🐟 Peixes

Turbot

Scophthalmus maximus

Atualizado em

70 a 100 cmTamanho
Salgada marinhaTipo de água
15 a 25 anosExpectativa de vida
Solitário e predadorTemperamento
Não é de aquárioDificuldade
Turbot adulto visto de lado sobre fundo de areia, mostrando corpo circular e tubérculos ósseos

O turbot (Scophthalmus maximus) é um dos peixes chatos mais valorizados da Europa, conhecido pela forma quase circular em losango, pele sem escamas coberta de tubérculos ósseos e olhos no lado esquerdo do corpo. Predador de emboscada, vive deitado sobre fundos de areia e cascalho entre 20 e 70 metros de profundidade.

Altamente apreciado na gastronomia francesa e espanhola como “rodovalho” ou “rémon”, é considerado o rei dos peixes chatos. Não é peixe de aquário: seu interesse é ecológico, pesqueiro e aquícola, com criação intensiva principalmente na Espanha e França.

Pode atingir 1 metro e 25 kg, embora o tamanho mais comum de captura seja de 50 a 70 cm. É solitário, bem camuflado e de crescimento relativamente rápido nos primeiros anos.

Também conhecido como: Rodovalho, Pregado, Rémol, Turbot, Steinbutt, Turbout

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Turbot

Turbot adulto visto de lado sobre fundo de areia, mostrando corpo circular e tubérculos ósseos
Turbot adulto em seu habitat natural de fundo arenoso.
Close-up da cabeça do turbot com os dois olhos no lado esquerdo e tubérculos na pele
Detalhe da cabeça: olhos no lado esquerdo e pele sem escamas.
Close-up da cabeça do turbot com os dois olhos no lado esquerdo e tubérculos na pele
Detalhe da cabeça: olhos no lado esquerdo e pele sem escamas.
Filhote de turbot camuflado sobre areia e cascalho
Filhote camuflado, estratégia essencial para emboscada.
Turbot caçando peixe pequeno no fundo do mar
Predador de emboscada atacando com sucção rápida.
Comparação entre turbot com tubérculos e brill com escamas
Turbot (com tubérculos) e brill (com escamas), espécies parecidas.
Turbot inteiro fresco no gelo em peixaria europeia
Turbot inteiro fresco, como é comercializado na Europa.
Filhote de turbot camuflado sobre areia e cascalho
Filhote camuflado, estratégia essencial para emboscada.

Perfil rápido de Turbot

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Populações selvagens em declínio por sobrepesca de arrasto, embora aquicultura reduza pressão.

População
em declínio
Protegido por
sim

Vida útil

Na natureza
15 a 25 anos; maturidade entre 3 e 5 anos
Em aquicultura
Abate entre 24 e 30 meses com 1,5 a 3 kg

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa
Época de desova
Abril a agosto (primavera-verão europeu)
Ovos por temporada
1 a 10 milhões, pelágicos de ~1 mm
Incubação
7 a 9 dias a 12-14 °C
Maturidade sexual
Machos 3-4 anos (35-45 cm), fêmeas 4-5 anos (45-55 cm)

Habitat

Ambientes

  • Fundos arenosos e de cascalho da plataforma continental
  • Águas costeiras de 20 a 70 m, até 150 m no inverno
  • Estuários arenosos para juvenis

Biomas

  • Marinho bentônico costeiro
  • Atlântico temperado e Mediterrâneo

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes bentônicos (gobídeos, fanecas, sardinhas)

Outros alimentos

  • Caranguejos, camarões, misidáceos (juvenis)

Encontrado em 12 países

  • França
  • Espanha
  • Reino Unido
  • Noruega
  • Dinamarca
  • Países Baixos
  • Portugal
  • Itália
  • Turquia
  • Irlanda
  • Suécia
  • Alemanha

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Pleuronectiformes
Família
Scophthalmidae
Gênero
Scophthalmus
Espécie
Scophthalmus maximus

