Resumo
- A tartaruga-de-orelha-vermelha é um réptil aquático nativo dos EUA, identificado pela mancha vermelha atrás dos olhos e carapaça verde-oliva com listras amarelas.
- É onívora, diurna e precisa de sol diário para se aquecer, com fêmeas que chegam a 29 cm e vivem de 20 a 40 anos.
- No Brasil é espécie exótica invasora e só pode ser criada quando adquirida de criadouro autorizado pelo IBAMA, nunca solta na natureza.
Características
Ficha da espécie
| Grupo | Réptil |
|---|---|
| Ordem | Testudines |
| Família | Emydidae |
| Origem e distribuição | Vale do Mississippi (EUA) e norte do México; introduzida em mais de 70 países, incluindo o Brasil |
| Tamanho | 13 a 29 cm de carapaça (fêmeas até 29 cm, machos até 20 cm) |
| Peso | 0,5 a 2,5 kg na fase adulta |
| Cores | verde-olivaamarelovermelhopretomarrom |
| Habitat | Lagos, rios calmos, pântanos, lagoas e parques urbanos |
| Alimentação | Onívora |
| Reprodução | Ovípara, 2 a 30 ovos por postura |
| Atividade | Diurna |
| Expectativa de vida | 20 a 30 anos na natureza, até 40 em cativeiro |
| Estado de conservação | Pouco preocupante (LC) para Trachemys scripta |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas e pets | Baixo |
|---|---|
| Facilidade de criação em cativeiro | Médio |
| Adaptação a casas | Baixo |
| Importância para o ecossistema | Médio |
| Sensibilidade a temperatura e umidade | Alto |
| Vida na água | Muito alto |
Como identificar a tartaruga-de-orelha-vermelha sem confundir
A marca registrada é a mancha vermelho-alaranjada alongada atrás de cada olho, que parece uma orelha. Nenhum cágado nativo brasileiro tem essa mancha tão viva e bem delimitada.
A carapaça é oval, levemente achatada e verde-oliva a marrom, com linhas finas amarelas. O plastrão (parte de baixo) é amarelo com manchas escuras arredondadas. A pele também é toda listrada de amarelo sobre fundo verde-escuro.
Filhotes têm cores muito mais vivas e carapaça de 3 a 4 cm. Adultos ficam mais escuros, e fêmeas idosas podem perder quase todo o vermelho. Machos adultos se distinguem pelas garras dianteiras muito longas e cauda mais grossa e comprida, com a cloaca além da borda da carapaça.
Confusão comum no Brasil é com o tigre-d’água-brasileiro (Trachemys dorbigni), que tem manchas amarelo-alaranjadas, nunca vermelho intenso, e ocorre naturalmente no Sul e Sudeste. Cágados do gênero Phrynops têm pescoço mais longo e cabeça diferente.
Réptil ou anfíbio? Por que ela não é anfíbio
A tartaruga-de-orelha-vermelha é réptil, não anfíbio. Ela tem pele seca coberta por escamas, carapaça óssea, respiração exclusivamente pulmonar e ovos com casca calcária.
Anfíbios como sapos, rãs e salamandras têm pele permeável, dependem de umidade, fazem metamorfose (girino para adulto) e põem ovos sem casca na água. Tartarugas não passam por metamorfose: o filhote já nasce miniatura do adulto.
Por ser réptil ectotérmico, ela precisa de sol para regular a temperatura. Sem área seca para se aquecer, não digere alimentos e desenvolve doenças respiratórias e de casco.
Onde vive e por que virou invasora global
A origem é a bacia do rio Mississippi e do Golfo do México, do centro dos EUA ao norte do México. Vive em ambientes de água doce calma: lagos, lagoas, brejos, rios de baixa correnteza e canais com vegetação e troncos para tomar sol.
Desde a década de 1950 foi exportada em massa como pet. Solturas e fugas fizeram a subespécie se estabelecer em mais de 70 países em todos os continentes, exceto Antártica. A União Internacional para Conservação da Natureza a lista entre as 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo.
No Brasil é encontrada em parques urbanos de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e outras capitais, sempre por introdução humana. Não ocorre naturalmente em nenhum bioma brasileiro. Quando compete com espécies nativas como Trachemys dorbigni e Phrynops geoffroanus, leva vantagem por ser maior, mais agressiva e se reproduzir mais.
