🐟 Peixes

Surubim

Pseudoplatystoma corruscans

Atualizado em

Até 1,70 m e 80 kgTamanho
DoceTipo de água
15 a 20 anosExpectativa de vida
Predador solitárioTemperamento
Alta na criaçãoDificuldade
Close-up da cabeça do surubim mostrando barbilhões e boca larga

O surubim é um bagre de grande porte da família Pimelodidae, um dos peixes mais emblemáticos das bacias do Paraná, Paraguai e Amazonas. Conhecido também como pintado, ele se destaca pelo corpo alongado, cabeça achatada e pele sem escamas coberta por pintas pretas bem definidas.

É um predador de topo, migrador e de crescimento rápido, muito valorizado na pesca esportiva e profissional e na piscicultura. Na natureza depende das cheias para se reproduzir e pode percorrer centenas de quilômetros na piracema, o que o torna vulnerável a barragens e à sobrepesca.

Também conhecido como: Surubim-pintado, Pintado, Cachara, Caparari, Moleque, Sorubim

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Doce

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Galeria de fotos de Surubim

Close-up da cabeça do surubim mostrando barbilhões e boca larga
Detalhe da cabeça achatada e dos barbilhões sensoriais.
Comparação entre pintado e cachara mostrando diferença das manchas
Diferença entre pintado (pintas redondas) e cachara (manchas reticuladas).
Pesca esportiva de surubim com pesque e solte no rio
Pesca esportiva: troféu que exige manejo e soltura.
Grupo de filhotes de surubim em lagoa de várzea
Filhotes em lagoa marginal, berçário natural na cheia.
Comparação entre pintado e cachara mostrando diferença das manchas
Diferença entre pintado (pintas redondas) e cachara (manchas reticuladas).
Pesca esportiva de surubim com pesque e solte no rio
Pesca esportiva: troféu que exige manejo e soltura.

Perfil rápido de Surubim

Estado de conservação

NT
Quase Ameaçada

Populações em declínio nas bacias do Paraná e São Francisco devido a barragens e sobrepesca.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, com defeso e cotas estaduais; proibição de pesca em vários trechos

Vida útil

Na natureza
15 a 20 anos, com maturidade entre 3 e 4 anos
Em cativeiro
10 a 15 anos, com crescimento mais rápido sob manejo intensivo

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara, sem cuidado parental
Época de desova
Piracema, de novembro a fevereiro, com cheia e água acima de 26 °C
Fecundidade
1 a 2 milhões de ovos por fêmea grande, eclosão em 14 a 18 horas
Maturidade sexual
Machos com 2 a 3 anos, fêmeas com 3 a 4 anos
Migração
Potamódroma, sobe o rio para desovar e desce após a reprodução

Habitat

Ambientes

  • Grandes rios de canal
  • Poços profundos e remansos
  • Planícies de inundação e várzeas
  • Lagoas marginais na cheia

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pantanal
  • Amazônia
  • Caatinga (bacia do São Francisco)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes (curimbatá, piau, lambari, muçum)

Outros alimentos

  • Camarões de água doce
  • Larvas de peixes na fase jovem
  • Zooplâncton apenas nos primeiros dias de vida

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia
  • Peru

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Siluriformes
Família
Pimelodidae
Gênero
Pseudoplatystoma
Espécie
Pseudoplatystoma corruscans

Resumo

  • O surubim é um bagre gigante de água doce do gênero Pseudoplatystoma, com destaque para o pintado (P. corruscans), que ultrapassa 1,5 m e 80 kg.
  • Vive em grandes rios e planícies de inundação, é predador noturno e realiza longas migrações reprodutivas na época da piracema.
  • Muito apreciado na culinária e na pesca esportiva, hoje depende de manejo, defeso e criação em cativeiro para não desaparecer dos rios brasileiros.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoPseudoplatystoma corruscans (principal); gênero Pseudoplatystoma spp.
FamíliaPimelodidae
OrigemBacias do Paraná, Paraguai, Amazonas e São Francisco
Tipo de águaDoce, de rios de grande porte e planícies alagáveis
Tamanho1,20 a 1,70 m na natureza; fêmeas maiores que machos
Peso adulto20 a 80 kg (recordes acima de 90 kg)
Expectativa de vida15 a 20 anos na natureza
Corescinza-clarobrancoamarelo pálidopreto (pintas)
AlimentaçãoCarnívora piscívora
ReproduçãoOvípara, migradora, desova na piracema
VariedadesSurubim-pintado (P. corruscans), cachara (P. reticulatum), caparari (P. tigrinum)

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoBaixo
AgressividadeAlto
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como reconhecer o surubim de verdade

O surubim não é um peixe só, mas um grupo do gênero Pseudoplatystoma. No Brasil, os mais conhecidos são o surubim-pintado (Pseudoplatystoma corruscans), o cachara (P. reticulatum) e o caparari (P. tigrinum).