Resumo

  • O turbot é um peixe chato marinho do Atlântico Nordeste e Mediterrâneo, de corpo quase circular, sem escamas e com tubérculos ósseos na pele.
  • Vive sobre fundos arenosos e de cascalho entre 20 e 70 metros, onde caça por emboscada peixes e crustáceos usando camuflagem perfeita.
  • É uma das espécies mais valorizadas na alta gastronomia europeia e na aquicultura, com status de Vulnerável devido à sobrepesca.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoScophthalmus maximus (Linnaeus, 1758)
FamíliaScophthalmidae
OrigemAtlântico Nordeste, Mar Báltico, Mediterrâneo e Mar Negro
Tipo de águaSalgada marinha, bentônica costeira
TamanhoComum 50 a 70 cm; máximo 100 cm e até 25 kg
CoresAreiamarrom-clarocinza-esverdeadobranco (lado cego)
Expectativa de vida15 a 25 anos na natureza
AlimentaçãoCarnívora piscívora
ReproduçãoOvípara com desova pelágica
VariedadesNão há variedades ornamentais; existe a espécie-irmã Scophthalmus rhombus (rodovalho-brill)

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMédio
SociabilidadeMuito baixo
Nível de atividadeBaixo
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é o turbot e por que ele é tão valorizado?

O turbot é um peixe chato de grande porte, de corpo quase circular em forma de losango, com ambos os olhos no lado esquerdo. É o maior e mais apreciado dos Scophthalmidae europeus.

Diferente de linguados e solhas, ele não tem escamas. A pele do lado ocelado é coberta por tubérculos ósseos irregulares, pequenos nódulos duros que dão textura áspera ao toque. O lado cego, voltado para o fundo, é branco liso.

Na gastronomia, é tratado como peixe nobre. A carne é branca, firme, gelatinosa e de sabor delicado, com alto rendimento. Por isso atinge preços muito superiores aos de outros peixes chatos e é criado em aquicultura intensiva na Galícia, Bretanha e Noruega.

Como identificar: características e aparência

O corpo é achatado e quase tão largo quanto longo, o que o distingue imediatamente do brill (Scophthalmus rhombus), que é mais oval e tem escamas. A boca é grande e protrátil, com dentes pequenos e mandíbula inferior proeminente.

A coloração é altamente mimética. Varia de areia-claro a marrom-acinzentado e verde-oliva, com manchas escuras e claras que imitam o substrato. Ele muda de tom em segundos para se camuflar.

Os olhos são grandes, separados e com capacidade de movimento independente. As nadadeiras dorsal e anal contornam quase todo o corpo, mas são baixas. A nadadeira caudal é arredondada.

  • Formato: losango circular, sem escamas, com tubérculos ósseos
  • Olhos: lado esquerdo, característica diagnóstica da família
  • Tamanho comum: 50 a 70 cm e 4 a 8 kg; exemplares acima de 15 kg são raros e velhos
  • Dimorfismo: fêmeas crescem mais e vivem mais que machos

Onde vive: origem e habitat natural

A distribuição natural vai do Mar Báltico e Noruega até Marrocos, incluindo Ilhas Britânicas, Mar do Norte, Mediterrâneo e Mar Negro. É mais abundante no Canal da Mancha, Golfo da Biscaia e costa atlântica ibérica.

Habita fundos arenosos, de cascalho e conchas, entre 20 e 70 metros, podendo ocorrer de 5 a 150 metros. Prefere águas frias a temperadas, de 8 a 18 °C, com salinidade estável de 30 a 35 ppt.

É um peixe bentônico sedentário. Passa o dia semienterrado, com apenas olhos e parte superior expostos. À noite caça ativamente. Jovens ficam em águas mais rasas e estuários arenosos; adultos migram para áreas um pouco mais profundas no inverno.

Comportamento e alimentação: um predador de emboscada

O turbot é solitário e territorial. Não forma cardumes e tolera mal outros peixes chatos no mesmo território, exceto na época de reprodução.

