🐟 Peixes

Serra

Scomberomorus brasiliensis

Atualizado em

40 a 70 cm (máx. 125 cm)Tamanho
Salgada costeiraTipo de água
10 a 13 anosExpectativa de vida
Predador veloz e gregárioTemperamento
Não é peixe de aquárioDificuldade
Serra Scomberomorus brasiliensis vista lateral nadando em água costeira clara

A serra (Scomberomorus brasiliensis) é um peixe marinho costeiro da família Scombridae, a mesma do atum e da cavala. Predadora rápida e de dentes afiados, vive em cardumes próximos à costa do Atlântico Ocidental e é uma das espécies mais importantes para a pesca artesanal e esportiva no Brasil.

Muito confundida com a cavala (Scomberomorus cavalla) e a sororoca (Scomberomorus regalis), a serra se distingue pelo corpo mais alongado, pelas manchas amareladas nas laterais e pelo tamanho menor. É peixe de água salgada que raramente se afasta da plataforma continental rasa.

Não é espécie de aquário. Seu interesse é gastronômico, esportivo e ecológico: ajuda a controlar populações de sardinhas e manjubas e sustenta comunidades pesqueiras do Norte ao Sul do país.

Também conhecido como: Serra-verdadeira, Serrinha, Spanish mackerel, Serra Spanish mackerel, Carite, Pintada

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Serra

Serra Scomberomorus brasiliensis vista lateral nadando em água costeira clara
Serra adulta com corpo prateado e pintas amareladas características.
Close da cabeça da serra mostrando dentes triangulares afiados
Detalhe da dentição cortante usada para fatiar sardinhas.
Comparação entre serra, cavala e sororoca mostrando diferenças de manchas
Diferenças visuais entre serra, cavala e sororoca.
Serra juvenil em água rasa de estuário com manguezal ao fundo
Juvenis crescem em estuários e áreas de manguezal.
Comparação entre serra, cavala e sororoca mostrando diferenças de manchas
Diferenças visuais entre serra, cavala e sororoca.
Serra juvenil em água rasa de estuário com manguezal ao fundo
Juvenis crescem em estuários e áreas de manguezal.

Perfil rápido de Serra

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e com população estável, apesar da forte pressão de pesca costeira.

População
Estável
Protegido por
Não possui proteção específica nacional, mas sujeita a normas de ordenamento pesqueiro locais

Vida útil

Na natureza
10 a 13 anos; maturidade com 1 a 2 anos e 35 a 45 cm
Juvenis
Crescimento rápido, formam cardumes costeiros e estuarinos nos primeiros meses

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara, desova pelágica parcelada
Época de desova
Primavera e verão, de outubro a março no Brasil
Fecundidade
Centenas de milhares de ovos por fêmea por temporada
Cuidado parental
Ausente; ovos e larvas derivam no plâncton
Maturidade sexual
35 a 45 cm de comprimento

Habitat

Ambientes

  • Águas costeiras rasas
  • Plataforma continental até 30 m
  • Baías e estuários
  • Desembocaduras de rios e áreas de manguezal

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Estuarino

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pelágicos pequenos (sardinhas, manjubas, anchovas)

Outros alimentos

  • Camarões
  • Lulas e pequenos cefalópodes

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Venezuela
  • Colômbia
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Trinidad e Tobago
  • Belize
  • Honduras
  • Panamá

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Scombriformes
Família
Scombridae
Gênero
Scomberomorus
Espécie
Scomberomorus brasiliensis

