🦎 Répteis e Anfíbios

Rã-touro

Lithobates catesbeianus

Atualizado em

15 a 20 cmTamanho
AnfíbioGrupo
7 a 9 anosExpectativa de vida
Lagos e açudesHabitat
Baixo para humanosPerigo
Girino gigante de rã-touro nadando na água

A rã-touro é um anfíbio, não um réptil. Pertence à família Ranidae e se destaca pelo tamanho grande, pele lisa e úmida e coaxar grave que lembra o mugido de um touro.

Nativa do leste da América do Norte, foi introduzida no Brasil na década de 1930 para criação em ranários e hoje é considerada uma das espécies invasoras mais problemáticas do mundo. Pode ultrapassar 20 cm e pesar quase 1 kg, muito maior que a maioria das rãs nativas.

Apesar da aparência robusta, é altamente dependente de água e sensível à poluição. Seus girinos demoram meses para virar rãs e os adultos são predadores vorazes que afetam a fauna local.

Também conhecido como: Rã-touro-americana, American bullfrog, Rana toro, Bullfrog

Faz parte de: Anfíbios do Brasil, Sapos, Rãs e Pererecas

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Galeria de fotos de Rã-touro

Girino gigante de rã-touro nadando na água
Girino de rã-touro, que pode chegar a 15 cm e levar até 2 anos para virar rã.
Close da cabeça e olhos da rã-touro mostrando tímpano grande
Detalhe da cabeça: tímpano maior que o olho indica macho.
Detalhe da pele lisa e úmida da rã-touro com manchas
Pele lisa e úmida, sem verrugas, com manchas escuras irregulares.
Rã-touro semi-submersa na água com olhos para fora
Comportamento típico de ficar semi-submersa durante o dia.
Girino gigante de rã-touro nadando na água
Girino de rã-touro, que pode chegar a 15 cm e levar até 2 anos para virar rã.
Macho de rã-touro vocalizando à noite na margem da lagoa
Macho vocalizando com garganta amarelada e saco vocal inflado.

Perfil rápido de Rã-touro

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População nativa ampla e estável na América do Norte.

População
Estável na área nativa; em expansão como invasora
Protegido por
Não; manejo visa controle de invasão no Brasil

Calendário

Reprodução e desovaJFMAMJJASOND
Pico de vocalizaçãoJFMAMJJASOND
Metamorfose dos girinosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa a moderada por secreção cutânea irritante; risco de vômito e salivação se ingerida
  • PessoasBaixa; secreção pode irritar olhos e mucosas

Não é peçonhenta e não possui glândulas parotoides de veneno forte como sapos-cururus, mas o manuseio exige lavar as mãos e evitar contato com boca e olhos

Vida útil

Na natureza
7 a 9 anos
Em cativeiro
Até 10 anos com manejo adequado

Reprodução

Maturidade sexual
2 a 3 anos
Época reprodutiva
Primavera e verão, com chuvas
Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa
Ovos por desova
10.000 a 25.000 em massa flutuante
Metamorfose
Girino aquático por 4 a 24 meses
Cuidado parental
Ausente

Habitat

Ambientes

  • Lagos permanentes
  • Açudes e represas
  • Brejos com vegetação aquática
  • Tanques de piscicultura
  • Rios de fluxo lento

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Cerrado
  • Áreas antropizadas com água permanente

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos aquáticos e terrestres
  • Aranhas e minhocas
  • Peixes pequenos
  • Outros anfíbios e girinos

Outros alimentos

  • Pequenos répteis
  • Pássaros que bebem na margem
  • Pequenos roedores
  • Crustáceos

Encontrado em 8 países

  • Estados Unidos
  • Canadá
  • Brasil
  • México
  • China
  • Itália
  • França
  • Japão

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não recomendada; animal arisco e aquático
Legalidade no Brasil
Criação só em ranários licenciados pelo IBAMA; captura na natureza é crime
Nível de cuidado
Alto; exige água permanente limpa e alimento vivo
Convivência
Solitária e territorial; não convive bem com outras espécies

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Amphibia
Ordem
Anura
Família
Ranidae
Gênero
Lithobates (Aquarana)
Espécie
Lithobates catesbeianus

Resumo

  • A rã-touro é um anfíbio da família Ranidae, nativo da América do Norte e invasor no Brasil, facilmente reconhecido pelo tamanho grande e coaxar grave.
  • Vive em lagos, açudes e brejos permanentes, tem dieta carnívora generalista e metamorfose longa, com girinos que podem levar até 2 anos para se transformar.
  • Não é venenosa como sapos-cururus, mas sua pele tem secreções irritantes e ela representa risco ecológico e sanitário, sendo proibida a soltura na natureza.

