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Perereca-cachorro

Scinax nasicus

Atualizado em

3 a 4 cmTamanho
AnfíbioGrupo
4 a 6 anosExpectativa de vida
Cerrado, Chaco e PantanalHabitat
Não venenosaPerigo
Ovos gelatinosos de perereca-cachorro fixados em vegetação submersa

A perereca-cachorro (Scinax nasicus) é um anfíbio da família Hylidae, não um réptil. Pequena, com 3 a 4 cm, tem pele lisa em tons de bege e marrom-claro com manchas escuras e focinho levemente pontudo.

Ficou famosa pelo canto dos machos, que lembra o latido agudo de um filhote de cachorro. Noturna e muito vocal na estação chuvosa, forma coros barulhentos em poças temporárias do Cerrado, Pantanal e Chaco.

É insetívora, inofensiva para humanos e comum até em áreas periurbanas. Como todo anfíbio, tem pele permeável e depende de água limpa para se reproduzir, sendo sensível à poluição e ao desmatamento.

Também conhecido como: Perereca-do-cachorro, Perereca-nasica, Lesser snouted treefrog

Faz parte de: Anfíbios do Brasil, Sapos, Rãs e Pererecas

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Galeria de fotos de Perereca-cachorro

Ovos gelatinosos de perereca-cachorro fixados em vegetação submersa
Desova gelatinosa depositada em poça temporária.
Close da cabeça e olhos da perereca-cachorro mostrando focinho pontudo
Detalhe do focinho pontudo e da faixa escura nos olhos.
Detalhe da pele lisa e dos discos adesivos dos dedos da perereca-cachorro
Pele lisa e discos adesivos usados para escalar vegetação.
Perereca-cachorro macho cantando com saco vocal inflado sobre a água
Macho vocalizando; o canto lembra latido de filhote.
Girinos de perereca-cachorro em poça temporária rasa
Girinos aquáticos que farão metamorfose em poucas semanas.
Ovos gelatinosos de perereca-cachorro fixados em vegetação submersa
Desova gelatinosa depositada em poça temporária.

Perfil rápido de Perereca-cachorro

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e tolerante a habitats alterados.

População
Estável
Protegido por
Não há proteção específica, mas captura na natureza é proibida por lei ambiental

Calendário

Reprodução e cantoJFMAMJJASOND
Pico de girinosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa
  • PessoasBaixa

Pele com secreção levemente irritante para mucosas, sem veneno potente. Risco para pets é baixo e passageiro, diferente do sapo-cururu.

Vida útil

Na natureza
4 a 6 anos
Em cativeiro
Não indicada, criação não autorizada para pet

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa na água
Estação reprodutiva
Estação chuvosa, de outubro a março
Número de ovos
200 a 400 ovos por desova
Desenvolvimento
Girino aquático com metamorfose completa em 30 a 45 dias
Cuidado parental
Ausente após a desova

Habitat

Ambientes

  • Poças temporárias e brejos
  • Campos alagáveis e bordas de mata
  • Áreas periurbanas e pastagens
  • Vegetação arbustiva baixa

Biomas

  • Cerrado
  • Pantanal
  • Chaco
  • Mata Atlântica de interior

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos voadores (mosquitos, moscas, mariposas)

Outros alimentos

  • Besouros
  • Formigas e cupins alados
  • Aranhas pequenas

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não indicada
Legalidade no Brasil
Captura na natureza proibida; criação só em criadouro autorizado pelo IBAMA, raro para esta espécie
Nível de cuidado
Alto, exige terrário úmido, controle térmico e insetos vivos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Amphibia
Ordem
Anura
Família
Hylidae
Gênero
Scinax
Espécie
Scinax nasicus (Cope, 1862)

Resumo

  • A perereca-cachorro é um anfíbio da família Hylidae, com 3 a 4 cm e canto que imita o latido de filhote.
  • Vive em áreas abertas do Cerrado, Pantanal e Chaco, reproduzindo-se em poças temporárias na estação chuvosa com metamorfose completa.
  • Não é venenosa nem perigosa, tem papel importante no controle de insetos e está avaliada como Pouco Preocupante pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

GrupoAnfíbio
OrdemAnura
FamíliaHylidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul: Brasil (Centro-Oeste, Sudeste e Sul), Argentina, Paraguai e Bolívia
Tamanho3 a 4 cm (fêmeas ligeiramente maiores que machos)
Peso2 a 5 g
Coresbegemarrom-claromarrom-escurocremebranco
HabitatÁreas abertas, brejos e poças temporárias, bordas de mata, áreas periurbanas
AlimentaçãoInsetívora (mosquitos, moscas, besouros, formigas)
ReproduçãoOvípara, ovos em água, girinos aquáticos com metamorfose
AtividadeNoturna e crepuscular
Expectativa de vida4 a 6 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMédio
Importância para o ecossistemaAlto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMédio

Perereca-cachorro é réptil ou anfíbio?