Resumo

  • A serra é um peixe marinho costeiro predador que vive em cardumes do Belize ao Sul do Brasil, muito comum em estuários e águas rasas até 30 metros.
  • Distingue-se da cavala e da sororoca pelas manchas arredondadas amareladas, linha lateral que desce suavemente e tamanho adulto entre 40 e 70 cm.
  • É ovípara com desova pelágica na primavera e verão, tem grande importância comercial no Brasil e está avaliada como Pouco Preocupante pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoScomberomorus brasiliensis (Collette, Russo & Zavala-Camin, 1978)
FamíliaScombridae
OrigemAtlântico Ocidental, do Belize ao Rio Grande do Sul (Brasil)
Tipo de águaMarinha, costeira e estuarina
TamanhoComum 40 a 70 cm; máximo 125 cm e até 6,7 kg
CoresPrateadodorso azul-esverdeadomanchas amareladas arredondadas
Expectativa de vida10 a 13 anos na natureza
AlimentaçãoCarnívora piscívora
ReproduçãoOvípara, ovos e larvas pelágicos
VariedadesNão possui variedades; espécie única, mas confundida com S. cavalla e S. regalis

Perfil e comportamento

AgressividadeAlto
SociabilidadeAlto
Nível de atividadeMuito alto
Importância comercialMuito alto
Exigência com qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como identificar a serra sem confundir com cavala e sororoca

A serra tem corpo fusiforme e muito hidrodinâmico, típico de peixes que precisam nadar rápido. O dorso é azul-esverdeado escuro, o ventre é prateado e as laterais são cobertas por manchas amareladas arredondadas e bem espaçadas, em 3 a 4 fileiras irregulares.

O detalhe que mais ajuda na identificação é a linha lateral. Na serra, ela desce suavemente na altura da segunda nadadeira dorsal e segue quase reta até a cauda. Na cavala, a queda é mais brusca. A serra também tem focinho mais curto que a cavala e dentes triangulares, afiados e bem visíveis.

Outro ponto é o tamanho. Enquanto a cavala passa facilmente de 1 metro e 10 kg, a serra adulta raramente ultrapassa 70 cm e 2 a 3 kg nas capturas mais comuns. A sororoca, por sua vez, tem manchas mais alongadas e listras, não pintas redondas. Pescadores experientes ainda observam a primeira nadadeira dorsal com 17 a 19 espinhos e a coloração amarelada da nadadeira peitoral.

Onde a serra vive no Brasil e por que fica perto da costa

A distribuição vai do Belize, na América Central, até o Rio Grande do Sul, sempre em águas quentes e tropicais do Atlântico Ocidental. No Brasil, é abundante do Amapá a Santa Catarina, com maior concentração no Nordeste e Sudeste.

É um peixe pelágico costeiro. Vive na plataforma continental rasa, geralmente entre 5 e 30 metros de profundidade, e entra com frequência em baías, estuários e desembocaduras de rios, onde a água é mais turva e rica em alimento. Diferente de atuns oceânicos, não faz grandes migrações transatlânticas.

Ela prefere águas com temperatura entre 22 e 28 °C e salinidade alta, mas tolera variações de estuário. Por isso aparece o ano todo perto da costa, com picos de abundância quando cardumes de sardinha e manjuba se aproximam para se reproduzir. É nessa época que a pesca rende mais.

Tamanho, peso e quanto a serra realmente cresce

O tamanho mais encontrado na pesca artesanal é de 40 a 60 cm e 0,8 a 2 kg. Exemplares acima de 80 cm já são considerados grandes. O recorde documentado para a espécie é de 125 cm de comprimento total e 6,7 kg, segundo a FishBase, mas esses gigantes são raros.

O crescimento é rápido nos dois primeiros anos. A maturidade sexual é atingida cedo, com cerca de 35 a 45 cm, ainda no primeiro ou segundo ano de vida. Fêmeas crescem um pouco mais que machos, padrão comum em Scombridae.

Para o pescador, a regra prática é: se o peixe tem pintas redondas amarelas, cauda em forma de meia-lua bem bifurcada e pesa até 3 kg, é quase certamente serra. Acima de 5 kg, vale conferir se não é uma cavala jovem, que tem corpo mais alto e manchas menos definidas.

Comportamento: predadora veloz que caça em cardume

A serra é gregária e diurna. Forma cardumes de dezenas a centenas de indivíduos, muitas vezes mistos por tamanho, que se deslocam juntos atacando cardumes menores. Nada de forma contínua e veloz, com batidas rápidas de cauda.

