividade de forrageamentoJFMAMJJASOND
Fundação de novos ninhosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Sem ferrão venenoso; mordida pode causar dor e vermelhidão local. Risco maior é ingestão de isca formicida por pets.

Vida útil

Na natureza
Operárias vivem 2 a 6 meses; rainha 7 a 14 anos; machos morrem após a revoada
Colônia
5 mil a 30 mil operárias em ninhos rasos com 1 a 3 câmaras de fungo

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, larva, pupa e adulto em 40 a 60 dias
Acasalamento
Revoada nupcial aérea; rainha acasala com 1 a poucos machos e armazena esperma por anos
Fundação
Haplometrose: rainha funda sozinha nova colônia levando pelota de fungo na boca
Período reprodutivo
Primavera, de outubro a dezembro, após chuvas
Fecundidade
Rainha põe milhares de ovos ao longo da vida; sem operárias não há nova rainha

Habitat

Ambientes

  • Jardins e quintais urbanos
  • Pomares, hortas e viveiros
  • Pastagens e bordas de mata
  • Áreas de Cerrado e Mata Atlântica degradadas
  • Reflorestamentos jovens de eucalipto e pinus

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pampa
  • Caatinga (áreas mais úmidas)
  • Amazônia (bordas e áreas antropizadas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Fungo Leucoagaricus gongylophorus cultivado no ninho

Outros alimentos

  • Folhas de roseira, citros, eucalipto, mandioca e videira
  • Pétalas, brotos e frutos tenros
  • Seiva liberada no corte

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hymenoptera
Família
Formicidae
Gênero
Acromyrmex
Espécie
Acromyrmex spp. (ex.: A. laticeps, A. coronatus)

Resumo

  • Quenquém é o nome popular das formigas cortadeiras do gênero Acromyrmex, que cultivam fungo subterrâneo a partir de folhas cortadas.
  • Vive em colônias eusociais rasas com até dezenas de milhares de operárias, comum em jardins, pomares e lavouras de Sul a Nordeste.
  • Não tem veneno perigoso, mas pode morder e desfolhar plantas rapidamente, sendo considerada praga agrícola secundária em relação à saúva.

Características

Ficha do inseto

OrdemHymenoptera
FamíliaFormicidae (subfamília Myrmicinae)
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul; comum em todo o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai
TamanhoOperárias 3 a 10 mm; rainhas 12 a 15 mm; machos 7 a 9 mm
Coresmarrom-avermelhadomarrom-escuropreto-acastanhado
Asas e vooOperárias sem asas; rainhas e machos alados só na revoada nupcial
AlimentaçãoFungo Leucoagaricus gongylophorus cultivado com folhas, flores e brotos cortados
MetamorfoseCompleta (ovo, larva, pupa e adulto)
Expectativa de vidaOperárias 2 a 6 meses; rainha 7 a 14 anos
HabitatNinhos subterrâneos rasos (até 1 m de profundidade) em solos variados
Comportamento socialEusocial; colônias com 5 mil a 30 mil indivíduos
Principais predadoresTamanduás, tatus, aves, aranhas e outras formigas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Presença em casasMédio
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasAlto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar a quenquém sem confundir com saúva

A quenquém é do gênero Acromyrmex, enquanto a saúva é Atta. As duas cortam folhas, mas a diferença aparece no detalhe.

A quenquém tem o corpo coberto de espinhos pontiagudos no tórax, visíveis com lupa. A saúva tem o dorso liso, sem espinhos. Esse é o critério mais seguro em campo.

O tamanho também denuncia. Operárias de quenquém medem 3 a 10 mm e variam pouco entre si. Saúvas têm operárias de 3 a 15 mm com soldados de cabeça desproporcionalmente grande, que a quenquém não tem.

O ninho ajuda. O da quenquém é raso, com um a poucos olheiros e montículos baixos de terra solta e palha. O da saúva forma grandes murundus com dezenas de olheiros e terra solta em área extensa.

O que observar na trilha

Quenquéns carregam fragmentos menores e mais irregulares que saúvas, muitas vezes com bordas serrilhadas. A trilha costuma ser estreita e menos movimentada.

Cor predominante é marrom-avermelhado a marrom-escuro, com tegumento opaco e áspero, não brilhante. Antenas geniculadas (cotovelo) e cintura com dois nódulos, típica de Myrmicinae.

Onde vive e por que está em quase todo o Brasil

A quenquém ocorre de norte a sul do país, mas é mais abundante no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e áreas de transição. O gênero Acromyrmex tem cerca de 30 espécies descritas, com pelo menos 15 no Brasil.

Prefere solos bem drenados, bordas de mata, pastagens, pomares, hortas e jardins urbanos. Tolera áreas antropizadas melhor que muitas formigas nativas, por isso aparece tanto em quintais.

O ninho fica até 80 cm a 1 metro de profundidade, com 1 a 3 panelas de fungo. Diferente da saúva, que aprofunda vários metros, a quenquém fica na camada superficial, o que torna o controle mecânico mais viável.

