🦎 Répteis e Anfíbios

Cágado-do-pantanal

Acanthochelys macrocephala

Atualizado em

23 a 30 cm de carapaçaTamanho
Réptil quelônioGrupo
25 a 35 anosExpectativa de vida
Áreas alagadas do PantanalHabitat
Baixo, morde se manuseadoPerigo
Cágado-do-pantanal adulto de corpo inteiro em área alagada do Pantanal

O cágado-do-pantanal (Acanthochelys macrocephala) é um réptil quelônio de água doce, não um anfíbio. Pertence à família Chelidae, a dos cágados de pescoço longo, e é endêmico das planícies alagáveis do Pantanal e entorno.

Facilmente reconhecido pela cabeça desproporcionalmente grande e pelo pescoço que se dobra lateralmente, ele passa a maior parte da vida na água rasa e lamacenta. É carnívoro, discreto e muito dependente do ciclo de cheia e seca para se alimentar e se reproduzir.

Pouco conhecido fora do Pantanal, está classificado como Quase Ameaçado e sofre com perda de habitat, atropelamentos e captura ilegal.

Também conhecido como: cágado-de-cabeça-grande, cágado-pantaneiro, cágado-do-chaco, Pantanal swamp turtle

Faz parte de: Répteis do Brasil, Tartarugas, Jabutis e Cágados

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Galeria de fotos de Cágado-do-pantanal

Cágado-do-pantanal adulto de corpo inteiro em área alagada do Pantanal
Adulto de cágado-do-pantanal em lagoa rasa com vegetação aquática.
Close da cabeça grande do cágado-do-pantanal
Detalhe da cabeça larga que dá nome à espécie macrocephala.
Detalhe da carapaça e plastrão do cágado-do-pantanal
Carapaça escura e plastrão amarelado com manchas escuras.
Cágado-do-pantanal nadando em água turva
Hábito aquático com patas com membranas para natação.
Filhote de cágado-do-pantanal ao lado de ovos no ninho
Filhote recém-eclodido e ovos alongados de casca calcária.
Cágado-do-pantanal estivando enterrado na lama na seca
Estivação enterrado na lama durante a estação seca.

Perfil rápido de Cágado-do-pantanal

Estado de conservação

NT
Quase Ameaçada

Espécie com distribuição restrita e dependente de áreas úmidas temporárias.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, coleta e comércio sem autorização são crime ambiental no Brasil

Calendário

Reprodução e posturaJFMAMJJASOND
Eclosão dos ovosJFMAMJJASOND
Estivação (seca)JFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
25 a 35 anos, com maturidade entre 5 e 8 anos
Em cativeiro
Pode superar 30 anos com manejo técnico, mas raramente mantido legalmente

Reprodução

Maturidade sexual
5 a 8 anos
Tipo de reprodução
Ovípara, sem metamorfose
Ninhada
3 a 8 ovos alongados de casca calcária
Incubação
140 a 180 dias, em ninho no solo úmido
Época reprodutiva
Estação chuvosa, de outubro a fevereiro

Habitat

Ambientes

  • Lagoas temporárias e baías
  • Brejos e campos alagados
  • Corixos e vazantes
  • Áreas com vegetação aquática densa e fundo lodoso

Biomas

  • Pantanal
  • Cerrado
  • Chaco

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • peixes pequenos
  • anfíbios (girinos e rãs)
  • insetos aquáticos

Outros alimentos

  • crustáceos
  • moluscos
  • carniça

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Paraguai

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Testudines
Família
Chelidae
Gênero
Acanthochelys
Espécie
Acanthochelys macrocephala

