🦎 Répteis e Anfíbios

Lagarto-de-colar

Crotaphytus collaris

Atualizado em

20 a 38 cm totalTamanho
RéptilGrupo
5 a 12 anosExpectativa de vida
Desertos rochososHabitat
Não venenosoPerigo
Lagarto-de-colar adulto sobre rocha no deserto mostrando o colar duplo preto e branco

O lagarto-de-colar (Crotaphytus collaris) é um réptil famoso pelas duas faixas pretas e brancas ao redor do pescoço que formam um colar bem nítido. Nativo de desertos rochosos dos Estados Unidos e do norte do México, ele chama atenção por correr em duas patas quando precisa de velocidade.

De hábitos diurnos e extremamente territorial, passa boa parte do dia aquecendo-se sobre pedras e caçando insetos com botes rápidos. Apesar da aparência exótica, não é venenoso nem tóxico e tem mordida forte apenas como defesa.

Também conhecido como: Lagarto-de-coleira, Collared lizard, Lagarto-colarinho, Calango-de-colar

Faz parte de: Lagartos e Iguanas, Répteis de Estimação

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Galeria de fotos de Lagarto-de-colar

Lagarto-de-colar adulto sobre rocha no deserto mostrando o colar duplo preto e branco
Adulto exibindo o colar duplo característico e a coloração azulada do macho.
Close da cabeça do lagarto-de-colar mostrando olhos e escamas
Cabeça triangular e olhos atentos, adaptados para caçar insetos em movimento.
Detalhe da pele e do colar preto e branco do lagarto-de-colar
Detalhe das escamas granulares e das duas faixas que formam o colar.
Lagarto-de-colar correndo em duas patas no deserto
Corrida bípede, comportamento famoso da espécie em sprints rápidos.
Filhote de lagarto-de-colar sobre pedra
Filhote já nasce com o colar visível e cores mais contrastadas.
Fêmea de lagarto-de-colar com manchas laranja de gravidez
Fêmea grávida com manchas laranja-avermelhadas típicas da época reprodutiva.
Ideal para

Ideal para criadores experientes de répteis que buscam um lagarto diurno, ativo e muito visual, e que podem oferecer terrário desértico grande, com rochas, calor intenso e UVB. Na nossa avaliação, agrada quem gosta de observar comportamento territorial e caçadas rápidas, não de manusear o animal o tempo todo.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para tutores de primeira viagem, famílias com crianças pequenas ou quem tem pouco tempo e espaço. Exige controle diário de temperatura, alimentação com insetos vivos e manejo que respeite sua natureza arisca; manuseio frequente causa estresse e mordidas defensivas.

Como cuidar

Recinto
Terrário mínimo 120x60x60 cm para 1 adulto, com muitas rochas e esconderijos
Temperatura
Gradiente 26 a 38 °C, ponto de basking até 40 °C, queda noturna para 20-22 °C
Iluminação
UVB 10.0 por 10 a 12 horas diárias, essencial para metabolismo do cálcio
Alimentação
Grilos, baratas e gafanhotos 4 a 5 vezes por semana, com cálcio e vitamina D3
Umidade
Baixa, 30 a 40%, com tigela pequena de água sempre limpa

Perfil rápido de Lagarto-de-colar

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e com população estável.

População
estável
Protegido por
Coleta regulamentada em alguns estados dos EUA

Calendário

Saída da brumaçãoJFMAMJJASOND
ReproduçãoJFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
Eclosão dos filhotesJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Sem veneno ou toxina de pele; mordida pode causar dor e ferida, mas sem envenenamento.

