Resumo
- Tartaruga-marinha é réptil marinho que respira com pulmões e não passa por metamorfose, ao contrário dos anfíbios.
- No Brasil ocorrem 5 espécies — cabeçuda, verde, de-pente, oliva e de-couro — que vivem em oceanos tropicais e desovam em praias arenosas entre setembro e março.
- Todas estão ameaçadas de extinção por pesca incidental, poluição plástica, iluminação costeira e mudanças climáticas que afetam a temperatura dos ninhos.
Características
Ficha da espécie
| Grupo | Réptil |
|---|---|
| Ordem | Testudines |
| Família | Cheloniidae (6 espécies) e Dermochelyidae (1 espécie) |
| Origem e distribuição | Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico; 5 espécies desovam no Brasil |
| Tamanho | 55 cm a 2,2 m de comprimento curvilíneo do casco |
| Peso | 35 kg a 700 kg (de-couro) |
| Cores | pretomarromverde-olivaamarelocinzacreme |
| Habitat | Mar aberto, recifes, estuários e praias arenosas para desova |
| Alimentação | Onívora a herbívora conforme a espécie e a idade |
| Reprodução | Ovípara; 70 a 150 ovos por ninho, sem metamorfose |
| Atividade | Diurna e noturna; migrações sazonais longas |
| Expectativa de vida | 50 a 80 anos na natureza |
| Estado de conservação | Varia de Vulnerável a Criticamente em Perigo (IUCN) |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas e pets | Muito baixo |
|---|---|
| Facilidade de criação em cativeiro | Muito baixo |
| Adaptação a casas | Muito baixo |
| Importância para o ecossistema | Muito alto |
| Sensibilidade a temperatura e umidade | Muito alto |
| Vida na água | Muito alto |
Tartaruga-marinha é réptil ou anfíbio? Resposta direta
Tartaruga-marinha é réptil, da ordem Testudines. Não é anfíbio e não tem fase de girino nem metamorfose.
A confusão vem da vida dividida entre água e terra, mas a biologia é totalmente diferente. Répteis respiram só com pulmões a vida toda, têm pele seca com escamas, casco ósseo recoberto por placas de queratina e ovos com casca que precisam de ar. Anfíbios têm pele úmida e permeável, respiram pela pele quando jovens e passam por metamorfose.
Tartarugas-marinhas também são ectotérmicas, mas conseguem manter temperatura corporal um pouco acima da água, sobretudo a tartaruga-de-couro. Elas precisam subir para respirar e podem ficar submersas de 20 minutos a mais de 4 horas em repouso, dependendo da espécie e da temperatura.
Como identificar: as 5 espécies que ocorrem no Brasil
No Brasil desovam cinco espécies. A identificação em campo é feita pelo formato do casco, número de placas e cor da cabeça, não só pelo tamanho.
- Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta): cabeça grande e avermelhada, casco marrom-avermelhado com 5 placas laterais. Mede 90 a 110 cm e pesa 100 a 180 kg.
- Tartaruga-verde (Chelonia mydas): casco arredondado verde-acinzentado, 4 placas laterais e cabeça pequena. Adultos são quase herbívoros. 90 a 120 cm, 120 a 230 kg.
- Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata): bico fino como de falcão, placas do casco sobrepostas e amareladas com manchas marrons. 70 a 95 cm, 60 a 90 kg.
- Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea): a menor do Brasil, casco verde-oliva quase redondo com 6 a 9 placas laterais. 60 a 75 cm, 35 a 50 kg. Famosa pela desova em massa chamada arribada.
- Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea): sem placas rígidas, casco preto com 7 quilhas longitudinais e couro. A maior de todas, até 2,2 m e 500 a 700 kg.