É altamente aquática, mas precisa de área seca para banho de sol diário. Na natureza faz brumação (letargia de inverno) enterrada na lama quando a temperatura cai abaixo de 10 °C. No Brasil, onde o inverno é ameno, permanece ativa o ano todo.
O que come e como a dieta muda com a idade
É onívora generalista. Na natureza consome plantas aquáticas, algas, insetos, larvas, caramujos, pequenos peixes, girinos, minhocas e carcaças.
Filhotes e jovens são predominantemente carnívoros, precisando de mais proteína para crescer rápido. Adultos tornam-se mais herbívoros, com até 70% da dieta composta por vegetais.
- Filhotes: larvas, dáfnias, insetos aquáticos e ração específica.
- Adultos: folhas de alface-d’água, lentilha-d’água, elódea, couve, além de peixes pequenos e caracóis.
- Em cativeiro: ração para tartarugas aquáticas como base, complementada com vegetais e proteína animal 2 a 3 vezes por semana. Excesso de proteína causa deformação da carapaça (piramidação).
Come sempre dentro da água, pois precisa de água para engolir. Restos de comida apodrecem rápido e pioram a qualidade da água, por isso muitos criadores alimentam em recipiente separado.
Reprodução e ciclo de vida: dos ovos à vida adulta
A maturidade chega com 2 a 5 anos para machos (a partir de 10 cm) e 4 a 7 anos para fêmeas (a partir de 15 cm). A corte é característica: o macho vibra as longas garras dianteiras em frente ao rosto da fêmea.
Após a cópula na água, a fêmea sai para a terra, cava um ninho com as patas traseiras e põe 2 a 30 ovos brancos e alongados por postura, podendo fazer até 3 posturas por temporada. Enterra e abandona o ninho.
O sexo dos filhotes é definido pela temperatura de incubação: temperaturas mais altas (acima de 29 °C) geram mais fêmeas, mais baixas geram mais machos. A incubação dura 60 a 90 dias, dependendo do calor do solo.
Filhotes rompem o ovo com um dentinho temporário (carúncula) e correm para a água. Nos primeiros anos crescem rápido, cerca de 2 a 3 cm por ano. O crescimento desacelera na fase adulta, mas a carapaça continua se expandindo lentamente por toda a vida.
Quanto tempo vive
Na natureza, 20 a 30 anos é a média, com alta mortalidade de ovos e filhotes por predação. Em cativeiro bem manejado, 30 a 40 anos é comum, com registros acima de 45 anos.
Comportamento e hábitos que você precisa conhecer
É diurna e extremamente aquática. Passa a maior parte do dia nadando, forrageando e, principalmente, tomando sol empilhada com outras tartarugas sobre troncos e pedras. Esse banho de sol é vital para sintetizar vitamina D3 e fixar cálcio.
Arisca, mergulha ao menor sinal de perigo e pode ficar submersa por 20 a 30 minutos. Apesar da aparência lenta, é ágil na água e relativamente rápida em terra em curtas distâncias.
Não é animal social, mas tolera coespecíficos se houver espaço e alimento farto. Em aquaterrário pequeno, torna-se territorial e morde patas e caudas de outras tartarugas. Machos adultos são mais agressivos entre si.
Ela é perigosa? Mordida, salmonela e risco para pets
Não é venenosa e não tem toxina de pele, diferente de alguns sapos. O risco principal é mordida. Adultos têm mandíbula forte e cortante, capaz de beliscar com força e causar ferimento, sobretudo em crianças que colocam o dedo perto da boca.
O risco maior é invisível: como todo réptil, pode carregar Salmonella spp. no intestino sem ficar doente. A bactéria sai nas fezes e contamina água e superfícies. Crianças pequenas, idosos e imunossuprimidos são mais vulneráveis.
- Lave sempre as mãos após manusear o animal ou a água.
- Não lave o aquaterrário na pia da cozinha.
- Não beije nem leve a tartaruga ao rosto.
Para cachorros e gatos, o perigo é duplo: morder e ser mordida. Cães podem tentar abocanhar a tartaruga e fraturar a carapaça ou ingerir água contaminada. Mantenha o aquaterrário com tampa e fora do alcance.
Pode ter como pet no Brasil? Legalidade e cuidados reais
Sim, mas só se for adquirida de criadouro comercial autorizado pelo IBAMA, com nota fiscal e microchip ou marcação. Comprar de feira, vendedor ambulante ou capturar na natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98).
