🦎 Répteis e Anfíbios

Tartaruga-de-pente

Eretmochelys imbricata

Atualizado em

60 a 90 cm de cascoTamanho
Réptil marinhoGrupo
30 a 60 anosExpectativa de vida
Recifes tropicaisHabitat
Criticamente ameaçadaPerigo
Tartaruga-de-pente adulta nadando sobre recife de coral

A tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) é um réptil marinho, não um anfíbio. Ela respira com pulmões, tem pele com escamas e casco ósseo, e nunca passa por metamorfose.

Facilmente reconhecida pelo bico estreito e curvo como o de um falcão e pelas placas do casco sobrepostas como telhas, é uma das sete tartarugas marinhas do mundo e a mais associada a recifes de coral. No Brasil, desova principalmente no litoral da Bahia e do Rio Grande do Norte e está criticamente ameaçada de extinção.

Também conhecido como: tartaruga-de-pente, tartaruga-legítima, hawksbill turtle, tortuga carey, bekko

Faz parte de: Répteis do Brasil, Tartarugas, Jabutis e Cágados

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Galeria de fotos de Tartaruga-de-pente

Tartaruga-de-pente adulta nadando sobre recife de coral
Adulto de tartaruga-de-pente em recife de coral, habitat onde mais se alimenta.
Close da cabeça e bico fino da tartaruga-de-pente
Detalhe do bico fino e curvo, característico da espécie.
Detalhe do casco com placas sobrepostas da tartaruga-de-pente
Placas imbricadas e borda serrilhada, únicas entre as tartarugas marinhas.
Fêmea de tartaruga-de-pente desovando na areia à noite
Fêmea desovando na areia; cada ninho pode ter mais de 130 ovos.
Filhotes de tartaruga-de-pente saindo do ninho rumo ao mar
Filhotes recém-eclodidos seguem para o mar guiados pela luz do horizonte.
Tartaruga-de-pente jovem se alimentando de esponja no recife
Alimentação especializada em esponjas, essencial para o equilíbrio do recife.

Perfil rápido de Tartaruga-de-pente

Estado de conservação

CR
Criticamente Ameaçada

População global em declínio acentuado devido ao comércio do casco e perda de habitat.

População
em declínio
Protegido por
Sim, protegida por lei no Brasil e por convenções internacionais como CITES

Calendário

Desova no BrasilJFMAMJJASOND
Pico de eclosãoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
30 a 60 anos, com maturidade tardia entre 20 e 40 anos
Em cativeiro
Não se aplica; espécie silvestre protegida, mantida apenas em centros de reabilitação autorizados

Reprodução

Maturidade
20 a 40 anos
Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação interna
Ninhos por temporada
3 a 5 ninhos por fêmea
Ovos por ninho
130 a 160 ovos
Incubação
55 a 65 dias na areia
Determinação sexual
Dependente da temperatura da areia (TSD)

Habitat

Ambientes

  • recifes de coral
  • atol
  • lagoa costeira
  • praia arenosa para desova
  • costão rochoso

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Mata Atlântica costeira

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • esponjas marinhas

Outros alimentos

  • algas
  • anêmonas
  • tunicados
  • camarões
  • águas-vivas

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Costa Rica
  • Austrália
  • Indonésia
  • Filipinas
  • Japão
  • Quênia
  • Seychelles

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Testudines
Família
Cheloniidae
Gênero
Eretmochelys
Espécie
Eretmochelys imbricata