As outras duas espécies do mundo, tartaruga-de-kemp e tartaruga-de-casco-chato, não desovam no Brasil, mas podem aparecer em águas oceânicas.
| Espécie | Casco | Destaque |
|---|---|---|
| Cabeçuda | 5 placas laterais | Mandíbula forte para quebrar caranguejos |
| Verde | 4 placas laterais | Única majoritariamente herbívora adulta |
| De-pente | Placas sobrepostas | Bico fino para esponjas em recifes |
| Oliva | 6 a 9 placas laterais | Desova sincronizada em arribadas |
| De-couro | Sem placas, 7 quilhas | Mergulha a mais de 1.000 m |
Onde vive e por onde migra
Tartarugas-marinhas vivem em oceanos tropicais e subtropicais e usam três ambientes ao longo da vida: praia para nascer, mar aberto na fase juvenil e áreas costeiras para se alimentar quando adultas.
No Brasil, as principais áreas de desova ficam no Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Fernando de Noronha. Fora da temporada reprodutiva, migram para áreas de alimentação no sul, sudeste e até no Atlântico Norte. Uma cabeçuda marcada no Brasil já foi recapturada a mais de 4.000 km de distância.
Filhotes recém-nascidos entram no mar e passam anos à deriva em correntes oceânicas, fase chamada de anos perdidos. Só depois retornam ao litoral. Adultos navegam com precisão usando campo magnético da Terra, correntes e sinais químicos para voltar à praia natal.
O que come: de algas a águas-vivas
A dieta muda com a espécie e a idade, e isso explica onde cada uma vive.
- Verde: filhote onívoro, adulto quase exclusivamente herbívoro, pastando algas e gramas marinhas. É a principal jardineira de prados marinhos.
- De-pente: especialista em esponjas de recife, ajudando a manter corais saudáveis.
- Cabeçuda e oliva: carnívoras generalistas, comem caranguejos, moluscos e camarões.
- De-couro: consome quase só águas-vivas e salpas, controlando blooms de medusas. Um adulto pode comer o equivalente a 70% do seu peso em um dia.
Quase todas ingerem plástico por confundir sacolas com águas-vivas. Mesmo fragmentos pequenos causam bloqueio intestinal e falsa saciedade.
Reprodução e ciclo de vida: da praia ao mar aberto
A reprodução é toda na areia. Machos e fêmeas acasalam no mar, mas só a fêmea sai da água. Ela sobe à noite, cava um ninho de 40 a 70 cm de profundidade com as nadadeiras traseiras e deposita 70 a 150 ovos esféricos de casca flexível.
A incubação dura 45 a 65 dias, dependendo da temperatura da areia. Essa temperatura define o sexo dos filhotes: areia mais quente gera mais fêmeas, areia mais fria gera mais machos. Com o aquecimento global, muitos ninhos no nordeste já produzem mais de 90% de fêmeas.
A fêmea faz de 3 a 7 desovas por temporada, com intervalo de 10 a 15 dias, e depois migra para se alimentar por 2 a 4 anos antes de voltar. Filhotes nascem à noite, correm para o mar guiados pela luz do horizonte e nadam freneticamente por 24 a 48 horas até atingir correntes oceânicas.
A maturidade sexual é tardia: 20 a 35 anos na maioria das espécies, e até 15 anos na oliva. Isso torna a recuperação populacional muito lenta.
Comportamento e hábitos no mar
São animais solitários e migratórios. Passam mais de 90% da vida submersas, subindo poucos segundos para respirar. A tartaruga-de-couro é a mergulhadora recorde, com mergulhos registrados além de 1.200 m e mais de 80 minutos.
Não têm cordas vocais e são silenciosas, mas se orientam por visão, olfato e magnetismo. Dormem boiando na superfície ou apoiadas no fundo em recifes. Podem chorar: as glândulas de sal perto dos olhos excretam excesso de sal e parecem lágrimas.
Filhotes e juvenis são predados por aves, caranguejos e peixes grandes. Adultos têm poucos predadores naturais — tubarões e onças em praias isoladas —, mas a maior ameaça é humana.
É perigosa? Riscos para pessoas e pets
Não é perigosa nem venenosa. Tartarugas-marinhas não atacam, não têm veneno na pele e mordidas só ocorrem se o animal for manipulado ou se sentir encurralado.
O risco maior é inverso: para a tartaruga. Tocar, perseguir na água ou segurar filhotes causa estresse extremo e pode matar. Manusear sem licença é crime ambiental no Brasil. Para cachorros e gatos, o contato direto na praia pode transmitir bactérias e o animal pode morder se acuado, mas não há toxina como em sapos.