Resumo

  • O cágado-do-pantanal é um réptil de água doce da família Chelidae, com cabeça grande e pescoço longo que se dobra lateralmente.
  • Vive em lagoas, brejos e corixos do Pantanal, Cerrado e Chaco, no Brasil, Bolívia e Paraguai, e depende do ciclo de cheia e seca.
  • É carnívoro, põe poucos ovos por ninhada e está Quase Ameaçado, não sendo indicado como pet e exigindo criadouro autorizado pelo IBAMA.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil (quelônio)
OrdemTestudines
FamíliaChelidae
Origem e distribuiçãoPantanal, Cerrado e Chaco; Brasil (MT, MS), Bolívia e Paraguai
Tamanho23 a 30 cm de comprimento de carapaça; fêmeas maiores que machos
Peso1,2 a 2,5 kg em adultos
Coresmarrom-escuromarrom-olivapretoamarelo-clarocinza
HabitatLagoas temporárias, brejos, corixos e campos alagados
AlimentaçãoCarnívora (peixes, anfíbios, insetos aquáticos)
ReproduçãoOvípara; 3 a 8 ovos por ninhada, sem metamorfose
AtividadeDiurna e aquática, com estivação na seca
Expectativa de vida25 a 35 anos na natureza
Estado de conservaçãoQuase Ameaçada (NT) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Sensibilidade a temperatura e umidadeAlto
Vida na águaMuito alto

Como identificar o cágado-do-pantanal

O cágado-do-pantanal é um réptil, não anfíbio. Como todo quelônio, tem carapaça óssea recoberta por escudos, respira por pulmões e não passa por metamorfose. Anfíbios têm pele úmida e permeável; cágados têm pele seca e escamas.

O traço mais evidente é a cabeça grande e larga, que deu origem ao nome científico macrocephala. Ela é desproporcional ao corpo e não se retrai para dentro do casco como em jabutis. O pescoço é longo e se dobra lateralmente, típico dos Chelidae.

A carapaça é oval, relativamente baixa, com coloração marrom-escura a preta e bordas mais claras. O plastrão (parte ventral) é amarelado com manchas escuras simétricas. A pele da cabeça e do pescoço é cinza-oliva com pequenos tubérculos.

  • Tamanho adulto: 23 a 30 cm de carapaça, com fêmeas consistentemente maiores.
  • Cauda: machos têm cauda mais longa e grossa; fêmeas têm abertura cloacal mais próxima do corpo.
  • Patas: com membranas interdigitais bem desenvolvidas para natação e garras fortes.

Confunde-se com o cágado-de-barbicha (Phrynops geoffroanus), mas este tem barbelos no queixo e cabeça menos volumosa. O cágado-do-pantanal também tem escudo nucal ausente ou muito reduzido, detalhe útil para herpetólogos.

Onde vive e distribuição no Brasil

A distribuição é restrita à Bacia do Alto Paraguai e áreas adjacentes. No Brasil ocorre principalmente no Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, avançando para o Cerrado alagável e para o Chaco boliviano e paraguaio.

Habita ambientes lênticos e rasos: lagoas temporárias, baías, brejos, corixos, vazantes e campos inundados com muita vegetação aquática. Prefere água turva, com fundo lodoso e abundância de macrófitas, onde se camufla com facilidade.

É altamente dependente do pulso de inundação. Na cheia, dispersa-se por grandes áreas alagadas. Na seca, quando muitas lagoas secam, entra em estivação enterrado na lama ou sob folhiço úmido, podendo ficar meses com metabolismo reduzido até a próxima chuva.

O que come e como caça

É carnívoro estrito e predador de emboscada. Fica imóvel no fundo, com cabeça e pescoço estendidos, esperando a presa passar para dar um bote rápido com sucção.

A dieta na natureza inclui peixes pequenos, girinos e rãs, insetos aquáticos, crustáceos e moluscos. Também consome carniça quando disponível. Filhotes focam mais em larvas de insetos e microcrustáceos.

Diferente de tartarugas onívoras, não consome vegetação de forma relevante. Em cativeiro irregular, a oferta de ração inadequada e falta de alimento vivo causam deficiências graves, um dos motivos pelos quais não é pet para iniciantes.

Comportamento e hábitos na água e na seca

É aquático e diurno, mas extremamente discreto. Passa horas submerso, subindo apenas para respirar. Raramente se expõe ao sol por longos períodos como tartarugas-de-orelha-vermelha; faz banhos curtos em troncos ou margens.

