Resumo
- Pacu-manteiga (Mylossoma duriventre) é um peixe discoide prateado de 20 a 30 cm da família Serrasalmidae, comum nas bacias do Amazonas e Orinoco.
- Vive em cardumes em rios, lagos de várzea e florestas inundadas, com dieta herbívora baseada em frutos, sementes e folhas.
- Tem reprodução parcelada na cheia, é classificado como Pouco Preocupante pela IUCN e se diferencia de piranhas pelos dentes molariformes e comportamento pacífico.
Características
Ficha da espécie
| Nome científico | Mylossoma duriventre (Cuvier, 1818) |
|---|---|
| Família | Serrasalmidae |
| Origem | Bacias do Amazonas e Orinoco (América do Sul) |
| Tipo de água | Doce, quente (24 a 28 °C) |
| Tamanho | 20 a 30 cm (máx. 25 cm padrão mais comum) |
| Tamanho adulto | 20 a 30 cm e 0,5 a 1 kg |
| Cores | Prateadoamarelo-pálidocinza-prateadonadadeiras amareladas |
| Expectativa de vida | 6 a 10 anos na natureza |
| Alimentação | Herbívora frugívora (frutos, sementes, folhas) |
| Reprodução | Ovípara, desova parcelada na cheia, sem cuidado parental |
| Variedades | Não há variedades ornamentais; confundido com Mylossoma aureum |
Perfil e comportamento
| Facilidade de criação | Médio |
|---|---|
| Agressividade | Muito baixo |
| Sociabilidade | Muito alto |
| Nível de atividade | Médio |
| Exigência com a qualidade da água | Médio |
| Adequação a aquários pequenos | Muito baixo |
Como reconhecer o pacu-manteiga: corpo em disco e cor amanteigada
O pacu-manteiga é alto, comprimido lateralmente e quase circular quando visto de lado. A altura do corpo chega a 60% do comprimento padrão, o que lhe dá o aspecto discoide típico dos “silver dollars” amazônicos.
A coloração é prateada uniforme com brilho amarelo-manteiga nos flancos e no ventre, mais intensa em adultos. Dorso levemente acinzentado, nadadeiras hialinas a amareladas e sem manchas vermelhas ou pretas, o que ajuda a separá-lo de piranhas.
Os dentes são molariformes e robustos, não cortantes como os de piranha. Servem para esmagar sementes duras de seringueira e palmeiras. A boca é pequena, terminal e com lábios pouco espessos.
- Marca distintiva: mancha escura difusa atrás da cabeça (região umeral) e quilhas ventrais serrilhadas, mas pouco cortantes.
- Olhos grandes e linha lateral completa com 70 a 80 escamas.
- Dimorfismo discreto: machos podem ficar com nadadeira anal mais avermelhada na época reprodutiva, sem diferença grande de tamanho.
Onde vive na natureza: rios, várzeas e floresta inundada
A distribuição natural abrange bacias do Amazonas e Orinoco, incluindo afluentes como Madeira, Negro, Solimões, Purus e Branco. Ocorre no Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia e Equador.
Habita rios de água branca e clara, lagos de várzea, igapós e canais de inundação. Prefere águas calmas com vegetação marginal e troncos submersos, onde encontra abrigo e alimento.
Durante a seca fica mais concentrado nos rios e lagos permanentes. Na cheia, faz migração lateral para dentro da floresta alagada, acompanhando a subida da água por quilômetros. Esse movimento é essencial para se alimentar e se reproduzir.
Tamanho, crescimento e quanto tempo vive
O tamanho adulto mais comum é de 20 a 25 cm de comprimento padrão, com exemplares grandes chegando a 30 cm e cerca de 1 kg. É um dos menores pacus, bem menor que tambaqui e pirapitinga.
O crescimento é rápido no primeiro ano, quando já atinge 12 a 15 cm se houver oferta de frutos e sementes. Depois o ritmo desacelera e o corpo ganha altura.
Na natureza vive 6 a 10 anos. Em cativeiro bem manejado pode passar de 8 anos, mas raramente é mantido como peixe ornamental por exigir muito espaço e viver em cardume.
Comportamento e vida em cardume
É um peixe gregário, pacífico e diurno. Forma cardumes de dezenas a centenas de indivíduos, principalmente jovens. Nada na meia-água, em deslocamentos constantes e sincronizados.
Não é territorial nem agressivo. Quando ameaçado, o cardume se compacta e foge rapidamente. A dentição forte não é usada para atacar outros peixes, apenas para triturar alimento vegetal.
Tem atividade maior na cheia, quando explora a floresta inundada. Na seca fica mais letárgico e concentrado. É presa importante para pirarucus, tucunarés, botos e aves piscívoras.
Alimentação: o herbívoro que tritura sementes
A dieta é predominantemente herbívora frugívora. Consome frutos, sementes, folhas, brotos e eventualmente pequenos invertebrados e zooplâncton quando jovem.
Na floresta alagada, alimenta-se de frutos de embaúba, seringueira, palmeiras e leguminosas. Consegue quebrar sementes muito duras graças aos dentes molariformes e à forte musculatura da mandíbula.