Características

Ficha da espécie

GrupoAnfíbio
OrdemAnura
FamíliaRanidae
Origem e distribuiçãoLeste da América do Norte; introduzida no Brasil, Europa, Ásia e América do Sul
Tamanho12 a 20 cm (fêmeas maiores); girinos até 15 cm
Peso500 g a 900 g, raramente até 1 kg
Coresverde-olivamarromverde-escuroventre branco a amarelado
HabitatCorpos d'água permanentes, açudes, lagos, brejos e represas
AlimentaçãoCarnívora generalista
ReproduçãoOvípara, 10.000 a 25.000 ovos por desova; com metamorfose
AtividadeNoturna e crepuscular
Expectativa de vida7 a 9 anos na natureza; até 10 anos em cativeiro
Estado de conservaçãoPouco preocupante (LC) pela IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsBaixo
Facilidade de criação em cativeiroAlto
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito alto

Rã-touro é réptil ou anfíbio? Resposta direta

A rã-touro é um anfíbio, não um réptil. Essa confusão é comum porque ela é grande e aquática, mas a biologia é completamente diferente.

Répteis têm pele seca com escamas, respiram por pulmões a vida toda e põem ovos com casca. Anfíbios têm pele úmida e permeável, sem escamas, dependem da água para reproduzir e passam por metamorfose: do ovo aquático nasce o girino com brânquias, que depois vira adulto com pulmões.

A rã-touro (Lithobates catesbeianus, também citada como Aquarana catesbeiana) ilustra bem isso. Ela precisa manter a pele úmida para fazer trocas gasosas, seus ovos não têm casca e seus girinos vivem meses na água antes de ganhar pernas.

Como identificar a rã-touro sem confundir

A rã-touro é a maior rã das Américas e isso já ajuda a reconhecê-la. Adultos variam de 12 a 20 cm de comprimento rostro-cloacal, com fêmeas maiores que machos. O peso costuma ficar entre 500 e 900 g.

A coloração é verde-oliva a marrom-esverdeada no dorso, com manchas escuras irregulares, e ventre branco a amarelado com marmoreio cinza. A pele é lisa, sem as verrugas típicas de sapos-cururus, e as pernas traseiras são muito musculosas e com membranas interdigitais bem desenvolvidas.

O detalhe mais confiável está na cabeça. O tímpano é enorme e, nos machos, tem diâmetro maior que o olho; nas fêmeas, é do mesmo tamanho do olho. Machos reprodutivos também têm garganta amarelada e o famoso coaxar grave e ressonante, audível a mais de 500 metros.

  • Não tem glândulas parotoides grandes atrás dos olhos como o sapo-cururu.
  • Pele lisa e úmida, nunca seca ou com escamas.
  • Olhos com pupila horizontal e membrana nictitante visível.
  • Girinos gigantes: podem chegar a 15 cm, verdes com pintas escuras, muito maiores que girinos nativos.

Onde vive e por que virou invasora no Brasil

Na distribuição natural, ocorre no leste dos Estados Unidos e sudeste do Canadá, em lagos, pântanos e rios de água permanente. Prefere corpos d’água grandes, com vegetação nas margens e água parada ou de fluxo lento.

No Brasil, chegou em 1935, trazida por iniciativa de criadores para ranicultura. A partir de fugas e solturas intencionais, se estabeleceu em quase todas as regiões, com maior presença no Sudeste e Sul, mas com registros também no Centro-Oeste e Nordeste.

Ela se dá bem aqui porque tolera variações de temperatura, aceita açudes artificiais e tem poucos predadores naturais. A União Internacional para Conservação da Natureza a lista entre as 100 piores espécies invasoras do mundo, justamente por competir com anfíbios nativos, predar fauna local e disseminar doenças.

Habitat preferido

Precisa de água permanente para completar o ciclo. Diferente de pererecas que usam poças temporárias, a rã-touro não se reproduz em poças que secam rápido porque seus girinos demoram muitos meses para se desenvolver.

É comum em açudes de fazenda, represas, lagos urbanos, tanques de piscicultura abandonados e brejos com taboa e aguapé. Durante o dia fica semi-submersa, só com olhos e narinas para fora; à noite vai para as margens para caçar.