Na estação seca, o comportamento mais marcante é a estivação. O animal se enterra a poucos centímetros no barro úmido e reduz atividade, batimentos e alimentação. Essa estratégia explica por que desaparece de áreas onde era comum meses antes.

É solitário, exceto na época reprodutiva. Quando manipulado, pode morder com força e liberar odor forte de glândulas, mas não é agressivo se deixado em paz. A mordida não é peçonhenta, mas pode ferir.

Reprodução e ciclo de vida

A reprodução coincide com o início da estação chuvosa, entre outubro e fevereiro. O cortejo ocorre na água, com o macho perseguindo a fêmea e mordiscando sua cabeça e patas.

A fêmea faz ninho em solo úmido e fofo próximo à água, geralmente em barrancos ou campos elevados que não alagam totalmente. Põe 3 a 8 ovos alongados e de casca calcária, raramente mais de 10. O número pequeno é compensado por ovos relativamente grandes.

A incubação dura cerca de 140 a 180 dias, dependente da temperatura e umidade. Como em outros répteis, a temperatura do ninho pode influenciar a proporção sexual dos filhotes. Não há cuidado parental após a postura.

Filhotes nascem com 3 a 4 cm de carapaça e já são totalmente aquáticos e carnívoros. Não há fase de girino ou metamorfose, diferença fundamental para anfíbios. A maturidade sexual chega entre 5 e 8 anos.

Tabela rápida do ciclo

Etapa Detalhe
Ninhada 3 a 8 ovos
Incubação 140 a 180 dias
Filhote 3 a 4 cm, independente
Maturidade 5 a 8 anos

É perigoso ou venenoso? Riscos para pessoas e pets

Não é venenoso e não possui toxinas de pele como sapos. O risco é mecânico: mordida. A cabeça grande abriga musculatura mandibular forte, capaz de causar cortes se o animal for contido com a mão.

Para cães e gatos, o risco maior é inverso: o pet pode ferir ou matar o cágado. Além disso, quelônios podem carrear Salmonella sem sintomas, com transmissão por contato e falta de higiene.

Nunca tente manusear um cágado selvagem. Além do risco de mordida, o manuseio causa estresse extremo e, no Pantanal, a captura e o transporte de fauna silvestre são crime ambiental (Lei 9.605/98).

Pode ter como pet? Legalidade e cuidados

Na prática, não é um pet. O cágado-do-pantanal não tem criação comercial regularizada em larga escala no Brasil. A única forma legal de ter qualquer quelônio nativo é adquirindo de criadouro autorizado pelo IBAMA, com nota fiscal e microchip.

Mesmo quando legalizado, exige estrutura complexa: aquaterrário grande com água filtrada e aquecida (26 a 28 °C), área seca, lâmpada UVB, dieta viva e controle veterinário especializado. A sensibilidade à qualidade da água e à temperatura o torna inadequado para tutores de primeira viagem ou apartamentos.

Animais capturados na natureza não se adaptam bem, recusam alimento, desenvolvem doenças de casco e morrem precocemente. Se encontrar um à venda em feiras ou redes sociais sem documentação, trata-se de tráfico.

Papel no ecossistema e estado de conservação

Atua como predador de controle de peixes pequenos, girinos e insetos, e como necrófago oportunista, ajudando na limpeza de matéria orgânica. Seus ovos e filhotes alimentam aves, jacarés e mamíferos, integrando a cadeia alimentar das áreas úmidas.

Está avaliado pela IUCN como Quase Ameaçado (NT), com tendência de declínio. As principais ameaças são drenagem de áreas úmidas, conversão para pastagem, poluição por agrotóxicos, atropelamentos em estradas do Pantanal e coleta ilegal.

Incêndios de grande escala e eventos de seca extrema, mais frequentes nos últimos anos, reduzem lagoas temporárias essenciais para alimentação e estivação. A proteção depende da manutenção do regime natural de cheia e seca e de fiscalização contra o comércio ilegal.