O corpo é alongado e sem escamas, com cabeça grande, achatada e boca larga cheia de dentículos. A marca registrada são as pintas pretas arredondadas sobre fundo cinza-amarelado claro no pintado, enquanto a cachara tem manchas em forma de rede ou listras reticuladas.

Outro detalhe que entrega o surubim são os três pares de barbilhões longos ao redor da boca, usados para farejar presas no fundo turvo. As nadadeiras peitorais têm espinho serrilhado e venenoso que pode causar ferimentos dolorosos em pescadores desatentos.

Onde vive e por que migra tanto

O surubim ocorre em grandes rios de canal e várzea, como Paraná, Paraguai, Araguaia-Tocantins, Amazonas e São Francisco. Prefere poços profundos, curvas de rio e áreas com estrutura submersa, como troncos e barrancos.

É um peixe potamódromo: precisa migrar rio acima para se reproduzir. Durante a piracema, cardumes sobem centenas de quilômetros, com registros de deslocamentos de até 1.500 km na bacia do Paraná-Paraguai.

Essa dependência da cheia explica por que barragens são tão críticas para ele. Sem a inundação das planícies, os ovos e larvas não encontram abrigo e alimento, e a população despenca em poucos anos.

Tamanho, peso e crescimento: o gigante que não para

O surubim está entre os maiores bagres da América do Sul. Fêmeas adultas comumente passam de 1,30 m e 30 kg, e exemplares históricos no Rio Paraná chegaram a 1,86 m.

O crescimento é sexual dimórfico: fêmeas crescem muito mais rápido e vivem mais que machos. Um macho raramente passa de 80 cm, enquanto a fêmea dobra esse tamanho.

Em piscicultura, o surubim atinge 2 a 3 kg em 12 a 18 meses com manejo intensivo, mas na natureza leva 3 a 4 anos para atingir a primeira maturação, o que o torna sensível à pesca de indivíduos jovens.

Comportamento de predador: como caça e quando ataca

É um predador de emboscada, predominantemente noturno e crepuscular. Durante o dia fica parado no fundo, quase imóvel, e à noite sai para caçar.

Não persegue por longas distâncias. Ele aspira a presa inteira com uma sucção brusca da boca larga. Por isso engole peixes de até um terço do seu próprio tamanho.

É solitário e territorial quando adulto. Jovens podem formar pequenos grupos em áreas alagadas, mas adultos se toleram pouco e podem ser canibais se mantidos juntos sem espaço e alimento adequado.

Alimentação na natureza e na piscicultura

Na natureza é estritamente piscívoro. A dieta é composta por curimbatá, piau, lambari, muçum e outros peixes de escama, além de camarões em menor proporção.

Não é um peixe que “cata” restos. Ele precisa de presa viva ou peixe inteiro no início da vida. Larvas se alimentam de zooplâncton por poucos dias e rapidamente viram predadoras de outras larvas.

Na criação, a larvicultura é o maior gargalo: exige transição alimentar com peixes forrageiros ou ração úmida de alto teor proteico (acima de 40% PB). Depois de adaptado, aceita ração extrusada, mas o custo ainda é alto e o canibalismo exige classificação por tamanho constante.

Reprodução e piracema: o ciclo que depende da cheia

O surubim só se reproduz com migração e cheia. A desova ocorre entre novembro e fevereiro, quando a temperatura da água supera 26 °C e o nível do rio sobe.

É uma espécie de desova total e sem cuidado parental. Uma fêmea grande pode liberar 1 a 2 milhões de ovos em uma única estação, que são levados pela correnteza e eclodem em cerca de 16 horas.

Em cativeiro não desova naturalmente. A reprodução depende de indução hormonal com extrato de hipófise e manejo de incubadoras. O híbrido entre pintado e cachara, chamado surubim híbrido ou “ponto e vírgula”, foi criado justamente para facilitar a produção, pois cresce mais rápido e é mais rústico.

Pesca, criação e importância econômica

É um dos peixes de água doce mais valorizados do Brasil. Sua carne é branca, sem espinhas em Y e com baixo teor de gordura, o que a coloca entre as mais caras nos frigoríficos de peixe.

Na pesca esportiva, é considerado troféu pela força e pelo salto. A captura é feita principalmente com isca natural (tuvira, muçum) ou artificial de fundo, sempre à noite ou no amanhecer.

Na piscicultura, o surubim puro tem alto valor, mas exige tanques grandes, água com boa oxigenação e manejo técnico. Por isso, grande parte da produção comercial hoje é do híbrido, mais tolerante a adensamento.