Vida útil

Na natureza
5 a 8 anos
Em cativeiro
8 a 12 anos com manejo correto

Reprodução

Maturidade sexual
1 a 2 anos
Tipo de reprodução
Ovíparo
Ninhada
2 a 12 ovos por postura, 1 a 2 posturas por ano
Incubação
50 a 60 dias no solo arenoso
Cuidado parental
Ausente após a postura

Habitat

Ambientes

  • Desertos rochosos
  • Cânions e chapadas
  • Lajes e afloramentos de pedras
  • Matagal árido e semiárido

Biomas

  • Deserto
  • Matagal xérico
  • Pradaria

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Gafanhotos
  • Grilos
  • Besouros
  • Cigarras

Outros alimentos

  • Aranhas
  • Escorpiões pequenos
  • Pequenos lagartos
  • Flores e folhas

Encontrado em 2 países

  • Estados Unidos
  • México

Como animal de estimação

Adequação como pet
Média, para criadores intermediários a avançados
Legalidade no Brasil
Apenas com origem em criadouro autorizado pelo IBAMA; captura e comércio ilegal são crime
Nível de cuidado
Alto, exige calor, UVB e insetos vivos
Aquisição
Muito rara no Brasil; mercado principal nos EUA

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Crotaphytidae
Gênero
Crotaphytus
Espécie
Crotaphytus collaris

Resumo

  • O lagarto-de-colar é um réptil diurno de 20 a 38 cm com duas faixas pretas no pescoço que formam um colar característico.
  • Vive em desertos e áreas rochosas dos EUA e norte do México, depende de pedras para se aquecer e caçar insetos e pequenos lagartos.
  • Não é venenoso, corre em duas patas quando foge e pode viver 8 a 12 anos em cativeiro com terrário quente e UVB.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil
OrdemSquamata
FamíliaCrotaphytidae
Origem e distribuiçãoSudoeste dos EUA e norte do México
Tamanho20 a 38 cm (incluindo cauda)
Peso25 a 55 g em adultos
Coresbegeamareloverde-azuladomarrompretobrancolaranja (machos mais coloridos)
HabitatDesertos rochosos, cânions e matagal árido
AlimentaçãoInsetívoro e carnívoro oportunista
ReproduçãoOvíparo, 2 a 12 ovos por postura
AtividadeDiurna e heliófila
Expectativa de vida5 a 8 anos na natureza, 8 a 12 em cativeiro
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroBaixo
Adaptação a casasBaixo
Importância para o ecossistemaAlto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito baixo

Como identificar o lagarto-de-colar sem confundir

O traço que dá nome ao animal é inconfundível: duas faixas pretas ao redor do pescoço, separadas por uma faixa branca ou creme, formando um colar duplo. Nenhum outro lagarto de deserto norte-americano tem esse padrão tão nítido e simétrico.

O corpo é robusto, cabeça grande e triangular e cauda longa que corresponde a quase metade do comprimento total. Machos adultos são mais vistosos, com tons de verde-azulado, amarelo e laranja no corpo na época reprodutiva, enquanto fêmeas e jovens são mais apagados, em bege e marrom com manchas claras.

As escamas são pequenas e granulares, sem espinhos. As pernas traseiras são bem mais longas e musculosas que as dianteiras, adaptação para corridas rápidas. Filhotes já nascem com o colar visível, mas com cores mais contrastadas e cauda com faixas escuras.

Onde vive na natureza e por que depende de pedras

O lagarto-de-colar ocorre do sudoeste dos Estados Unidos (de Missouri e Kansas até Arizona e Texas) ao norte do México, em áreas de deserto, semideserto, chapadas e cânions. Não é um lagarto de areia solta.

Ele é obrigatoriamente saxícola, ou seja, vive associado a afloramentos rochosos, lajes, pedras e muros de cânion. As rochas servem como poleiro para termorregulação, ponto de observação para caçar e abrigo contra predadores e calor extremo.

Durante o dia, escolhe pedras expostas ao sol para se aquecer logo cedo. Quando a temperatura do solo passa de 45 °C, refugia-se em fendas e sob rochas. No inverno, entra em brumação (letargia de répteis) em tocas profundas e só volta a ficar ativo na primavera.

O que o lagarto-de-colar come e como caça

É um predador de emboscada e perseguição. Fica imóvel sobre uma pedra alta, observa o entorno com visão excelente e dispara em corrida curta para capturar a presa com a boca.