A perereca-cachorro é um anfíbio, não um réptil. Pertence à classe Amphibia, ordem Anura e família Hylidae, a mesma das pererecas arborícolas.

Diferente dos répteis, que têm pele seca com escamas e ovos com casca, ela tem pele lisa, úmida e permeável e depende da água para reproduzir. Seus ovos são gelatinosos e seus filhotes passam por metamorfose: nascem como girinos aquáticos e depois viram adultos terrestres.

Essa sensibilidade à água explica por que anfíbios como ela são bioindicadores. Quando há poluição, agrotóxico ou seca prolongada, suas populações caem antes de outras espécies.

Como identificar a perereca-cachorro sem confundir

É uma perereca pequena e discreta. Adultos medem 3 a 4 cm, com fêmeas um pouco maiores. O corpo é esguio, as pernas longas e os dedos têm discos adesivos nas pontas para escalar vegetação.

A coloração varia de bege a marrom-claro, com manchas irregulares marrom-escuras no dorso e uma faixa escura que vai do focinho aos olhos. A barriga é clara, creme a esbranquiçada, sem manchas fortes. O focinho é levemente pontudo, o que ajuda a distingui-la.

O canto é a marca registrada. Machos emitem uma sequência curta e repetida que lembra o latido fino de um filhote de cachorro, daí o nome popular. É bem diferente do coaxar grave do sapo-cururu ou do canto longo da perereca-de-banheiro.

  • Perereca-cachorro (Scinax nasicus): 3 a 4 cm, dorso manchado, canto curto tipo “au-au” agudo.
  • Perereca-de-banheiro (Scinax fuscovarius): maior (4 a 5 cm), mais robusta, canto mais áspero e trinado.
  • Perereca-cabrinha (Boana faber): bem maior (até 10 cm), canto que lembra martelada, não latido.

Onde vive e distribuição no Brasil e América do Sul

Na natureza, ocupa áreas abertas e semiabertas. Prefere brejos, campos alagáveis, bordas de mata e poças temporárias formadas pela chuva, não rios permanentes.

No Brasil, ocorre principalmente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com registros no Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica de interior. Fora do país, está presente no Paraguai, norte da Argentina e leste da Bolívia, na região do Chaco.

É uma espécie tolerante e aparece com frequência em áreas periurbanas e rurais: pastagens, quintais, caixas d’água e até dentro de casas durante a chuva. Essa adaptabilidade não significa que goste de seco; ela precisa de umidade alta à noite para não desidratar.

O que a perereca-cachorro come na natureza

É estritamente insetívora. Caça à noite, à espera ou em curtos saltos sobre a vegetação baixa.

A dieta inclui mosquitos, moscas, pequenos besouros, formigas, cupins alados e mariposas. Em áreas urbanas, ajuda a reduzir pernilongos, o que a torna uma aliada silenciosa do controle biológico.

Os girinos são diferentes: têm dieta onívora filtradora, raspando algas, detritos vegetais e micro-organismos na água. Essa alimentação acelera o crescimento antes da metamorfose.

Reprodução, ovos e metamorfose: o ciclo na poça temporária

A reprodução é sazonal e explosiva, concentrada na estação chuvosa, de outubro a março. Machos se reúnem em coros nas poças e cantam ao entardecer para atrair fêmeas.

A desova ocorre na água. A fêmea deposita 200 a 400 ovos pequenos e escuros, envoltos em gelatina, aderidos à vegetação submersa ou flutuando na superfície. Em poças temporárias há menos predadores que em lagoas permanentes.

O desenvolvimento é rápido, uma adaptação a ambientes que secam. Em 30 a 45 dias, os girinos eclodem, crescem, desenvolvem pernas, reabsorvem a cauda e completam a metamorfose para a forma terrestre. Se a poça seca antes, toda a coorte pode ser perdida.

  • Tipo de reprodução: ovípara com fecundação externa na água.
  • Ambiente de desova: poças temporárias, brejos e alagados rasos.
  • Metamorfose: completa, de girino aquático para adulto com pulmões e pernas.

Comportamento e canto: por que ela late como cachorro

É noturna e arborícola, mas desce ao chão para reproduzir. Durante o dia, fica escondida sob folhas, cascas ou em bromélias, onde a umidade é maior.

O canto tem função territorial e reprodutiva. Cada macho tem um território acústico de poucos metros e ajusta o volume conforme o coro. Quando muitos cantam juntos, o som parece uma matilha de filhotes à distância, audível a mais de 50 metros.

Fora da época reprodutiva, é silenciosa e solitária. Não forma grupos sociais e não cuida dos ovos após a desova. A comunicação é quase toda vocal e química, pela pele.

É perigosa ou venenosa? Riscos para pessoas, cachorros e gatos

Não é considerada perigosa nem venenosa. Não tem glândulas de veneno potentes como o sapo-cururu e não morde. A pele produz secreções leves que podem causar irritação em mucosas se o animal for manuseado e a mão for levada aos olhos ou boca.

