🐟 Peixes

Pacu

Piaractus mesopotamicus

Atualizado em

50 a 80 cm e até 20 kgTamanho
DoceTipo de água
15 a 25 anosExpectativa de vida
Pacífico e gregárioTemperamento
Média a altaDificuldade
Pacu adulto de lado mostrando corpo alto prateado e ventre amarelado em água doce clara

O pacu é um peixe de água doce nativo da bacia do Paraná-Paraguai, muito valorizado na pesca esportiva e na piscicultura brasileira. Pertence à família Serrasalmidae, a mesma das piranhas, mas tem comportamento pacífico e dieta predominantemente vegetal.

Apesar da fama de ter dentes parecidos com os humanos, o que realmente distingue o pacu é o porte grande, o corpo alto e arredondado e o papel ecológico como dispersor de sementes no Pantanal. Pode ultrapassar 70 cm e viver mais de 20 anos quando tem espaço e condições de migração.

Também conhecido como: Pacu-carana, Pacu-comum, Pacu-caranha, Pacu-verdadeiro

Faz parte de: Peixes de Água Doce, Peixes Herbívoros

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Galeria de fotos de Pacu

Pacu adulto de lado mostrando corpo alto prateado e ventre amarelado em água doce clara
Pacu verdadeiro adulto com corpo alto e coloração prateada característica.
Close-up da cabeça do pacu mostrando dentes molariformes arredondados
Detalhe dos dentes molariformes usados para triturar frutos e sementes.
Filhote de pacu com manchas escuras arredondadas nas laterais
Filhote de pacu ainda com manchas que desaparecem na fase adulta.
Cardume de pacus nadando juntos em viveiro grande com vegetação
Pacu é gregário e vive em pequenos grupos em rios e viveiros.
Pacu se alimentando de frutos caídos na água sob árvore da mata ciliar
Alimentação natural baseada em frutos e sementes da mata ciliar.
Manejo de pacu grande em viveiro escavado de piscicultura
Pacu é um dos peixes mais criados em piscicultura no Brasil central.
Ideal para

Ideal para produtores e sítios com viveiro escavado grande, pesque-pagues e criadores experientes que buscam um peixe rústico, de crescimento rápido e boa aceitação de ração vegetal. Também agrada pescadores esportivos que valorizam briga forte e manejo sustentável. Funciona bem para quem tem espaço, renovação de água e entende o ciclo de piracema, podendo manejar reprodução induzida com apoio técnico.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem tem aquário doméstico comum, apartamento ou pouco tempo para manutenção. O pacu cresce muito, destrói plantas e exige filtragem e oxigenação potentes, além de volume de água que a maioria das casas não comporta. Também não serve para quem busca peixe pequeno de cardume, colorido ou de baixa manutenção, nem para iniciantes que querem um peixe que se reproduza sozinho no aquário.

Como cuidar

Ambiente
Viveiro escavado ou tanque-rede grande; aquário só acima de 5000 L para um adulto, com tampa resistente
Água
Doce, 22 a 28 °C, pH 6,0 a 8,0, oxigênio >5 mg/L, renovação constante
Alimentação
Ração onívora 28-32% PB + frutas, legumes e folhas; 1 a 2 vezes ao dia
Manejo
Evitar superlotação (1 peixe/2-3 m²), manejo com rede causa lesões; quarentena para novos lotes

Perfil rápido de Pacu

Estado de conservação

NT
Quase Ameaçada

Populações em declínio em trechos barrados da bacia do Paraná-Paraguai.

População
Em declínio
Protegido por
Defeso na piracema e cotas de pesca por estado

Vida útil

Na natureza
15 a 25 anos, com crescimento mais lento após os 5 anos
Em cativeiro (viveiro)
10 a 15 anos com manejo e água bem oxigenada
Em aquário inadequado
Poucos anos, com deformidades e estresse crônico

Reprodução

Maturidade sexual
3 a 4 anos (machos 40 cm, fêmeas 45 cm)
Época
Piracema de outubro a fevereiro, no período das chuvas
Tipo de desova
Ovípara, ovos livres sem cuidado parental
Fecundidade
100.000 a 200.000 ovos por fêmea
Indução em cativeiro
Necessária, com hormônio hipofisário e incubadora a 26-28 °C

Habitat

Ambientes

  • Rios de médio e grande porte
  • Lagoas marginais e baías do Pantanal
  • Áreas de várzea e planícies de inundação
  • Represas e açudes onde foi introduzido