Resumo

  • A tartaruga-de-pente é um réptil marinho de bico fino e placas do casco imbricadas, que vive em recifes de coral tropicais.
  • Alimenta-se sobretudo de esponjas e tem papel essencial no controle desses organismos e na saúde dos recifes.
  • Está criticamente ameaçada pela captura para comércio do casco, pesca incidental e perda de praias de desova, sendo protegida por lei no Brasil.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil
OrdemTestudines
FamíliaCheloniidae
Origem e distribuiçãoMares tropicais e subtropicais do Atlântico, Pacífico e Índico; no Brasil do Ceará à Bahia
Tamanho60 a 90 cm de comprimento curvilíneo de carapaça
Peso45 a 80 kg (adultos)
Coresâmbarmarromamarelopretocreme
HabitatRecifes de coral, lagoas costeiras e praias arenosas para desova
AlimentaçãoPredominantemente esponjas, também algas, anêmonas e tunicados
ReproduçãoOvípara; 130 a 160 ovos por ninho, incubação de 55 a 65 dias
AtividadeDiurna, solitária e migratória
Expectativa de vida30 a 60 anos na natureza
Estado de conservaçãoCriticamente Ameaçada (CR) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito alto

Réptil ou anfíbio? Como identificar a tartaruga-de-pente sem confundir

A tartaruga-de-pente é um réptil. Ela tem pulmões, pele queratinizada, casco ósseo e põe ovos com casca na areia. Anfíbios como sapos e salamandras têm pele permeável, dependem de água doce e passam por metamorfose de girino para adulto, o que nunca acontece com tartarugas.

O nome científico é Eretmochelys imbricata. Eretmochelys vem do grego e remete ao nadar com remos, imbricata significa imbricada, sobreposta.

Três traços a distinguem de outras tartarugas marinhas no Brasil:

  • Bico fino e curvo, semelhante ao de um falcão, usado para arrancar esponjas de fendas do recife. Daí o nome em inglês hawksbill.
  • Placas do casco sobrepostas como telhas, com bordas serrilhadas na parte traseira. É a única tartaruga marinha com essa característica tão evidente em adultos jovens.
  • Duas garras visíveis em cada nadadeira anterior e quatro pares de escudos laterais na carapaça. A tartaruga-cabeçuda, com quem é mais confundida, tem cinco pares.

As cores são marmorizadas em âmbar, marrom, amarelo e preto, o que a torna muito camuflada no recife. Filhotes são escuros e uniformes, com cerca de 4 cm.

Onde vive e distribuição: a tartaruga dos recifes de coral

É uma espécie cosmopolita de águas tropicais, entre 30°N e 30°S. Ocorre nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, sempre associada a recifes de coral, atóis e costões rochosos em águas rasas e claras.

No Brasil, a área mais importante de desova é o litoral norte da Bahia, especialmente Praia do Forte, e o Rio Grande do Norte. Juvenis e adultos são vistos do Ceará ao Espírito Santo, incluindo Fernando de Noronha e Atol das Rocas.

Fora da temporada reprodutiva, é altamente migratória e solitária. Fêmeas marcadas no Brasil já foram recapturadas a mais de 2.000 km de distância. Ela não forma grupos e defende áreas de alimentação no recife.

Depende de dois ambientes distintos: mar para se alimentar e crescer, e praia arenosa para desovar. A perda de qualquer um dos dois compromete o ciclo.

O que come e por que sua carne pode ser tóxica

A dieta é uma das mais especializadas entre as tartarugas marinhas. 70% a 95% são esponjas, principalmente das ordens Astrophorida e Spirophorida, que a maioria dos predadores evita por serem tóxicas e cheias de espículas de sílica.

Essa especialização a torna essencial para o recife. Ao remover esponjas que competiriam com corais por espaço, ela mantém o equilíbrio e favorece o crescimento coralíneo.

Complementa a dieta com algas, anêmonas, tunicados, camarões e águas-vivas. O bico estreito permite alcançar presas em fendas onde outras tartarugas não chegam.

Por acumular toxinas das esponjas em sua gordura e tecidos, sua carne pode causar intoxicação grave em humanos se consumida, um quadro conhecido como quelonitoxicose. É mais um motivo para nunca haver consumo.

Reprodução e ciclo de vida: da areia ao mar aberto

A maturidade sexual é tardia, entre 20 e 40 anos. O acasalamento ocorre no mar, próximo às praias de desova, e a fêmea pode guardar esperma para fecundar várias desovas na mesma temporada.