Espécies comuns: Acromyrmex laticeps, A. coronatus, A. crassispinus, A. subterraneus e A. balzani. A identificação exata exige especialista, mas o manejo é semelhante entre elas.

O que a quenquém realmente come (não é a folha)

A folha cortada não é comida. Ela serve de substrato para cultivar o fungo Leucoagaricus gongylophorus dentro do ninho. O fungo digere a celulose e produz hifas ricas em nutrientes que alimentam larvas e adultos.

Para isso, operárias forrageiras cortam folhas, pétalas, brotos e até frutos finos de roseiras, citros, eucalipto, mandioca, videira e hortaliças. Cada operária pode carregar até 10 vezes seu peso em fragmento verde.

Dentro do ninho, operárias menores lambem, mastigam e inoculam o material com o fungo, mantendo umidade e higiene constantes. Se o fungo contamina, a colônia pode colapsar.

Adultos também consomem seiva que vaza do corte, mas a base da dieta é o fungo. Sem ele, a colônia não sobrevive.

Ciclo de vida e organização da colônia

A quenquém tem metamorfose completa: ovo, larva ápoda e branca, pupa e adulto. O desenvolvimento de ovo a adulto leva cerca de 40 a 60 dias, dependendo da temperatura.

A colônia é eusocial e monogínica na maioria das espécies: uma única rainha fecundada funda o ninho após a revoada. Ela carrega na cavidade bucal uma pelota do fungo materno para iniciar o cultivo.

Nos primeiros meses, a rainha cuida sozinha do fungo e das primeiras larvas. Depois que as primeiras operárias nascem, ela se torna exclusivamente reprodutiva e pode viver 7 a 14 anos.

Uma colônia madura de Acromyrmex tem 5 mil a 30 mil operárias, muito menos que uma saúva, que passa de 2 milhões. Isso explica por que o dano é mais localizado, porém rápido em mudas.

Revoada nupcial

A reprodução acontece na revoada de içás e bitus, geralmente entre outubro e dezembro, após as primeiras chuvas fortes e em dias quentes e úmidos ao entardecer.

Rainhas e machos alados saem do ninho, acasalam em voo e os machos morrem logo depois. A rainha fecundada perde as asas e escava nova câmara.

Comportamento: corte, transporte e defesa

O forrageamento é predominantemente noturno ou crepuscular em dias quentes, para evitar dessecação. Em dias nublados e frescos, trabalham também de dia.

O corte é feito com mandíbulas que vibram como serra, ancorando as pernas traseiras na borda da folha. Uma operária recorta um arco em poucos minutos e outra leva o pedaço.

A comunicação é química, por trilhas de feromônio que marcam o caminho entre a planta e o ninho. Se a trilha é interrompida, formam engarrafamentos e exploradoras refazem o trajeto.

Na defesa, a quenquém morde com mandíbulas fortes e pode liberar ácido fórmico, mas não tem ferrão funcional como vespa. A mordida dói e pode pinicar, mas não inocula veneno significativo.

Característica Quenquém (Acromyrmex) Saúva (Atta)
Tórax Com 4 a 6 espinhos Liso, sem espinhos
Tamanho da colônia 5 mil a 30 mil 500 mil a 2 milhões
Ninho Raso, 1-3 olheiros Gigante, dezenas de olheiros
Soldados Ausentes Presentes, cabeça grande

Quenquém morde ou é perigosa? Riscos para pessoas e pets

Para humanos, o risco é baixo. Não é peçonhenta e não transmite doença. A mordida pode causar dor local, vermelhidão e coceira leve, especialmente se a formiga ficar presa na pele.

Reações alérgicas graves são raras e mais associadas a formigas de fogo (Solenopsis) do que a cortadeiras. Em caso de inchaço extenso, falta de ar ou dor persistente, procure atendimento médico.

Para cães e gatos, a ingestão acidental de poucas quenquéns geralmente não causa intoxicação. O problema maior é se o pet ingerir isca formicida granulada colocada para controle. Mantenha iscas fora do alcance e siga orientação técnica.

Não há risco de infestação dentro de casa como cupins. Quenquéns entram eventualmente para forragear, mas nidificam no solo, não em estruturas.

É praga ou aliada? Papel no ecossistema e dano à agricultura

Na natureza, a quenquém é engenheira de ecossistema. Ao revolver solo, incorporar matéria orgânica e cultivar fungo, acelera a decomposição e a ciclagem de nutrientes.

Serve de alimento para tamanduás, tatus, aves e aranhas e suas câmaras abandonadas viram abrigo para outros invertebrados. O descarte de material do fungo enriquece o solo ao redor do ninho.

Em cultivo, porém, é praga secundária importante. Pode desfolhar totalmente mudas de eucalipto, citros, roseiras, videiras e hortaliças em uma noite. Em reflorestamento, o ataque nos primeiros meses compromete o pegamento.

A Embrapa classifica Acromyrmex como praga de menor impacto que Atta, mas com dano econômico relevante em pequenas propriedades e viveiros, onde poucas colônias já causam prejuízo.