Biomas

  • Pantanal
  • Mata Atlântica
  • Cerrado

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Frutos
  • Sementes
  • Folhas e flores

Outros alimentos

  • Caramujos
  • Caranguejos
  • Insetos
  • Ração vegetal em cativeiro

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Argentina
  • Bolívia

Como animal de estimação

Adequação
Baixa para aquário doméstico; alta para viveiro e lago grande
Legalidade no Brasil
Criação permitida; transporte e soltura exigem autorização; pesca proibida no defeso
Nível de cuidado
Médio a alto, exige grande volume de água e filtragem potente
Custo de aquisição
Filhotes baratos, mas custo alto de estrutura e alimentação ao longo da vida

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Characiformes
Família
Serrasalmidae
Gênero
Piaractus
Espécie
Piaractus mesopotamicus

Resumo

  • O pacu verdadeiro (Piaractus mesopotamicus) é um peixe onívoro de grande porte da bacia do Paraná-Paraguai, com corpo prateado alto e dentes molariformes.
  • Vive em rios, lagoas de várzea e no Pantanal, faz piracema para se reproduzir e se alimenta principalmente de frutos, sementes, folhas e pequenos invertebrados.
  • Muito criado em piscicultura e pescado esportivamente, exige tanques e viveiros grandes e não é adequado para aquários domésticos comuns.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoPiaractus mesopotamicus (Holmberg, 1887)
FamíliaSerrasalmidae
OrigemBacia do Paraná-Paraguai (Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia)
Tipo de águaDoce
Tamanho50 a 80 cm (comum 45 a 60 cm) e 8 a 20 kg
Expectativa de vida15 a 25 anos na natureza; 10 a 15 anos em cativeiro bem manejado
Coresprateadocinzaamarelo-alaranjadobranco
AlimentaçãoOnívora com tendência herbívora
ReproduçãoOvípara migradora (piracema)
VariedadesPacu-carana, pacu-comum; grupo pacu inclui espécies próximas como pirapitinga (Piaractus brachypomus)

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMédio
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeAlto
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaMédio
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como identificar o pacu verdadeiro e não confundir com piranha ou tambaqui

O pacu verdadeiro é o Piaractus mesopotamicus, de corpo alto, quase circular quando visto de lado, e cabeça robusta. A coloração é cinza-prateada no dorso, prateada nas laterais e amarelada ou alaranjada no ventre e nas nadadeiras inferiores, sem o vermelho intenso do tambaqui na garganta.

O detalhe que mais chama atenção são os dentes molariformes, achatados e parecidos com molares humanos, dispostos em duas fileiras na mandíbula. Eles servem para triturar frutos e sementes duras, diferente dos dentes triangulares e cortantes da piranha.

Filhotes de pacu têm corpo mais prateado com manchas escuras arredondadas que desaparecem com o crescimento, o que causa muita confusão com piranhas jovens. Adultos perdem as manchas e ganham o perfil alto e a boca menos prognata.

Característica Pacu (P. mesopotamicus) Tambaqui (Colossoma macropomum) Piranha
Corpo Alto e arredondado, prateado com ventre amarelado Mais alto ainda, escuro com ventre avermelhado Mais baixo e compacto, acinzentado a avermelhado
Dentes Molares arredondados, duas fileiras Molares semelhantes, porém maior porte Triangulares, afiados, uma fileira
Gordura na nadadeira Nadadeira adiposa pequena Nadadeira adiposa com raios Sem nadadeira adiposa proeminente
Comportamento Pacífico, gregário Pacífico, gregário Predador oportunista

Onde o pacu vive na natureza: rios, várzeas e Pantanal

A distribuição natural do pacu verdadeiro é a bacia do Paraná-Paraguai, incluindo rios Paraná, Paraguai, Uruguai e seus afluentes. É um dos peixes mais emblemáticos do Pantanal, onde ocupa calhas de rios, lagoas marginais, baías e áreas alagadas.

Prefere águas lentas a moderadas, com vegetação ciliar densa e frutos caindo na água. Na cheia, entra nas áreas de inundação para se alimentar; na seca, retorna ao canal principal. Essa alternância entre rio e várzea é essencial para seu ciclo.

Fora da área nativa, foi introduzido em açudes e represas de outras bacias para piscicultura e pesca. Onde escapa, pode se estabelecer, mas não completa a reprodução sem migração longa, o que limita invasões em rios barrados.