Não é um pet de aquário pequeno. Um adulto precisa de aquaterrário de 300 a 500 litros para uma fêmea, com área seca, rampa, lâmpada UVB 5.0 ou 10.0, aquecimento (água entre 24 e 28 °C, área seca até 32 °C) e filtragem potente. Sem UVB e cálcio, desenvolve doença óssea metabólica e amolecimento da carapaça.
Exige troca parcial de água frequente, filtro externo e alimentação variada. Vive décadas, cresce muito e não pode ser solta em lagoas: soltar é crime e condena o animal e os nativos. Antes de comprar, planeje quem cuidará dela por 30 anos.
| Item | Exigência mínima |
|---|---|
| Aquaterrário adulto | 10 litros por cm de carapaça; 300 L+ para fêmea |
| Temperatura da água | 24 a 28 °C |
| Área seca | 30 a 32 °C com lâmpada UVB |
| Filtragem | Filtro externo para 2 a 3x o volume |
| Alimentação | Ração + vegetais + proteína 2 a 3x/semana |
Papel no ecossistema e conservação
Na área nativa, controla populações de insetos, caramujos e plantas aquáticas e serve de presa para jacarés, aves e peixes grandes. Seus ninhos alimentam guaxinins e outros predadores.
Fora da área nativa, o papel se inverte: vira predadora de girinos, peixes e filhotes de cágados nativos e competidora por sol e alimento. Por isso muitos estados brasileiros proíbem a soltura e recomendam não alimentar tartarugas em parques.
Globalmente, Trachemys scripta é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, pois é abundante e amplamente distribuída. O problema não é extinção, é excesso. A subespécie elegans é justamente a mais invasora por sua rusticidade e alta fecundidade.
Curiosidades que pouca gente sabe
A tartaruga-de-orelha-vermelha não tem orelha externa: o nome vem da mancha que cobre a região onde fica o tímpano, coberto por pele. Ela ouve vibrações, mas tem audição limitada.
Ela chora para eliminar sal: possui glândulas perto dos olhos que excretam excesso de sais, o que parece lágrima quando está fora da água.
Em cativeiro, reconhece o tutor e aprende a associar a aproximação à comida, nadando até a borda. Já na natureza, é extremamente arisca e salta na água ao menor vulto.
Perguntas frequentes
Tartaruga-de-orelha-vermelha é réptil ou anfíbio?
É réptil. Tem pele com escamas, carapaça óssea, respiração pulmonar e ovos com casca. Não faz metamorfose como sapos e rãs.
Quanto tempo vive a tartaruga-de-orelha-vermelha?
De 20 a 30 anos na natureza e 30 a 40 anos em cativeiro com manejo correto, com registros acima de 45 anos.
Qual o tamanho que ela atinge?
Fêmeas chegam a 28-29 cm de carapaça, machos ficam entre 15 e 20 cm. Fêmeas são visivelmente maiores e mais pesadas.
Pode soltar tartaruga-de-orelha-vermelha em lagoa?
Não. É crime ambiental e prejudica espécies nativas. Ela é exótica invasora e compete com cágados brasileiros.
Ela morde? É perigosa?
Pode morder se manuseada, mas não é venenosa. O maior risco é a transmissão de Salmonella pelas fezes e água contaminada.
Pode criar tartaruga-de-orelha-vermelha no Brasil?
Só se comprada de criadouro autorizado pelo IBAMA, com nota fiscal. Criação sem origem legal e captura na natureza são ilegais.
O que a tartaruga-de-orelha-vermelha come?
É onívora. Filhotes comem mais proteína animal, adultos comem mais vegetais aquáticos, complementados com ração específica.
Você sabia?
Orelha que não é orelha
A mancha vermelha não é audição, mas pele sobre o tímpano. Tartarugas não têm orelha externa e ouvem por vibrações internas.
Sexo definido pelo calor
Não são os cromossomos que decidem: ovos incubados acima de 29 °C geram quase só fêmeas, abaixo disso geram mais machos.
Garras de cortejo
Machos têm garras dianteiras até 3 vezes mais longas que as das fêmeas e as vibram diante do rosto da fêmea para cortejá-la.
Invasora top 100 mundial
A IUCN a coloca entre as 100 piores espécies invasoras do mundo por se estabelecer em lagos urbanos de todos os continentes.