Sua estratégia é a emboscada. Fica imóvel, camuflado, e ataca com um bote rapidíssimo quando um peixe ou crustáceo passa perto. A sucção da boca grande engole a presa inteira.

A dieta na natureza é quase exclusivamente piscívora na fase adulta. Consome gobiídeos, fanecas, sardinhas, biqueirões e caranguejos. Filhotes comem copépodes, misidáceos e pequenos crustáceos antes de passar para peixes.

Fase Alimento principal Observação
Larva pelágica Fito e zooplâncton Vive na coluna d’água por 30 a 40 dias
Juvenil (2 a 15 cm) Misidáceos, camarões Em fundos rasos de 5 a 20 m
Adulto Peixes e caranguejos Predador de topo do bentos arenoso

Reprodução e ciclo de vida

A reprodução ocorre na primavera e início do verão, entre abril e agosto, quando a água atinge 10 a 14 °C. Fêmeas migram para áreas de desova com 30 a 80 metros de profundidade.

É uma espécie extremamente prolífica. Uma fêmea grande pode liberar 5 a 10 milhões de ovos pelágicos por temporada, em várias posturas. Os ovos, de 1 mm, flutuam e eclodem em 7 a 9 dias.

As larvas são simétricas e pelágicas. Com cerca de 25 a 30 mm, ocorre a metamorfose: um olho migra para o lado esquerdo, o corpo achata e o peixe desce para o fundo. A maturidade chega com 3 a 5 anos, com 35 a 45 cm nos machos e 45 a 55 cm nas fêmeas.

Turbot x Brill x Linguado: não confunda

A confusão mais comum na peixaria é entre turbot, brill e linguado. São famílias diferentes e preços muito distintos.

  • Turbot (Scophthalmus maximus): sem escamas, com tubérculos ósseos, corpo circular, carne mais gelatinosa e valorizada.
  • Brill (Scophthalmus rhombus): com escamas, sem tubérculos, corpo mais oval, borda da nadadeira ondulada, valor menor.
  • Linguado-comum (Solea solea): olhos no lado direito, corpo alongado, boca pequena e torcida, família Soleidae.

Na nossa avaliação, pagar por turbot e receber brill é o erro mais frequente no Brasil quando o peixe é importado congelado. Verifique a pele: se for lisa com escamas, não é turbot verdadeiro.

Pesca, aquicultura e conservação

O turbot selvagem é capturado com rede de arrasto de fundo, tresmalho e espinhel. Foi historicamente sobrepescado no Mar do Norte e Báltico, o que levou a cotas rígidas da União Europeia.

Hoje, mais de 70% do turbot consumido na Europa vem de aquicultura. A Espanha (Galícia) é o maior produtor mundial, seguida por França e Portugal. A criação é feita em tanques em terra com água do mar recirculada, pois o peixe exige oxigênio alto e fundo limpo.

O crescimento em cativeiro é de 2 a 3 kg em 24 a 30 meses. É uma criação cara e tecnicamente exigente, o que explica o preço final elevado. O turbot selvagem do Atlântico tem selo de pesca sustentável MSC em algumas áreas, mas a maioria das populações ainda está em recuperação.

Importância ecológica e curiosidades biológicas

Como predador bentônico de topo, o turbot regula populações de peixes forrageiros e crustáceos em fundos arenosos. Sua presença indica ecossistema costeiro saudável e bem oxigenado.

Ele é um mestre da camuflagem ativa. Células cromatóforas na pele permitem clarear ou escurecer em segundos, copiando até padrões de xadrez em experimentos de laboratório.

Outro ponto singular é a assimetria total do crânio após a metamorfose. O olho direito migra sobre a cabeça e o crânio se torce, um dos processos de desenvolvimento mais drásticos entre vertebrados.

Consumo e manejo: o que saber antes de comprar

No Brasil, o turbot chega quase sempre congelado ou fresco importado da Europa, inteiro e eviscerado. Não existe produção nacional significativa. O preço reflete importação e aquicultura europeia.