A cada estação, uma fêmea faz 3 a 5 ninhos, com intervalo de 14 a 16 dias. Cada ninho tem 130 a 160 ovos brancos e esféricos, enterrados a cerca de 40 cm de profundidade na areia.

A incubação dura 55 a 65 dias e a temperatura da areia determina o sexo dos filhotes. Areia mais quente gera mais fêmeas, areia mais fria gera mais machos. Por isso, o aquecimento global ameaça a proporção sexual da espécie.

Os filhotes nascem quase sempre à noite, correm para o mar guiados pela luz do horizonte e enfrentam uma fase pelágica de anos em alto-mar, associada a algas flutuantes. A taxa de sobrevivência até a vida adulta é estimada em menos de 1 em 1.000.

Comportamento e hábitos no mar

É diurna e solitária. Passa o dia forrageando no recife e descansa à noite em fendas ou sob corais, onde pode permanecer submersa por horas graças à capacidade de reduzir o metabolismo.

Nada com as nadadeiras anteriores em voo subaquático e é excelente mergulhadora, mas prefere profundidades de até 30 metros. Não é agressiva e evita contato, porém pode morder se manipulada, com força suficiente para ferir.

Diferente da tartaruga-verde, que é mais costeira e herbívora, a de pente raramente sai da água, exceto para desovar. Machos praticamente nunca voltam a terra após nascerem.

É perigosa ou venenosa? Riscos para pessoas e pets

Não é venenosa e não tem toxina de pele como sapos. Não representa perigo para cachorros ou gatos em encontros na praia, além do risco de mordida defensiva se for tocada ou contida.

O verdadeiro risco é inverso: pessoas são perigosas para ela. A manipulação, o toque no casco, a luz artificial e a presença na praia de desova desorientam fêmeas e filhotes e podem causar abandono do ninho.

Para tutores de cachorro, a orientação é nunca permitir que o animal cave ninhos ou persiga filhotes. Em praias de desova sinalizadas, mantenha o cachorro na guia e distante da faixa de areia marcada pelo Projeto Tamar e ICMBio.

Pode ter como pet? Legalidade e cuidados

Não. A criação como pet é ilegal e inviável. Todas as tartarugas marinhas são protegidas por lei no Brasil. Capturar, manter em cativeiro, comprar ou vender é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98, com multa e detenção.

Não existe criadouro comercial autorizado pelo IBAMA para tartaruga-de-pente. A manutenção exige oceano, recife vivo e manejo veterinário altamente especializado, impossível de reproduzir em casa ou aquário doméstico.

A única criação legal é para conservação e pesquisa, feita por instituições como o Projeto Tamar, com autorização do ICMBio. Se encontrar um ninho ou animal encalhado, não toque e acione o órgão ambiental local.

Papel no ecossistema e por que está criticamente ameaçada

A tartaruga-de-pente é considerada engenheira do recife. Ao controlar esponjas, ela impede que esses organismos sufoquem corais e mantém a biodiversidade que sustenta peixes e pesca artesanal.

O status na IUCN é Criticamente Ameaçada (CR), com declínio estimado de mais de 80% em três gerações. As principais ameaças são:

  • Comércio do casco para fazer pentes, óculos e adornos, conhecido como bekko no Japão, que dizimou populações por séculos.
  • Pesca incidental em redes de emalhe e espinhel, além da ingestão de plástico confundido com água-viva.
  • Perda de habitat por ocupação costeira, iluminação artificial, aquecimento da areia e branqueamento de corais.

No Brasil, a proteção das praias de desova e o trabalho de monitoramento desde a década de 1980 estabilizaram alguns ninhos, mas a espécie ainda depende de proteção integral e fiscalização internacional.

