Resumo
- O surubim é um bagre gigante de água doce do gênero Pseudoplatystoma, com destaque para o pintado (P. corruscans), que ultrapassa 1,5 m e 80 kg.
- Vive em grandes rios e planícies de inundação, é predador noturno e realiza longas migrações reprodutivas na época da piracema.
- Muito apreciado na culinária e na pesca esportiva, hoje depende de manejo, defeso e criação em cativeiro para não desaparecer dos rios brasileiros.
Características
Ficha da espécie
| Nome científico | Pseudoplatystoma corruscans (principal); gênero Pseudoplatystoma spp. |
|---|---|
| Família | Pimelodidae |
| Origem | Bacias do Paraná, Paraguai, Amazonas e São Francisco |
| Tipo de água | Doce, de rios de grande porte e planícies alagáveis |
| Tamanho | 1,20 a 1,70 m na natureza; fêmeas maiores que machos |
| Peso adulto | 20 a 80 kg (recordes acima de 90 kg) |
| Expectativa de vida | 15 a 20 anos na natureza |
| Cores | cinza-clarobrancoamarelo pálidopreto (pintas) |
| Alimentação | Carnívora piscívora |
| Reprodução | Ovípara, migradora, desova na piracema |
| Variedades | Surubim-pintado (P. corruscans), cachara (P. reticulatum), caparari (P. tigrinum) |
Perfil e comportamento
| Facilidade de criação | Baixo |
|---|---|
| Agressividade | Alto |
| Sociabilidade | Baixo |
| Nível de atividade | Médio |
| Exigência com a qualidade da água | Alto |
| Adequação a aquários pequenos | Muito baixo |
Como reconhecer o surubim de verdade
O surubim não é um peixe só, mas um grupo do gênero Pseudoplatystoma. No Brasil, os mais conhecidos são o surubim-pintado (Pseudoplatystoma corruscans), o cachara (P. reticulatum) e o caparari (P. tigrinum).
O corpo é alongado e sem escamas, com cabeça grande, achatada e boca larga cheia de dentículos. A marca registrada são as pintas pretas arredondadas sobre fundo cinza-amarelado claro no pintado, enquanto a cachara tem manchas em forma de rede ou listras reticuladas.
Outro detalhe que entrega o surubim são os três pares de barbilhões longos ao redor da boca, usados para farejar presas no fundo turvo. As nadadeiras peitorais têm espinho serrilhado e venenoso que pode causar ferimentos dolorosos em pescadores desatentos.
Onde vive e por que migra tanto
O surubim ocorre em grandes rios de canal e várzea, como Paraná, Paraguai, Araguaia-Tocantins, Amazonas e São Francisco. Prefere poços profundos, curvas de rio e áreas com estrutura submersa, como troncos e barrancos.
É um peixe potamódromo: precisa migrar rio acima para se reproduzir. Durante a piracema, cardumes sobem centenas de quilômetros, com registros de deslocamentos de até 1.500 km na bacia do Paraná-Paraguai.
Essa dependência da cheia explica por que barragens são tão críticas para ele. Sem a inundação das planícies, os ovos e larvas não encontram abrigo e alimento, e a população despenca em poucos anos.
Tamanho, peso e crescimento: o gigante que não para
O surubim está entre os maiores bagres da América do Sul. Fêmeas adultas comumente passam de 1,30 m e 30 kg, e exemplares históricos no Rio Paraná chegaram a 1,86 m.
O crescimento é sexual dimórfico: fêmeas crescem muito mais rápido e vivem mais que machos. Um macho raramente passa de 80 cm, enquanto a fêmea dobra esse tamanho.
Em piscicultura, o surubim atinge 2 a 3 kg em 12 a 18 meses com manejo intensivo, mas na natureza leva 3 a 4 anos para atingir a primeira maturação, o que o torna sensível à pesca de indivíduos jovens.
Comportamento de predador: como caça e quando ataca
É um predador de emboscada, predominantemente noturno e crepuscular. Durante o dia fica parado no fundo, quase imóvel, e à noite sai para caçar.
Não persegue por longas distâncias. Ele aspira a presa inteira com uma sucção brusca da boca larga. Por isso engole peixes de até um terço do seu próprio tamanho.
É solitário e territorial quando adulto. Jovens podem formar pequenos grupos em áreas alagadas, mas adultos se toleram pouco e podem ser canibais se mantidos juntos sem espaço e alimento adequado.
Alimentação na natureza e na piscicultura
Na natureza é estritamente piscívoro. A dieta é composta por curimbatá, piau, lambari, muçum e outros peixes de escama, além de camarões em menor proporção.
Não é um peixe que “cata” restos. Ele precisa de presa viva ou peixe inteiro no início da vida. Larvas se alimentam de zooplâncton por poucos dias e rapidamente viram predadoras de outras larvas.
Na criação, a larvicultura é o maior gargalo: exige transição alimentar com peixes forrageiros ou ração úmida de alto teor proteico (acima de 40% PB). Depois de adaptado, aceita ração extrusada, mas o custo ainda é alto e o canibalismo exige classificação por tamanho constante.