A carne deve ser branca perolada, sem cheiro amoniacal e com tubérculos visíveis na pele se for inteiro. Filés muito baratos rotulados como turbot desconfie: podem ser panga ou brill.

Para conservação da espécie, prefira turbot de aquicultura certificada ou pesca com selo MSC. Evite exemplares selvagens abaixo de 45 cm, que ainda não se reproduziram.

Perguntas frequentes

Turbot é o mesmo que linguado?

Não. Turbot (Scophthalmus maximus) tem olhos no lado esquerdo, corpo circular e pele com tubérculos sem escamas. Linguado-comum (Solea solea) tem olhos no lado direito, corpo alongado e boca torcida. São famílias diferentes.

Turbot pode ser criado em aquário?

Não. É um peixe marinho grande, bentônico e predador que atinge 1 metro e precisa de fundo arenoso amplo, água fria e altamente oxigenada. É criado apenas em aquicultura industrial em tanques.

Qual o tamanho ideal de pesca do turbot?

O tamanho mínimo legal na UE é de 30 cm, mas a recomendação biológica é acima de 45 cm, quando já se reproduziu. Exemplares comerciais comuns têm 50 a 70 cm.

Qual a diferença entre turbot e brill?

O turbot não tem escamas e tem tubérculos ósseos na pele; o brill (Scophthalmus rhombus) tem escamas e pele lisa sem tubérculos, além de corpo mais oval. O turbot é mais caro.

Onde o turbot é encontrado no Brasil?

Não ocorre naturalmente no Brasil. O que se encontra à venda é importado congelado da Europa, principalmente da Espanha e França, onde é produzido por aquicultura.

Turbot está ameaçado de extinção?

Sim, as populações selvagens são classificadas como Vulneráveis (VU) pela IUCN devido à sobrepesca de arrasto. A aquicultura tem reduzido a pressão sobre estoques naturais.

Como é a carne do turbot?

Branca, firme, suculenta e levemente gelatinosa, com sabor delicado e pouca gordura. É considerada uma das carnes mais nobres entre os peixes chatos europeus.

Você sabia? Fatos surpreendentes sobre o turbot

1

Nasce simétrico e vira torto

A larva nasce como um peixe normal, com um olho de cada lado. Em 40 dias, o olho direito atravessa o crânio e o peixe deita de lado para viver no fundo.

2

Pele sem escamas com pedras

Em vez de escamas, tem tubérculos ósseos duros espalhados. Essa textura é a forma mais rápida de diferenciar turbot verdadeiro de brill na peixaria.

3

Desova de milhões

Uma única fêmea de 8 kg pode liberar até 10 milhões de ovos por ano, mas menos de 1% sobrevive à fase pelágica.

4

Camuflagem de laboratório

Em aquários experimentais, turbots conseguiram imitar padrões de tabuleiro de xadrez em poucos minutos, mudando a distribuição de melanina na pele.

Fontes

  1. FishBase - Scophthalmus maximus
  2. IUCN Red List
  3. FAO - Cultured Aquatic Species

Prós e contras: Turbot

Prós

  • Carne nobre de altíssimo valor gastronômico
  • Crescimento rápido em aquicultura bem manejada
  • Excelente camuflagem e adaptação a fundos arenosos
  • Alta fecundidade com milhões de ovos por temporada
  • Indicador de ecossistema costeiro saudável

Contras

  • Populações selvagens vulneráveis à sobrepesca
  • Exige água fria, limpa e muito oxigenada, inviável em aquário doméstico
  • Crescimento lento após 3 kg, criação cara
  • Confusão frequente com brill e outros peixes chatos no comércio
  • Não ocorre naturalmente no Brasil, depende de importação
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o turbot é o exemplo perfeito de como valor gastronômico e vulnerabilidade biológica andam juntos: é insubstituível na cozinha, mas não faz sentido como peixe de aquário ou compra por impulso. Se for consumir, a escolha mais responsável e realista hoje é o de aquicultura europeia certificada.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.