A base da dieta são insetos grandes: gafanhotos, grilos, besouros, cigarras e lagartas. Complementa com aranhas, escorpiões pequenos e, oportunisticamente, outros lagartos menores, incluindo filhotes da própria espécie. Em menor proporção, consome flores, folhas e frutos suculentos do deserto.

Em cativeiro, a falta de variedade de insetos causa deficiência de cálcio rapidamente. A caça é visual e depende de presas em movimento; insetos mortos e imóveis costumam ser ignorados.

Comportamento: o corredor bípede do deserto

O lagarto-de-colar é diurno, territorial e extremamente ágil. Machos defendem pedras e lajes como territórios fixos e fazem exibições de flexão de pernas (push-ups) e inflada do papo para intimidar rivais.

Sua fama vem da locomoção bípede: quando precisa de velocidade máxima para fugir ou capturar presa, levanta o tronco e corre apenas sobre as patas traseiras, com a cauda como contrapeso. Poucos lagartos fazem isso com tanta frequência e eficiência.

É solitário e não tolera outro macho adulto no mesmo espaço. Fêmeas são mais tolerantes, mas também disputam abrigos. Apesar da aparência calma quando está aquecendo-se ao sol, é arisco e morde se manipulado sem cuidado.

Reprodução e ciclo de vida

A estação reprodutiva começa logo após a brumação, entre abril e julho. Machos ficam com cores muito mais intensas e perseguem fêmeas receptivas. A cópula é rápida e o macho segura a fêmea pela nuca.

Fêmeas grávidas desenvolvem manchas e barras laranja-avermelhadas nas laterais e garganta, sinal visual de que não estão mais receptivas. A postura ocorre de maio a agosto, em buracos cavados em solo arenoso sob pedras.

Cada postura tem 2 a 12 ovos brancos e de casca flexível. A incubação dura 50 a 60 dias e é dependente da temperatura, sem cuidado parental após a postura. Filhotes nascem com 6 a 8 cm e já são independentes, caçando pequenos insetos nos primeiros dias.

Ele é perigoso, venenoso ou morde?

Não é venenoso e não tem toxina de pele. Diferente de sapos e salamandras, répteis como o lagarto-de-colar não produzem veneno. O risco para pessoas, cachorros e gatos é mínimo.

A mordida, porém, pode ser dolorida. Ele tem mandíbulas fortes e dentes pequenos e afiados adaptados para esmagar besouros. Se encurralado, morde e não solta facilmente. A ferida deve ser limpa como qualquer mordida de animal, mas sem risco de envenenamento.

Para pets, o maior perigo é o inverso: cachorros que tentam caçá-lo podem se machucar nas pedras ou estressar o lagarto até a morte. Em áreas naturais, o ideal é apenas observar à distância.

Lagarto-de-colar como pet: o que diz a lei no Brasil

Nos Estados Unidos, é um dos lagartos de deserto mais criados por ser resistente e colorido. No Brasil, a situação é diferente: só é legal ter um exemplar com origem comprovada em criadouro autorizado pelo IBAMA.

Comprar, vender ou manter animal capturado na natureza ou importado ilegalmente é crime ambiental. Como a espécie não tem criadouros comerciais regulares no país, a oferta é praticamente inexistente e a maioria dos anúncios é irregular.

Mesmo quando legalizado, não é um pet para iniciantes. Exige terrário grande e seco, gradiente térmico de 26 a 40 °C, lâmpada UVB 10.0 trocada a cada 6 meses, suplementação de cálcio e dieta variada de insetos vivos. Sem isso, desenvolve doença metabólica óssea em poucos meses.

Papel no ecossistema e estado de conservação

Na cadeia do deserto, o lagarto-de-colar é predador intermediário importante. Controla populações de gafanhotos e besouros e serve de alimento para serpentes, aves de rapina e mamíferos como o coiote.