Conservação e principais ameaças

As populações selvagens vêm caindo há décadas. Os principais fatores são barragens que bloqueiam a piracema, desmatamento de várzeas, assoreamento e pesca sem respeito ao defeso.

No Rio Paraná, após a construção de Itaipu e outras hidrelétricas, o estoque de pintado caiu mais de 80% em alguns trechos, segundo monitoramentos de longo prazo. Em vários estados, a pesca do surubim nativo é restrita a cotas ou ao pesque e solte.

Projetos de repovoamento existem, mas sem restauração de habitat e escadas de peixes funcionais, soltar alevinos sozinho não recupera a espécie. Na nossa avaliação, o surubim é o melhor termômetro da saúde dos grandes rios brasileiros: onde ele ainda migra, o rio ainda funciona.

Diferenças que confundem: pintado x cachara x híbrido

Muita gente chama tudo de pintado, mas a diferença importa. A tabela ajuda a não errar na identificação:

Característica Pintado (P. corruscans) Cachara (P. reticulatum) Híbrido
Manchas Pintas pretas redondas e bem separadas Manchas em rede, formando retículos Mistura: pintas e traços em forma de ponto e vírgula
Distribuição Paraná-Paraguai e São Francisco Paraguai e Amazonas Apenas em cativeiro
Tamanho máximo Maior, até 1,70 m Um pouco menor Crescimento intermediário e mais rápido

Saber diferenciar evita comprar híbrido como se fosse puro e ajuda na fiscalização, já que a legislação de defeso pode variar entre as espécies.

Perguntas frequentes

Surubim e pintado são o mesmo peixe?

Sim, pintado é o nome popular mais usado para o surubim da espécie Pseudoplatystoma corruscans. Cachara e caparari são outras espécies do mesmo gênero.

Qual o tamanho máximo que o surubim atinge?

Fêmeas podem passar de 1,70 m e 80 kg na natureza, com registros históricos de 1,86 m no Rio Paraná. Machos são bem menores.

Surubim pode ser criado em aquário?

Não é adequado. Adultos precisam de milhares de litros, são predadores e crescem rápido. A criação viável é em tanques de piscicultura ou lagos grandes.

Quando é a piracema do surubim?

De novembro a fevereiro, durante a cheia. Nesse período a pesca é proibida ou restrita pelo defeso na maioria dos estados.

O que o surubim come?

É piscívoro: come peixes inteiros como lambari, piau e curimbatá. Em cativeiro, após adaptação, aceita ração extrusada de alto teor proteico.

O surubim híbrido é natural?

Não. É o cruzamento em laboratório entre pintado e cachara, criado para ganhar rusticidade e crescimento mais rápido na piscicultura.

O surubim está ameaçado de extinção?

As populações selvagens estão em declínio e são classificadas como Quase Ameaçadas em várias bacias, principalmente por barragens e sobrepesca.

Fatos surpreendentes sobre o surubim

1

O nome entrega a cor

Surubim vem do tupi suru'bi, que significa peixe de pele pintada. Já pseudoplatystoma significa falso peixe chato, referência ao corpo achatado.

2

Ferrão que dói de verdade

Os espinhos das nadadeiras peitorais têm serrilhas e glândulas que inoculam muco irritante. A ferroada causa dor intensa, inchaço e pode infeccionar, exigindo atendimento médico.

3

Fêmeas gigantes, machos pequenos

A diferença de tamanho entre os sexos é tão grande que pescadores antigos achavam que eram espécies diferentes. Fêmeas podem pesar o triplo de um macho da mesma idade.

4

Híbrido que dominou o mercado

O cruzamento entre pintado fêmea e cachara macho gerou o híbrido conhecido como surubim ponto e vírgula, hoje responsável por mais de 70% da produção em cativeiro por ser mais resistente.

Fontes

  1. ICMBio - Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada
  2. FishBase - Pseudoplatystoma corruscans
  3. Embrapa Pesca e Aquicultura

Prós e contras: Surubim

Prós

  • Carne branca nobre, sem espinhas em Y e muito valorizada
  • Crescimento rápido em piscicultura quando bem manejado
  • Peixe símbolo da pesca esportiva, de grande força
  • Importante predador de topo para equilíbrio dos rios
  • Híbrido rústico facilita a produção comercial

Contras

  • Exige migração e cheia para se reproduzir na natureza
  • Altamente sensível a barragens e poluição
  • Canibalismo intenso na fase larval exige manejo técnico
  • Não serve para aquários comuns devido ao porte gigante
  • Crescimento desigual entre machos e fêmeas complica o manejo
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o surubim é o peixe que melhor representa o paradoxo dos grandes rios brasileiros: extremamente valorizado e ao mesmo tempo extremamente vulnerável. Sem rios livres para migrar, não há manejo que o salve a longo prazo, por mais eficiente que seja a piscicultura.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.