A estratégia de caça é de emboscada em movimento: o cardume cerca sardinhas e anchovas contra a superfície ou contra a costa e ataca com arrancadas curtas e mordidas laterais. Os dentes cortam a presa ao meio, por isso iscas naturais muitas vezes voltam mordidas na metade.

Apesar da agressividade na alimentação, não é peixe territorial. Apresenta baixa interação agonística dentro do cardume e foge rapidamente de predadores maiores como tubarões e golfinhos. Quando fisgada, dá corridas longas e saltos curtos, comportamento que a torna muito valorizada na pesca esportiva de corrico e com isca artificial.

Alimentação na natureza: o que a serra come

É carnívora estrita e piscívora. Mais de 80% da dieta é composta por peixes pequenos: sardinha, manjuba, anchova, carapicu e clupeídeos em geral. Complementa com camarões e lulas quando há oportunidade, principalmente dentro de estuários.

Caça por perseguição visual. Tem visão muito apurada e metabolismo alto, precisando se alimentar com frequência. Em regiões estuarinas do Norte e Nordeste, a dieta varia conforme a estação: na estação chuvosa, quando rios levam mais nutrientes ao mar, aumenta o consumo de camarões juvenis.

Em cativeiro para pesquisa, aceita peixe inteiro e filés, mas não é criada comercialmente como tilápia ou tambaqui. Na natureza, sua função ecológica é controlar populações de forrageiros e transferir energia de níveis tróficos inferiores para predadores de topo.

Diferença alimentar para cavala

Enquanto a cavala adulta já preda peixes maiores e até outras serras, a serra mantém a dieta em presas de 5 a 12 cm por toda a vida, o que explica seu porte menor e sua permanência em águas mais rasas.

Reprodução e ciclo de vida

A reprodução é ovípara com desova parcelada e pelágica. Fêmeas liberam ovos diretamente na coluna d’água, onde são fertilizados pelos machos. Os ovos são pequenos, transparentes e flutuam até eclodirem em 24 a 48 horas, dependendo da temperatura.

No Brasil, o pico reprodutivo ocorre na primavera e verão, de outubro a março, quando a água está mais quente. Cada fêmea pode liberar centenas de milhares de ovos por temporada, em vários eventos. Não há cuidado parental; larvas e juvenis ficam à mercê das correntes.

As larvas são planctônicas e se concentram em áreas costeiras ricas em plâncton. Com cerca de 15 a 20 cm, os juvenis já formam pequenos cardumes e se assemelham aos adultos, mas com manchas menos evidentes. A alta fecundidade compensa a mortalidade natural muito alta nos primeiros meses.

Pesca da serra: importância comercial, esportiva e regras

A serra é um dos peixes marinhos mais desembarcados pela pesca artesanal no Nordeste, ao lado da sardinha e do cioba. É capturada com rede de emalhe, linha de mão, espinhel de superfície e, na pesca esportiva, com iscas artificiais de meia-água e colheres.

Sua carne é clara, firme e muito apreciada, com bom rendimento de filé e sabor mais suave que o da cavala. Por isso tem alto valor no mercado fresco e congelado, sendo vendida inteira, em postas ou filés. O preço costuma ser mais acessível que o de peixes oceânicos.

Não há tamanho mínimo nacional unificado para a serra, mas estados e colônias de pesca adotam recomendações de 40 a 45 cm para proteger juvenis. Medidas como defeso regional, controle de malha de rede e cotas de captura são discutidas periodicamente. O pescador esportivo deve sempre consultar a legislação estadual e as normas do ICMBio/MPA vigentes.

Estado de conservação e principais ameaças

Globalmente, a serra é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com tendência populacional considerada estável. A ampla distribuição e a alta taxa reprodutiva ajudam a manter os estoques, mesmo sob forte pressão de pesca.