Curiosidades que distinguem a espécie

Um detalhe pouco conhecido é que ele não recolhe a cabeça para dentro do casco. Por ser pleurodiro, dobra o pescoço lateralmente sob a borda da carapaça, deixando parte da cabeça exposta.

Durante a seca, pode ser encontrado a até 30 cm de profundidade na lama seca, em estado de dormência que lembra a hibernação, mas com calor. Essa estivação é rara entre quelônios brasileiros e mostra sua adaptação extrema ao Pantanal.

Apesar do nome popular, não ocorre em todo o Pantanal de forma homogênea. Tem distribuição em manchas, associada a micro-habitats específicos, por isso levantamentos de campo frequentemente o subestimam.

Perguntas frequentes

Cágado-do-pantanal é réptil ou anfíbio?

É réptil quelônio da família Chelidae. Tem carapaça, respira por pulmões e põe ovos com casca, sem fase de girino ou metamorfose.

Qual o tamanho do cágado-do-pantanal?

Adultos medem de 23 a 30 cm de carapaça e pesam de 1,2 a 2,5 kg, sendo as fêmeas maiores que os machos.

Onde o cágado-do-pantanal vive?

Em lagoas temporárias, brejos e corixos do Pantanal, Cerrado alagável e Chaco, no Brasil, Bolívia e Paraguai.

O cágado-do-pantanal é venenoso?

Não. Não tem veneno nem toxina de pele. Pode morder forte se manuseado, mas não é perigoso se deixado em paz.

Pode criar cágado-do-pantanal em casa?

Não é recomendado. Só é legal com origem em criadouro autorizado pelo IBAMA, e exige aquaterrário grande, filtragem, aquecimento e UVB.

O que o cágado-do-pantanal come?

É carnívoro: peixes pequenos, girinos, insetos aquáticos, crustáceos e carniça. Não se alimenta de vegetais de forma relevante.

Está ameaçado de extinção?

É classificado como Quase Ameaçado (NT) pela IUCN, com população em declínio por perda de áreas úmidas e captura ilegal.

Você sabia?

1

Cabeça que não esconde

Como todo cágado Chelidae, ele não puxa a cabeça para dentro do casco. Ele a dobra de lado, sob a carapaça, por isso a cabeça grande fica sempre parcialmente visível.

2

Dorme enterrado na seca

Na estiagem, enterra-se na lama e entra em estivação por meses, com metabolismo quase parado, esperando a cheia voltar. Pode ser encontrado a 20-30 cm de profundidade.

3

Ninhada pequena e preciosa

Põe apenas 3 a 8 ovos por vez, bem menos que tartarugas marinhas. A incubação é uma das mais longas entre cágados brasileiros, até 180 dias.

4

Nome que mudou de gênero

Já foi classificado como Platemys macrocephala e Mesoclemmys macrocephala. Hoje o nome aceito é Acanthochelys macrocephala, mas os sinônimos ainda aparecem em livros antigos.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. Reptile Database
  3. ICMBio - Instituto Chico Mendes
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Cágado-do-pantanal

Prós

  • Altamente adaptado ao ciclo de cheia e seca do Pantanal
  • Importante predador de insetos, girinos e peixes pequenos
  • Indicador de saúde de áreas úmidas temporárias
  • Comportamento discreto e não agressivo quando não manipulado
  • Longevidade alta para seu tamanho

Contras

  • Distribuição restrita e dependente de habitat que está diminuindo
  • Ninhada muito pequena (3 a 8 ovos), recuperação lenta
  • Sensível à poluição da água e a alterações de temperatura
  • Não se adapta bem ao cativeiro doméstico
  • Vulnerável a atropelamentos e coleta ilegal
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o cágado-do-pantanal é um dos quelônios mais especializados do Brasil e justamente por isso não deve ser tratado como pet. Seu valor está no Pantanal vivo, regulando presas aquáticas e indicando a saúde das áreas alagáveis.

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