Para cachorros e gatos, o risco é baixo. Se um pet morder ou lamber a perereca, pode haver salivação, náusea passageira ou irritação bucal, mas sem quadros graves como os causados por sapos grandes. Ainda assim, o ideal é evitar o contato e não deixar o pet brincar com o anfíbio.

O maior perigo é para a própria perereca. Manuseio com mãos secas, com protetor solar ou repelente remove a camada protetora da pele e pode causar desidratação e infecções. Observe sem tocar.

Como pet: pode criar em casa?

No Brasil, capturar anfíbios nativos na natureza é crime ambiental. A criação só é legal via criadouros autorizados pelo IBAMA, o que é extremamente raro para Scinax nasicus. Ela não é um pet doméstico: exige terrário úmido, controle rigoroso de temperatura, alimentação com insetos vivos e é muito sensível a manejo incorreto.

Papel no ecossistema e conservação: por que ela importa

Tem importância dupla na cadeia alimentar. Como predadora, controla populações de insetos, incluindo vetores. Como presa, alimenta aves, cobras, morcegos e outros anfíbios.

Está avaliada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com tendência populacional estável. A ampla distribuição e a tolerância a áreas alteradas ajudam, mas não a blindam.

As ameaças são as mesmas do declínio global de anfíbios: perda de poças temporárias por drenagem e urbanização, poluição por agrotóxicos, atropelamentos em noites de chuva e o fungo quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis), que afeta a pele. Proteger brejos temporários e manter corredores de vegetação nativa são medidas mais eficazes que qualquer criação em cativeiro.

Perguntas frequentes

Perereca-cachorro é réptil ou anfíbio?

É anfíbio da família Hylidae. Tem pele permeável, ovos gelatinosos na água e passa por metamorfose de girino para adulto, diferente dos répteis.

Por que ela tem esse nome?

Por causa do canto dos machos na época reprodutiva, que lembra o latido agudo e repetido de um filhote de cachorro.

Perereca-cachorro é venenosa?

Não. Não possui veneno potente. A pele tem secreção leve que pode irritar olhos e boca se manuseada, mas sem risco grave.

Ela oferece risco para cachorro ou gato?

Risco baixo. Se o pet morder, pode haver salivação e irritação passageira. Lave a boca do animal com água e observe; casos graves são raros e diferentes do envenenamento por sapo-cururu.

Onde encontrar a perereca-cachorro no Brasil?

Em áreas abertas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, no Cerrado, Pantanal e Chaco, em poças temporárias, brejos e até quintais na estação chuvosa.

Pode criar perereca-cachorro em casa?

Não. Capturar fauna nativa é crime ambiental e a espécie não é pet. Exige ambiente úmido controlado e não se adapta bem ao cativeiro doméstico.

Quanto tempo vive e como se reproduz?

Vive 4 a 6 anos na natureza. Reproduz-se de outubro a março em poças temporárias, com 200 a 400 ovos e metamorfose em 30 a 45 dias.

Você sabia?

1

O latido é coro, não solo

Machos cantam em coro sincronizado nas poças e ajustam o tom para não sobrepor o vizinho, criando o efeito de matilha que se ouve a dezenas de metros.

2

Metamorfose acelerada

Os girinos completam a transformação em 30 a 45 dias, uma corrida contra o tempo antes que a poça temporária seque.

3

Escaladora com ventosas

Mesmo vivendo em áreas abertas, tem discos adesivos nos dedos que permitem subir em folhas e galhos finos para cantar em poleiros elevados.

4

Focinho que entrega a espécie

O epíteto nasicus vem do focinho levemente pontudo e alongado, detalhe que a distingue de outras pererecas do gênero Scinax.

Fontes

  1. AmphibiaWeb
  2. IUCN Red List
  3. Sociedade Brasileira de Herpetologia
  4. ICMBio - Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Perereca-cachorro

Prós

  • Canto característico que facilita a identificação em campo
  • Importante controladora de mosquitos e outros insetos
  • Tolerante a áreas alteradas, fácil de observar na chuva
  • Inofensiva para humanos e com baixo risco para pets
  • Indicadora de qualidade ambiental e saúde de brejos temporários

Contras

  • Muito sensível à poluição da água e a agrotóxicos
  • Dependente de poças temporárias que estão desaparecendo
  • Não pode ser criada como pet e sofre com manuseio
  • Vulnerável ao fungo quitrídio como outros anfíbios
  • Pode ser confundida com outras Scinax por leigos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a perereca-cachorro é um dos melhores exemplos de como um anfíbio pequeno e comum pode ser fascinante sem ser perigoso. Seu canto que imita latido e sua dependência de poças temporárias contam mais sobre a saúde do Cerrado do que muitas espécies grandes e famosas.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.