Como conviver e manejar sem veneno desnecessário

Em jardim doméstico, nem todo ninho precisa ser eliminado. Se o dano é tolerável, barreiras físicas resolvem: anel de lã de vidro, cone plástico liso no tronco ou fita adesiva com vaselina impedem a subida.

Para mudas valiosas, use tela de proteção e plantio diversificado. Quenquéns preferem poucas espécies; intercalar plantas menos atacadas reduz a pressão.

Quando o controle é necessário, o manejo integrado é mais eficaz que pulverização. Localize o olheiro, aplique isca granulada à base de sulfluramida ou fipronil em dosagem técnica no carreiro, em período seco e sem previsão de chuva, no fim da tarde.

Evite jogar isca dentro do olheiro ou aplicar inseticida líquido de amplo espectro: mata inimigos naturais e contamina polinizadores. Nunca use querosene, gasolina ou fogo no ninho. Se a infestação é grande ou em área agrícola, busque orientação de agrônomo ou técnico da extensão rural.

Curiosidades que pouca gente sabe

A quenquém pratica agricultura há cerca de 50 milhões de anos, muito antes dos humanos. O fungo que cultiva não existe mais na natureza fora do formigueiro, tão domesticado quanto milho.

Operárias carregam nas costas bactérias do gênero Pseudonocardia que produzem antibióticos para proteger o fungo de parasitas. É um sistema de três parceiros: formiga, fungo e bactéria.

Apesar do tamanho pequeno, uma colônia pode abrir trilhas de até 30 metros até a planta preferida e manter o forrageamento por semanas na mesma árvore, até esgotá-la.

Muita gente chama toda cortadeira de saúva, mas no Sul do Brasil quenquém é mais comum em quintais que saúva. Se o ninho é pequeno e cheio de palha na entrada, quase sempre é Acromyrmex.

Perguntas frequentes

Quenquém morde?

Sim, pode morder com as mandíbulas e causar dor e vermelhidão, mas não tem ferrão venenoso e não oferece perigo grave.

Qual a diferença entre quenquém e saúva?

Quenquém (Acromyrmex) tem espinhos no tórax, colônia de até 30 mil e ninho raso; saúva (Atta) tem dorso liso, colônia de milhões e ninho gigante.

Quenquém come folha?

Não diretamente. Ela corta a folha para cultivar o fungo Leucoagaricus gongylophorus, que é seu verdadeiro alimento.

Como acabar com ninho de quenquém?

Localize o olheiro e use isca granulada específica no carreiro em tempo seco ao entardecer; barreiras físicas no tronco protegem mudas. Para áreas grandes, consulte agrônomo.

Quenquém aparece dentro de casa?

Pode entrar para forragear, mas não faz ninho dentro de casa; o ninho é sempre no solo, fora da residência.

Quando a quenquém ataca mais?

Principalmente na primavera e verão, de setembro a março, com pico noturno em dias quentes e úmidos.

Quenquém é perigosa para cachorro e gato?

A formiga em si não é tóxica, mas iscas formicidas são. Mantenha pets longe durante e após a aplicação.

Você sabia?

1

Agricultoras há 50 milhões de anos

Quenquéns cultivam o mesmo fungo Leucoagaricus gongylophorus há milhões de anos; ele não sobrevive mais fora do ninho sem as formigas.

2

Antibiótico nas costas

Operárias carregam bactérias Pseudonocardia no tegumento que produzem antibióticos naturais para proteger o jardim de fungos parasitas.

3

Espinhos que entregam a espécie

A presença de 4 a 6 espinhos no tórax é o jeito mais rápido de separar quenquém (Acromyrmex) de saúva (Atta), que tem dorso liso.

4

Revoada após a chuva

A revoada nupcial acontece em dias abafados de outubro a dezembro, logo após as primeiras chuvas fortes da primavera.

Fontes

  1. Embrapa - Formigas cortadeiras
  2. GBIF - Acromyrmex
  3. Universidade Federal de Viçosa - Mirmecologia

Prós e contras: Quenquém

Prós

  • Cultiva fungo e ajuda na ciclagem de nutrientes do solo
  • Revolve e aera o solo ao escavar ninhos rasos
  • Serve de alimento para tamanduás, tatus e aves
  • Colônia menor e mais fácil de manejar que saúva
  • Indica solo bem drenado e atividade biológica

Contras

  • Desfolha rápida de mudas, roseiras, citros e hortaliças
  • Pode matar plantas jovens em uma noite de ataque intenso
  • Forrageamento noturno dificulta detecção precoce
  • Controle com inseticida amplo prejudica polinizadores
  • Confundida com saúva, leva a manejo inadequado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a quenquém é a cortadeira do dia a dia: menos assustadora que a saúva, mas mais presente no quintal e por isso mais relevante para quem cultiva. Vale aprender a identificar pelos espinhos e manejar com barreira e isca localizada, em vez de veneno amplo que prejudica polinizadores.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.