Característica Tartaruga-de-pente Tartaruga-cabeçuda
Bico Fino e curvo Largo e robusto
Placas do casco Sobrepostas, borda serrilhada Justapostas, borda lisa
Escudos laterais 4 pares 5 pares
Dieta principal Esponjas Caranguejos e moluscos

Curiosidades e erros comuns

Muita gente confunde tartaruga, cágado e jabuti. Tartaruga-de-pente é marinha, nunca vive em água doce. Cágados são de água doce e semiaquáticos, jabutis são terrestres. São grupos diferentes com adaptações distintas.

Outro erro é achar que o casco é só uma capa. Ele é osso vivo fundido à coluna e costelas, com vasos sanguíneos e nervos. Danificar o casco causa dor e infecção.

Apesar da fama de lenta, no mar ela atinge até 24 km/h em deslocamentos curtos e migra milhares de quilômetros entre áreas de alimentação e desova.

Perguntas frequentes

Tartaruga-de-pente é réptil ou anfíbio?

É réptil. Respira com pulmões, tem casco ósseo e escamas, e põe ovos na areia. Anfíbios têm pele permeável e passam por metamorfose, o que não ocorre com tartarugas.

Qual a diferença da tartaruga-de-pente para a tartaruga-verde?

A de pente tem bico fino e curvo e placas do casco sobrepostas e serrilhadas, além de dieta à base de esponjas. A verde tem bico arredondado, placas justapostas e é herbívora quando adulta.

Onde a tartaruga-de-pente vive no Brasil?

Vive em recifes de coral do Nordeste, principalmente Bahia e Rio Grande do Norte, e em ilhas oceânicas como Fernando de Noronha e Atol das Rocas.

Ela é perigosa ou venenosa?

Não é venenosa e não oferece risco para pessoas ou pets se observada à distância. Pode morder se for contida, mas o risco real é para a tartaruga, que se estressa facilmente.

Posso ter tartaruga-de-pente como animal de estimação?

Não. É crime ambiental capturar ou manter tartarugas marinhas no Brasil. Não há criadouro legal e ela exige ambiente marinho recifal impossível de reproduzir em casa.

Por que ela está criticamente ameaçada?

Pela caça histórica para uso do casco na fabricação de pentes e adornos, pesca incidental, poluição por plástico, ocupação das praias de desova e aquecimento global.

O que fazer se encontrar um ninho ou filhote na praia?

Não toque, não ilumine e mantenha distância e cachorros afastados. Avise o Projeto Tamar ou o órgão ambiental local e não tente levar os filhotes ao mar.

Você sabia?

1

O casco que virou pente

As placas translúcidas e marmorizadas eram tão valorizadas que o Japão importou mais de 30 toneladas de casco por ano até a proibição nos anos 1990, o que levou a espécie ao colapso.

2

Bico de falcão para esponjas venenosas

Ela é uma das poucas vertebrados que come esponjas com toxinas potentes e espículas de vidro sem se intoxicar, graças a adaptações digestivas ainda pouco compreendidas.

3

Sexo definido pela areia

A 29,2 °C nascem proporções iguais de machos e fêmeas. Acima disso, quase só fêmeas. Praias mais quentes por mudanças climáticas já geram ninhadas 90% femininas em algumas regiões.

4

Filhote já nasce com bússola

Ao nascer, usa o campo magnético da Terra para se orientar no mar aberto e, anos depois, a fêmea retorna para desovar na mesma praia onde nasceu com precisão de poucos quilômetros.

Fontes

  1. IUCN Red List - Eretmochelys imbricata
  2. ICMBio / Projeto Tamar
  3. Reptile Database

Prós e contras: Tartaruga-de-pente

Prós

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Contras

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Nossa opinião

Na nossa avaliação, a tartaruga-de-pente é a mais elegante e especializada das tartarugas marinhas do Brasil, mas também a mais vulnerável justamente por depender de recifes saudáveis. Protegê-la é proteger o recife inteiro, e não faz sentido nenhum falar dela como pet.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.