Tamanho, crescimento e por que ele não cabe em aquário comum

O pacu é um peixe grande. Adultos com 50 a 60 cm e 8 a 12 kg são comuns, e exemplares de 70 a 80 cm e 18 a 20 kg ocorrem em ambientes bem preservados. O crescimento é rápido nos dois primeiros anos, quando já pode passar de 40 cm se bem alimentado.

Esse porte inviabiliza aquários domésticos. Mesmo um jovem de 15 cm precisa de tanques acima de 1000 litros no primeiro ano e viveiros de 5000 litros ou mais na fase adulta. Em aquário pequeno, o pacu fica deformado, estressado e para de crescer corretamente.

Na nossa avaliação, o pacu não é peixe de aquário, é peixe de viveiro, lago ornamental grande ou piscicultura. Quem compra filhotes de 5 cm em lojas sem essa informação acaba tendo que doar o animal em poucos meses.

Comportamento: pacífico mas destruidor de tudo que é verde

O temperamento é pacífico e gregário. Vive em pequenos grupos, nada de forma calma em meia-água e raramente ataca outros peixes. Pode conviver com espécies grandes e tranquilas como tambaqui, curimbatá e pintado, desde que haja espaço.

O problema é outro: ele come e arranca plantas, desfaz decoração e morde mangueiras, fios e borrachas. A força da mordida tritura coquinhos de bocaiuva e tucum, então filtro interno frágil não resiste. É um peixe curioso que explora tudo com a boca.

Tem atividade diurna e boa memória alimentar. Aprende rápido onde cai alimento e pode até comer na mão em viveiros. Quando assustado, dá arrancadas fortes e pode se machucar em paredes de vidro fino.

Alimentação na natureza e na criação: o triturador de frutos e sementes

Na natureza, o pacu é onívoro com forte tendência herbívora. A base são frutos, sementes, folhas e flores da mata ciliar, complementados por caramujos, caranguejos e insetos. No Pantanal, é um dos principais dispersores de sementes de figueiras, tucum e ingá, carregando sementes intactas por quilômetros.

Essa dieta explica os dentes molariformes e o intestino longo. Ele consegue quebrar sementes com casca dura que poucos peixes aproveitam, e as sementes que não digere germinam melhor depois de passar pelo trato digestivo.

Em viveiro ou pesque-pague, aceita ração extrusada para peixes onívoros (28 a 32% de proteína), frutas picadas, legumes, folhas de couve e grãos. O erro comum é oferecer só ração carnívora ou pão em excesso, o que causa gordura visceral e problemas hepáticos.

  • Ofereça variedade vegetal: laranja, banana, mamão, abóbora e folhas devem fazer parte da rotina.
  • Evite alimentos muito gordurosos: restos de comida humana e ração de cachorro prejudicam o fígado.
  • Alimente 1 a 2 vezes ao dia até a saciedade, sem sobras que apodreçam a água.

Reprodução e piracema: a migração que decide tudo

O pacu é migrador de piracema. Entre outubro e fevereiro, com o aumento da temperatura e das chuvas, sobe os rios em cardumes para desovar em trechos de correnteza. Uma fêmea grande pode liberar 100 mil a 200 mil ovos por desova.

Os ovos são livres, sem cuidado parental, e eclodem em cerca de 16 a 20 horas dependendo da temperatura da água (26 a 28 °C). As larvas são levadas para lagoas marginais alagadas, onde encontram abrigo e alimento.

Esse ciclo exige rios livres por 150 a 300 km sem barragens. Por isso, em represas e viveiros o pacu não se reproduz naturalmente. Na piscicultura, a reprodução depende de indução hormonal com extrato de hipófise e manejo de incubadoras.

Pacu na piscicultura e na pesca esportiva

É um dos peixes mais criados no Brasil central. Cresce rápido, tolera manejo, aceita ração e tem carne branca e saborosa, com espinhas em Y que exigem corte específico. O sistema mais usado é viveiro escavado de 1000 a 5000 m², com renovação de água e densidade de 1 peixe a cada 2 a 3 m².

Na pesca esportiva, o pacu é famoso pela briga forte e pela mordida que corta linha fina. Em pesque-pagues, é capturado com massas de frutas, coquinho e ração. Na natureza, a pesca é regulada pelo período de defeso da piracema, quando a captura é proibida.