O que a rã-touro come e como caça

É uma predadora generalista e oportunista. A dieta inclui insetos, aranhas, minhocas, caracóis, peixes pequenos, outras rãs, girinos, lagartixas, cobras pequenas, pássaros e até pequenos roedores e morcegos que se aproximam da água.

A estratégia é de emboscada. Fica imóvel na margem ou dentro d’água e projeta a língua grande e pegajosa em frações de segundo. Tudo que couber na boca e se mover pode ser engolido inteiro. Essa voracidade explica parte do impacto sobre espécies nativas.

Girinos são principalmente herbívoros e detritívoros, raspando algas e matéria orgânica de pedras e plantas. Essa diferença de dieta entre girino e adulto reduz a competição dentro da própria espécie.

Reprodução e metamorfose: dos ovos ao coaxar grave

A reprodução é aquática e explosiva na estação quente e chuvosa. Machos estabelecem territórios em áreas alagadas e vocalizam em coro grave, o famoso som que deu nome à espécie. O canto pode chegar a 90 decibéis a curta distância.

A fêmea libera uma massa flutuante com 10.000 a 25.000 ovos envoltos em gelatina, que fica na superfície da água. Em poucos dias eclodem girinos que se alimentam de algas. É aqui que a rã-touro se diferencia de quase todas as rãs brasileiras.

A fase larval é extremamente longa, de 4 meses a até 2 anos dependendo da temperatura e da alimentação. Girinos que nascem no fim da estação podem passar o inverno na água e só completar a metamorfose no ano seguinte. Durante a metamorfose, surgem pernas traseiras, depois dianteiras, a cauda é reabsorvida e as brânquias dão lugar a pulmões.

  • Amplexo é axilar: o macho abraça a fêmea pelas axilas na água.
  • Fecundação externa na água.
  • Sem cuidado parental após a desova.
  • Maturidade sexual entre 2 e 3 anos.

Comportamento e hábitos: territorialista e noturna

É predominantemente noturna e crepuscular. De dia, passa longos períodos imóvel na água para manter a pele úmida e regular a temperatura. À noite, torna-se ativa, vocaliza e caça nas margens.

Machos são altamente territoriais na época reprodutiva. Defendem um trecho de margem com vocalizações, inflando o saco vocal, e podem partir para combates físicos, empurrando e até mordendo intrusos. Fora da reprodução, são mais tolerantes, mas ainda solitários.

Quando ameaçada, a rã-touro dá saltos longos de até 1 metro em direção à água e mergulha, levantando lama para se esconder. Se capturada, pode emitir um grito agudo de estresse e tentar morder, embora não tenha dentes verdadeiros, apenas pequenas projeções maxilares.

É perigosa ou venenosa? Riscos para pessoas, cachorros e gatos

A rã-touro não é peçonhenta e não tem veneno letal como alguns sapos. Ela não possui glândulas parotoides grandes que esguicham toxina. No entanto, a pele produz secreções antimicrobianas e levemente irritantes que podem causar ardor se houver contato com olhos, boca ou feridas.

O maior risco é para cachorros e gatos que mordem ou tentam comer a rã. A irritação oral, salivação excessiva, vômito e diarreia podem ocorrer. Casos graves são raros, mas filhotes e animais pequenos são mais sensíveis. Lavar a boca do pet com água corrente e procurar veterinário se houver vômito persistente é a recomendação.

Para humanos, o risco principal não é a toxina, mas doenças. Como anfíbio aquático, pode carregar Salmonella, Leptospira e o fungo Batrachochytrium dendrobatidis, que dizima anfíbios nativos. Ela mesma é relativamente resistente ao fungo e atua como portadora. Sempre lave as mãos após manusear e nunca solte animais de cativeiro na natureza.

Como pet e na ranicultura: legalidade e cuidados

A rã-touro não é indicada como pet. No Brasil, a criação é regulamentada pelo IBAMA para fins de ranicultura comercial, com necessidade de registro e licenciamento. Manter um exemplar capturado na natureza sem autorização é crime ambiental.

Em ranários licenciados, a criação exige tanques com água limpa e renovada, controle rigoroso de temperatura entre 20 e 28 °C e umidade alta, além de alimentação viva variada. A pele permeável torna a espécie muito sensível a cloro, amônia e agrotóxicos. Não é um animal que se adapta a terrários secos ou a casas sem estrutura.

Além disso, é um animal assustado, que não gosta de manuseio e pode viver quase uma década. Solturas são proibidas e extremamente danosas. Se você encontrar girinos ou adultos fora de criadouros, avise órgãos ambientais locais em vez de coletar.

