🦎 Répteis e Anfíbios

Salamandra-comum

Salamandra salamandra

Atualizado em

14 a 25 cm adultaTamanho
AnfíbioGrupo
12 a 20 anos na naturezaExpectativa de vida
Florestas úmidas da EuropaHabitat
Tóxica se ingerida ou lambidaPerigo
Larvas aquáticas da salamandra-comum com brânquias externas em riacho

A salamandra-comum (Salamandra salamandra) é um anfíbio europeu famoso pelo corpo preto brilhante com manchas amarelas bem marcadas. Apesar do nome, não é réptil: tem pele úmida e permeável, precisa de umidade e passa a fase larval na água.

Noturna e discreta, ela vive escondida sob troncos e folhas em florestas úmidas e só aparece em dias chuvosos ou à noite. Suas glândulas produzem toxinas que afastam predadores e exigem cuidado no manuseio, mas ela não ataca nem morde.

Também conhecido como: Salamandra-de-fogo, Salamandra-pintada, Fire salamander, Salamandre tachetée

Faz parte de: Salamandras

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Galeria de fotos de Salamandra-comum

Larvas aquáticas da salamandra-comum com brânquias externas em riacho
Larvas aquáticas com brânquias externas antes da metamorfose.
Salamandra-comum caminhando sobre musgo úmido à noite
Hábito noturno sobre solo úmido da mata.
Filhote de salamandra-comum recém-metamorfoseado
Filhote terrestre após deixar a água.
Larvas aquáticas da salamandra-comum com brânquias externas em riacho
Larvas aquáticas com brânquias externas antes da metamorfose.
Salamandra-comum caminhando sobre musgo úmido à noite
Hábito noturno sobre solo úmido da mata.
Filhote de salamandra-comum recém-metamorfoseado
Filhote terrestre após deixar a água.

Perfil rápido de Salamandra-comum

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global estável, mas em declínio local por perda de habitat e Bsal.

População
estável com declínios locais
Protegido por
Listada na Convenção de Berna, Anexo III; protegida por lei em vários países europeus

Calendário

AcasalamentoJFMAMJJASOND
Deposição de larvasJFMAMJJASOND
Metamorfose das larvasJFMAMJJASOND
HibernaçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Secreção de samandarina e outros alcaloides pelas parotoides; causa irritação em mucosas, vômito e arritmia se ingerida. Risco alto para cães e gatos que mordem.

Vida útil

Na natureza
12 a 20 anos, com alta mortalidade larval
Em cativeiro
20 a 50 anos com manejo frio e úmido

Reprodução

Tipo
Ovovivípara (raramente vivípara)
Acasalamento
Terrestre, com espermatóforo; sem vocalização
Ninhada
20 a 70 larvas por gestação; 2 a 4 filhotes nas formas vivíparas
Desenvolvimento
Larvas aquáticas com brânquias externas por 2 a 6 meses e metamorfose completa
Maturidade
3 a 4 anos

Habitat

Ambientes

  • Florestas decíduas e mistas úmidas
  • Margens de riachos, nascentes e fontes
  • Áreas com serapilheira, troncos e pedras úmidas

Biomas

  • Floresta temperada
  • Floresta mediterrânea

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Minhocas
  • Lesmas e caracóis
  • Besouros e larvas de insetos

Outros alimentos

  • Aranhas
  • Centopeias
  • Pequenos crustáceos (larvas)

Encontrado em 10 países

  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Alemanha
  • Itália
  • Polônia
  • Grécia
  • Turquia
  • Romênia
  • República Tcheca

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Amphibia
Ordem
Caudata
Família
Salamandridae
Gênero
Salamandra
Espécie
Salamandra salamandra (Linnaeus, 1758)

Resumo

  • A salamandra-comum é um anfíbio europeu, não réptil, da família Salamandridae, com pele preta e manchas amarelas e toxinas na pele.
  • Vive em florestas úmidas e temperadas da Europa, tem hábitos noturnos e larvas aquáticas que passam por metamorfose.
  • É pouco preocupante na IUCN, mas sensível à perda de habitat, poluição da água e ao fungo Batrachochytrium salamandrivorans.

Características

Ficha da espécie

GrupoAnfíbio
OrdemCaudata (Urodela)
FamíliaSalamandridae
Origem e distribuiçãoEuropa central, sul e ocidental; norte da África e oeste da Ásia
Tamanho14 a 25 cm (fêmeas ligeiramente maiores)
Peso20 a 50 g
Corespretoamarelo
HabitatFlorestas decíduas úmidas, margens de riachos e nascentes
AlimentaçãoCarnívora (insetos, minhocas, lesmas, aranhas)
ReproduçãoOvovivípara; larvas aquáticas com metamorfose
AtividadeNoturna e crepuscular
Expectativa de vida12 a 20 anos na natureza; até 50 anos em cativeiro
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMédio
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMédio

Salamandra-comum é réptil ou anfíbio? Resposta direta

A salamandra-comum é um anfíbio, não um réptil. Ela pertence à classe Amphibia, ordem Caudata, a mesma das salamandras e tritões.