Um fato pouco divulgado é que híbridos como tambacu (tambaqui x pacu) e paqui (pacu x pirapitinga) são muito comercializados como pacu, mas têm crescimento e formato diferentes. O pacu puro tem crescimento um pouco mais lento que os híbridos, porém melhor adaptação ao frio do Sul e Sudeste.

Saúde, manejo e erros comuns de quem tenta criar

Bem manejado, o pacu é rústico. Os problemas surgem com água com amônia alta, oxigênio abaixo de 4 mg/L e variações bruscas de temperatura. Doenças comuns são ictio (pontos brancos), monogenoides nas brânquias e infecções bacterianas após manejo com rede.

Parâmetros de referência para criação: temperatura 22 a 28 °C, pH 6,0 a 8,0, oxigênio dissolvido acima de 5 mg/L. Tolera pH levemente ácido do Pantanal, mas sofre com água muito fria abaixo de 18 °C, quando para de comer.

Erros frequentes:

  • Comprar filhote achando que é piranha pacífica para aquário de 100 litros. Em seis meses o peixe já não cabe.
  • Manter sozinho em aquário sem vegetação ciliar ou sombra. Fica estressado e apático.
  • Alimentar só com pão e restos. Causa obesidade e água turva.
  • Soltar em rios fora da bacia nativa. É crime ambiental e prejudica a fauna local.

Perguntas frequentes

Pacu é piranha?

Não. É da mesma família Serrasalmidae, mas tem dentes molariformes para triturar sementes e comportamento pacífico, diferente dos dentes cortantes e hábito predador da piranha.

Qual o tamanho que o pacu chega?

Na natureza chega a 70-80 cm e 18-20 kg. Em viveiros bem manejados, 50-60 cm e 8-12 kg são mais comuns.

Pacu pode ser criado em aquário?

Só em aquários gigantes acima de 5000 litros para um adulto. Para a maioria das casas, o ideal é viveiro escavado ou lago grande.

O que o pacu come?

Frutos, sementes, folhas, flores e pequenos invertebrados. Em cativeiro, ração onívora vegetal e suplementação com frutas e legumes.

Pacu morde gente?

Pode morder se manuseado fora da água, pois tem mordida forte para quebrar sementes. Não ataca nadadores, mas manuseie com cuidado e nunca coloque a mão na boca.

Quando o pacu se reproduz?

Na piracema, de outubro a fevereiro. Migra rio acima para desovar e não se reproduz naturalmente em represas ou viveiros sem indução hormonal.

Pacu tem muitos espinhos?

Tem espinhas em Y na musculatura, como a carpa. A carne é saborosa, mas exige corte específico para remover as espinhas.

Fatos surpreendentes sobre o pacu

1

Dentes que se renovam

Os dentes molariformes do pacu são trocados ao longo da vida e se desgastam triturando coquinhos duros de bocaiuva e tucum, com força suficiente para quebrar anzóis finos.

2

Jardineiro do Pantanal

Estudos no Pantanal mostraram que o pacu transporta sementes intactas por até 5 km após ingeri-las, ajudando a regenerar matas ciliares de figueiras e ingás.

3

Filhote manchado

Filhotes de até 10 cm exibem manchas escuras redondas nas laterais que somem na fase adulta, fase em que muita gente os confunde com piranhas jovens.

4

Migração obrigatória

Sem subir de 150 a 300 km de rio livre na piracema, o pacu não completa a maturação gonadal e não desova, por isso não se reproduz em represas sem indução hormonal.

Fontes

  1. FishBase - Piaractus mesopotamicus
  2. Embrapa Pantanal - Pacu
  3. ICMBio / ICMBio - Livro Vermelho da Fauna Ameaçada

Prós e contras: Pacu

Prós

  • Pacífico e gregário, convive bem com outros peixes grandes
  • Rústico e tolerante a manejo quando há espaço e oxigenação
  • Crescimento rápido e boa conversão alimentar em viveiro
  • Papel ecológico importante como dispersor de sementes
  • Carne apreciada e valorizada na pesca esportiva

Contras

  • Porte muito grande, inviável para aquários comuns
  • Destrói plantas e pode danificar equipamentos frágeis
  • Não se reproduz sem migração ou indução hormonal
  • Exige grande volume de água e controle de qualidade constante
  • Confundido com híbridos (tambacu) no comércio
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pacu é um dos peixes mais interessantes do Brasil para entender a ligação entre rio e floresta, mas é também um dos mais mal comprados por impulso. Criar pacu exige assumir um animal de grande porte e longa vida, não um peixinho de aquário.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.