Se encontrar uma tartaruga encalhada ou ninho, não toque, não devolva ao mar e não use luz ou flash. Acione o Projeto TAMAR ou órgão ambiental local.
Pode ter tartaruga-marinha como pet?
Não. É ilegal e inviável. Todas as espécies são protegidas pela legislação brasileira e por convenções internacionais. Capturar, comprar, vender ou manter em casa é crime, com apreensão e multa.
Mesmo que fosse legal, nenhuma casa oferece o que ela precisa: milhares de quilômetros de oceano, água salgada em circulação, dieta específica e praias escuras para desovar. Em cativeiro só sobrevivem em aquários e centros de reabilitação autorizados, com equipe veterinária e tanques de milhares de litros.
Quem quer tartaruga como pet deve procurar jabutis e cágados de criadouros legalizados pelo IBAMA, nunca animais marinhos.
Papel no ecossistema e por que estão ameaçadas
Cada espécie exerce uma função diferente. Verdes mantêm prados de grama marinha saudáveis, de-pente controlam esponjas que sufocam corais, de-couro regulam águas-vivas e cabeçudas revolvem o fundo ao caçar, reciclando nutrientes.
Todas estão em alguma categoria de ameaça. No Brasil, as principais pressões são pesca incidental com redes e anzóis, ingestão de plástico, iluminação artificial que desorienta filhotes, ocupação da orla, atropelamento por embarcações e aquecimento da areia.
A conservação depende de praias escuras e limpas, pesca com dispositivos de escape (TED), redução de plástico e monitoramento de ninhos. O Projeto TAMAR, criado em 1980, é referência mundial e protege cerca de 1.100 km de praias de desova. Graças a ele, a tartaruga-oliva e a cabeçuda mostram sinais de recuperação, mas a de-pente e a de-couro seguem em situação crítica.
Perguntas frequentes
Tartaruga-marinha é réptil ou anfíbio?
É réptil. Respira com pulmões a vida toda, tem casco ósseo e escamas e põe ovos com casca na areia, sem fase de girino ou metamorfose.
Quantas espécies de tartaruga-marinha existem no Brasil?
Cinco desovam no Brasil: cabeçuda, verde, de-pente, oliva e de-couro. No mundo são sete espécies no total.
Tartaruga-marinha é perigosa ou venenosa?
Não. Não tem veneno e não ataca. Pode morder se for manuseada, mas o risco real é para ela, que se estressa e pode morrer com o manuseio.
Pode ter tartaruga-marinha como animal de estimação?
Não. É crime ambiental no Brasil. São animais silvestres protegidos, migratórios e que precisam de oceano aberto, não sobrevivem em aquário doméstico.
O que fazer se encontrar filhotes ou ninho na praia?
Não toque, não ilumine e não leve para o mar. Mantenha distância, afaste pets e avise o Projeto TAMAR ou órgão ambiental.
Por que a luz da cidade prejudica as tartarugas?
Filhotes seguem a luz mais brilhante para achar o mar. Luzes brancas da orla os desorientam para a cidade, onde morrem atropelados ou desidratados.
Quanto tempo vive uma tartaruga-marinha?
Entre 50 e 80 anos na natureza, podendo passar de 100 em algumas espécies. A maturidade demora de 15 a 35 anos.
Você sabia?
Bússola interna
Filhotes imprimem o campo magnético da praia onde nascem e, 20 a 30 anos depois, as fêmeas usam essa assinatura para voltar à mesma faixa de areia para desovar.
Lágrimas de sal
As glândulas lacrimais excretam sal em excesso, por isso parecem chorar quando estão na areia. É adaptação para viver em água salgada sem desidratar.
Sexo definido pelo calor
Não há cromossomo sexual. Se a areia ficar acima de 29,5 °C, nascem quase só fêmeas. Um aumento de 1 °C pode desequilibrar toda a população.
Recorde de mergulho
A tartaruga-de-couro já foi registrada a mais de 1.200 metros de profundidade, mais fundo que a maioria dos submarinos de pesquisa, caçando águas-vivas no escuro.