A confusão vem da aparência de lagarto, mas a diferença é clara na pele e no ciclo de vida. Répteis têm pele seca com escamas e ovos com casca; anfíbios têm pele úmida, permeável e sem escamas e dependem da água para a reprodução.

Na prática, isso significa que a salamandra-comum respira também pela pele, desidrata fácil e é extremamente sensível à poluição e a defensivos agrícolas. É um dos melhores bioindicadores de floresta saudável na Europa.

Como identificar a salamandra-comum sem confundir

O adulto tem corpo robusto, pele lisa e brilhante, preta com manchas ou faixas amarelas bem definidas. A cabeça é larga, com glândulas parotoides salientes atrás dos olhos e focinho arredondado.

As manchas amarelas são únicas para cada indivíduo, como uma impressão digital. Em algumas subespécies, o amarelo pode ser reduzido a poucos pontos ou formar faixas longitudinais, mas o padrão preto-amarelo de alto contraste se mantém.

Para não confundir: lagartos têm pálpebras móveis, garras e escamas; a salamandra-comum não tem nenhuma dessas estruturas e tem quatro dedos nas mãos e cinco nos pés. Tritões são mais aquáticos, têm cauda achatada e crista na época reprodutiva, o que a salamandra-comum adulta não apresenta.

Subespécies que mudam o visual

Existem mais de 10 subespécies reconhecidas. A S. s. terrestris tem manchas amarelas grandes e isoladas, enquanto a S. s. salamandra exibe faixas amarelas mais contínuas. Essa variação explica fotos tão diferentes com o mesmo nome.

Onde vive e por que não existe solta no Brasil

A salamandra-comum é exclusivamente do Velho Mundo. Ocorre de Portugal e Espanha até Alemanha, Polônia, Grécia e Turquia, além de populações isoladas no norte da África.

Seu habitat ideal é a floresta decídua úmida com riachos limpos, nascentes e solo coberto de folhas. Ela passa o dia escondida sob troncos, pedras e musgo, onde a umidade se mantém acima de 75%.

Não há salamandra-comum nativa no Brasil. Qualquer animal vendido como tal aqui é de origem europeia, mantido em cativeiro irregular ou de outra espécie. Solturas são crime ambiental e o animal não sobrevive ao clima tropical e à falta de hibernação.

O que a salamandra-comum come

É carnívora generalista e caçadora noturna. Na natureza, se alimenta de minhocas, lesmas, caracóis, besouros, aranhas e outros pequenos invertebrados.

Ela caça por emboscada: detecta a vibração da presa, projeta a língua curta e engole inteiro. Adultos podem ficar dias sem comer quando a temperatura cai.

As larvas aquáticas são ainda mais vorazes e canibais facultativas: comem microcrustáceos, larvas de insetos e, se faltar alimento, larvas menores da mesma espécie.

Reprodução e metamorfose: da larva aquática ao adulto terrestre

A reprodução não depende de poça barulhenta como em sapos. O acasalamento é terrestre, sem canto: o macho deposita um espermatóforo no chão e a fêmea o recolhe com a cloaca.

A fêmea é ovovivípara. Ela retém os ovos por meses e deposita 20 a 70 larvas já formadas diretamente em riachos frios e bem oxigenados, geralmente no fim do inverno e na primavera europeia.

As larvas têm brânquias externas plumosas e vivem de 2 a 6 meses na água até a metamorfose. Se o riacho seca ou é poluído, a mortalidade é quase total. Em algumas populações de altitude na Espanha, há fêmeas vivíparas que dão à luz 2 a 4 filhotes já metamorfoseados, sem fase aquática.

É venenosa? Riscos reais para pessoas, cachorros e gatos

Sim. A salamandra-comum é tóxica. Suas glândulas produzem alcaloides como a samandarina, que causam irritação intensa em mucosas, náusea, vômito e arritmia se ingeridos.

Para humanos, o risco é baixo se não houver contato com boca, olhos ou feridas. Nunca esfregue os olhos após manusear e lave bem as mãos. Ela pode esguichar secreção a até 20 cm quando muito estressada.

Para cachorros e gatos o perigo é maior. Cães que mordem ou lambem podem apresentar salivação intensa, vômito, tremores e dificuldade para respirar. É emergência veterinária. Gatos são mais sensíveis ainda pela lambedura. Não é um animal para casa com pet curioso.

Comportamento noturno, hibernação e fidelidade ao território

É estritamente noturna e sedentária. Cada adulto ocupa poucos metros quadrados de floresta e retorna ao mesmo abrigo por anos.

Durante o frio intenso, hiberna em tocas, fendas de rochas ou porões úmidos, às vezes em grupos de dezenas. No verão muito seco, entra em estivação até a chuva voltar.