Reprodução e piracema: o ciclo que depende da cheia
O surubim só se reproduz com migração e cheia. A desova ocorre entre novembro e fevereiro, quando a temperatura da água supera 26 °C e o nível do rio sobe.
É uma espécie de desova total e sem cuidado parental. Uma fêmea grande pode liberar 1 a 2 milhões de ovos em uma única estação, que são levados pela correnteza e eclodem em cerca de 16 horas.
Em cativeiro não desova naturalmente. A reprodução depende de indução hormonal com extrato de hipófise e manejo de incubadoras. O híbrido entre pintado e cachara, chamado surubim híbrido ou “ponto e vírgula”, foi criado justamente para facilitar a produção, pois cresce mais rápido e é mais rústico.
Pesca, criação e importância econômica
É um dos peixes de água doce mais valorizados do Brasil. Sua carne é branca, sem espinhas em Y e com baixo teor de gordura, o que a coloca entre as mais caras nos frigoríficos de peixe.
Na pesca esportiva, é considerado troféu pela força e pelo salto. A captura é feita principalmente com isca natural (tuvira, muçum) ou artificial de fundo, sempre à noite ou no amanhecer.
Na piscicultura, o surubim puro tem alto valor, mas exige tanques grandes, água com boa oxigenação e manejo técnico. Por isso, grande parte da produção comercial hoje é do híbrido, mais tolerante a adensamento.
Conservação e principais ameaças
As populações selvagens vêm caindo há décadas. Os principais fatores são barragens que bloqueiam a piracema, desmatamento de várzeas, assoreamento e pesca sem respeito ao defeso.
No Rio Paraná, após a construção de Itaipu e outras hidrelétricas, o estoque de pintado caiu mais de 80% em alguns trechos, segundo monitoramentos de longo prazo. Em vários estados, a pesca do surubim nativo é restrita a cotas ou ao pesque e solte.
Projetos de repovoamento existem, mas sem restauração de habitat e escadas de peixes funcionais, soltar alevinos sozinho não recupera a espécie. Na nossa avaliação, o surubim é o melhor termômetro da saúde dos grandes rios brasileiros: onde ele ainda migra, o rio ainda funciona.
Diferenças que confundem: pintado x cachara x híbrido
Muita gente chama tudo de pintado, mas a diferença importa. A tabela ajuda a não errar na identificação:
| Característica | Pintado (P. corruscans) | Cachara (P. reticulatum) | Híbrido |
|---|---|---|---|
| Manchas | Pintas pretas redondas e bem separadas | Manchas em rede, formando retículos | Mistura: pintas e traços em forma de ponto e vírgula |
| Distribuição | Paraná-Paraguai e São Francisco | Paraguai e Amazonas | Apenas em cativeiro |
| Tamanho máximo | Maior, até 1,70 m | Um pouco menor | Crescimento intermediário e mais rápido |
Saber diferenciar evita comprar híbrido como se fosse puro e ajuda na fiscalização, já que a legislação de defeso pode variar entre as espécies.
Perguntas frequentes
Surubim e pintado são o mesmo peixe?
Sim, pintado é o nome popular mais usado para o surubim da espécie Pseudoplatystoma corruscans. Cachara e caparari são outras espécies do mesmo gênero.
Qual o tamanho máximo que o surubim atinge?
Fêmeas podem passar de 1,70 m e 80 kg na natureza, com registros históricos de 1,86 m no Rio Paraná. Machos são bem menores.
Surubim pode ser criado em aquário?
Não é adequado. Adultos precisam de milhares de litros, são predadores e crescem rápido. A criação viável é em tanques de piscicultura ou lagos grandes.
Quando é a piracema do surubim?
De novembro a fevereiro, durante a cheia. Nesse período a pesca é proibida ou restrita pelo defeso na maioria dos estados.
O que o surubim come?
É piscívoro: come peixes inteiros como lambari, piau e curimbatá. Em cativeiro, após adaptação, aceita ração extrusada de alto teor proteico.
O surubim híbrido é natural?
Não. É o cruzamento em laboratório entre pintado e cachara, criado para ganhar rusticidade e crescimento mais rápido na piscicultura.
O surubim está ameaçado de extinção?
As populações selvagens estão em declínio e são classificadas como Quase Ameaçadas em várias bacias, principalmente por barragens e sobrepesca.
Fatos surpreendentes sobre o surubim
O nome entrega a cor
Surubim vem do tupi suru'bi, que significa peixe de pele pintada. Já pseudoplatystoma significa falso peixe chato, referência ao corpo achatado.
Ferrão que dói de verdade
Os espinhos das nadadeiras peitorais têm serrilhas e glândulas que inoculam muco irritante. A ferroada causa dor intensa, inchaço e pode infeccionar, exigindo atendimento médico.
Fêmeas gigantes, machos pequenos
A diferença de tamanho entre os sexos é tão grande que pescadores antigos achavam que eram espécies diferentes. Fêmeas podem pesar o triplo de um macho da mesma idade.
Híbrido que dominou o mercado
O cruzamento entre pintado fêmea e cachara macho gerou o híbrido conhecido como surubim ponto e vírgula, hoje responsável por mais de 70% da produção em cativeiro por ser mais resistente.