Sua presença indica ambiente rochoso bem preservado, pois depende de pedras intactas e de boa oferta de insetos. Onde há remoção de pedras, mineração ou urbanização, desaparece rapidamente.

A IUCN classifica a espécie como Pouco Preocupante (LC), com população estável. Não está globalmente ameaçada, mas sofre pressão local por coleta para o comércio de pets, atropelamentos e perda de habitat rochoso. Em alguns estados americanos, a coleta é regulamentada ou proibida.

Curiosidades que pouca gente sabe

Machos dominantes podem mudar a intensidade do azul e verde em poucas semanas conforme o status social e a estação, algo raro em lagartos de deserto. A cor não é fixa, é sinalização.

Apesar de correr em duas patas, ele só faz isso em sprints de até 10 metros; para distâncias maiores, volta a correr em quatro patas por ser mais econômico.

Fêmeas grávidas com manchas laranja são tão características que pesquisadores conseguem estimar o estágio reprodutivo à distância, sem captura, apenas pela coloração lateral.

Perguntas frequentes

Lagarto-de-colar é réptil ou anfíbio?

É réptil. Tem pele seca com escamas, respira por pulmões e põe ovos com casca, sem fase de girino ou metamorfose.

Lagarto-de-colar é venenoso?

Não. Não tem veneno nem toxina de pele. A mordida dói e pode ferir, mas não causa envenenamento em pessoas, cachorros ou gatos.

Por que ele corre em duas patas?

Para ganhar velocidade em sprints curtos. Ele levanta o corpo e corre só nas patas traseiras, usando a cauda como contrapeso.

Quanto tempo vive o lagarto-de-colar?

De 5 a 8 anos na natureza e de 8 a 12 anos em cativeiro com terrário aquecido, UVB e alimentação adequada.

Pode ter lagarto-de-colar como pet no Brasil?

Só se vier de criadouro autorizado pelo IBAMA com nota e anilha. Comprar animal de captura ou importação ilegal é crime ambiental.

O que o lagarto-de-colar come?

Principalmente insetos grandes como gafanhotos, grilos e besouros, além de aranhas e ocasionalmente pequenos lagartos e flores.

Como diferenciar macho e fêmea?

Machos são maiores e mais coloridos, com azul e amarelo intensos na reprodução. Fêmeas grávidas exibem manchas laranja-avermelhadas nas laterais.

Você sabia?

1

Corre em duas patas de verdade

O lagarto-de-colar é um dos poucos lagartos que corre bipedalmente de forma rotineira, usando a cauda como leme para não cair.

2

Fêmea muda de cor quando está grávida

Fêmeas desenvolvem manchas laranja-avermelhadas fortes nas laterais e garganta durante a gravidez, avisando machos para se afastarem.

3

Macho muda de tom conforme o status

Machos dominantes ficam muito mais azuis e amarelados na época reprodutiva; machos subordinados mantêm cores apagadas.

4

Vive empoleirado como ave

Passa horas no topo de pedras altas vigiando o território, comportamento mais parecido com o de um pássaro de poleiro do que com o de um calango rastejante.

Fontes

  1. Reptile Database
  2. IUCN Red List
  3. AmphibiaWeb / Herpetologia - California Herps
  4. ICMBio - Herpetofauna

Prós e contras: Lagarto-de-colar

Prós

  • Coloração viva e colar duplo inconfundível
  • Comportamento diurno e muito ativo para observação
  • Corre em duas patas, traço raro e fascinante
  • Resistente quando tem calor e UVB corretos
  • Bom indicador de ambiente rochoso preservado

Contras

  • Arisco, não gosta de manuseio e pode morder
  • Exige terrário grande, quente e com UVB
  • Dieta obrigatória de insetos vivos com suplementação
  • Muito territorial, não convive com outro macho
  • Quase sem oferta legalizada no Brasil
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o lagarto-de-colar é um dos répteis de deserto mais interessantes para observar, justamente por unir cor, territorialismo e corrida bípede. Não é um pet de colo e seu valor está no comportamento, não na interação constante.

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