Papel no ecossistema e conservação

Na área nativa, a rã-touro é parte importante da cadeia alimentar, controlando insetos e servindo de presa para garças, jacarés e cobras d’água. Fora dela, o papel se inverte e ela se torna predadora e competidora dominante.

Estudos no Brasil mostram que onde ela se estabelece há redução de anfíbios nativos por predação direta de ovos e girinos e por competição por alimento e espaço. A transmissão do fungo quitrídio é outro impacto grave, ligado ao declínio global de anfíbios.

Paradoxalmente, seu estado de conservação global é Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, porque a população nativa é grande e estável. O problema de conservação aqui é o oposto: controlar a invasão. Programas de manejo focam em impedir novas introduções, fiscalizar ranários e educar produtores para evitar escapes.

Característica Rã-touro Rãs nativas pequenas
Tamanho adulto 15 a 20 cm 2 a 6 cm
Girino Até 15 cm, até 2 anos na água 2 a 4 cm, semanas a meses
Desova 10.000 a 25.000 ovos flutuantes Centenas a poucos milhares
Canto Grave, tipo mugido Agudo, trinado ou assobio

Perguntas frequentes

Rã-touro é réptil ou anfíbio?

É anfíbio da ordem Anura, família Ranidae. Tem pele úmida e permeável, ovos sem casca e passa por metamorfose de girino para adulto.

Rã-touro é venenosa?

Não é peçonhenta. Tem secreções de pele levemente irritantes que podem causar ardor em mucosas, mas não possui veneno forte como sapos-cururus.

Qual o tamanho da rã-touro?

Adultos medem de 12 a 20 cm e pesam de 500 g a 900 g. Fêmeas são maiores que machos e girinos podem chegar a 15 cm.

Onde a rã-touro vive no Brasil?

Em corpos d'água permanentes como açudes, lagos, represas e brejos, principalmente no Sudeste e Sul, onde foi introduzida para criação.

Pode criar rã-touro em casa?

Não é recomendada como pet. A criação comercial exige ranário licenciado pelo IBAMA, com água permanente limpa e alimentação viva.

O que a rã-touro come?

É carnívora generalista: insetos, aranhas, peixes, outras rãs, girinos, pequenos répteis e até pequenos mamíferos que couberem na boca.

Por que a rã-touro é considerada invasora?

Porque compete com espécies nativas, preda fauna local e dissemina o fungo quitrídio, além de ter desovas enormes e girinos de ciclo longo.

Você sabia?

1

Tímpano que entrega o sexo

Nos machos o tímpano é nitidamente maior que o olho, enquanto nas fêmeas tem o mesmo tamanho. Dá para sexar o animal sem precisar pegá-lo.

2

Girino que passa o inverno na água

Em regiões mais frias do Sul do Brasil, girinos de rã-touro podem hibernar submersos e só completar a metamorfose na estação seguinte, ficando até 24 meses como larva.

3

Canto de coro sincronizado

Machos em coro alternam o coaxar para não se sobreporem, criando um revezamento grave que pode ser ouvido a mais de meio quilômetro em noites calmas.

4

Portadora resistente do fungo quitrídio

Ela carrega o Batrachochytrium dendrobatidis sem adoecer gravemente, mas transmite o fungo para anfíbios nativos muito mais sensíveis, o que agrava o declínio de espécies locais.

Fontes

  1. AmphibiaWeb
  2. IUCN Red List
  3. ICMBio - Instituto Chico Mendes
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Rã-touro

Prós

  • Tamanho impressionante e fácil de identificar pelo tímpano grande e coaxar grave
  • Ciclo de vida didático para entender metamorfose de anfíbios
  • Controle natural de insetos na área nativa
  • Bem estudada, com muita informação científica disponível
  • Criação comercial licenciada gera carne e couro com manejo controlado

Contras

  • Espécie invasora que ameaça anfíbios nativos no Brasil
  • Girinos com ciclo muito longo exigem água permanente
  • Sensível a poluição, cloro e amônia na água
  • Não é dócil nem adequada para manuseio frequente
  • Pode transmitir fungo quitrídio e bactérias como Salmonella
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a rã-touro é fascinante pelo tamanho e pela biologia, mas é um exemplo clássico de como uma introdução bem-intencionada vira problema ambiental duradouro. No Brasil ela não deveria ser tratada como pet nem solta por pena; o foco deve ser ranicultura responsável e controle da invasão.

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