Quando ameaçada, arqueia o corpo, levanta a cabeça e exibe as parotoides. Se o predador insistir, libera a secreção leitosa e amarga. A coloração aposemática preta e amarela já avisa: não vale a pena comer.

Papel no ecossistema e por que está em declínio

Controla populações de invertebrados e serve de alimento para pouquíssimos predadores tolerantes à toxina, como algumas cobras-de-água. Sua presença indica água limpa e floresta madura.

Apesar do status global Pouco Preocupante, populações locais estão em queda por atropelamentos em noites chuvosas, desmatamento, drenagem de nascentes e uso de pesticidas.

A maior ameaça atual é o fungo Batrachochytrium salamandrivorans (Bsal), originário da Ásia, que já dizimou mais de 99% de algumas populações na Holanda e Bélgica. O fungo ataca a pele e impede a respiração cutânea, sendo letal em poucos dias.

Como pet: legalidade e por que não é indicada

No Brasil, manter salamandra-comum sem origem legal é crime ambiental. O IBAMA só permite anfíbios exóticos de criadouros autorizados, o que é raríssimo para esta espécie, que exige ambiente frio (14 a 18°C), alta umidade e hibernação.

Em terrário, ela sofre com calor, precisa de água corrente fria e dieta viva. Além disso, a toxina contamina a água e pode intoxicar outros animais. Na nossa avaliação, é um animal para observação na natureza europeia, não para criação doméstica.

Se encontrar uma na Europa, não manuseie, não leve para casa e não a coloque em água clorada. Fotografe e deixe-a onde está.

Perguntas frequentes

Salamandra-comum é réptil ou anfíbio?

É anfíbio da ordem Caudata. Tem pele úmida e permeável, larva aquática com brânquias e metamorfose, diferente dos répteis que têm escamas e pele seca.

Salamandra-comum é venenosa?

Sim, é tóxica. Produz alcaloides como samandarina nas glândulas parotoides. O contato com boca ou olhos irrita e a ingestão por pets pode causar vômito, tremores e risco de morte.

Onde a salamandra-comum vive? Tem no Brasil?

Vive em florestas úmidas da Europa e partes do norte da África e Ásia ocidental. Não ocorre naturalmente no Brasil.

O que ela come?

Minhocas, lesmas, caracóis, insetos e aranhas. As larvas comem microcrustáceos e larvas de insetos na água.

Pode ter salamandra-comum como pet no Brasil?

Não é recomendado e a origem legal é extremamente rara. Exige ambiente frio e úmido, hibernação e tem toxina perigosa para outros animais. Criação sem autorização do IBAMA é crime.

Quanto tempo vive?

De 12 a 20 anos na natureza e até 50 anos em cativeiro europeu com manejo adequado.

Como diferenciar de lagarto?

Lagartos têm escamas, garras e pálpebras; salamandras têm pele lisa e úmida, sem garras, com 4 dedos nas mãos e 5 nos pés e glândulas parotoides atrás dos olhos.

Fatos surpreendentes

1

Pode viver meio século

Em cativeiro bem manejado na Europa há registros de salamandra-comum com 50 anos, muito além dos 12 a 20 anos da natureza, devido à ausência de predadores e ao controle de temperatura.

2

Fogo na Idade Média

O mito de que vivia no fogo nasceu porque se escondia em troncos úmidos levados para lareiras; ao fugir das chamas, parecia nascer do fogo, o que gerou lendas de salamandra à prova de chamas.

3

Parto sem água

Nas montanhas da Espanha, a subespécie S. s. bernardezi não deposita larvas na água: a fêmea pare apenas 2 filhotes já terrestres, uma adaptação a riachos escassos em altitude.

4

Impressão digital amarela

O padrão de manchas amarelas é único e estável por toda a vida, usado por pesquisadores para identificar indivíduos por foto sem precisar marcar o animal.

Fontes

  1. AmphibiaWeb
  2. IUCN Red List
  3. Reptile Database / Sociedade Brasileira de Herpetologia
  4. ICMBio

Prós e contras: Salamandra-comum

Prós

  • Coloração preta e amarela inconfundível e única por indivíduo
  • Excelente bioindicadora de floresta e água limpa
  • Longevidade alta em cativeiro quando bem manejada na Europa
  • Controle natural de lesmas e insetos
  • Comportamento dócil e sedentário, fácil de observar à noite sem interferir

Contras

  • Pele altamente sensível à poluição, calor e baixa umidade
  • Tóxica para cães, gatos e humanos se ingerida ou em contato com mucosas
  • Extremamente vulnerável ao fungo Bsal, letal e de rápida disseminação
  • Não se adapta ao clima tropical nem à criação doméstica no Brasil
  • Populações locais em declínio por atropelamento e perda de nascentes
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a salamandra-comum é o anfíbio europeu mais didático para entender por que anfíbio não é réptil: pele, água e toxina contam mais que a forma do corpo. É uma espécie carismática, mas que deve ser admirada na floresta, não em terrário no Brasil.

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