As ameaças locais são sobrepesca de juvenis, captura incidental em redes e degradação de estuários por poluição e assoreamento. Como depende de águas costeiras rasas e de berçários estuarinos, é sensível à perda de manguezais e à contaminação por esgoto e plásticos.

Na nossa avaliação, a serra é um exemplo de espécie que sustenta segurança alimentar e renda, mas exige manejo fino. Sem controle de esforço de pesca e proteção de áreas de criação, estoques regionais podem cair rapidamente, como já ocorreu com outros Scomberomorus em áreas do Caribe. O consumo consciente passa por preferir exemplares acima de 45 cm e evitar o período de pico reprodutivo.

Perguntas frequentes

Serra é o mesmo que cavala?

Não. São espécies diferentes do mesmo gênero. A serra (S. brasiliensis) é menor, tem pintas amareladas redondas e linha lateral com queda suave; a cavala (S. cavalla) é maior, sem pintas e com queda brusca da linha lateral.

Qual o tamanho máximo da serra?

O máximo registrado é 125 cm e 6,7 kg, mas o comum na pesca é 40 a 70 cm e 1 a 3 kg.

Onde pescar serra no Brasil?

Em águas costeiras rasas, baías e bocas de estuário de todo o litoral, com destaque para o Nordeste e Sudeste, em profundidades de 5 a 30 metros.

Serra é peixe de água doce ou salgada?

Exclusivamente de água salgada, marinha e costeira. Entra em estuários, mas não vive em água doce.

Serra pode ser criada em aquário?

Não. É um pelágico veloz, gregário e predador que exige mar aberto e grandes deslocamentos. Não se adapta a aquários domésticos.

Quando a serra se reproduz?

Principalmente entre outubro e março, na primavera e verão, com desova pelágica parcelada e sem cuidado parental.

Serra está ameaçada de extinção?

Não. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas sofre pressão local por sobrepesca de juvenis.

Você sabia?

1

Separada da cavala só em 1978

Até 1978 a serra era confundida com Scomberomorus maculatus dos EUA. Só com o trabalho de Collette, Russo e Zavala-Camin ela foi reconhecida como espécie própria do Atlântico Sul.

2

Dentes que cortam nylon

Os dentes triangulares e afiados cortam facilmente linha de monofilamento fina. Pescadores usam empate de arame ou fluorocarbono grosso para não perder a isca na primeira mordida.

3

Cardume que encurrala a presa

Em vez de caçar sozinha, a serra coordena ataques em grupo empurrando cardumes de sardinha contra a superfície, criando estalos e estouros visíveis que pescadores chamam de “fervura”.

4

Nome que virou confusão no mercado

No Sudeste, muita serra é vendida como “cavala” por ter mais valor comercial, e no Nordeste a sororoca é chamada de serra. A troca de nomes dificulta estatísticas de pesca confiáveis.

Fontes

  1. FishBase - Scomberomorus brasiliensis
  2. IUCN Red List
  3. ICMBio / Ministério da Pesca e Aquicultura
  4. FAO Species Catalogue - Scombrids

Prós e contras: Serra

Prós

  • Carne clara e sabor suave, muito valorizada na culinária
  • Crescimento rápido e alta fecundidade, o que mantém estoques
  • Pesca esportiva emocionante com ataques em superfície
  • Importante fonte de renda para pesca artesanal costeira
  • Fácil de identificar pelas pintas amarelas quando se conhece o detalhe

Contras

  • Muito confundida com cavala e sororoca no mercado
  • Pressão de pesca sobre juvenis abaixo de 40 cm
  • Dependente de estuários e manguezais bem conservados
  • Dentes afiados exigem material específico e cuidado no manuseio
  • Não adaptável a criação em cativeiro ou aquário
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a serra é o Scombridae costeiro mais subestimado do Brasil: menos famosa que a cavala, mas muito mais presente na mesa e na linha do pescador artesanal. Seu manejo depende menos de criar em cativeiro e mais de proteger estuários e respeitar tamanhos mínimos.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.