Essa alimentação tem papel ecológico relevante: o pacu-manteiga é dispersor de sementes. Muitas sementes atravessam o intestino intactas e germinam longe da planta-mãe. Em piscicultura aceita ração extrusada para onívoros/herbívoros, com 28% a 32% de proteína bruta, além de frutas picadas.
| Item alimentar | Quando consome mais |
|---|---|
| Frutos e sementes | Cheia, dentro da floresta inundada |
| Folhas e brotos | Transição cheia-seca |
| Zooplâncton e insetos | Fase de filhote |
Reprodução e ciclo da cheia
A reprodução é sazonal e sincronizada com a enchente, entre novembro e abril na maior parte da Amazônia. A subida da água e o aumento da temperatura são os gatilhos.
Faz desova parcelada e sem cuidado parental. Fêmeas liberam milhares de ovos adesivos em meio à vegetação alagada. Os ovos eclodem em 12 a 20 horas, dependendo da temperatura.
Os filhotes permanecem em áreas marginais rasas e com vegetação, onde há mais alimento e menos predadores. A maturidade sexual ocorre com cerca de 15 a 18 cm, ainda no primeiro ou segundo ano de vida.
Não constrói ninho. A estratégia é produzir muitos ovos e aproveitar a enorme oferta de alimento da floresta inundada para o crescimento rápido das larvas.
Pesca, criação e importância econômica
É espécie muito apreciada na culinária amazônica, com carne clara, macia e sabor suave, daí o apelido “manteiga”. É capturado com malhadeiras, tarrafas e anzol, principalmente em lagos de várzea.
Na piscicultura é usado em sistemas extensivos e semi-intensivos, muitas vezes em consórcio com tambaqui e curimatã. Cresce bem em viveiros com renovação de água e alimentação à base de ração e frutos regionais.
Por ser menor que outros pacus, tem ciclo mais curto e boa conversão alimentar, mas não atinge peso de abate tão alto. Por isso é mais comum na pesca extrativa do que em grandes projetos comerciais.
Como diferenciar do pacu-comum e da piranha
A confusão mais frequente é com Mylossoma aureum, espécie muito similar e simpátrica. O pacu-manteiga (M. duriventre) tem corpo ligeiramente mais alto e coloração mais amarelada, enquanto M. aureum tende a ser mais dourado.
Em relação às piranhas (Pygocentrus e Serrasalmus), a diferença está nos dentes e no comportamento. Piranhas têm dentes triangulares, cortantes e mandíbula prognata; pacu-manteiga tem dentes arredondados para triturar.
Outro ponto é a quilha ventral. Em pacu-manteiga ela é serrilhada mas pouco afiada; em piranhas é bem cortante. E o temperamento pacífico e a vida em cardume grande sem ataques a outros peixes também denunciam que não é piranha.
Estado de conservação e cuidados no manejo
Globalmente é classificado como Pouco Preocupante (LC), com populações amplas e estáveis. Localmente pode sofrer com sobrepesca, desmatamento da várzea e barramentos que impedem a migração lateral.
Para pesca sustentável, respeite o período de defeso da piracema e o tamanho mínimo regional. Evite capturar filhotes abaixo de 15 cm e fêmeas ovadas na cheia.
Em criação, mantenha água bem oxigenada, pH 6,0 a 7,5 e temperatura 26 a 30 °C. A espécie é sensível a amônia e a quedas bruscas de oxigênio, comuns em viveiros superpovoados.
Perguntas frequentes
Pacu-manteiga é piranha?
Não. Apesar de ser da mesma família (Serrasalmidae), tem dentes molariformes para triturar sementes e temperamento pacífico, vivendo em cardumes sem atacar outros peixes.
Qual o tamanho máximo do pacu-manteiga?
O mais comum é 20 a 25 cm, podendo chegar a 30 cm e cerca de 1 kg em exemplares grandes.
Pacu-manteiga pode ser criado em aquário?
Só em aquários muito grandes (acima de 500 litros) e em cardume, pois é peixe gregário e ativo. Na prática é mais criado em viveiros de piscicultura do que em aquário doméstico.
O que o pacu-manteiga come?
É herbívoro frugívoro: frutos, sementes, folhas e brotos. Filhotes também consomem zooplâncton e pequenos insetos.
Onde o pacu-manteiga é encontrado no Brasil?
Em toda a bacia Amazônica, nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá, além de áreas do Pantanal ligadas à bacia do Paraguai.
Qual a diferença entre pacu-manteiga e pacu-branco?
São nomes populares para o mesmo grupo. Pacu-manteiga geralmente se refere a Mylossoma duriventre, enquanto pacu-branco pode ser usado também para Mylossoma aureum, espécie muito parecida.
Você sabia?
Dente de triturador
Ao contrário da piranha, o pacu-manteiga tem dentes molariformes achatados que funcionam como moinhos para quebrar sementes de seringueira que nem mesmo alguns mamíferos conseguem abrir.
Dispersor da floresta
Estudos na várzea mostram que até 30% das sementes que ele engole saem intactas nas fezes e germinam melhor, ajudando a regenerar a floresta alagada.
Nome que confunde
Por muito tempo Mylossoma duriventre e Mylossoma aureum foram tratados como a mesma espécie. Só análises recentes separaram as duas, mas pescadores ainda chamam ambas de pacu-manteiga.
Cardume que "ronca"
Quando manipulado fora d'água, emite sons de estalos produzidos pela bexiga natatória, um comportamento comum em Serrasalmidae para comunicação no cardume turvo.









